domingo, 4 de dezembro de 2016

Lamento de um rio...


Olívia de Cássia Cerqueira.


O Mundaú está morrendo
Socorram o Rio Mundaú.
Onde antes corria água
Agora é mato que se vê,
Tomando conta do seu leito.
Até árvore pequena está nascendo.
Dá vontade de chorar...
De ver o rio da minha infância
Clamando por socorro.
O rio Mundaú chora o descaso
Desmatamento, seca, poluição
Estão matando o rio federal.
Socorram o Rio Mundaú.
Replantem sua mata ciliar,
Arborizem suas margens,
Eduquem as crianças
Para amarem nosso rio
Não deixem morrer
nossas lembranças
Não deixem secar nosso rio.
Socorram o Mundaú....



Foto: Olívia de Cássia Cerqueira.

quarta-feira, 30 de novembro de 2016

Até quando não sei


Por Olívia de Cássia

Os dias vão passando e vou seguindo tentando administrar situações difíceis: ora econômicas, outras de logística, de deslocamento, de rotina doméstica. E assim as horas vão passando, entre uma tragédia ou outra, que é noticiada.

Até quando vamos ver a impunidade vencendo, mesmo diante da grita do povo, com a aprovação dessa PEC do inferno ontem. Foi mais um tempero do golpe que se estabeleceu no país nos últimos meses.

Por outro lado, eu me recuso a ficar de cara o dia todo na televisão, vendo tanta desgraça explorada até o último bagaço, como dizia minha mãe. E quanto mais eles espremem, mais acham. Cenas chocantes e amarguradas que só o sensacionalismo sabe como fazer.

O Brasil vai afundando cada dia mais, entre uma corrupção e outra e me ponho a perguntar, se terá fim esse pesadelo, ou se ainda há maneiras de o país se reinventar e seguir os rumos da própria história.

Foram muitos os golpes nas terras tupiniquins, desde a implantação da República. Segundo Roberto Amaral, em artigo na revista eletrônica Carta Capital, nossa história é farta em exemplos de golpes de Estado, desde o Primeiro Reinado, mas nem todos podem ser classificados como ilegais, exatamente por terem sido operados dentro da ‘ordem’ e, portanto, sem violência e sem determinarem rupturas constitucionais.

Contam os historiadores que desde a sua origem, a elite brasileira sempre procurou controlar o essencial do poder regional e viver em situação subordinada com as elites estrangeiras, desconsiderando as necessidades essenciais da população pobre.

“No período da monarquia, eclodiram movimentos liberais, federalistas e separatistas (Balaiada; Cabanagem; Revolta Farroupilha, etc.). Esses movimentos foram traídos no seu nascedouro pelas elites regionais, temendo a adesão dos pobres e dos trabalhadores escravizados”.

Nossa história é muito rica em fatos que comprovam o quanto somos tão vulneráveis aos golpes. Na atual conjuntura, esse governo ilegítimo agoniza entre medidas atrasadas, retrógradas e retirando todos os direitos que foram conquistados pelos trabalhadores e movimentos sociais ao longo dos anos.

O mundo deu uma guinada e o Brasil, fazendo parte do mesmo contexto, voltou ao passado, em se tratando de garantias de direitos. Eles estão sendo tirados, menos dos bem aquinhoados.

E nessa aquarela de cores confusas e turvas vamos seguindo: ora ainda chocados, ora perplexos. Não posso ficar muda diante de tanta coisa que não concordo e que sempre lutei contra.

Podem me chamar de louca, mas o que seria do mundo desenvolvido se não fossem os loucos¿ Karl Marx disse que a função da imprensa é ser o cão-de-guarda, o denunciador incansável dos opressores.

Mas o que observamos no cotidiano é uma imprensa vendida, reacionária e do lado do opressor. “O dever da imprensa é tomar a palavra em favor dos oprimidos a sua volta. [...] O primeiro dever da imprensa é minar todas as bases do sistema político existente", disse ele.

sábado, 26 de novembro de 2016

Lamento


Por Olívia de Cássia

É com pesar que vejo a notícia da morte do comandante Fidel Castro nas primeiras horas da manhã deste sábado que já começa calorento nas redes sociais. Mas com bem disse o colega Carlos Madeiro em seu Facebook, pode se dizer tudo de Fidel, mas há que se considerar que em Cuba a educação e a saúde funcionam.

Para aqueles que o criticam sem nem ter conhecimento do que aconteceu quando da Revolução Cubana, eu recomendo leitura. A Revolução Cubana foi um movimento popular, que derrubou o governo do presidente Fulgêncio Batista, em janeiro de 1959. Um ano antes do meu nascimento.

Com o processo revolucionário foi implantado em Cuba o sistema socialista, com o governo sendo liderado por Fidel Castro. Recomendo mais informações no site http://www.suapesquisa.com/historia/revolucao_cubana.htm, entre outros.

Não estou aqui defendendo ditaduras e não sou a favor de uma revolução pelas armas, embora em algum momento da vida já cheguei a pensar assim. Sou pela democracia, revolução pela educação e políticas públicas, principalmente para os menos favorecidos.

Defendo a democracia, mesmo que torta, mas a gente tem que reconhecer as políticas públicas implantadas na ilha. O que pontuo aqui como lamentável são as agressões que se coloca nas redes sociais desde já.

O pior são os comentários que já colocaram em meu zap e em minha linha do tempo, por eu ter lamentado a morte do comandante. Desde a primeira eleição de Lula, agravando-se com a eleição e reeleição da presidente Dilma, tenho recebido algumas agressões por expor minha visão de mundo.

Quando defendi a presidente Dilma, alguns defensores dos paneleiros e os próprios me agrediram verbalmente e fui obrigada a bloquear no meu Facebook. Só para se ter uma ideia, do que me foi respondido por conta de uma postagem minha hoje, além das críticas a Cuba, que eu respeito, vejam só:

“É hora de celebrar a honra dos heróis que lutaram contra o socialismo no mundo. Hoje mais um capítulo desta história vai se pagando. Será que ainda convence esse discurso jornalístico de esquerda? Que papo antigo, chato: “Discurso de jornalista esquerdopata”.

Diante do exposto, eu pergunto: o que fazer diante de um discurso desses a não ser recomendar leitura? Outra eleitora do Bolsonito, então, nem se fala. Em oposição ao pensamento que respeito mas que considero atrasado, retrógrado e inapropriado, transcrevo aqui uma fala da internauta, Ana Mateus.

"O homem poderá desaparecer fisicamente, mas a sua obra e significado, viverão para sempre nos corações de quem luta por uma sociedade mais humana, mais justa e sem exploração do homem, pelo homem”.

E ainda: “O legado de um homem não se destrói com políticas pontuais de retrocesso, pois não serão estas a deter o curso da História, pelo contrário, só lhe darão força para a mesma continuar e nunca retroceder”. E assino embaixo. VIVA CUBA! VIVA FIDEL!". Bom dia.

quarta-feira, 23 de novembro de 2016

Por um Brasil melhor

Por Olívia de Cássia

De volta ao nosso bate-papo, meu Diário, cá estou eu tentando seguir minha nova rotina de fisioterapia e pequenas caminhadas, na tentativa de retardar os efeitos da DMJ. Passei alguns dias de enfado, dores, cansaço, mas nem assim sossego, enquanto não escrevo e ponho para fora algumas inquietações que vêm do fundo da alma.

Fora do mercado de trabalho e licenciada, por motivos de saúde, acompanho de longe o movimento da categoria; a política brasileira e a conjuntura atual, que não é das melhores. Dá fadiga e revolta a gente acompanhar o noticiário, principalmente o televisivo.

Todos concordam que uma reforma política no Brasil é necessária, para que a sociedade civil tenha cada vez mais espaço nas decisões tomadas pelos nossos poderes. Isso já foi dito amplamente por especialistas e comentaristas políticos confiáveis.

No entanto, do jeito que a carruagem está andando, estamos indo para o fundo do poço. Não sei, sinceramente, se ainda dá para ter alguma esperança. Tem horas que ela foge de mim. O Brasil está vivenciando uma crise muito pior do que estava e só não enxerga isso quem não quer ver ou admitir o caos que se instalou no País depois que os golpistas tomaram conta do Palácio do Planalto.

Ficou bem evidente que os que foram às ruas pedir a saída da presidente, eleita legitimamente pela maioria dos brasileiros, não estavam preocupados com a corrupção, apenas queriam marginalizar e execrar apenas um partido e suas lideranças.

E não estou aqui isentando quem quer que tenha cometido irregularidade, seja de que lado for, como já escrevi várias vezes. Queriam tirar os direitos das empregadas domésticas, dos negros, pobres, mulheres e dos trabalhadores. Com a saída da presidente Dilma ficou mais do que escancarado o que queriam os golpistas.

Aliás, foram obrigados a noticiar ontem que no governo da presidente o país estava bem melhor. O ilegítimo e seus seguidores tomaram o poder de assalto e implantaram um retrocesso político, mental, cultural e social no país.

Mesmo assim, as panelas, que em 2013-2014 retumbavam nos apartamentos de luxo dos bairros nobres brasileiros silenciaram. Rogerio Dultra, em Análise de Conjuntura, Democracia e Conjuntura, Política, exclusivo para o site O Cafezinho, diz que o regime Temer faz água em velocidade assustadora.

“Envolto em denúncias de corrupção, em uma crise econômica aguçada por sua incompetência e pela ganância desenfreada das forças internacionais do capital que desejam saquear o país o mais rapidamente possível”, disse ele.

Segundo Rogerio Dultra, estamos assistindo o mais abrangente processo de criminalização da política no Brasil. “Desde 2013, o discurso de combate à corrupção – arma histórica da direita udenista – tem encontrado respaldo e materialidade no aparato judicial e repressivo do Estado”, avalia.

Para ele, o golpe que afastou Dilma Rousseff da Presidência trazendo à baila o embate da classe política tradicional com a burocracia policial/judicial tem produzido a erosão da lógica da legalidade como orientação do funcionamento das relações sociais.

Diante dos fatos, percebe-se que o Brasil está vivendo um estado de exceção. “As regras do jogo democrático estão sendo substituídas à luz do sol pelo podere arbítrio de um aparato institucional que deseja funcionar à imagem e semelhança da “Operação Lava-Jato”, isto é, sem controle”, avalia.

A Constituição de 1988 foi rasgada e cuspida, a chamada Constituição Cidadã do dr. Ulisses Guimarães. O estado democrático de direito foi ameaçado e está sendo destroçado a cada dia; a instabilidade do golpe cavalga para direções imprevisíveis e não podemos nos calar diante de tais fatos absurdos.

A população precisa voltar às ruas com mais frequência; parabéns à rapaziada da ocupação. Continuarei a perseguir uma sociedade mais justa, um mundo melhor para todos; defender as políticas públicas, principalmente para os menos favorecidos, mais investimentos em educação e na melhoria pela qualidade de vida do cidadão. Boa noite.

quinta-feira, 17 de novembro de 2016

Consciência e ocupação

Por Olívia de Cássia

No próximo domingo acontecem as celebrações do Dia da Consciência Negra, em homenagem a Zumbi dos Palmares e a todos os guerreiros e guerreiras que lutaram contra a escravidão no Brasil. Este ano, na data prevista, não estarei fisicamente no local, mas com certeza ficarei com o pensamento e coração voltados para as celebrações.

Desde a década de 1980, quando se iniciaram em União dos Palmares e na Serra da Barriga, as comemorações para homenagear Zumbi e o povo negro, branco e índio que se refugiou no quilombo, tenho participado e comparecido de alguma forma.

Por questões de limitações do corpo, por causa da Doença de Machado Joseph, estarei ausente fisicamente, sem esquecer o que representa e simboliza para nós que lutamos por uma sociedade mais justa e igualitária.

Embora avalie que todos os dias seja de a gente se policiar contra a intransigência e o preconceito manifestado seja de que modo for. Nunca devemos parar de lutar pelos nossos ideais e tenho esse compromisso: um pensamento que vai comigo até o fim dos meus dias.

Fiz uma visita ao local no domingo, 13; um passeio rápido para matar a saudade. Parece que me refaço cada vez que vou à Serra da Barriga. Num clima muito quente e de ausência de chuvas no local, constatei na ocasião que em cima da hora estão fazendo os reparos necessários.

Para quem não sabe ou esqueceu o que aprendeu na escola sobre o que representa Zumbi dos Palmares para a história do Brasil e do mundo, vale leitura, em tempos de retrocesso histórico, político, social e cultural, uma questão de ordem se faz necessária. Deveríamos deixar a ignorância intelectual de lado e procurar estudar o assunto, ser mais gentil com as pessoas que pensam diferente de nós.

Zumbi entrou para a história como o último líder do maior foco de resistência negra à escravidão no Brasil, no século XVII. O Quilombo dos Palmares, ao longo de 80 anos de resistência, foi o mais importante dos locais de resistência criados pelos africanos escravizados.

Contam os historiadores, que a prosperidade e a capacidade de organização do quilombo representaram uma séria ameaça para a ordem escravocrata vigente. Vários governos que controlaram a região organizaram expedições que tinham por objetivo estabelecer a destruição dele.

Os quilombos representam a luta daqueles que fugiram do cativeiro e da intolerância dos poderosos. O tema está tão atual que podemos fazer analogias ao que está acontecendo na sociedade brasileira e no mundo.

Nossos estudantes, que estão ocupando as escolas, estão dando exemplo aos marmanjos; raposas velhas na política brasileira, e me fazem ainda ter esperança: verdadeira lição de cidadania com as ocupações nas escolas, contra a PEC da Morte, que limita os gastos públicos por um período de 20 anos e a MP 746 (Medida Provisória), que reforma o Ensino Médio. Vale uma reflexão.





sexta-feira, 11 de novembro de 2016

Estou de volta

Por Olívia de Cássia

Há mais de 15 dias sem escrever no blog, tive a sensação de que algo me faltava. Para quem tem o vício e o gosto pela escrita, é um sufoco danado: dá impaciência e angústia. Problema técnico resolvido, eis-me aqui com alguns questionamentos, alegria na família pelo nascimento de mais um membro e algumas inquietações pessoais que me afloram vez ou outra.

A notícia que está em pauta nos grandes meios de comunicação e nas redes sociais é a eleição do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, tema que já viralizou na net. E sem querer me aprofundar nesse assunto já bem comentado, gostaria de tecer algumas considerações aqui.

O mundo neste ano de 2016 retrocedeu, ficou careta, conservador, homofóbico, racista, preconceituoso e outros adjetivos mais. Depois de três séculos da epopeia de Zumbi, que deu o primeiro grito de liberdade do Brasil, a gente fica se perguntando o que aconteceu com a sociedade?

Este mês de novembro é simbólico para todos aqueles que têm ideais de liberdade. Quando se reverencia Zumbi e comemora-se o mês da consciência negra no Brasil. Palmares era um quilombo pertencente ao estado de Pernambuco no século XVII.

Para lá iam milhares de negros, índios fugidos da escravidão dos engenhos e fazendas. O quilombo de Palmares, comunidade de quilombolas localizada na Serra da Barriga, em União dos Palmares, com uma área de 27 mil quilômetros quadrados; uma área equivalente a do atual estado de Alagoas.

Lá, Zumbi construiu uma fortificação onde viveram cerca de 20 mil pessoas, entre elas: brancos, negros e índios fugidos do cativeiro e em busca da tão sonhada liberdade. Tornou-se o símbolo maior dos que lutam por justiça social.

Depois de tanto tampo, os ideais de liberdade e igualdade propagados por nosso herói maior, foram subjugados nesse tempo de tecnologia de ponta. E como diria Cazuza, ‘eu vejo um futuro repetir o passado, eu vejo um museu de grandes novidades’.

A onda de revolta que acometeu aqueles que foram às ruas exigir a saída da presidente eleita pela maioria da população, sob acusação de corrupção, parou. Os paneleiros já não vão para as janelas de seus apartamentos de luxo gritar Fora Dilma.

A reclamação era contra a corrupção dos outros e não contra as suas próprias. Calaram-se diante do pacote de maldades do governo vampiro ilegítimo, contra trabalhadores, a educação, a saúde e os menos favorecidos.

São essas mesmas pessoas que vão no sábado ou domingo à missa rezar pedindo paz, a sua paz, falando em bondades em nome de Deus e esquecem que o Deus está dentro de cada ser humano. Basta olhar do lado e perceber suas necessidades.

Gente que olha apenas para os seus umbigos. Falam em corrupção, mas subornam o guarda, misturam água à gasolina, fazem gato na energia e negam um pedido de ajuda de quem precisa.

Que mundo é esse, onde a gentileza, a humildade e a honestidade passaram a ser objetos raros de consumo e quem as tem é posto à margem de seu grupo; muitas vezes da própria família!?

Onde não se respeita o pensar diferente e muitas vezes não é por falta de educação, é por ignorância intelectual mesmo. Li uma postagem na internet do meu celular, por esses dias, que não adianta o indivíduo ter diploma de ‘doutor’, se trata mal o ascensorista do elevador, o porteiro do prédio, o padeiro da esquina ou alguém que trabalha para si.

Antes de se ter um diploma, seja ele de que nível for, é necessário que se tenha a humildade de perceber que as chances que lhes foram dadas foram amplas e o melhor a se fazer é agradecer ao criador ou seja lá a quem for, pela oportunidade. Para refletir nesta sexta-feira, que marca a minha volta ao mundo dos blogs.

sábado, 22 de outubro de 2016

O choro não vem

Por Olívia de Cássia

Quero chorar, mas as lágrimas que antes jorravam com facilidade, já não me chegam assim. Tem horas que me sinto feito um zumbi, andando cambaleando, entre um desequilíbrio, uma queda e a falta de firmeza nas pernas.

Entre contradições; dores, perdas e experiências a gente vai seguindo em frente, tentando ser forte e acreditando que ainda posso ser eu. Antes, me bastava 'uma cara feia' e já estava eu a chorarando, não precisava de muito esforço.

A vida endureceu um pouco meu coração que já foi por demais magoado: muita experiência adquiri. A ataxia tira a sensibilidade da gente e nos torna mais céticos diante de fatos. Não quero me tornar uma pessoa fria que não se emocione com uma bela paisagem, uma bonita história de amor ou uma amizade sincera.

Não devemos fazer julgamentos e nem juízo de valor a respeito de quem quer que seja, muitas vezes sejamos tentados a isso. Quando me deparo com alguém muito rígido, frio e que aparenta não ter sensibilidade, me ponho a analisar com meus botões, o que tornou aquela pessoa tão insensível.

Não sou psicóloga, mas as experiências adquiridas que chegam com a maturidade, vai nos guiando e levando a entender algumas nuances que se apresentam no cotidiano. Amanheci pensativa com minhas dores físicas.

Quando me percebo ansiosa e inquieta, o jeito é colocar pra fora todo esse turbilhão de sentimentos que afloram, porque não adianta sair por aí falando pois nem mundo tem capacidade de mensurar esses sentimentos meus ou é obrigado a ficar ouvindo isso.

Não abro mão da simplicidade, da humildade, sem querer ser coitadinha ou inspirar dó seja lá de quem for. Dizem que algumas coisas simplesmente são, e não se pode querer mudá-las ou mesmo compreendê-las.

É assim que têm sido meus dias; não adianta me revoltar com a minha 'sorte', 'herança maldita', ou seja lá que nome eu vou dar às minhas limitações e impedimentos que chegaram com a falta de saúde. Não é fácil, mas não vou cair na cilada de ficar pensando o que está por vir; se é pior ou não do que o agora.

Gosto de estar com pessoas que me fazem bem. Pessoas positivas que me trazem um alento. Gente que gosta de cultura e de coisas boas. Infelizmente eu não posso dispor a toda hora da companhia de amigos assim e então corro para o teclado para descarregar todo esse sentimento que nem todos entendem.

Hoje em dia não é fácil falar de sentimentos; de ética e de boa conduta: parece que as pessoas foram contaminadas pela usura, materialidade e desamor. Tem horas que queria um colo para deitar e chamar de meu. Receber uns afagos e cafunés, como aqueles que a gente recebe da avó ou de pessoas queridas.

Mais um fim de semana chega, sem que eu tenha perspetivas de divertimento, de alívio das tensões e tenho que me contentar, ou pelo menos tentar, a aceitar o que vai chegando e o que me resta: ver a luz do dia; poder levantar, articular as palavras e ainda ter lucidez. Bom dia.

domingo, 16 de outubro de 2016

Eu vivi os anos 1980

Por Olívia de Cássia

No ano de 1980, quando perdi meu primeiro vestibular para Medicina, que era sonho da minha mãe, fiz a última viagem das muitas que costumava fazer quase todos os anos ao Rio de Janeiro, para onde mamãe me encaminhava, à casa dos meus tios, para me afastar das minhas amizades de União dos Palmares, que era uma preocupação dela.

Dessa vez fui ver se aventurava emprego em terras cariocas; já com 20 anos, apenas com curso de datilografia e o científico terminado, tinha meus sonhos de liberdade e independência bem aprofundados e queria deixar de depender dos meus pais.

Fiquei 'morando' no Rio de Janeiro quatro rápidos meses, passando temporadas na casa de um parente ou outro. Não tinha incursões por grandes aventuras por lá. Saídas só com os primos e primas, para programas com as crianças, que eu gostava muito.

Os passeios à Quinta da Boa Vista, Pão de Açúcar, à casa de familiares e à praia. Era o tempo da novela Água Viva. A violência já dava seus sinais naquela época, mas infinitamente menores do que hoje em dia. Nesse tempo, eu já começava a ir à quitanda, padaria e supermercados sozinha na Penha, onde minha tia Noêmia morava.

Ir à à Barra da Tijuca de ônibus, visitar duas amigas e voltar, ou para Realengo, à casa do meu tio José, até que recebi uma ligação de mamãe, informando que era para eu voltar às Alagoas, imediatamente: mamãe era quem determinava tudo em nossas vidas.

Minha prima Fátima Paes, com apenas 26 anos, estava nas últimas: metástase. Eu precisava passar meus últimos dias com ela. Éramos muito apegadas; foi muito sofrimento viver tudo aquilo. Avalio que o ceticismo de hoje se dá por conta de tanta perda.

Minha família, principalmente da parte do meu tio Antônio de Siqueira Paes, viveu muitas tragédias que dariam romances volumosos. Mas não vou fazer aqui incursões por elas, porque não é o foco do texto.

Foi na década de 80, que alcancei a universidade, depois de muita luta e muitas barreiras impeditivas. Fazer vestibular para jornalismo, numa época em que em União minhas amigas e amigos foram fazer medicina, engenharia, direito e outros cursos mais elitizados, causou revolta em dona Antônia, que sempre se via contestada por mim em sua forma de pensar.

As recomendações dela eram sempre as mesmas: 'cuidado com quem anda, cuidado com os comunistas'. E foi com quem primeiro me afinei no primeiro dia da faculdade, construindo amizades, tendo solidariedade deles. E Eu sempre transgredindo as determinações do sistema', que para mim, naquela época se chamava dona Antônia, com sua mão de ferro.

Hoje avalio que para minha mãe, conviver com uma filha rebelde naquele tempo não era fácil de entender. Ao contrário do que se pensa, tive muitos ensinamentos da minha mãe e deles não abro mão, apesar das nossas divergências de pensamentos.

Foi nesse tempo saudoso de faculdade que aprofundei minhas leituras e adquiri mais conhecimento e fui perdendo um pouco aquela ingenuidade; conhecendo mais da vida e do caráter das pessoas.

Em oposição a isso, me enredei na trama do sentimentalismo, que me embotou o pensamento por muito tempo e deixei de viver situações melhores e mais produtivas. Mas tudo isso faz parte da minha história de vida e não posso renegar.

Por conta desse atraso sentimental, quase deixava de lado minhas teorias e todo o aprendizado adquirido até então, me deixando levar pela tal submissão aos sentimentos. Demorou, mas a voz da razão falou mais alto e me livrou dos maus presságios, finalmente.

O especialista Gilberto Maragoni lembra que a volta da democracia (em 1985) possibilitou uma reorganização do movimento social, num patamar inédito até então. Ele destaca que nos países da América Latina esse período ficou conhecido como “a década perdida”, no âmbito da economia.

"No Brasil, a desaceleração representou uma queda vertiginosa nas médias históricas de crescimento dos cinquenta anos anteriores; mas sob o ponto de vista político, aquela foi literalmente uma década ganha", destaca.

Todas essas lembranças dos anos 80 me vieram hoje, depois de ser testemunha partícipe de tantas lutas e assistir o país sofrer um retrocesso e atraso que não estava na imaginação do mais pífio pensador. Bom dia.

terça-feira, 11 de outubro de 2016

Desorganização e caos

Por Olívia de Cássia

Talvez eu não tenha mais tempo para ver o que vai acontecer no Brasil daqui a 20 anos, quando estiver pago a cota do pacote de maldades do governo ilegítimo aprovado pela Câmara Federal. Mas o que o país está vivenciando, essa onda de atraso e retrocesso social, só vai ser percebida pelos mais jovens talvez quando nada tiver mais jeito.

Sou uma pessoa cronicamente desorganizada. Minha vida não tem sido fácil, como a de muitos brasileiros, mas bem mais estável em alguns aspectos do que a maioria que vai perder todos os benefícios adquiridos ao longo dos 12 anos dos governos Lula e Dilma.

Dependo do Sistema Único de Saúde-SUS que bom ou ruim é o que me tem valido nas horas de precisão, pois não tenho aporte financeiro para pagar planos exorbitantes de saúde. O desmonte na educação e na saúde está me deixando agoniada.

As políticas públicas que eram o carro-chefe do governo do PT estão sendo todas destruídas pela insanidade e incompetência de quem está no poder. Desorganização e caos é o que se apresentam por aqui, cotidianamente, e só poderemos ter dias melhores se o povo tiver consciência e voltar às ruas para protestar por todo esse desmonte.

No que se refere ao desmonte da minha vida pessoal, não posso atribuir culpas pelo meu mal desempenho na vida ou ao que aparece para eu resolver. Sou um desastre. Não fui treinada para as coisas práticas ou não me interessei para aprender e isso tudo agora me afeta de forma muito grave.

Vazamentos, entupimentos, reposição de peças; esses problemas que aparecem em casa, de ordem doméstica, me deixam em pânico, apavorada e eu fico sem saber o que fazer, mas sei que eles aparecem para me mostrar o quanto frágil eu sou nas tarefas do lar e na vida. Não vim ao mundo para administrar.

Ter problema neurodegenerativo não é fácil; tudo se complica a cada dia, as limitações do corpo vão falando alto, gritando, pedindo socorro, silenciosamente, e vamos dependendo mais dos outros para tudo, coisa que eu nunca esperei.

E vou ler para entender isso. Segundo a teoria do caos, uma pequena mudança ocorrida no início de qualquer situação, pode ter consequências desconhecidas no futuro. Talvez seja essa a explicação e entendo que nem tudo nesse rolo compressor deixa de ser positivo.

Diante desses imprevistos vou aproveitando para crescer, ou a vida oferece substância para isso. Que meus dias de ocaso sejam mais leves, para que eu ainda possa viver um pouco mais com suavidade e aproveitar o que me resta. Ainda tenho esperança, apesar de tudo. Bom dia e fiquem com Deus.

quinta-feira, 6 de outubro de 2016

De repente você percebe

Por Olívia de Cássia

Hoje amanheci um tanto quanto niilista, saudosa, decepcionada e desacreditada. De repete você percebe que as instituições que foram criadas para proteger o cidadão, não protegem nada e estão aí para acudir apenas quem tem poder.

A gente não conhece as pessoas por inteiro e vem aquele sentimento que não cabe dentro da gente: de decepção e tristeza. Aprendi que não devemos alimentar expectativa a respeito dos outros. Já nos bastam as nossas, que nem conseguimos resolver.

O mundo está mais feio, violento, sem gentileza, cheio de ódio e de intolerância e essa constatação me deixa mais triste. Eu continuo a perseverar e acreditar que podemos ser melhores, mas até lá vai um caminhão de decepções.

Me reporto ao pensador e filósofo Frederico Nietzsche, que vem lembrar que os valores tradicionais depreciam-se e que os "princípios e critérios absolutos dissolvem-se e tudo é sacudido, posto radicalmente em discussão.

"A superfície, antes congelada, das verdades e dos valores tradicionais está despedaçada e torna-se difícil prosseguir no caminho, avistar um ancoradouro". No livro Assim Falava Zaratustra, em tradução base de José Mendes de Souza, Nietzsche fala que o homem é um rio turvo.

"É preciso ser um mar para, sem se toldar, receber um rio turvo. Pois bem; o além-do-homem; é ele esse mar, nele se pode abismar o vosso grande menosprezo", diz o autor. E nesse ceticismo danado, vamos tentando entender atitudes e pensamentos, sem chegarmos a conclusões positivas.

A violência estampada nos meios de comunicação, diariamente, seja ela física, por constrangimento moral ou quando ela expõe o ódio, o preconceito e arbitrariedade ainda me surpreende, contrapondo ao que vejo todo dia.

A falta de investimentos em políticas públicas; a ignorância, seja ela intelectual ou em qualquer forma pode ser a resposta. Diversos sábios da ciência tentam explicar a 'ignorância dos seres humanos.

Goethe disse que não há nada mais terrível que a Ignorância; já Pitágoras observou que "se me perguntar o que é a morte, respondo-te: a verdadeira morte é a Ignorância. Quantos mortos entre os vivos!”.

Só para falar de um período mais recente, desde 2013 o Brasil vem passando por um processo de ignorância intelectual, social e moral inexplicável. Em artigo publicado no Blog Cidadania, Eduardo Guimarães escreve que a ação brasileira é uma entre tantas outras nações do Terceiro Mundo que, há séculos são mantidas sob estrito controle por uma discretíssima elite intelectual, econômica, financeira, étnica e regional.

"Controle em que sentido? No sentido mais óbvio em um país com tanta injustiça social: o controle da revolta de um povo que, em parcela expressiva, ainda se vê privado de um mínimo de igualdade de oportunidades e, portanto, de esperança", diz ele.

A posse do governo ilegítimo trouxe mais inquietação àqueles que perseguem justiça social e menos desigualdade social, longe de estancar a sangria da crise. O governo ilegítimo e impopular só tem desfeito o que foi proporcionado de melhorias no campo social pelos governos Lula e Dilma, doa a quem doer.

A gestão dol ilegítimo Temer, como já ficou claro em suas medidas recentes, está a serviço do ajuste fiscal e do aprofundamento das medidas neoliberais. O conjunto de medidas do reacionário governo está recheado de cortes nos direitos trabalhistas.

Aumento na idade da aposentadoria, plano de congelamento de gastos sociais por 20 anos, a redução dos direitos políticos dos partidos de esquerda, entre outras medidas. Será que o sonho acabou? Deixo a reflexão.

quinta-feira, 29 de setembro de 2016

Que vença o melhor

Por Olívia de Cássia

Às vésperas do dia da eleição municipal os boatos correm soltos nas redes sociais, 'como um rastilho de pólvora', como dizia aquela personagem Altiva, da novela Indomada. Tem candidato ficha suja com medo de ser impedido; enrolado na Justiça, mas desmentindo o que foi dito.

Teve candidato que se perdeu pelas besteiras que andou dizendo por aí; e não foram poucas e em quase todos os municípios aconteceu isso: todo ano é a mesma novela enfadonha. Cada um querendo ser melhor que o outro e querendo mostrar serviços que deixaram para fazer de última hora. E 'os podres' de cada um aparecem no horário político.

Mas estranhamente, em município como São Paulo, o melhor prefeito dos últimos tempos aparece nas pesquisas lá embaixo. Fernando Haddad é o homem público que toda pessoa do bem quer ter como gestor. Mas os paulistanos nos criticam dizendo que não sabemos votar e estão apostando em candidatos da direita golpista, por ódio e preconceito.

Se bem que eu não acredito muito em pesquisa, pois elas são encomendadas em cada reduto eleitoral do candidato interessado nos números altos. Tenho acompanhado pelas redes sociais essa peleja. Todo ano o mesmo ritual se repete.

Confesso que já fui muito mais entusiasmada com campanhas e eleições; em dia de votação, papai, que era fanático por eleição, nos mandava andar na rua para assuntar o que estava acontecendo em União e depois passar o relatório para ele, quando já estava inválido, por 14 anos.

E assim fomos seguindo as paixões de seu João Jonas por política. Mas este ano, por motivo de saúde, me limitei mesmo às redes sociais. Minha empolgação se dá mais, no momento, com a conjuntura nacional, cujo desdobramento me dá arrepio a cada notícia que leio.

E quantos cometários sem noção a gente observa por aqui, nas redes sociais. Comentários inescrupulosos de pessoas que sequer abriram um livro de história na vida e emprenham pelos ouvidos, ou manipulados pela grande mídia, principalmente a Rede Globo.

O governo ilegítimo a cada dia comete mais burrice e irregularidade, levando o país ao fundo do poço e à volta para pedir penico ao Fundo Monetário Internacional (FMI), coisa que Lula conseguiu sanar.

E o que acusavam a presidente Dilma e a tiraram do governo por essa alegação, as famosas pedaladas fiscais, já não é mais crime para esses farsantes. E muita gente 'inocente' acreditou no veredito apresentado por poderes comprometidos e parciais.

Com inverdades e hipocrisias proferidas que a cada dia são desmentidas por intelectuais e juristas e de renome, os golpistas fingem que não viram, ou deturpam o que disseram. Só veem quando a irregularidade é cometida por um partido só: o PT.

É verdade que muitos erros foram cometidos pelas esquerdas brasileiras, mas entre escolher uma esquerda que deu seus tropeços e uma direita fascista, sigo sempre à esquerda, como sempre segui.

Tenho feito críticas e observado o comportamento de lideranças; muitas que já perderam a credibilidade: pelo discurso raso e sem veracidade. Mas a direita quer acabar com o Partido dos Trabalhadores e invalidar a possível campanha de Lula às eleições de 2018.

Isso é o que está posto. O jogo é muito sujo, raso, asqueroso e só não entende quem não quer, ou finge que não ver. Boa noite e boa votação para todos.

quarta-feira, 28 de setembro de 2016

E ali estava eu

Por Olívia de Cássia

E ali estava eu: um tanto quanto incrédula diante daquela reviravolta; eu sabia que poderia ser verdade, mas fazia de conta que poderia não ser: como a gente faz quando não quer acreditar em algum fato corriqueiro da nossa convivência pessoal, ou não quer enxergar.

Às vezes damos uma de 'João sem braço', para continuar lutando por aquilo que a gente acredita. Muitos anos pensando que aquela situação fosse a 'felicidade' que eu porocurava, para não ter que dar o braço a torcer e acreditar que as outras pessoas tinham razão quando insinuavam o contrário.

Eu não queria aceitar ou fingia que não acontecia. A vida é assim: no livro O Caçador de Pipas, de Khaled Hosseini (2012) Amir e Hassan, dois meninos quase da mesma idade, vivem vidas muito diferentes no Afeganistão da década de 1970.

Amir é rico e bem-nascido, um pouco covarde, e sempre em busca da aprovação de
seu próprio pai. Hassan, que não sabe ler nem escrever, é conhecido por coragem e bondade. Os dois, no entanto, são loucos por histórias antigas de grandes guerreiros, filmes de caubói americanos e pipas.

E é justamente durante um campeonato de pipas, no inverno de 1975, que Hassan dá a Amir a chance de ser um grande homem, mas ele não enxerga sua redenção. Da mesma forma, assim como na ficção, a vida imita a arte e muitas vezes agimos assim, deixando escapar a chance de sermos outra pessoa.

Deixamos passar alguns momentos na vida, que não adianta o lamento depois. E como dizem por aí, quando a gente abre o olho, o tempo já passou. "O tempo passa muito rápido, e a pior coisa é se arrepender. Não adianta a gente lamentar pelo o que não fez, e se arrepender do que fez".

Eu me arrependi do que não fiz. Não temos uma segunda chance em muitos aspectos da vida e quando temos ela não vem da mesma forma. Eu aproveitei muito; vivi bons momentos ao lado dos amigos e posso dizer que fui muito feliz. Mas também tive meus dias tumultuados: na juventude e nos meus relacionamentos pessoais, como todo mundo.

Afora isso, não nego que gostaria de ter uma segunda chance: e quem não gostaria de tê-la! Mas não o tendo, precisamos aprender 'a fazer a limonada com apenas um limão', aproveitar o que a vida ainda tem para oferecer e pensar positivamente, não deixando que os maus fluídos e gente negativa nos influencie.

Nem sempre isso é possível, mas temos que tentar, ser persistente, teimoso. Gostar de poesia, de mar, de suavidade, de bichos; não se contentar com o que está estabelecido apenas por comodidade, mas não ser arrogante ao ponto de não aceitar ajuda dos outros.

É assim que tenho procurado viver meus dias de ocaso, até que Deus ou o destino ou sejaz lá que entidade for tenha tomado conta de mim e me leve para um lugar de luz, de céu, de mar, de flores, de muitos anjos protetores. É só o que peço, todos os dias, se eu merecer... Bom dia e boa tarde.

sábado, 24 de setembro de 2016

Quando o ter vale mais

Por Olívia de Cássia

Desde que tive consciência da minha existência terrena, ou como dizem no popular, que eu me entendo por gente, que observo as desigualdades na sociedade. Na infância nunca passei fome, mas ouvia os relatos dos meus pais a respeito de exemplos de quando moravam na roça.

Nasci em União dos Palmares, numa comunidade que antes era referência de entrada na cidade, quando as estradas de acesso à comunidade eram muito ruins e de barro. Era pela Rua da Ponte que passavam ônibus interestaduais, mercadorias e por onde o trânsito fluía para a capital, mesmo que de forma rude.

Depois que construíram a BR 104, o local passou a ser periferia e eu já não morava lá, mas estava sempre no local, pois meu pai continuou com a mercearia e o armazém que nos deu o sustento até a sua aposentadoria e da minha mãe, e meus avós moraram por lá até meus 14 anos.

A saudosa Rua da Ponte me serviu de laboratório para meus escritos. Lá moravam, desde pessoas da classe média remediada, até o mais carente e disso tudo tive muitos exemplos. Naquela época os relacionamentos eram mais fraternos; um ajudava o outro e éramos uma família.

Com o tempo a situação foi se modificando, a violência foi chegando e não foi diferente com o resto do país. A escolas sempre esteve presente em minha vida de uma maneira muito forte.

Eu era aplicada, mas sempre tive dificuldade com os números, principalmente depois de uma 'bela surra' que levei ao tirar nova vermelha na matéria. Não sei se pelos exemplos familiares, mas sempre valorizei as minhas amizades e o ser, antes do ter.

Meu avô Manoel Correia Paes vendeu o pequeno engenho, o Mucuri, para cuidar de sobrinhos órfãos, quando o irmão faleceu. Ele e minha avó Olívia Vieira de Siqueira, de quem herdei o primeiro nome, venderam as terras, que não tinham muito valor naquela época.

As poucas posses foram vendidas a preço miúdo para que fosse possível o sustento deles. Meus avós permaneceram na roça, até que meus tios, que já estavam residindo no Rio de Janeiro, trouxeram eles para União dos Palmares e passaram a morar numa casinha bem simples, na Rua da Ponte.

Meus avós eram iletrados, mas vovô adorava literatura de cordel e me pedia para ler e contar aquelas histórias que envolviam Lampião e o cangaço e o padre Cícero, quase sempre. Passaram a viver do passado e a nos relatar as histórias da família.

Aprendi com eles que família a gente não escolhe e muitos deles aprendemos a amar mesmo com todos os defeitos e erros, mas os amigos a gente pode escolher e aprender a amar, saber que pode contar muitas vezes mais com eles ou sempre com eles, prontos a nos ajudarem a qualquer hora.

Num mundo onde o ter passou a valer mais que o ser, fui entendendo com os anos passados e as experiências vividas, a valorizar as pessoas e perceber que o que vale nelas não é o tanto de posses que têm.

Sou uma sonhadora, admito, mas não sou a única, como disse John Lennon. E por conta da minha maneira de pensar já atravessei moinhos de vento.

Fazendo uma releitura de tudo, naquela época os preconceitos até eram admitidos, tal o atraso social em que o País vivia; assim entendíamos, mas agora? Em pleno século 21?

De uns tempos para cá nosso país deu uma reviravolta em tudo, em todos os aspectos e a sociedade regrediu de um jeito espantoso e inacreditável. Eu costumava dizer brincando aos meus pais que se vivesse à época da inquisição que teria acontecido comigo o mesmo que aconteceu com Joana D'Arc.

Mas parece até que estamos regredindo à Idade Média ou à Idade da Pedra Lascada, tal o retrocesso dos dias atuais. Uma sociedade que elogia figuras como Eduardo Cunha e outrosassemelhados que seguem a mesma linha, pelas suas práticas e crenças, vai dar em quê? Como acreditar no ser humano?

O primitivismo observado em algumas camadas da sociedade impressiona, pois quanto mais se observa o grau de acumulação de bens, mais atraso se percebe com relação às questões sociais, guardadas as devidas proporções.

Me limito a falar aqui, meu querido Diário, da minha decepção com alguns 'seres humanos'; talvez seja por isso que cada dia me apego ainda mais aos meus filhotes de quatro patas. Acho que eles são menos irracionais do que profetizam.

Como dizer que são racionais e humanos, lideranças que fomentam a guerra entre países e colocam os mais humildes no from do combate, enquanto eles ficam encastelados usufruindo do melhor?

Segundo um texto que li na internet sobre essa temática, "as ações excessivas do homem, dito civilizado, fazem parte de um contexto mais complexo da sociedade em que vive. Mesmo em países considerados de Primeiro Mundo, com educação primordial, encontram-se notícias de atos irracionais praticados por seus habitantes".

Para citar um exemplo, no Brasil e em nosso Estado, a violência campeia e o cidadão se enclausura em muros de concreto a sete chaves, com medo de ser assaltado e violentado. Corriqueiramente, moradores fecham suas ruas, com medo de assaltos e de serem violentados.

A impunidade reina aqui e alhures, quando se trata de punição para quem cometeu a violência se seu poder aquisitivo é considerável e tiver dinheiro para pagar um bom advogado. Do contrário, muitas vezes o apenado se torna mais perigoso ainda, ou morre dentro do próprio sistema prisional, sem que o inquérito policial seja concluído.

Falta políticas públicas de educação, antes de se construir mais presídios e de se condenar apenas os meliantes menos favorecidos."Independente das causas sociais, no Brasil está faltando punição exemplar aos agentes criminosos para que a banalização criminal não continue se tornando um fato cotidiano, segundo o advogado Júlio César Cardoso.

Para ele, a raiz do problema está na cúpula político-governamental que não investe maciçamente em educação pública de alta qualidade para nivelar todos - brancos, pardos, negros, índios, para poderem disputar o mercado de trabalho.

Não querendo isentar os erros cometidos por algumas figuras, nos governos Lula-Dilma, os brasileiros mais carentes tiveram esperança e oportunidade de cursar uma universidade, tiveram boas escolhas para fazer.

Agora o país está caminhando para um abismo, cujo fundo do poço não é possível avistar, se continuarem essas medidas desse governo ilegítimo e sem credibilidade nenhuma perante nós e a comunidade internacional. Para refletir faltando poucos dias para a eleição municipal, em que serão eleitos prefeitos e vereadores.

sábado, 17 de setembro de 2016

Indignada

Olívia de Cássia

Já diz o dito popular que da vida a gente não leva nada, a não ser as boas ações que pratica, os amigos que a gente faz ao longo da vida e a humildade que a gente carrega.

Desde a quinta-feira, 15 de setembro, quando do anúncio do desaparecimento do ator Domingos Montaigner nas águas límpidas do São Francisco, que telespectadores assistem incrédulos o desenrolar dos fatos.

A morte trágica do ator, veio a ser confirmada quatro horas depois de ter mergulhado nas águas do rio, comovendo a quem aprendeu a admirá-lo e acompanha a história de Santo dos Anjos na novela.

Mas estranhamente o ser humano tem uma verve para a maldade e ao mesmo tempo que muitos lamentavam e prestavam homenagem ao ator e se solidarizavam com a família, pessoas infames e inescrupulosas deixavam recados torpes, imbecis e sem noção nas redes sociais.

O mundo está empobrecendo a cada dia; as pessoas estão ficando sem índole e sem sentimentos. Como avaliar um indivíduo que numa hora de comoção social e de dificuldade que o país está vivendo, é capaz de dizer que foi a atriz Camila Pitanga que empurrou Domingos para longe, porque é filiada ao PT?

O que pensar de um monstro desse? Outro imbecil disse que não sabe o que o ator veio fazer no Nordeste, quando deveria estar no Sudeste. Respeitem o Nordeste, porque se não fosse a nossa região, o que seria da sua região?

Respeitem o sentimento das pessoas, respeitem o ser humano, as opiniões diferentes das suas. Reflitam sobre esse ódio disseminado ao Nordeste e a um partido político. Sejam pessoas do bem, que lá no cemitério, todos vão para debaixo do chão. Fica aqui a minha Indignação.

terça-feira, 13 de setembro de 2016

Há esperança ainda

Por Olivia de Cássia Cerqueira

O sol voltou a brilhar
para nos dizer
que ainda há esperança.
Basta semear
a semente do bem
e querer o melhor para si
seus semelhantes.
Dividir o pão, sem egoísmo.
Ainda há tempo de sonhar
De acreditar e de querer amar
um sonho maior de se sonhar.
Há esperança ainda.

sexta-feira, 9 de setembro de 2016

O que esperar?

Por Olívia de Cássia

O que esperar de um governo que está tirando todos os direitos conquistados pelos trabalhadores e movimentos sociais, durante esses anos e por intermédio da Constituição de 1988?

O que dizer de quem foi às ruas, alguns da classe média baixa, que depende de seu emprego para sobreviver, para defender Eduardo Cunha, Temer e gritar Fora Dilma? Eles agora estão vendo o que foi que angariaram para si e seus assemelhados colegas de trabalho.

Ideologia e lado político, cada um tem o seu. É como futebol e religião: devemos respeitar; mas a de se convir que o país sofreu um golpe e que aqueles deputados e senadores que votaram pela saída da presidente Dilma, sem nada provado, estão mais sujos do que pau de galinheiro.

Uma prova disso é que dois dias depois da saída da presidente Dilma, eles já consideraram e aprovaram no Senado que pedalada fiscal não é crime. Cada um para se livrar de suas tramoias.

Não devemos silenciar diante de tudo isso: mulheres, negros, movimento LGBT, movimentos sociais, entidades de classe e afins. Em entrevistas depois do impeachment, alguns senadores reconheceram que Dilma Rousseff não praticou crime de responsabilidade e que haviam votado pela sua destituição porque ela não teria mais condições de governar.

Isso confirma como já foi dito largamente pelos petistas e apoiadores de Dilma e Lula, que o processo de impeachment foi forjado para retirar do poder uma presidente democraticamente eleita.

A classe dominante não tem nada a perder com esse desgoverno, pois a maioria dos empresários aprovaram as medidas anunciadas pelo interino temeroso (para mim vai ser sempre interino).

Repórteres milionários, principalmente da Rede Globo, estão extasiados com o pacote de maldades anunciado por esse desgoverno, noticiado com satisfação. Isso é só o começo, infelizmente para nós, simples mortais.

Movimentos sociais que foram e estão indo às ruas, protestar contra as artimanhas dos golpistas estão sendo reprimidos pela polícia, comandada por aqueles que apoiaram o golpe. Muito pior do que estava a crise no país, está agora.

Agora eu pergunto: é ou não é golpe de estado? É ou não é um retrocesso político e social tudo isso que está acontecendo no Brasil? . E fora Temer!Para reflexão nesse início de tarde e bom fim de semana a todos.

sábado, 3 de setembro de 2016

Quando bate a incerteza...


Por Olívia de Cássia

Sabe meu Diário, quando bate aquela tristeza e o momento de incerteza do que se vai por aí? É como me sinto neste momento que posso dizer que não é mágico e nem tão suave como eu queria que fosse.

Ando à flor da pele, sensível por demais; talvez seja culpa das novas descobertas e dessa nova vida que estou levando. Dentro de mim mora uma menina que queria mudar o mundo, se fazer um ser humano melhor, coisa que nem sempre a gente é compreendida.

O padre Fábio de Melo, que muito admiro, disse que devemos dar valor às palavras e pensamentos produtivos, construtivos, normalmente vindos de pessoas que nos amam verdadeiramente.

Mas não sei por qual motivo, quem a gente ama, seja lá quem for, família ou amigo, nos deixa mais entristecida do que deveria. Por esses dias, Diário, eu talvez não tenha sido compreendida nas minhas atitudes e deixei insatisfeitas algumas pessoas.

Tem momentos que tomamos iniciativas com objetivo de mostrar o nosso amor pelo próximo e o resultado sai pelo avesso, mas interpretado e mal conduzido. E nesse momento eu fico arrasada por demais; vou ao chão.

É como se tivessem me roubado a alegria, a minha forma de mostrar o meu carinho e a boa vontade. Não que eu seja melhor do que outras pessoas; muito pelo contrário. Tenho infinitos defeitos e não tenho medo de confessá-los ou de expor o que sou. Sou um ser humano errante à procura da minha missão aqui na terra.

Não sou do tipo que se esconde por trás de uma couraça ou de um mundo que não é o meu. Não nego minhas raízes. Nasci nua comunidade que hoje já não existe e foi levada pelo Rio Mundaú. Vivi ali até nove anos, mas volta e meia estava eu no mesmo local.

Avalio que existem situações que são difíceis de enfrentar, assumir e superar para todos nós, como o abandono, a rejeição, o desprezo, a culpa, etc. Sim, a culpa e o medo são os piores sentimentos que a gente carrega e talvez esteja aí a chave do problema.

Segundo os estudiosos no tema, quem age de maneira rude e mal educada com seus semelhantes é porque carrega dentro de si fardos muito pesados e é nessas horas que tem que perceber que as outras pessoas não têm culpa de seus destemperos, suas querelas interiores.

"A personalidade e o temperamento de cada pessoa influenciam no seu comportamento diante deste tipo de situações que podem provocar uma grande dor emocional. Por isso, há quem se exponha a situações dolorosas sem se proteger, com certa tendência ao masoquismo, até ficar tremendamente machucado e ferido", diz a psicanálise.

Eu não quero e não desejo essa situação para mim. Muitas vezes fazemos algo achando que estamos agradando, sendo gentil, registrando momentos importante do convívio familiar, avaliando que isso pode ser uma prova de amor aos seus.

Ledo engano. Não nos veem assim. Por outro lado, devemos procurar entender o motivo pelo qual as pessoas agem dessa forma. Segundo os estudiosos, pode ser alguma sitação mal resolvida; negação do passado.

O psicanalista Sigmund Freud analisou a questão e dividiu a repressão psicológica em dois tipos: "a repressão primária, na qual o inconsciente é constituído; e a repressão secundária, que envolve a rejeição de representações inconscientes", pontuou.

Segundo ele, "a repressão é o processo psíquico através do qual o sujeito rejeita determinadas representações, ideias, pensamentos, lembranças ou desejos, submergindo-os na negação inconsciente, no esquecimento, bloqueando, assim, os conflitos geradores de angústia".

Talvez seja essa a explicação para a classe média brasileira estar se achando burguesa e esquecendo de seu passado e de suas origens. Para reflexão na manhã de sábado. Bom dia.

domingo, 28 de agosto de 2016

Para refletir neste domingo


Por Olívia de Cássia


Um domingo de alegria e muita paz para todos nós, apesar dos pesares. Mas não devemos transformar nossas expectativas em dramas, culpa ou angústia. Penso neste momento que nos dias de tristeza, a gente aprende a pensar em positividade. No meu caso tem sido assim.
Tenho pensado em lugares que só fui em pensamentos ou nas viagens das leituras que faço, nos bons momentos vividos, nos amigos que conquistei ao longo dessa minha passagem aqui na terra e na esperança de tempos melhores.

Se não for assim, a gente não suporta a carga que pesa em nossos ombros. Para algumas pessoas essa prática pode parecer doidice, alienação e uma fuga. Mas pensar positivo não é alienação e não quer dizer que a gente está alheio ao que se passa em nossa volta ou em nosso país.

Às vezes tenho ido de encontro a situações vexatórias que não quero aqui expor das nossas lideranças, mas me furto a fazer críticas a quem de direito, embora saiba que essas avaliações minhas talvez não sejam levadas em conta, por certos políticos arrogantes do nosso ciclo, que se acham os 'donos da verdade'.

E é por essa 'peitica' que chegamos a essa situação de crise absoluta. Mas quem sou eu para tecer avaliações conjunturais diante de 'dinossauros' da política, enclausurados nas suas verdades 'absolutas, , esperando a hora de dar o bote.

Já passei por algumas situações de quase desemprego por conta de expor meu modo de pensar. E não tem nada pior para um profissional do que se ver diante de um possível desemprego ou desempregado, por pensar diferente . Felizmente encontrei na vida pessoas solidárias.

Hoje, já afastada do trabalho, por motivo de saúde, me ponho a pensar em tudo aquilo, sem guardar mágoas ou sentimentos rancorosos dentro de mim. Os momentos de intempéries fazem parte da vida de todo mundo e posso dizer que, apesar das dificuldades, venci o medo de ter medo de tudo.
Há muito tempo, em priscas eras, eu era mais radical na minha forma de pensar. Mas hoje avalio que algumas coisas que eu entendia como a serem seguidas, continua valendo, mesmo me pondo mais flexível diante do caos.

Miguel Lucas, em artigo 'Insista no pensamento positivo', disse que a nossa motivação para fazer o melhor vem do pensamento. "Cada ação que temos é precedida por um pensamento que inspira essa ação. Mas, quando deixamos de pensar (devidamente), perdemos a motivação para agir", escreveu.

Segundo Lucas, grande parte de nós passa o nosso tempo de vigília em automático, como se estivéssemos a sonhar, onde esse sonho se desenrola sem a nossa consciência debitar o quer que seja.

"Fazemos mais um dia as mesmas coisas da mesma forma, com o mesmo ritmo, criticamos os outros e a nós mesmos com as mesmas frases, como se tivéssemos decorado o guião de um peça de teatro e a fossemos recitando, dia após dia", avalia.
Para refletir neste domingo. Desejo a todos muita alegria e positividade. Bom dia.

domingo, 21 de agosto de 2016

Ontem sonhei

Olívia de Cássia Cerqueira Ontem sonhei com meu primeiro amor. que há muito já se foi para outro plano. O amor lindo, que quase foi para sempre. Mas não foi um sonho bom... Então perguntei para Deus, Qual o motivo de nem em sonhos pudemos Ficar juntos, para desfrutar A companhia um do outro. Acalentando os nossos sonhos, De paz, de amor, fazendo poesias, Ouvindo nossas músicas e nos amando até a eternidade. Ontem sonhei...

sábado, 20 de agosto de 2016

Quem somos e para onde vamos?

Por Olívia de Cássia

Dizem que as lembranças da infância nos ajudam a descobrir quem de fato somos e são essenciais para desvendar nosso verdadeiro eu:  para cultivar relações mais saudáveis, de acordo com o psicólogo americano Kevin Leman, autor do livro O Que as Lembranças de Infância Revelam Sobre Você (Ed. Mundo Cristão).

Essas memórias, segundo o autor "permitem enxergar por trás de todas as fachadas e defesas, chegando ao fundo daquilo que a pessoa realmente é e não quem ela está tentando ser", avalia o autor, especialista em assuntos relacionados à educação e à família.

As crianças costumam ter sonhos com heróis, acreditar em contos de fadas e viver em fantasia, mas que eu me lembre, com minhas amigas da infância isso não acontecia e elas já tinham conhecimento logo cedo de como nascem as criancinhas e não acreditavam em Papai Noel, da mesma forma foi comigo.

Com essas amigas comecei a aprender, muito precocemente para a época, algumas situações do mundo adulto. Da mesma forma que nasci na Rua da Ponte e vivi ali até os nove anos de idade, as meninas da comunidade já eram bem sabidas e nas nossas conversas elas passavam os conhecimentos adquiridos, as curiosidades e as descobertas.

Tenho na memória alguns episódios nem tão positivos hoje em dia como minhas disfunções fisiológicas e encontrava os banheiros  da escola sempre fechados a chave, situação que me dificultava conter as vontades e fazer ali mesmo o que se faz no banheiro. Eu sou muito atrapalhada desde a infância.

Apanhei muito das meninas na escola e só me defendia em último caso. Não nego que algumas vezes perdi o controle, briguei com uma colega, minha vizinha, no Rocha Cavalcante, na saída da escola, não sei por qual motivo, que me rendeu ficar com a garganta inflamada vários dias, por conta dos apertos que levei e uma pessoa sem falar comigo, até hoje.

Outra situação foi a briga com minha amiguinha de infância Gracinha Melo, que ainda hoje me envergonho disso e quando nos encontramos que lembro, damos boas risadas.  Situações constrangedoras que ainda hoje me fazem relembrar com arrependimento.

Levava muito puxão nos cabelos compridos e uma vez quebrei uma régua da professora da infância porque ela me acertou na cabeça, fato que me rendeu o castigo em frente ao quadro da escola e a algazarra dos colegas.

Mas na escola da infância também vivi belos momentos de participação nos grêmios infantis, nas passeadas de desfile cívico, participar de jograis no Monsenhor Clóvis em datas comemorativas e cantar em inglês sem saber dessa língua.

Outra peraltice que fiz, ainda na Rua da Ponte foi quando minha mãe foi ao comércio e me deixou trancada a chave dentro de casa: ainda hoje tenho fobia disso. Quando vou ao banheiro em casa fico de portas abertas e tenho pavor se me deixam trancada em qualquer lugar.

Lembro que dessa vez eu aprontei o maior escândalo com meus gritos e rasguei toda a minha roupa, o que me rendeu uma bela surra quando mamãe chegou em casa e me viu malcriada, com a roupa rasgada. Se fosse hoje em dia, a situação tinha sido complicada.

Antigamente, muitas mães deixavam os filhos presos, se por acaso trabalhassem ou para ir resolver alguma coisa na rua. Tempos de poucos entendimentos. Eu apanhava muito por conta dos meus banhos es condidos no Rio Mundaú.

Já naquele tempo não tinha muita saúde e quando ia ver os desfiles com minha mãe ou ia com ela na rua, voltava sempre nos braços, por conta de dores agudas nas pernas, que os médicos da época nunca descobriam o que era.

Também tive todas aquelas doenças da infância, até febre tifoide, menos rubéola. Aquela febre rendeu a tristeza dos meus avós, principalmente do meu avô Manoel Correia Paes, seu Né Tibúrcio, que achava que eu ia morrer daquela doença. Sempre fomos muito ligados.

Aliás, sempre fui ligada aos entes queridos masculinos mais velhos da família. Meu avô, meu tio Antônio Paes de Siqueira e meu pai, de quem eu tenho os exemplos mais bonitos e também aqueles não tão criativos.

A adolescência foi um dos períodos mais complicados e difícil de viver, para uma menina daquela época, com a cabecinha a anos luz de distância da ignorância e do atraso que a sociedade vivia naquela época, um pouco diferente dos dias de hoje, quando as moças levam os morados para dormirem em casa e vice versa.

Meu quarto tinha quatro portas: duas na frente e duas de lado e uma vez o amigo Everaldo Mala Veia, de saudosa memória, ousou entrar e sentar no baú da minha avó para conversar comigo.
Quando ele saiu levei uma surra da minha mãe por ter ousado levar um menino para a minha casa, principalmente por tê-lo deixado entrar no quarto, mesmo minha mãe estando do lado, ouvindo nossa conversa.

Ela não entendia o motivo de eu ler tanto, fazer palavras cruzadas e já naquela época revelar tanta foto e comparar tanto livro. Por conta de eu não gostar de fazer as tarefas domésticas que me eram destinadas, coisa que nunca pareciei, ela reclamava o tempo todo.

Mas hoje amanheci com saudade de tudo. Saudade da infância, da juventude, dos amores inocentes e platônicos, do primeiro amor e de tudo de bom que vivi, tempos já tão distantes. E apesar de tudo, chego à conclusão de que as lembranças da infância realmente, como dizem os estudiosos, nos fazem saber quem somos. No meu caso eu sou não sei para que vim, mas com certeza com alguma missão. Bom dia.

quinta-feira, 18 de agosto de 2016

Peço a Deus misericórdia

Por Olívia de Cássia

Peço a Deus todos os dias para me livrar de situações vexatórias, ou que me deixem acabrunhada e sem noção de meus atos. Da mesma forma que sou um pouco atrapalhada e já passei por muitos perrengues na vida, depois que tive certeza da Doença de Machado Joseph tomei outro rumo, outra direção.

A gente reaprende a agir de outra forma, de uma maneira mais suave, tentando ser sempre positiva e enfrentando com dignidade tudo o que vai aparecendo: as limitações, os impedimentos, com esperança e perseverando, sem hipocrisia e sendo realista.

Sempre fui muito festeira e venho pensando de uns dias para cá como irei para os shows das festas do Maceió Verão, em comemoração ao aniversário da capital alagoana, como venho fazendo nos últimos anos, com a juventude da Vieira Perdigão (O Beco), nossa rua querida.

Não venham querer me impedir de sonhar e de querer o melhor: eu só quero ser feliz, aproveitar o que ainda me resta, ter bons momentos, passear e ser feliz da maneira que me for permitido.
Também não deixei de sonhar com dias melhores para o nosso país, apesar das dificuldades que estamos vivendo.

Está difícil acreditar nas lideranças políticas. Mais do que nunca temos que ser bem seletivos; procurar o menos ruim ou o que tem o comprometimento com o social, com o coletivo.
Não adianta a gente querer ficar procurando chifre na cabeça de cavalo.

A vida vai nos ensinando, com as experiências, quem foi que teve mais disposição de luta, quem teve projetos mais ousados para os menos favorecidos e quem se perdeu no caminho da ambição e da roubalheira.

Desde menina aprendi com meu pai a ir a comícios, gostar de  política e de toda a discussão que se apresenta. Hoje nem sei se vale mais a pena e se meu pai fosse vivo e lúcido se ainda se entusiasmaria com tanta irregularidade e corrupção.

Mas não falo aqui de uma corrução seletiva, temos que olhar para todos os lados. As guerras no mundo são deflagradas por conta da insensatez dos homens, da ganância e da ânsia pelo poder, não é de hoje.

Se formos rever a história vamos observar quantos golpes foram dados, não só no nosso Brasil, mas em toda a América Latina. Um ex-ministro do Paraguai disse que é de muita importância para qualquer um que se interesse pela política latino-americana, estar sempre atento.

 Isso porque, segundo ele, tem que observar  os acontecimentos  e ver o que eles significam. Temos que ter uma postura crítica diante das situações, procurar o que se apresenta como favorável não apenas para nós, mas para a coletividade.

Mas essa é a minha maneira de pensar e ver o mundo. Apesar da dureza da vida, quero continuar a trilhar por esse caminho. Peço a Deus misericórdia. Boa noite.

sexta-feira, 12 de agosto de 2016

Em tempos de Jogos Olímpicos

Por Olívia de Cássia

Em dias de Olimpíadas, em que a mídia procura de tudo para vender como notícia os atletas se tornarem heróis na telinha, a gente vai vivendo dias difíceis, com esse governo interino e golpista, que passou por cima de 54 milhões de votos dados à presidente Dilma, sem ter nenhuma prova confirmada de que ela tenha cometido irregularidade.

Enquanto isso, no Palácio do Planalto se instalou uma gangue de corruptos, comprometidos até a medula com a corrupção e com a operação Lava Jato. Mas as autoridades que estão cuidando do caso, só enxergam irregularidades nos políticos do Partido dos  Trabalhadores.

Não estou aqui querendo "tapar o sol com a peneira", mas que as punições fossem estendidas para todos os citados e investigados, que foram pegos com a  mão na massa da corrupção e das irregularidades.

As eleições de outubro estão às portas e certamente muitos desses citados vão participar de alguma forma: seja influenciando, financiando ou se candidatando também. Só os tolos acreditam que o Fora Dilma foi para combater a corrupção.

Está mais do que claro que a direita não aceitaria que ficasse mais tempo no poder um governo que teve programas fundamentais voltados para os menos favorecidos. Programas que facilitaram a entrada de jovens pobres e negros à universidade e a chegarem às Olimpíadas deste ano.

O governo Lula (2003-2010) foi marcado por melhorias sociais em todos os setores. Em oito anos de governo, avanços nos setores de economia e inclusão social.

 Índices históricos de crescimento econômico e redução da pobreza garantiram ao ex-metalúrgico 83% de aprovação popular – o maior patamar entre presidentes desde o fim da ditadura – e a eleição de sua sucessora, Dilma Rousseff, uma estreante nas urnas.

Com a alavancada de Lula nas pesquisas como provável presidente às eleições de 2018, isso deixou coronéis, empresários conservadores da política brasileira apavorados e inconformados com os avanços e melhorias para as camadas menos favorecidas, pois não poderiam mais trocar favores por votos e nem ter pobres no cabresto, feito burro de canga.

Tenho assistido todos os dias a novela global Velho Chico, gravada em terras alagoanas e com participação do ator alagoano Chico de Assis e que tem um enredo instigante: ainda é o retrato da realidade não só do Nordeste, onde os coronéis mandaram e desmandaram nas terras tupiniquins e hoje não se conformam com as mudanças.

A novela, apesar da licença poética, sem máscaras e com uma atuação brilhante de atores veteranos e novatos, mostra os subterfúgios e tramoias utilizados no mundo político brasileiro. É um enredo que instiga a gente a refletir sobre a atual conjuntura.

O que fazem os poderosos quando se sentem ameaçados pela fiscalização de um vereador, que não está fazendo nada mais do que cumprir o seu papel de parlamentar e o inconformismo de a filha ter se apaixonado pelo seu desafeto, levando-o a atitudes de violência cometida por seus capangas.

No Brasil dos dias de hoje, em tempos de Olimpíadas, onde o mundo está voltado para o Brasil, a atleta nadadora Joana Maranhão foi ameaçada até de morte, com xingamentos e inconformismo de alguns coxinhas, por não ter alcançado o pódio e pela atleta ter posições políticas diferente das suas opiniões, e por apoiar Lula e Dilma.

Não se concebe no século 21 tanto retrocesso de uma sociedade que está produzindo jovens agressivos, conservadores e alienados. O que está acontecendo com a juventude brasileira?, eu pergunto.

Segundo Patrícia Saboya, a violência é, seguramente, o problema que mais aflige e preocupa os brasileiros nos dias atuais. "Ela medievaliza as relações humanas, deixa a sociedade aterrorizada e gera uma sensação de impotência diante do crime".

Infelizmente, ainda segundo Saboya, nesse cenário de medo e insegurança sempre surgem teses arriscadas e precipitadas e é necessário agirmos com cautela nesse debate. As estatísticas mostram que a violência se transformou em uma das principais causas de morte de jovens.

De acordo com o Unicef, 16 crianças e adolescentes brasileiros morrem por dia, em média, vítimas de homicídios. E as pessoas com idades entre 15 e 18 anos representam 86,35% dessas vítimas. É de fundamental importância que sejam garantidas as políticas públicas para a educação e não que elas sejam cortadas, como foi anunciado pelo governo interino golpista.

Outros cortes nos programas implementados por Lula e Dilma já foram anunciados também, prejudicando ainda mais os trabalhadores e os pobres assalariados e os miseráveis. Cadê os inconformados que bateram panela pedindo a saída da presidente Dilma? Para refletir.

domingo, 31 de julho de 2016

Eu não desisto

Por Olívia de Cássia

Eu não desisto. Tento levar a vida com suavidade: esse é o meu lema de uns tempos para cá, pois com a ataxia, vivemos numa montanha russa: um dia e mais fácil outro mais difícil. Só que no meio deles tem sempre alguma perda.

Avalio que a vida é assim para a maioria das pessoas; não está fácil para a maioria e a gente não pode ter tudo o que quer. Agradeço a Deus todos os dias pelas amizades que fiz ao longo da vida e é esse detalhe mais que importante, que tem feito meus dias melhores.

Tenho tido dias de dores, incômodos, mas também de afeto e solidariedade. Nos últimos tempos tem sido assim: de encontros, palavras suaves, solidariedade e muito afeto. As ações que estão sendo feitas por todos no sentido de que eu tenha melhor qualidade de vida, são demostrações de muito acolhimento e carinho.

Atitudes de pessoas que eu nem conhecia pessoalmente, mas que têm feito a diferença em minha vida. Por incrível que pareça, passei a adotar comportamentos mais positivos, pois da mesma forma que sempre fui muito persistente, eu não desisto fácil dos meus objetivos.

Participo de vários grupos de pessoas que têm o mesmo problema que o meu, muitos dos quais já estão muito  fragilizados. Aproveito para ter o máximo de informações do que possa vir a ter mais tarde, se os sintomas virem a se agravarem.

Peço a Deus a cada dia para que retarde isso em mim e que quando eu tiver que partir para outro plano, se eu merecer, que seja de uma forma mais amena, diferente dos meus que já se foram.

Alguns amigos me aconselham a deixar de seguir esses grupos para não ficar impressionada com a Doença de Machado Joseph, mas eu sou muito consciente do que posso vir a sentir, pois tenho experiência de vida do que seja, pelo fato de vivenciar tantos casos na família.

O fato é que vou lutar sempre para ter qualidade de vida e dias de ocaso melhores. Tem horas que é difícil, mas tento não pensar em como vai ser daqui por diante e viver um dia de cada vez.

O momento agora é de curtir e aproveitar o que a vida ainda tem para me oferecer, sem me importar com o que possa acontecer nos próximos anos. Não tenho o direito de ficar remoendo negatividade.

Eu tenho uma vida ainda para viver e desfrutar de momentos importantes e felizes e quero vivê-los todos: ler, ter meus bebês de quatro patas por perto, boas risadas com os amigos, lembrar das traquinagens boas que participei com eles, passear. ir ao cinema, curtir os sobrinhos-netos e ser melhor a cada dia.

Procuro não deixar para eles um legado ruim e sim boas lembranças do que fui e do que ainda me resta. Sabe Diário, dizer aos amigos que vivam, que aproveitem e que não se importem com quem leva a vida querendo nos derrubar. Boa noite.

terça-feira, 19 de julho de 2016

Venho matutando ...

Por Olívia de Cássia

Venho matutando algo para escrever, mas desde que me ponho diante da página em branco do Word o assunto tem me fugido, se dispersado. Penso que estou ficando velha ou misturando os  assuntos.

Culinária da minha avó, Rua da Ponte, brincadeiras da infância, adolescência complicada, amigos, nossas vivências, amores impossíveis, romances que não vingaram, brigas em casa, família, meus pais, viagens que não fiz e que agora quero fazer, política, conjuntura atual e outros que tais.

Todas essas pautas são corriqueiras em minhas lembranças, agora que tenho todo o tempo do mundo para me ocupar em pensamentos, mas me ponho a perguntar, quando se trata dos passeios, se terei tempo suficiente para fazer as belas viagens que não fiz e fazer as fotos que tanto quis.

Sei que agora, com as limitações da saúde já não poderei ir a todos os lugares, por conta do desequlíbrio. Mas ainda penso que posso muito ser feliz, da forma que não fui no passado. Sei que dia 20 de novembro vai ser mais difícil ir á Serra da Barriga, com tanto movimento por lá, mas ainda quero  participar de algumas pequenas aventuras.

Ir na minha querida Serra só se for para passear com acompanhante por conta do terreno irregular e em poucos lugares. Quero ainda  me encontrar com amigos, jogar conversa fora, falar de alegria e de coisas boas.

Sabe, meu Diário, penso em fazer muitas coisas boas e desejar o que for de bom para todos aqueles amigos que têm feito tanto por mim, desde que saiu o diagnóstico da Doença de Machado Joseph.

Alguns que até nem me conheciam e que têm demostrado solidariedade e carinho para comigo. Isso é impagável e por mais que eu agradeça, não é o suficiente para tal e sou eternamente agradecida a todos.

Ouço a discografia de  Maria Bethânia e relembro momentos da juventude, quando a gente amava platonicamente e sonhava em realizar as mais doces fantasias. As leituras, pelo menos, me permitem viajar um pouco, mas não são suficientes, porque preciso diversificar os movimentos e ações, para não atrofiar de vez.

De resto, por hoje, tentarei lembrar do que eu queria falar anteriormente e não consegui, para dar vazão a toda essa inquietude que às vezes se apodera de mim. Quero diversão, cultura e arte. Querer ter qualidade de vida não é pecado, não impede que queiramos e lutemos por um mundo melhor e mais justo. Boa noite.

segunda-feira, 11 de julho de 2016

O valor da vida

Por Olívia de Cássia

A gente parece que dá mais valor à vida quando vai chegando ao ocaso; quando a gente vê as chances irem diminuindo; as possibilidades encurtando. Tem muitos anos que resolvi me dar mais uma chance, pensar diferente do que eu era, em algumas situações.

A chance de não viver reclamando da vida e nem sendo tão negativa. Essa palavra eu já descartei da minha vida, apesar de não ser imune aos dias nem tanto ensolarados que se apresentam.

Eu nunca fui uma pessoa ligada às coisas práticas da vida e nunca soube administrar a burocracia, sou avessa a isso, é da minha índole, não tem jeito. Hoje, afastada do trabalho, me vi tendo que resolver situações da administração do lar e outros pormenores que me deixam mais atrapalhada ainda.

Admiro muito quem resolve tudo com facilidade e prática, mas a essa altura da minha vida, não vou chegar lá. Sabe, meu diário, são tantos os questionamentos e coisas que não domino nessa altura da minha vida, que às vezes me ponho nervosa.

Mas tenho que ter calma para que tudo se resolva a contento. Não posso mais me apavorar diante das situações e nem me estressar. Minha saúde não permite. Tem um adágio que diz que toda reforma interior e toda mudança para melhor dependem exclusivamente da aplicação do nosso próprio esforço.

Eu tenho tentado não me preocupar tanto com mais nada, a não ser em retardar os efeitos maléficos e impeditivos da ataxia. Esse atualmente é o meu foco. A vida da gente  é cheia de mudanças, que às veses são dolorosas, mas em outras ocasiões  são lindas, ou as duas coisas.

Tento ver a minha atual realidade, como uma maneira de perceber que tenho pessoas lindas ao meu favor, querendo o melhor  para mim e isso me deixa envaidecida no melhor sentido da palavra e eternamente agradecida e acarinhada.

Dizem alguns especialistas do comportamento que quando o amadurecimento chega na  vida da gente, vai nos tornando uma pessoa melhor a cada dia, pois com as novas experiências os  nossos defeitos são amenizados com os anos de aprendizado.

Eu tenho aprendido muito, desde que tudo aconteceu em minha vida: as perdas que tive, que foram muitas; o abandono, o entristecimento; a certeza das limitações. Mas também tive conquistas que me enriqueceram interiormente e que me fazem melhor.

E nessas horas eu agradeço a Deus a cada amanhecer que ainda me é permitido e desejo um mundo mais fraterno, mais solidário e mais justo, principalmente para os menos aquinhoados. Vou continuar lutando, a vida me deu esse direito.

quarta-feira, 6 de julho de 2016

O que será?

Por Olívia de Cássia

Amanheceu. O dia está lindo e ensolarado, trazendo esperança, depois de ontem, que foi de promessa de chuva e frio. Começo minha rotina diária, brinco com Juca, levanto e procuro fazer alguma tarefa que ainda me é permitido pelas limitações que me chegam.

Procuro não pensar em como será daqui pra frente. Vou caminhar um pouco na rua e tomar banho de sol. Volto para casa e me impaciento: estou quase terminando a leitura de 'Como eu era antes de você'. Um livro que me faz pensar em muitas situações futuras.

Termino as pequenas tarefas diárias e ligo o notebook, para me inteirar do noticiário. As notícias são as de sempre e nada promissoras; me entristeço: 'Tentativa de fuga de nove reeducandos é impedida no presídio Cyridião Durval'; 'Temer promete obras a senadores indecisos'; 'Temer determina retirada de urgência do pacote anticorrupção'.

"O presidente interino Michel Temer autorizou a retirada da urgência na tramitação das leis anticorrupção da presidente Dilma Rousseff. A informação é do líder do governo na Câmara, André Moura (PSC-SE)", diz o informe que leio.

Está tudo tão claro e cristalino esse golpe contra a democracia, que os golpistas nem tentam mais esconder da sociedade. E as nossas instituições desacreditadas fecham os olhos quando lhes interessa a situação.

Por que só se importam quando a corrução é do lado de cá?, não que eu concorde com qualquer irregularidade que seja. Mas os outros salafrários vão ficando impunes, acobertados pela parcialidade daqueles que se julgam os donos do mundo.

E me pergunto onde esse país  vai parar? O que será de nós com esse golpe? Em pensamentos procuro teoricamente uma saída para toda essa situação. Procuro definições nos livros que leio, na internet e acho citação, bem pertinente.

“Ponha-se no poder qualquer medíocre ou louco e vinte e quatro horas depois a horda de aduladores estará à sua volta, brandindo o elogio, convencendo-o de que é um gênio político e um grande homem, e de que tudo o que faz está certo", diz o texto.

Segundo o argumento, em pouco tempo o tal se torna um golpista perigoso e impertinente. Só que o que foi colocado aí no Planalto não não foi pelo povo e isso é o mais perigoso, porque o Brasil já viu filmes bem parecidos.

E me reporto aos tempos do Coronelismo; enxada e voto, livro que li na faculdade, de Victor Nunes Leal. Um livro que foi editado há mais de meio século e que continua atual, apesar do desaparecimento quase completo do país agrário que o inspirou.

O livro de Victor Nunes Leal descreve o coronelismo, um sistema arcaico e brutal, que foi o principal sustentáculo político da República Velha (1889-1930). Segundo o autor, já na República, os ex-cativos e seus descendentes logo se incorporaram à esfera de influência eleitoral dos herdeiros da casa-grande.

"Desse modo, sucessivos governos estaduais e federais se elegeram com os “votos de cabresto” dos grotões. Embora há muito a supremacia dos caudilhos rurais seja apenas um episódio de nossa história, suas nefastas consequências ainda se fazem sentir na arcaica distribuição fundiária do país", observa.

E tem muita 'autoridade' por aqui que acha que o mundo não mudou e que ainda se vive debaixo das botas dos coronéis da política brasileira. Como escreveu William Nozaki, na revista  Carta Maior, os desafios para o próximo período são gigantescos, mas sempre é bom lembrar que "os problemas da democracia só se resolvem com mais democracia".

É preciso um novo olhar para o Brasil e a política brasileira. Não adianta fechar os olhos e dizer que a gente tem raiva de política. E por mais que às vezes eu chegue a entender a opinião de pessoas bem próximas, não consigo me desagarrar da ideia de que a gente tem que lutar por um país melhor e por dias mais justos e dignos para os menos favorecidos.

Penso também que se cada um fizer sua parte e não esperar apenas as decisões de governo, criticando tudo, sem ação e sem mostrar soluções, não vamos a lugar nenhum. Quero ter esperança, quero acreditar que ainda podemos vislumbrar dias melhores. Bom dia.

sábado, 2 de julho de 2016

O aprendizado ...


Por Olívia de Cássia

Fugindo um pouco da minha rotina levantei mais cedo neste sábado de tempo nublado, pois estava aguardando a visita de amigos queridos da minha querida União dos Palmares. E mesmo com a bagunça e desarrumação que está em minha casa, é sempre bom a gente conversar e falar do que nos vai  no coração.

Sou uma pessoa muito indisciplinada para algumas questões, mas nessa altura da vida é difícil estabelecer outra rotina de grandes mudanças. Sabe, meu Diário, nunca deixarei de ser grata pelos amigos que Deus colocou em minha vida e pelas pessoas do bem que eu aprendi a diferenciar.

Sempre tive carinho, amor e respeito pelos amigos e embora saiba que existem algumas distinções, cada dia prefiro acreditar no melhor. As energias positivas e de bem-querer são sempre bem-vindas.

Acredito ainda na gratidão e generosidade do ser humano, porque sou testemunha disso, em várias ocasiões da minha vida e não só agora, que as limitações da ataxia chegaram. Como disse um artista popular, vamos acreditar no melhor do ser humano, porque de situações escandalosas e de conduta não bem avaliadas e abusivas o mundo está repleto.

Sempre fui uma pessoa idealista; os personagens com essa característica sempre me atraíram: desde os do livros que leio, até as das novelas que assisto.  Gosto de gente simples, gente que não ergue a ponta do nariz para os menos afortunados.

Como disse Jéssica Doni, eu gosto de gente que não tem vergonha de rir andando sozinho se lembrou de algo engraçado, mesmo que o achem maluco. Eu falo sozinha e também com meus animais.

"Eu gosto de gente verdadeira, que não forja sentimentos, que transbordam. Que sente ciúmes, que emburra, e que desfaz o bico se recebe um dengo. Eu gosto de gente que ri de si mesmo quando fala alguma coisa incrivelmente errada. Eu gosto de gente simples, que se dispersa vendo onde aquela formiguinha vai carregando seu grão", observa.

Quando eu era criança, ficava horas no degrau da casa da minha avó vendo o movimento das formigas e até onde elas queriam chegar. Desde a minha infância eu sempre me dei bem com gente considerada meio estranha.

Gente "que olha dos dois lados pra atravessar a rua, mesmo sabendo que ela é de uma mão só. Eu gosto de gente natural, de cabelo bagunçado, que assume os cachos rebeldes, de cara de sono, de sorriso largo, de coração grande. Eu gosto de gente" e isso é muito bom.

Mas eu também tenho o outro lado solitário, de gostar de ficar sozinha, no meu mundinho. Sempre fui assim. No meu quarto da Rua Tavares Bastos eu decorava as paredes com tudo o que fosse de mais 'estranho' para alguns e nas portas do guarda-roupa fazia colagens com paisagens e poesias.

Lembro de um texto que li e que não lembro a autoria agora que diz o seguinte:  "Com o tempo a gente aprende que maturidade tem mais a ver com os tipos de experiência que se teve e o que você aprendeu com elas do que com quantos aniversários você celebrou".

Juca e Malu, dois dos meus bebês de quatro patas,  ficaram ouriçados com a presença de Margarete e Saulo: obrigada, amigos, pela visita e mensagem de positividade. Juca acha que todo mundo tem quer brincar com ele, jogar a bolinha para ele pegar. Fica assim o dia inteiro, até quando a noite chega e finalmente se acalma para dormir.

Hoje é o mensário dele: faz cinco meses. Desde que chegou aqui em casa, há um mês, só me traz alegria e descontração. São muitas brincadeiras; é uma criança. Ele quer ficar assim o dia inteiro e se a gente não faz o que ele quer, se põe a mordiscar o nosso calcanhar.

Malu se coloca a sorrir e mostra os dentinhos, com seu sorriso largo e costumeiro, dando boas-vindas a quem chega por aqui. Ela adora crianças e receber visitas; pensa que vai passear.

O encontro de hoje foi de boas lembranças saudosas da nossa Rua da Ponte, em União dos Palmares, das coisas boas do passado que vieram à tona e um halo de luz sempre emana desses contatos. Sejam sempre bem-vindos. Bom dia e bom fim de semana para todos.

quarta-feira, 29 de junho de 2016

Entre livros e álbuns de retratos

Por Olívia de Cássia

Entre meus livros e álbuns de retratos antigos, além dos arquivos de fotos digitais, vou pensando na vida já nas primeiras horas da manhã. Olho-me no espelho e as mudanças não são nada promissoras. Marcas do tempo, do envelhecimento e da idade.

Sabe Diário, abro o computador e o Facebook me mostra lembranças de tempos atrás. De fotos que eu tirava já na juventude, de amigos queridos, compartilhamentos de mensagens e de situações e notícias que não saíram de evidência, como as notícias políticas do nosso país.

Lembro Cazuza que dizia: "São notícias velhas, de ontem", quando eram críticas negativas que se referiam ao Barão Vermelho. Na juventude a gente não se importa com a opinião alheia e quase sempre dá as costas aos falatórios.

Tio Antônio Paes de Siqueira, quando tinha saúde, ficava no bar da sinuca, na Avenida Monsenhor Clóvis e lá ouvia o falatório ao meu respeito, sobre 'possíveis envolvimentos' e lá ia ele contar para minha mãe, que não ficava nada satisfeita com aqueles comentários e me batia antes de procurar saber se eram fatos reais.

Avalio que se a gente for viver  dando tanta satisfação ao mundo, a gente não é feliz, não faz o que quer e o que tem vontade de fazer. Eu vivi minha adolescência entre momentos de felicidade com os amigos e situações angustiantes em casa, porque meus pais, principalmente minha mãe, não me aceitavam como eu era.

Isso tudo eu vivi na minha adolescência e juventude e recordo de o quanto eu era vítima de falatórios e críticas dos mais velhos, por ser uma jovem com a cabeça no futuro, que não queria viver no cabresto.

Hoje eu entendo que para a mentalidade dela, filha de senhor de engenho, nascida e criada na na roça, com todas as proibições daquela época, era difícil alcançar a minha cabecinha efervescente e sonhadora.

Me rebelei contra tudo, não admitia que falassem de mim pelas costas, avaliassem o que não sabiam e não viviam. Era um costume muito da época em União dos Palmares e não só por lá, a gente viver em bandos.

Tínhamos o nosso modo de ver a vida e me achava rebelde por demais. No entanto a nossa rebeldia era de poucos, porque quando se tratava de opiniões conservadoras, muitos repetiam as falas e opiniões dos fofoqueiros e fofoqueiras de plantão, sem nem saber o que se passava em minha vida.

E por ironia do destino, na maturidade fui descobrir tanta limitação em se tratando de saúde e perceber que vou ter que depender dos outros para as tarefas mais simples: logo eu que lutei tanto para morar sozinha, ter minha independência e ser livre, ter meu cantinho de leitura e solidão.

Hoje sou consciente de que num futuro bem próximo vou precisar da presença de outra pessoa, para cuidar das pequenas  tarefas de casa e das minhas também. Eu só espero que esse período possa ser retardado o mais longe que seja possível com a fisioterapia, porque isso tem me deixado apreensiva por demais. Bom dia.