terça-feira, 27 de abril de 2010

Louvemos a democracia

Olívia de Cássia – jornalista

Democracia é uma palavra linda em seu significado, mas que está desgastada pelo seu uso indiscriminado. Nasceu na Grécia. Teoricamente, “é um regime de governo onde o poder de tomar importantes decisões políticas está com o povo, direta ou indiretamente, por meio de representantes eleitos”, que na maioria dos casos, nem cumprem o que prometem e nem representam o povo como deveriam. Claro que há exceções.
No Brasil, a democracia sempre foi muito conturbada e difícil, é só pegar a história, desde a época da monarquia. Em rápidas pinceladas, passado o período da República da Espada, República Velha, Coronelismo, Getúlio, Juscelino e Jânio Quadros, o País viveu um período de vinte anos sob o manto da ditadura militar. Muita gente no Brasil nasceu e ficou jovem durante esse tempo.
No meu caso, quando a ditadura se instaurou no País eu estava com quatro anos de idade. Lembro vagamente que logo no início meus pais tinham medo. Não queriam nos ver na rua, com receio do que pudesse nos acontecer. Quanto mais eu leio, me informo e vejo filmes sobre aquele período ou qualquer outro que impeça a liberdade do ser humano e o direito de ir e vir, mais eu respeito, admiro e defendo a democracia, mesmo que ela ainda seja capenga em nosso Brasil.
Muita gente ainda age como se estivesse em um regime ditatorial. Não se acostumou com a liberdade. A gente lutou tanto por isso, mas nem assim as pessoas têm consciência disso. Muitas personalidades usam a palavra democracia para florear seus discursos, embora que na Prática e na sua rotina diária não a exerça como deveriam fazê-lo de fato. No fundo gostariam de impor suas vontades e ainda impõem como se fossem coronéis.
Em algumas cidades do interior do País os coronéis ainda dominam e a democracia passa ao largo, como se fosse história da Carochinha. Nosso Brasil é imenso, as diferenças e contrastes são de dimensões de continente.
Indo para outro país, estou lendo e quase terminando o livro “Resistência – A história da Mulher que desafiou Hitler”, da escritora Agnès Humbert. Uma história pessoal de uma intelectual francesa que viveu a dureza da guerra, a invasão francesa pelo exército de Hitler na década de 40. Leitura obrigatória para todos aqueles que defendem e praticam de fato a democracia e que defendem a liberdade acima de tudo.
Agnès faz um relato humano da brutalidade cometida num regime bestial como foi o nazismo. Trabalhou em regime de escravidão em fábricas têxteis durante o período da sua prisão. Com humor, inteligência e ironia, ela vai relatando a triste rotina daquelas mulheres. É um forte relato, dá uma revolta danada de ver e saber do que foi praticado durante tantos anos contra pessoas que sempre lutaram por uma sociedade livre e justa.
Em forma de diário ela vai descrevendo o dia-a-dia da prisão, onde as mulheres foram privadas de sua dignidade, por motivos tolos, sem direito até de tomar um banho e de ter sua privacidade reservada como a de fazer suas necessidades fisiológicas diante dos outros.
É um relato que comove pela força das palavras e que eu recomendo a leitura. A guerra é desumana e para os jovens que não viveram sequer um período privativo de suas liberdades e que hoje têm o direito de viver em liberdade e de dizerem o que querem e o que pensam, a leitura é obrigatória. Eu recomendo.

sexta-feira, 23 de abril de 2010

Mulheres na política ou em qualquer lugar

Olívia de Cássia - jornalista

A pré-candidatura de duas mulheres à Presidência da República no próximo mês de outubro fortalece e reacende o debate da importância da participação do gênero feminino nas lutas da sociedade e do País se isso for do seu interesse, é claro. Defendo a proposta de que lugar de mulher é em todo canto, seja na política, no mercado de trabalho ou onde ela queira estar, por sua livre e espontânea vontade, não adianta querer pressionar.
Sou de um tempo em que vi muitas mulheres da minha geração ficaram alienadas porque, apesar dos avanços que as mulheres foram conquistando no Brasil, ainda nas décadas de 60 e 70, em União dos Palmares, muita coisa era proibida, muitas vezes até a leitura de determinados livros. Outras foram para as ruas protestar contra essa ideia e foram discriminadas e expostas às mais duras penas.
O sistema é bruto. Não é fácil ser participativa e rebelde com causa, não é fácil protestar contra um sistema corrupto, violento e cheio de conceitos pré-concebidos e machistas contra as mulheres, que eram consideradas antigamente como o sexo frágil. De frágil nós só temos o sentimentalismo, muitas das vezes até exagerado, como é o meu caso, e a sensibilidade de perceber coisas e situações, sexto sentido mesmo, que muitos homens não têm. Coisa de mulher.
Apesar do preconceito que sempre esteve muito visível nas sociedades de todo o mundo, desde os primeiros séculos que as mulheres participam dos enfrentamentos e das principais reivindicações sociais e políticas. No começo dos tempos, segundo Johann Jakob Bachofen, pesquisador, historiador e antropólogo suíço que estudou as sociedades matriarcais, as mulheres eram proibidas até de andar de transporte e percorriam muitos trechos a pé.
Muitas foram as inconformadas com essa situação, tantas outras foram as que morreram e, discriminadas, foram vistas como seres estranhos e nem assim deixaram de lutar por uma sociedade mais justa, mais fraterna e mais igual. O espírito de luta e de protesto está no sangue.
Por mais que se fale é bom lembrar que apesar de todos os avanços que conseguimos na sociedade, principalmente no Brasil com a Constituição de 1988, ainda há muito preconceito - não só da parte dos homens machistas -, mas de mulheres também, por incrível que possa parecer. É coisa de formação pessoal, de educação e de escolhas também. Cada uma de nós escolhe os seus caminhos que às vezes são cheios de curvas, espinhos e abismos.
É certo que a propaganda enganosa dos meios de comunicação e muitas novelas de TV mostram uma ideia de mulher que muitas vezes não está ao alcance da maioria e elas se deixam levar por aquela farsa e se embrenham em situações e em um mundo que não lhes pertence e vivem alienadas da vida, no “mundo de Alice”, ignorando a verdadeira face da realidade e isso atende aos interesses de determinado segmento que não quer a mulher consciente e participativa.
Num mundo tão cheio de violência e ainda com tanto preconceito, essa ampliação da participação das mulheres na política e nas lutas principais dos movimentos será uma demonstração de que as mulheres estão vivas e de olho em tudo. Que venham as eleições!

segunda-feira, 19 de abril de 2010




Feijoada com as estrelas em União lança proposta de criação do Comitê Pró-Dilma Roussef

Olívia de Cássia - jornalista
(Textos e fotos)

O coletivo de mulheres do Partido dos Trabalhadores de União dos Palmares realizou neste domingo, 18, no campus da Universidade Estadual de Alagoas - Uneal, que funciona no prédio do antigo Colégio Santa Maria Madalena, na Rua Tavares Bastos, a “Feijoada com as estrelas”.
A atividade teve como objetivo comemorar os cem anos do Dia Internacional da Mulher e reunir lideranças e convidados para um bate-papo sobre pré-candidaturas de Dilma Roussef, à Presidência da República e da ex-vereadora Genisete Lucena do PT local para deputada estadual; contou com a presença do pré-candidato ao Senado pelo partido, José Pinto de Luna.
Genisete agradeceu a todas que compareceram ao evento e reforçou a importância dos programas do governo Lula que, segundo ela, fazem acreditar nesse projeto. “Mais de onze milhões de famílias têm acesso atualmente ao Bolsa Família. Durante muitos anos o sonho de muita gente era ter comida em casa, com o governo Lula houve ampliação de vagas nas escolas e a meta é até 2014 tirar as pessoas do estágio de extrema pobreza”, observou.
O ex-delegado da Polícia Federal e pré-candidato ao Senado José Pinto de Luna, chegou atrasado ao evento, mas não deixou de ser destaque. Muitas pessoas que já tinham almoçado e se retirado da festa voltou para ouvir o que Luna tinha a dizer e para tirar fotos com ele.
Descontraído, o mais novo petista do Estado conversou descontraidamente nas mesas e fez uma fala rápida, antes de posar para as fotos. Luna disse que tem orgulho de pertencer ao PT, “que tem pessoas como a ex-vereadora Genisete e o vereador Manoel Feliciano em seus quadros” e fez um breve discurso.
Na atividade também foi proposta a criação do Comitê pró-Dilma Roussef à Presidência da República. “Proponho em primeira mão que seja criado aqui em União o comitê pró-Dilma”, disse Edna Nobre, da direção estadual do PT.
Já Lenilda Lima, presidente do PT de Maceió, destacou os benefícios que o governo Lula tem destinado para o Estado e disse que ele teve uma visão republicana. “A disputa é de projetos. A maioria da população ganha salário mínimo, a faixa dos aposentados que recebem salário mínimo é maior, os brasileiros estão tendo maior distribuição de renda e para governador não precisa de beleza, Lula dá o exemplo tirando da informalidade vários trabalhadores”, observou Lenilda.
DILMA
Em seu discurso, Lenilda defendeu a candidatura da ex-ministra Dilma Roussef e disse que “se o Lula foi bom a Dilma vai ser melhor. Ela tem uma história de Luta contra a ditadura militar e é uma pessoa extremamente democrática. O que está em jogo é um projeto de nação e esse projeto nos pertence”, destacou.
A presidente do diretório do PT de Maceió também defendeu a pré-candidatura de Genisete Lucena ao parlamento estadual dizendo que na Assembleia Legislativa do Estado “os mais violentos são os que estão em primeiro lugar nas pesquisas, para voltar à ALE”, e convidou as mulheres palmarinas para participarem da política.
“A política tem que ser bela e honesta e defendo um país com distribuição de renda, pela ética. Para que sejamos livres é preciso que participemos da política”, defendeu. Outras lideranças fizeram uso da fala como Suzeane Maira, do PT Jovem, o vereador Manoel Feliciano e Carla Teresa, presidente do Sindicato dos Servidores Públicos de União.
Compuseram a mesa também dona Lourdes, a primeira mulher a assinar a ficha de filiação do partido em União dos Palmares e Luciene do setor rural. O mestre de cerimônia da festa foi Sérgio Rogério, vice-presidente do partido no município, editor do blog Acorda União e um dos organizadores do Mesa Z, um programa de entrevistas da Rádio Zumbi. (Confira mais fotos do evento no meu Orkut)

sábado, 17 de abril de 2010

Quando o ser humano vira animal irracional

Olívia de Cássia – jornalista

Eu tinha acabado de chegar da Tribuna Independente, cansada de uma jornada extenuante de fechamento de duas edições dos jornais do fim de semana. Estava terminando o jornal da Globo, eu ia subir a escada com a água para beber mais tarde, me arrumar, tomar banho, antes de bisbilhotar um pouco a internet para poder dormir, como faço todos os dias. De repente ouço um barulho na rua, barulho de moto e de gente agressiva, gritando: “Pega ladrão, filho da puta, eu vou te matar”.
Corri para ver o que era e não acreditei no que meus olhos estavam presenciando. Pensei em pegar a máquina fotográfica para registrar o espancamento, mas não tive coragem, meu corpo todo tremia. Eu nunca tinha visto um linchamento em minha vida, a não ser na televisão, em filmes; fiquei perplexa. Nossa rua nunca teve isso, sempre foi uma rua pacata e tranquila que todo mundo sempre quis vir morar por ser próximo de tudo.
Gritei, disse que ia chamar a polícia, mas os agressores não ouviam e gritavam: “Pega o revólver e mata esse ladrão safado”. Eles agrediam o rapaz, pisavam nele, davam chutes na cabeça, no abdome. Queriam fazer justiça com as próprias mãos. Tinha até uma senhora no meio da confusão, incitando aqueles homens. O ser humano transformado em fera, atacando sua presa. Meu Deus do céu, onde isso vai parar?
Tentei acessar o site da Polícia Civil, mas não encontrei o número, estava tão nervosa e o telefone só dava ocupado, não era aquele número. Ninguém tem o direito de fazer justiça com as próprias mãos, quem somos nós para julgar? Aquele homem poderia ter sido assassinado em frente à minha casa no começo da madrugada deste sábado e aí a situação tinha sido pior.
Toda aquela fúria, disseram, foi porque ele roubou um celular e depois 25 reais do apurado da mulher que vende churrasqui8nho na Praça da Faculdade, me parece. Eram todos rapazes os agressores, só não mataram aquele homem porque os moradores foram pra rua, alguém conseguiu chamar a polícia que felizmente estava próxima da minha rua e a Radiopatrulha chegou e também chamou a ambulância do Samu. Pelo estado que suposto ladrão ficou, todo cheio de sangue e hematomas, terá sorte se conseguir escapar sem seqüelas.
Foi tanto movimento por aqui, ficamos todos perplexos. Nós nunca tivemos essas cenas de violência em nossa região, agora vamos ficar, todos os moradores, amedrotandos, inclusive os mais velhos, pessoas doentes. Precisamos requisitar mais polícia nessa área. Na sexta-feira à tarde, no ponto de ônibus teve tiros pouca antes de eu chegar, para tomar a condução e ir para a Tribuna Independente.
Os tiros foram da policia contra o bandido que a população segurou já subindo no ônibus e quis fazer a mesma coisa, pelo mesmo motivo: a população querendo fazer justiça com um ladrão. Que comportamento de sociedade é essa que estamos presenciando??? Que mundo é esse que nossos jovens estão herdando?
A tecnologia, é bem verdade, facilitou nossas vidas, mas temos que reconhecer que depois da invenção do celular e dessa maldita droga chamada crack, a sociedade piorou, adoeceu, está em coma e não sabemos para onde está indo. Que Deus tenha pena de cada um de nós e nos proteja todos os dias, nos livrando desses males.

sexta-feira, 16 de abril de 2010


Mudanças no planeta

Olívia de Cássia – jornalista

De uns anos para cá estão ocorrendo diversas mudanças no clima e no meio ambiente que estão afetando diretamente as populações das grandes e pequenas cidades. Muito já foi dito que o efeito estufa é o principal vilão dessa história toda, por conta dos desmatamentos que ocorrem com freqüência, prejudicando a qualidade de vida da gente. Isso tudo acontece pelo inchaço das cidades em conseqüência também da expulsão do homem do campo, avalio eu, e da falta de responsabilidade de alguns.
Dizem os estudiosos no assunto que há várias linhas de pesquisa sobre o efeito estufa. De acordo com o pesquisador do Departamento de Física da Universidade Federal do Mato Grosso do Sul (UFMS), Hamilton Pavão, "o efeito estufa é um problema real, que gera controvérsias". Segundo ele, algumas apontam para o aquecimento global como um fenômeno natural, mas a influência da ação humana em relação ao aumento do efeito também é um dos fatores que contribui para isso.
A ação maléfica do ser humano também pôde ser observada, com perplexidade, depois das fortes chuvas que caíram em várias cidades do País e as catástrofes que aconteceram em cidades como Niterói no Rio de Janeiro, onde centenas de pessoas perderam a vida por estarem morando num local onde já tinha funcionado um aterro sanitário. Tudo indica que o terreno sofreu ocupação sem um acompanhamento técnico devido, como acontece nas periferias das grandes cidades.
Eu questiono daqui: quem vai ser responsabilizado pela tragédia? Costuma-se dizer que o brasileiro só se previne depois de roubado, ou quando acontecem os problemas. O chamado desenvolvimento e a expulsão do homem do campo provocaram essas grandes concentrações gerando maior volume de lixo e exploração desordenada de terrenos e encostas.
Um texto de Valter Abreu, no site Administradores.com, observa que há alguns anos só se pensava no desenvolvimento por meio da exploração dos recursos naturais, sem pensar na sua reestruturação. Segundo ele, esses recursos foram se esvaindo e precisam ser conservados, “retirando da natureza somente o indispensável, deixando sempre uma sobra para ser utilizada futuramente”, observa.
Essa argumentação indica também que o Planeta Terra já estaria em total colapso, “se medidas corretivas não forem tomadas, pois a tendência da produção mundial é só aumentar e em conseqüência os gases tóxicos jogados no ar vão trazer uma série de complicações aos seres humanos, animais e plantas, enfim à vida na Terra”, diz o texto.
Em várias cidades o que a gente viu, além das enchentes dos rios e córregos, foram ruas alagadas por conta do entupimento dos esgotos em conseqüência do lixo acumulado e da falta de educação ambiental que ainda deixa muito a desejar nas cidades. A grande quantidade de lixo nas cidades é por conta do aumento populacional. Quanto mais gente, mais lixo, é claro. Nunca vi produzir tanta sujeira como o ser humano. Parece que quanto mais se ouve falar que o lixo deve ser jogado no lixo e que a gente deve fazer coleta seletiva, mas a gente vê a desordem.
As futuras gerações precisam ser orientadas sobre todos esses problemas. A educação é a única arma que se tem para mostrar a essa juventude que ela precisa cuidar mais do nosso planeta, ter mais carinho com a terra, com os animais, enfim, sob pena de acontecerem tragédias bem maiores.

terça-feira, 13 de abril de 2010


Há 12 anos morria meu pai

Olívia de Cássia – Jornalista

No dia 12 de abril de 1998, há doze anos, morria meu pai, João Correia de Cerqueira, em consequência de problemas provenientes da Aataxia spinocerebelar ou Doença de Machado Joseph, que o limitou em cima da uma cama, inválido, por 14 anos. Meu pai começou a sentir os primeiros problemas da doença ainda quando estava em plena atividade, trabalhando na nossa mercearia, na Rua da Ponte.
Começou levando muitos tombos e andando sem equilíbrio, o que levava muita gente a pensar que ele estava bêbado. Levava quedas na rua e era socorrido por algum morador de União. Essa é a herança maldita da nossa família.
Meu pai era um homem generoso, religioso, de muita fé. Passei o dia na correria do trabalho, mas não deixei de lembrar, desde as primeiras horas da manhã, daquele que foi um exemplo de vida para mim. Seu João Correia de Cerqueira, meu pai, foi um dos homens mais importantes da minha vida.
Seu exemplo de conduta ética, religiosidade e honestidade nos foi deixado como legado e eu não poderia deixar de lembrar de tudo de bom que ele fez por nós e agradecer mais uma vez. Obrigada, meu pai. Onde você estiver, tenho certeza que já foi abençoado e que está ao lado de bons anjos. Descanse em paz!

segunda-feira, 12 de abril de 2010


Servidores paralisam atividades

Olívia de Cássia – jornalista
(Foto e texto)

Servidores públicos cruzaram os braços hoje e fizeram uma manifestação em frente à Secretaria Municipal de Finanças. Eles reclamam que o prefeito Cícero Almeida ofereceu de reposição apenas 3% de salário enquanto que o salário dos secretários do município, segundo as lideranças, foi reajustado em R$ 17 mil reais e do prefeito R$ 20 mil.

sábado, 10 de abril de 2010


Reflexões de um dia chuvoso

Olívia de Cássia – jornalista

A chuva cai anunciando que o inverno esse ano vai ser rigoroso. As notícias que tomo conhecimento são de desabamentos, enchentes e até mortes, em outros estados e no interior, consequência da revolta da natureza e da imprudência do ser humano. Muitas vidas ceifadas, causando descontrole nas famílias. Pessoas desabrigadas, crianças famintas.
Diante de tanta tragédia e acontecimentos negativos lá fora, meus problemas pessoais se tornam ínfimos, pequenos e mesquinhos. Estou fugindo de mim mesma, tentando não ver tudo o que me espera daqui em diante. Minhas pernas já não têm a firmeza de antes. Busco forças dentro de mim, sinto-me intolerante diante de muitas situações, com os outros e comigo também.
Por que não tomo uma atitude radical e resolvo de vez o que fazer? Tenho tanta dificuldade de dizer não aos outros que isso me limita e me confunde; prejudica-me por certo. Preciso ficar sozinha. Nasci para viver só. A solidão que gostaria de ter não é essa, quero a solidão da paz interior, para que eu possa refletir até onde eu posso ir.
Solidão para resolver minhas coisas, escrever sem ser incomodada; fazer tudo o que quero e que almejo e realizar meus sonhos. Sou um objeto estranho e único por aqui. Deus, quando resolveu me mandar para a terra dever ter me delegado alguma missão. Que missão será essa que ainda não me dei conta e que não me permiti entender como posso contribuir de alguma forma com a melhoria do mundo?
São essas indagações e reflexões que me ocorrem nessa tarde de chuva quando estou agora no ponto do ônibus aguardando a condução para ir ao meu itinerário de agora. O ônibus já vem, vou embarcar, são 12h10 do dia 10 de abril de 2010. Até breve!

quinta-feira, 8 de abril de 2010

Nada a comemorar

Olívia de Cássia – jornalista

No dia 7 de abril, quarta-feira última, comemorou-se o Dia do Jornalista. A data é referendada desde a fundação da Associação Brasileira de Imprensa, em 1908. Dessa época para cá a categoria teve muitas conquistas como a regulamentação da profissão, a luta por piso salarial digno, carga-horária de trabalho regulamentada, acordo salarial entre outras bandeiras de mobilização, em nível nacional.
Este ano, avalio eu, não tivemos muitos motivos para comemorar a data, já que recebemos várias notícias negativas com relação a nossa profissão e a principal delas foi a decisão do Supremo Tribunal Federal (STF) de que nosso diploma não é mais obrigatório para exercer a profissão de jornalista. Mas a luta não para por aí e vários têm sido os desdobramentos com relação a essa questão, a exemplo da PEC que está tramitando no Congresso Nacional para regulamentar a profissão.
A Fenaj está conclamando a categoria para ampliar o movimento pela aprovação das Propostas de Emenda Constitucional que tramitam no Congresso Nacional prevendo o restabelecimento do diploma e a luta para que as deliberações da 1ª Conferência Nacional de Comunicação sejam postas em prática, configurando políticas para o setor efetivamente a serviço do interesse público, da desconcentração da propriedade dos veículos e da democracia.
Segundo denúncias dos informativos da categoria, em todo o País, os profissionais estão sendo massacrados com uma sobrecarga de trabalho que extrapola as cinco horas diárias, como manda a lei e os nossos direitos estão sendo desrespeitados, cotidianamente. As informações de irregularidade são muitas.
A dignidade da profissão foi conseguida com muita luta. Enfrentamos uma ditadura e muitos perderam a vida lutando por liberdade de expressão e pela democracia. Aqui em Alagoas tivemos vários companheiros que se destacaram nessa luta, no sindicato, por melhores condições de trabalho e por melhoria salarial, em defesa de uma sociedade mais justa.
Estamos em campanha salarial, cuja data-base é o mês de maio, em Alagoas, e até agora o que foi oferecido para a categoria foi uma migalha, a metade da inflação, em detrimento do lucro dos donos das empresas de comunicação que se avoluma a cada dia. É muito difícil exercer uma profissão com dignidade se você não tem condições dignas de sobrevivência.
Por outro lado, até a licença-maternidade, em algumas empresas de comunicação do estado está sendo negada. Em negociação realizada com jornalistas, na Superintendência Regional do Trabalho, donos de rádios, jornais, TVs e sites de notícia do Estado negaram a ampliação da licença-maternidade para as mulheres jornalistas, que reivindicam esse direito na Convenção Coletiva de Trabalho.
Os patrões alagoanos também negaram reajuste para o valor do auxílio-creche (R$ 100) - pago para não construir creches - e se recusam a repor as perdas da inflação nos salários dos jornalistas. Diante de tantas conquistas que tivemos no passado e da situação que estamos vivenciando no presente, não há, na minha humilde avaliação de jornalista, motivos para comemorar a data, que em outras épocas significou tanto para nós.
Fica daqui a minha indignação e o desejo de que esses empresários que comandam os meios de comunicação no Estado se sensibilizem e revejam a questão. Quanto ao nosso diploma ainda teremos muitas lutas na Justiça.

quarta-feira, 7 de abril de 2010

Cícero Ferro ataca TJ e chama sindicalista de maloqueiro

Olívia de Cássia – jornalista
(Texto e fotos)



Em discurso inflamado, o deputado Cícero Ferro (PMN) (foto) atacou o Conselho Estadual de Segurança e o Tribunal de Justiça, inconformado porque o Tribunal expediu um habeas corpus, no último dia 30, favorecendo os acusados no atentado que sofreu em 2004.
O deputado foi o primeiro a fazer o uso da palavra na Casa, assim que foi lida a ata da sessão anterior. Ele criticou o promotor Antônio Barbosa Carnaúba pela liberação dos acusados contra a sua vida e falou do atentado que sofreu, tendo sido atingido, segundo ele, por 200 tiros. “Desses 200, nove me atingiram”, disse ele.
Não é a primeira vez que o deputado Cícero Ferro (PMN) faz uso da palavra na Casa para atacar a Justiça alagoana. Em seu discurso ele enfatizou que não é bandido “bandido é o pessoal do TJ e do Conselho Estadual de Segurança”. A reclamação do parlamentar se deu pelo motivo de o Conselho de Segurança ter negado a ele uma solicitação de mais proteção do estado.
Ferro também atacou dizendo que a instituição teria liberado quatro policiais para fazer segurança “de um maloqueiro, Ernandi Malta”, (presidente do Sindicato do Poder Legislativo que é testemunha do assassinato do vereador por Delmiro Gouveia, Fernando Aldo, cujo processo aponta o deputado Cícero Ferro como principal acusado).
“Eu não sou bandido, bandido pode ter no Tribunal, já me fizeram três atentados. Se eu for assassinado o Tribunal é o responsável pela minha morte. Já tentaram me matar três vezes, eu não vou me calar”, bradou Ferro da tribuna da Casa, acrescentando que os homens que atentaram contra a sua vida fizeram uma comemoração em Minador do Negrão, que segundo ele vivem afrontando a Justiça.
“Prefiro morrer falando, bandidos são esses que o TJ deu o habeas corpus. Ninguém passou o que a minha família está passando, o Conselho de Segurança não melhorou a segurança do Estado e a criminalidade em Alagoas cresceu. O tribunal está contribuindo com isso”, reclamou.
Foi um discurso longo o do deputado que deixou a todos que estavam na Assembleia de queixo caído. Consultado sobre as acusações contra ele, o presidente do Sindicato do Poder Legislativo, Ernandi Malta, disse que não tem medo do deputado. “Alagoas conhece quem é Cícero Ferro e quem é Ernandi Malta”, observou o sindicalista.


TJ indefere pedido de liminar contra a ALE

Olívia de Cássia – jornalista
(Texto e fotos)

O Tribunal de Justiça de Alagoas (TJ/AL) indeferiu hoje, por meio do desembargador Estácio Gama, uma ação com pedido de liminar do Sindicato dos Trabalhadores do Poder Legislativo contra a Assembleia Legislativa Estadual (ALE).
O Mandado de Segurança de número 2010.000845-4 tem como impetrante José Ernandi Ferreira Malta, por intermédio do advogado Manoel Ferreira Lira. A impetrada (acusada) é a Mesa Diretora da Assembleia, cujo procurador é o advogado Marcos Guerra.
Segundo Ernandi Malta, esse parecer do TJ não interfere na suspensão da greve nesta quarta-feira e não muda o resultado das negociações ocorridas até agora. “Já estão querendo fazer um carnaval com essa decisão”, disse ele.

Segundo a vice-presidente da Central Única dos Trabalhadores, Lenilda Lima, a greve dos servidores da ALE foi suspensa depois de aberto o canal de negociação com a categoria. Ela informou que a Mesa Diretora garantiu os retroativos aos servidores, o que foi confirmado depois da sessão da ALE pelo presidente da Casa, Fernando Toledo (PSDB).
Toledo se reuniu na sala ao lado do plenário com servidores da ALE e deputados para formalizar o acordo feito com a categoria. Em entrevista à imprensa, ele garantiu que o PCCS dos servidores está garantido e que processo está sendo encaminhado de forma pacífica. Agora é aguardar.



Depois de uma negociação, servidores da ALE encerram a greve

Olívia de Cássia – jornalista
(Texto e fotos)

Os servidores da Assembleia Legislativa Estadual (ALE) decidiram pela suspensão da greve depois da abertura de um canal de negociação com a Mesa Diretora da Casa, que aconteceu no final da manhã desta quarta-feira, 7, e teve a participação de uma comissão formada por diretores do sindicato, funcionários da Casa, os deputados Fernando Toledo (PSDB), Judson Cabral (PT) e Antônio Albuquerque (PTB).
O presidente do Sindicato dos Servidores, Ernandi Malta, disse que está havendo uma negociação e não acordo “acordo é quando o dinheiro está no bolso. Estamos em estado de alerta até o dia 25 quando a Casa ficou de pagar o retroativo”, disse Ernandi, acrescentando que na próxima terça-feira, 13, às 8h, haverá outra reunião para definir como será feito o pagamento desse retroativo aos servidores, de acordo com o que ficou acordado na reunião.
Antes de finalizar a sessão o deputado Antônio Albuquerque (PTB) lembrou que na reunião ficou definido que haveria uma interrupção da sessão para informar oficialmente aos servidores sobre o que ficou apalavrado no encontro da manhã. Como três deputados estavam inscritos para fazerem uso da fala, o presidente sugeriu que a reunião acontecesse após as falas dos deputados inscritos.



Manifestação de servidores da ALE tem adesão de policiais

Olívia de Cássia – jornalista
(Texto e fotos)

O prédio da Assembleia Legislativa continua fechado e os servidores não arredam pé de suas reivindicações, pelo menos até agora. No começo da manhã toldos foram colocados na Praça Pedro II indicando que o movimento ia engrossar. Por volta das dez horas da manhã o Sindicato dos Servidores da Assembleia Legislativa, que tem como presidente o sindicalista Ernandi Malta, recebeu policiais civis, agentes penitenciários, pessoal da perícia técnica, policiais federais que se encontram agora na porta da Casa de Tavares Bastos e prometem fortalecer o movimento com outras categorias no horário da tarde.
A mobilização dos policiais e demais categorias conta com o apoio da Central Única dos Trabalhadores (CUT), do Movimento Contra a Corrupção (MCC) e faz parte de uma mobilização nacional dos movimentos sociais, anunciada na semana passada, antes da Semana Santa, quando os funcionários da Assembleia Legislativa cruzaram os braços em protesto contra o descumprimento do Plano de Cargos e Carreiras dos Servidores.
Eles reclamam da não incorporação dos qüinqüênios, retroativos, enquadramento e PCC e prometem não abrir a guarda caso suas reivindicações não sejam atendidas. Ontem, o presidente da ALE, deputado Fernando Toledo (PSDB), concedeu entrevista à imprensa e disse que a Mesa está revendo a questão e que talvez a ALE emita uma folha suplementar. Toledo reclamou que o sindicato está impedindo o acesso de funcionários às dependências da Casa, causando constrangimento a esses servidores.
A normalidade e o caos

Olívia de Cássia Correia de Cerqueira

Às vezes a gente precisa entrar num processo de caos para chegar à calmaria. Ultimamente tenho me irritado com facilidade diante de situações, tenho sido intolerante até comigo mesma. Não encontro a serenidade, a paz, a harmonia que tanto persigo.
Preciso encontrar essa linha tênue que muitos chamam de equilíbrio. Equilíbrio que preciso para conduzir a minha vida. Quero viver pacificamente, calmamente, consciente das minhas obrigações de cidadã. Quero viver em paz...
Tão simples assim...

Olívia de Cássia Correia de Cerqueira

Não é tão simples assim a gente passar por tais etapas da vida e passar incólume, sem se afetar com nada. Nesse instante me vêm reflexões.
Preciso me encontrar comigo mesma, resolver situações, expulsar aquilo que teima em insistir...
Tão simples assim como a água do rio que corre para o mar...
Como as estrelas que estão no céu.
Como o sol que nasce a cada dia, mesmo com a presença das nuvens...
Tão simples assim como teus olhos que imagino e sonho fossem diferentes...
Tão simples assim como um poema marcado, um poema cantado falando de mim.

terça-feira, 6 de abril de 2010

Toledo abre sessão-relâmpago na ALE, apesar do protesto de servidores

Olívia de Cássia – jornalista
(Texto e fotos)


Nem mesmo o protesto dos servidores impediu que o presidente da Assembleia Legislativa, Fernando Toledo (PSDB) abrisse a sessão desta terça-feira. Catorze deputados compareceram ao plenário da Casa, mas ao iniciar a sessão, o deputado Antonio Albuquerque (PTB) solicitou que o presidente encerrasse a sessão por conta do descumprimento do Regimento Interno da Casa. Já passavam vinte e três minutos do horário regimental da segunda chamada que é às 15h15.


Depois foi a vez do deputado Judson Cabral (PT) solicitar a palavra concordando com o argumento do deputado Antonio Albuquerque e solicitar o mesmo. Já o deputado Nelito Gomes de Barros (PMN) solicitou a suspensão da sessão por conta do falecimento do desportista e ex-deputado Oswaldo Gomes de Barros. Diante desses argumentos, o presidente da ALE encerrou a sessão e os deputados permaneceram no plenário da Casa concedendo entrevistas à imprensa.
No começo da tarde, o presidente do Sindicato do Poder Legislativo, Ernandi Malta, fez uma fala para a categoria e agradeceu a presença dos servidores à manifestação. Ele disse que não abre mão do que foi garantido na lei (o PCCS) dos funcionários e repetiu mais de uma vez para sua base que aguardava um canal de negociação com a Mesa Diretora. Malta observou que o sindicato estava tentando avançar no processo de negociação, mas que não está encontrando disposição da direção da Casa.

Depois da fala de Ernandi, houve um princípio de tumulto no portão lateral quando diretores do sindicato tentaram impedir a entrada de outros funcionários da ALE. Outro diretor do Sindicato começou uma fala e foi interrompido por uma colega. No meio da manifestação uma servidora da ALE disse ao colega que ele só pegasse o microfone se soubesse responder ao questionamento do colega. É que em um o outro ponto os servidores repetiam que queriam o dinheiro na conta e perguntavam o tempo todo ao colega onde estava o dinheiro.
O servidor Henrique Lopes, representante da Federação Nacional dos servidores, pediu licença para falar e informou que os sites dos sindicatos e das Assembleias de todo o pais já estavam noticiando a mobilização dos servidores de Alagoas. O presidente da Central Única dos Trabalhadores, Isac Jacson, fez um apelo para a presidência da Casa no sentido de que não realizasse a sessão e observou que outras categorias estavam chegando para engrossar o movimento dos servidores da ALE.
Está marcado para esta quarta-feira, 7, uma grande mobilização envolvendo várias categorias, inclusive os policiais que prometem se aquartelar e realizar uma assembleia no pátio da Casa de Tavares Bastos, a partir das 8h da manhã, para fortalecer o movimento dos servidores do Poder Legislativo.

domingo, 4 de abril de 2010

Quanto tempo

Olívia de Cássia Correia de Cerqueira

Quanto tempo
O tempo disporá
Até que não saiba mais quem sou?
Quanto tempo eu terei
Para reinventar
Minha vida
De forma que ela
Tenha um outro sentido??

Quanto tempo terei
Para tomar as rédeas
Do destino
E seguir em frente
Em busca
De algo mais??

sábado, 3 de abril de 2010

O que veio depois

Olívia de Cássia - jornalista

Passei o dia, hoje, muito angustiada e reflexiva diante de muitas interrogações. Depois da separação de um relacionamento de quase vinte anos eu sofri muito, achava que o mundo tivesse desabado sobre minha cabeça e que não seria capaz de me reerguer diante daquele golpe sofrido.
Eu não consegui me conformar com aquela traição e a falta de lealdade e quanto mais eu questionava aquela situação, mais eu sofria. Era insustentável tudo aquilo; reviver é sempre dolorido.
Ficava sabendo notícias, com freqüência, do meu ex-companheiro com a outra, aquela que havia provocado a minha infelicidade, a separação e sobre seus relacionamentos amorosos paralelos. Parece que todo mundo sabe de alguma história e tem o prazer de vir contar pra gente. Isso sempre acontece.
Seis anos depois desse distanciamento, mesmo a gente morando em cidades tão próximas, eu pouco o vejo na rua, mesmo quando viajo para União dos Palmares quase não o encontro por aí durante todo esse tempo, mas sempre ficava sabendo das suas aventuras amorosas e dos envolvimentos duplos e das fraquezas das outras mulheres.
É impressionante como nós mulheres, quando estamos frágeis nos deixamos levar pela lábia e pala conversa mole de alguns aproveitadores. Eles sempre encontram alguém em quem aplicar e colocar suas garras famintas de poder e de dinheiro. Querem sempre levar vantagem.
Depois desse rompimento afetivo eu tive muitas crises existenciais que iam e vinham de forma inesperada. Adoeci, entrei na terapia e saí por falta de condições financeiras, mas precisei tomar remédios controlados durante quatro meses.
Às vezes, ainda hoje, eu avalio que de vez em quando preciso tomá-los para me sentir mais calma e para retomar o meu equilíbrio, mas não voltei para o especialista para consultá-lo sobre isso.
Quando esse problema emocional se fez presente em minha vida, comecei a sentir de forma mais acentuada os sintomas da ataxia spinocerebellar, doença hereditária da minha família.
Os tombos aumentaram, a dupla visão se faz em certas ocasiões, os engasgos e irritabilidade frequente, só para citar alguns incômodos que debilitam a gente.
Há instantes que penso que vou perder a minha razão. Procurei me dedicar ao meu trabalho com mais intensidade e a viver minha vida de forma mais leve diante de tanto obstáculo.
Por recomendações médicas abandonei a antiga ideia da adoção, um sonho antigo. O neurologista me aconselhou a viver a minha vida de forma mias intensa diante das impossibilidades físicas que poderão vir a me acometer, caso seja mesmo confirmada a ataxia spinocerebellar o meu problema de saúde. Resolvi me entregar de cabeça ao meu trabalho.
Durante cinco anos eu não me envolvi com outra pessoa emocionalmente e não queria mais isso, até que comecei a manter conversação com alguns rapazes no MSN e no Orkut.
Numa dessas conversas eu encontrei um rapaz mais novo que eu, muito simples, que de repente se mostrou interessado em entabular conversas com mais freqüência.
Dois meses depois de muitas conversas virtuais marcamos encontro no shopping e iniciamos um namoro. Nos primeiros dias, apesar das minhas trapalhadas e da falta de prática até que fui achando que poderia ser uma alternativa.
Um ano e seis meses depois eu já tenho a certeza que foi mais um erro que cometi. Eu nasci para viver só. Amo a liberdade e sempre lutei por ela. Não há nada melhor na vida do que a liberdade de ir e vir.
A liberdade de viver a vida sem interferência de outras pessoas. A liberdade de movimentos, sem invasão de privacidade. Sinto-me incomodada e incomodando e devo admitir que eu sou muito chata mesmo e para me agüentar, às vezes nem eu mesma me suporto. Não deveria ter me envolvido novamente. Já falei isso pra ele, mas parece que não quer entender.
Mais uma vez eu tenho que admitir que minha mãe tinha razão em tudo o que me dizia. “Minha filha, se conforme com o amor de seus cachorros, você nunca vai ser amada”. Parece até que me jogou um xingamento e todas as minhas desobediências da infância, adolescência e juventude agora resvalam diante de mim.
Tudo o que me acontece é culpa minha mesmo. Estou pagando por todos os meus erros do passado e carregando uma cruz muito pesada. Como diz meu irmão Petrônio, “cada um tem uma cruz para carregar”. E é isso que estou sentindo nesse momento.
Boa Páscoa para todos

Olívia de Cássia – jornalista

Neste domingo os católicos celebram a Páscoa. Em todo o mundo esse sentimento é revisto e comemorado. A Páscoa é uma festa cristã que celebra a ressurreição de Jesus Cristo, ressurreição que aconteceu três dias depois da sua crucificação.
Conta a história que os judeus comemoravam a Páscoa para relembrar sua libertação da escravidão do Egito, de acordo com o que diz o Antigo Testamento. Depois, o evento passa a ser a comemoração sobre a libertação do homem do pecado já que Jesus passa a simbolizar o cordeiro que os judeus sacrificavam na época de Páscoa.
O nome “Páscoa” vem do hebraico e significa passagem, passar por cima. Devemos passar por cima das adversidades e fazer uma nova passagem dentro de nós, como aquela relatada na Bíblia quando Moisés cruzou o Mar Vermelho. Uma simbologia que deveríamos adotar em nossas vidas.
Nas décadas de 60 e 70, nessa época do ano, meu pai, que era católico fervoroso, costumava jejuar e nos incentivava a fazer o mesmo. Só podíamos comer ao meio dia, quando a minha mãe tinha feito várias iguarias apropriadas para a época. Tudo muito saboroso, comida que a gente só costumava comer na Semana Santa mesmo.
Eu não entendia muito bem aquela história tão triste de um homem que deu a vida pela e para a humanidade e foi tão violentado e assassinado barbaramente. Quando eu estudava no Moreira e Silva, no Cepa, no final na década de 70, a escola fazia suas comemorações nessa época e a professora Rilda Rocha Ferro e os demais professoras nos reunia em uma sala para explicar o significado da Páscoa, sempre incutindo em nossos corações o sentimento de religiosidade.
Naquela época todos ficavam atentos ouvindo aquela mensagem de paz e de amor. Era um tempo em que não havia violência nas ruas e nas escolas e os professores eram muito respeitados. Da mesma forma que nasci e me criei em uma família católica e cheia de tradições, que sempre celebrou a data, ficava fácil a compreensão daquilo tudo que nos era ensinado na escola.
Lembro que eu sofria muito, quando criança, ao ouvir aquela história de Cristo; chorava quando ouvia aquela história. Seu Antônio Temóteo, nosso vizinho na Rua da Ponte, tinha uma bar no começo da rua e colocava um disco de vinil em som bem alto, para passar aquela história, de sofrimento, crucificação e ressurreição de Jesus.
Mas a Páscoa nos dias de hoje deixou de ter esse significado. Parece que as pessoas se deixaram levar pelo apelo comercial e logístico e só pensam no consumo de chocolate (que eu também aprecio muito), no vinho e no que se pode comer nessa época. Mas a mensagem de Jesus fica apenas em alguns filmes que a televisão exibe e nos rituais que ainda são preservados na igreja.
Apesar do meu afastamento da religião, não deixo de lembrar de tudo o que me foi ensinado pelos meus pais e pela minha religião. Tenho o mesmo sentimento apesar da distância das tradições. Que todos tenham uma linda Páscoa, de paz, reflexão e harmonia.

Ainda tenho esperança

Por Olívia de Cássia Cerqueira O dia amanheceu com mais uma promessa de vida. É sexta-feira, dia de alegria, como todos devem ser: de agr...