sexta-feira, 31 de dezembro de 2010

Que nossos dias sejam mais amenos

Olívia de Cássia – jornalista

Ainda abalados com a morte intempestiva e idiota do nosso Ednaldo Santos, o Tiririca, nós que fazemos a Tribuna Independente, jornalistas, gráficos e o pessoal da área administrativa, acabamos de voltar do sepultamento, que aconteceu na cidade do Pilar.

Muita gente deve ter ido ao cemitério de São José onde tinha sido marcado para ser o sepultamento. Foi uma mudança de decisão, a pedido da família, já que Pilar é a terra natal do nosso amigo.

Muitas pessoas se emocionaram lá em Pilar, na Igreja, local onde também o corpo foi velado por alguns minutos. Uma das irmãs desmaiou duas vezes e uma delas comentava que ele deixava de comer, se fosse preciso, para alimentar a família.

Resta-nos a todos nós, nessa véspera do Ano-Novo, quando deveríamos agora já estar comemorando e dando vivas às conquistas que foram possíveis neste ano que se finda daqui a algumas horas, fazer uma reflexão e procurar lembrar da alegria do Tiririca, da sua boa vontade de servir.

Ele se foi no melhor momento de sua vida; isso foi dito por amigo dele, hoje, quando o corpo acabava de ser sepultado no Cemitério do Pilar, em discurso emocionado.

Esse amigo disse que na véspera de Natal Ednaldo teria dito que esse estava sendo o melhor momento de sua vida, “porque ia conseguir comprar a casa” que tanto sonhou e estava, aos poucos, conseguindo melhorar de vida. Uma pessoa simples mas de um coração encantador, doce e puro.

Esperamos que esse caso seja esclarecido, com a maior brevidade possível. Ontem ficamos chocados com um colega de profissão, que sem ouvir ninguém da nossa Tribuna, colocou notícias especulativas, sem apuração, insinuando que a morte de Tiririca teria sido por vingança e mais um caso de homofobia.

Talvez a gente tivesse ficado conformado se a notícia tivesse sido apurada e a polícia realmente tivesse constatado o fato, mas não foi. A segunda inverdade colocada na matéria é que a Polícia Militar estaria investigando o caso.

Todos que militam em jornalismo e as pessoas mais informadas sabem que a PM não investiga nada. Isso cabe à Polícia Civil, que realmente está investigando o caso, sob o comando do delegado Robervaldo Davino, de quem esperamos celeridade nas buscas e punição para esses bandidos.

Para toda a família Tribuna Independente o remédio agora é seguir em frente, tocar o barco, dar a volta por cima mais uma vez, diante das adversidades, que não são poucas para nós. Sempre quando estamos conseguindo algo vitorioso lá, tem sempre uma força estranha querendo nos puxar para baixo.

Mas nós somos guerreiros, unidos e não vamos deixar esse projeto morrer com o Tiririca. O projeto Tribuna Independente vai continuar, com a força, garra e disposição de luta de todos os profissionais: jornalistas, gráficos, telemarketing, departamento pessoal, tribuneiros e tantos outros parceiros que acreditam na gente, na nossa determinação e na nossa luta.

Que no ano de 2011 que se avizinha daqui a pouco nós possamos dar a volta por cima, ter otimismo e ter como meta nossos objetivos profissionais alcançados. FELIZ 2011!

quinta-feira, 30 de dezembro de 2010

A nossa dor é enorme ...

Olívia de Cássia – jornalista

A dor de todos aqueles que fazem o jornal Tribuna Independente é enorme nessa hora de luto, pela forma como nosso funcionário e amigo José Ednaldo dos Santos, carinhosamente chamado por nós de Tiririca, foi executado nas dependências do jornal.

Nosso amigo não media esforços a qualquer hora do dia e não se negava para ajudar quem quer que fosse, qualquer um de nós, que estivesse precisando de seus préstimos. Do cafezinho que fazia a mandados e limpeza na empresa, fazia tudo com alegria e satisfação.

O que fica para nós nesse instante é a dor da saudade de um amigo que estava sempre sorrindo e a expectativa de que esse crime em nosso Estado não seja mais um que fique impune, como tantos outros que costumamos presenciar diariamente em nosso cotidiano.

O delegado Robervaldo Davino está à frente das investigações e esperamos que se empenhe com afinco para descobrir e colocar na cadeia quem praticou esse crise atroz. Tiririca tinha 40 anos, dois filhos, esposa e ajudava a sua família. Uma família simples, mas de uma dignidade imensa como tantas desse país e desse estado que perdem seus entes queridos.

Nosso amigo era um patrimônio para todos nós que fazemos a Tribuna Independente e que lutamos por dias melhores e mais justos e que trabalhamos em busca da nossa dignidade e do nosso sustento.

Ele esteve conosco nas horas mais difíceis de nossas vidas, quando fizemos greve, um acampamento na empresa e decidimos arregaçar as mangas e fundar um novo jornal, depois de um megacalote que levamos de pessoas irresponsáveis, ricas e poderosas desse estado.

Arregaçou as mangas e decidiu marchar conosco nessa aventura que é fazer a Tribuna Independente. Um jornal que nasceu da revolta de trabalhadores abandonados à própria sorte, sem salários e com a dignidade abalada.

Que nosso sonho e o sonho interrompido do nosso Tiririca não tenham sido em vão. Que deus lhe dê o descanso eterno. Adeus Titi!

Estamos de luto!

Foto de Olívia de Cássia
Olívia de Cássia – jornalista

Nós que fazemos a Cooperativa dos Jornalistas e Gráficos de Alagoas e o jornal Tribuna Independente, estamos todos entristecidos com o brutal assassinato do nosso Ednaldo, o Tiririca, como era carinhosamente chamado por todos nós.
Tiririca morreu ao tentar se defender de um covarde assalto.

Foi seguido da agência Banco do Brasil da Serraria, até a Tribuna Independente e foi executado aqui, no estacionamento do jornal.

Não podemos nos conformar com uma brutalidade dessas contra uma pessoa indefesa que só fez o bem a quem o cercava. Não media esforços para ajudar e prestar favores a quem quer que fosse.

Esse mês foi o aniversário dele e comemorou durante três dias. Estava muito feliz com os presentes que tinha recebido dos amigos daqui da Tribuna e pela festinha que foi feita pra ele.

No dia da nossa confraternização ele estava muito feliz e me pediu para que eu fizesse várias fotos dele com todas as meninas da Tribuna. Vá em paz, amigo. Que Deus lhe dê um lugar lindo, digno da sua pureza e beleza interior.

quarta-feira, 29 de dezembro de 2010

Não houve entendimentos para aprovação do Orçamento ainda este ano

Olívia de Cássia – jornalista

Durante a tarde movimentada de ontem no plenário da Assembleia Legislativa, a bancada governista tentava entendimentos, num pra lá e pra cá visível. O líder do governo na Casa, deputado Alberto Sextafeira (PSB), não parava de andar para todos os lados, articulando com os 25 deputados que compareceram à sessão, no sentido de que as matérias que tramitavam na ALE, do interesse do governador, fosse aprovadas.

O deputado Rui Palmeira (PSDB), eleito para a Câmara Federal na eleição deste ano, a partir de janeiro de 2011, não estará mais na Casa e Tavares Bastos e não participou da votação que aprovou os salários dos deputados e dos secretários. Sendo assim, a votação aconteceu com 22 deputados no plenário, já que outros também saíram.

Segundo informações do deputado Paulão (PT), a Casa não votou o orçamento porque os deputado assim definiram, em sua maioria: foi acordado por unanimidade. “O QDD chegou na segunda-feira, em cima da hora e foi unanimidade dos deputados deixarem a votação para o dia 12”, disse o petista.

O que se sabe é que com a aprovação no salário dos deputados, o impacto na folha de pagamento do Poder Legislativo vai girar em torno de R$ 300 mil por mês, a partir de fevereiro de 2011. O governo gastou muita saliva e dinheiro, comenta-se, para convencer os deputados a votarem por quase unanimidade nas matérias.

Apenas os deputados Judson e Paulão, ambos do PT, foram contra os aumentos, dos secretários e dos deputados, assim como foram contra a aprovação da Lei Delegada, que também teve o voto contrário do deputado Isnaldo Bulhões Júnior (PDT).

As negociações entre a Mesa Diretora e o governo, de acordo com informações de alguns deputados que não participaram das reuniões, foram feitas na calada da noite, no Palácio República dos Palmares, para que tivesse a aprovação da maioria das matérias na Casa de Tavares Bastos, entre elas o aumento dos salários dos secretários do Executivo estadual, que passaram de R$ 6,500 para R$ 15,3 mensais.

Não se sabe ainda como o governador Téo Vilela (PSDB) vai justificar o aumento dos salários dos secretários para a sociedade, já que vinha alegando, durante todo esse tempo, impedimentos de dar aumento ao funcionalismo por conta da Lei de Responsabilidade Fiscal.

O fato é que o salário dos secretários, segundo especialistas na causa, estavam defasados, se comparados com os secretários do município de Maceió, que recebem atualmente R$ 17 mil. Muitos técnicos capacitados de outros estados, que eram convidados para trabalhar no governo estadual, quando sabiam do valor pago, desistiam.

Daí a preocupação do governador em enviar essa matéria para ser aprovada, com urgência, para que tenha condições de contratar profissionais gabaritados para os cargos, segundo observam os entendidos no assunto.

No mais, trabalho mesmo dos deputados agora, só no dia 12 de janeiro. Mas no dia 5 haverá uma reunião da Mesa Diretora com o governador Vilela, para discutir sobre o orçamento. Não se sabe se a reunião será para fazer alguns ajustes na peça orçamentária ou para que os deputados peçam mais dinheiro. Vamos aguardar.

Deputados aprovam aumentos, mas a LOA ficou para o dia 12

Olívia de Cássia – Repórter
(Texto e fotos)

Foram mais de quatro horas de espera pelo resultado do entendimento de lideranças solicitado pelo deputado Sérgio Toledo (PDT), até que os deputados voltassem ao Plenário Tarcísio de Jesus e apreciassem as matérias pendentes na Assembleia Legislativa, na última sessão do ano.

Dos cerca de trinta projetos que estavam em tramitação na Casa, apenas a Lei Orçamentária (LOA) ficou para ser votada no dia 12 de janeiro de 2011. Os deputados Paulão e Judson Cabaral (do PT) votaram contra os aumentos dos deputados e também dos secretários do Governo do Estado.

Os parlamentares alagoanos tiveram seus salários aumentados em mais de 100% e passaram dos atuais R$ 9.600 para mais de R$ 20 mil, o que corresponde a 75% dos deputados federais que aprovaram os seus reajustes na semana passada.

Os movimentos sociais, que prometeram uma grande mobilização na porta do Poder Legislativo alagoano, não compareceram ao local, mostrando que as entidades de classe estão enfraquecidas e desmobilizadas diante das questões sociais. Apenas dez ‘lideranças’ compareceram à porta da ALE usando roupa preta e nariz de palhaço com uma faixa de protesto.

Paulão, Judson e Isnaldo votam contra a Lei Delegada

Antes de iniciar a votação dos projetos na ALE, havia a especulação na imprensa e entre os deputados de que o projeto da Lei Delegada, de autoria do Poder Executivo, fosse deixado para votar junto com a LOA, mas a votação aconteceu assim mesmo, com os votos contrários de Paulão, Judson e Isnaldo Bulhões (PDT).

Paulão disse que nem na ditadura militar se usou tanto esse instrumento. “No período da ditadura foi pouco utilizada. O governo usa o processo guarda-chuva, onde terá total autonomia para fazer extinção, modificação ou o que quiser (na estrutura administrativa do Estado)”.

O petista também afirmou que é “temeroso” a ALE conceder essa autonomia ao Governo do Estado. “Tipo delegação de poderes”, ressaltou.

A Lei Delegada concede ao governador Teotonio Vilela Filho (PSDB) a possibilidade de alterar e modificar ou extinguir a estrutura do Executivo pelo prazo de 90 dias. A proposta inicial, encaminhada pelo Governo do Estado, solicitava o prazo de 120 dias para a reforma.

BANCADA DO GOVERNO


Antes da votação, Paulão disse à imprensa que a bancada do governo tem maioria na Casa e a correlação de forças é desigual. “O orçamento ficou para o dia 12 de janeiro, a própria bancada do governo concordou com isso, foi uma decisão unânime (deixar a votação do orçamento para depois). A bancada do PT vai votar contra o aumento dos salários de deputados e de secretários”, disse o petista.

Paulão observou que a Lei Delegada teria que ser votada por meio de lei ordinária na Casa. “O QDD chegou agora, a Lei Delegada tem que ser votada por meio de lei ordinária, o governo tem que manter a estrutura individual”, disse ele.

Segundo informações do líder do PT na Casa de Tavares Bastos, o governador ligou para os deputados, fazendo pressão. “o Fábio (Rodrigues, representante do governo) está aqui fazendo esse papel, Artur Lira também”, disse.

Paulão também informou que no próximo dia 5 haverá uma reunião da Mesa Diretora com o governador, para discutir a Lei Orçamentária. Em entrevista à imprensa, o deputado Artur Lira (PP) disse que não houve pressão do governo, como disse Paulão e que ele (Artur Lira) também não estava fazendo esse papel.

FECOEP

A última sessão deste ano na Assembleia Legislativa também aprovou o projeto que altera o prazo de vigência do Fundo Estadual de Combate à pobreza do Estado (Fecoep), pelo período de dez anos, tão debatido pelos deputados nas semanas que antecederam a votação desta terça-feira e com várias observações do deputado Paulão. O Fundo perderia a sua vigência no último dia do ano, caso o projeto não fosse aprovado pelos deputados.

Também foi aprovado o projeto que cria a delegacia especializada no combate aos crimes ambientais; o que institui a obrigatoriedade de nomear para os cargos de assessoria de comunicação no âmbito do Estado jornalistas diplomados, projeto que reajusta os valores da Unidade Fiscal de Alagoas (UPFAL), que também teve os votos contrários dos deputados petistas Judson Cabral e Paulão.

Os dois petistas também votaram contra o projeto que altera a cobrança do ICMS sobre as operações de transporte.
Foi uma tarde de muita movimentação na Casa de Tavares Bastos, tanto da imprensa quanto dos deputados. José Pedro da Aravel (PMN) e Temóteo Correia (DEM), que estavam de licença por motivos de saúde, compareceram ao chamamento da Mesa Diretora para participarem da votação.

Na Ordem do Dia, 22 parlamentares estavam no plenário, mas chegaram a circular no ambiente, 25 deputados. Apenas os deputados Dudu Albuquerque e Carlos Cavalcante não compareceram à Casa de Tavares Bastos no dia de ontem. Dudu está de licença e Carlos Cavalcante (PTB) não se reelegeu e tem ido esporadicamente à ALE.

terça-feira, 28 de dezembro de 2010

Deputados votam hoje Orçamento 2011

Olívia de Cássia – jornalista
(Texto e foto)

A tarde de hoje na Assembleia Legislativa de Alagoas (ALE) promete muita movimentação. Os deputados devem votar a Lei Orçamentária Anual (LOA), além de mais 29 projetos, que inclui o aumento dos salários deles, dos secretários do Governo do Estado, a prorrogação do Fundo de Combate e Erradicação da Pobreza (Fecoep), além de outros projetos importantes que estão tramitando na Casa de Tavares Bastos.

A tarde promete ser longa, de grandes debates e movimentação. Os movimentos sociais do Estado estão se articulando para fazer um protesto na porta do Poder Legislativo, contra o aumento dos salários dos deputados estaduais, que podem seguir, segundo a Constituição do país, o mesmo processo dos deputados federais, senadores e presidente da República.

Os salários dos deputados estaduais, em todo o País, correspondem a 75% dos federais e pode subir de nove mil e uns quebrados para vinte mil. No caso de Alagoas, segundo o presidente da ALE, Fernando Toledo (PSDB), estão congelados há quatro anos por falta de aporte de caixa. Este ano, segundo o deputado, ‘há condições de manter o aumento”. Esse aumento de efeito cascata também deve ser aplicado nas câmaras municipais do País.

Segundo se comenta nos bastidores do Poder Legislativo, se os deputados ganhassem apenas o equivalente a seus salários e fizessem jus ao cargo que o povo lhes conferiu, a remuneração seria justa. No entanto, o que se sabe é que o salário para alguns é apenas uma gorjeta e comenta-se que tem deles que até doam para instituições de caridade.

O que vale mesmo na ALE, segundo essas fontes, é o que eles levam por fora, de comissões ou nas negociatas feitas na calada da noite, para atender interesses outros e não os interesses do povo que os elegeu. Além dos gordos salários, sonho da maioria dos brasileiros, os deputados ainda têm a verba de gabinete, em torno de 50 mil reais, variando de um para o outro, de acordo com as conveniências do Poder.

A verba de gabinete, oficialmente, seria para que os deputados mantivessem seus gabinetes, combustível, telefone, alguns assessores que são pagos com ela, material de expediente dos escritórios, entre outros serviços. Muitos no entanto usam essa verba para quitar suas contas pessoais e eu não sei como justificam isso na prestação de contas.

Queríamos nós, trabalhadores e trabalhadoras, alcançar uma graça dessas, de ter salários tão misericordiosos. Todos seriam mais felizes e as dificuldades do dia-a-dia, certamente, seriam bem menores.

segunda-feira, 27 de dezembro de 2010

Entrevista que concedi ao blog do José Marcelo - União dos Palmares...



"Amo Minha Terra, Por Tudo e Apesar de Tudo". Olívia de Cássia


"Eu lamentei a demolição do prédio da Secretaria de Educação, a demolição do casarão que foi de Basiliano Sarmento, a casa de dona Salomé".



Marcelo: Qual o seu nome completo?

OC: Olívia de Cássia Correia de Cerqueira

Marcelo: Como foi sua infância e adolescência aqui em União dos Palmares?

OC: Uma infância muito rica em vivências, de muitos amigos e muito rica em brincadeiras e aprendizado. Uma adolescência complicada e problemática, por conta dos meus complexos e baixa autoestima, mas muito saudável. Uma juventude de muitas vivências, brincadeiras e amizades. Fiz amigos valorosos durante toda a minha vida em União dos Palmares e esse será o meu grande legado quando partir para outro plano. Amo meus amigos, todos, independente de raça, cor ou ideologia partidária. Procuro não confundir as amizades com as questões politicas e profissionais.

Marcelo: Quais os lugares que você e sua família moraram aqui na cidade, Fale um pouco deles.

OC: Nasci na minha querida e saudosa Rua da Ponte, de onde tenho a minha memória mais afetiva. Quando eu tinha quatro anos, fomos morar por um tempo na rua da AABB, vizinha a Lala da Farmácia, dona Nova. Depois voltamos para Rua da Ponte e lá moramos até meus nove anos, quando nos mudamos para a Rua Tavares Bastos, mas continuei a freqüentar a Rua da Ponte. Meus avós materno continuaram morando lá até meus catorze ou quinze anos, quando já estavam bem velhinhos e foram morar conosco na Tavares Bastos. Meu pai continuou com a mercearia por lá e sempre freqüentamos o local. Na Rua da Ponte moramos em três casas. Lá também fiz muitos amigos queridos.

Marcelo: Quais suas lembranças dessa época?

OC: Bem Marcelinho, as lembranças são muitas como já falei na segunda pergunta. Lembranças que vou levar pro resto da minha vida. Da minha infância, minha maior lembrança afetiva é na Rua da Ponte mesmo. Como já falei em outras oportunidades, foi na Rua da Ponte que meus pais iniciaram a vida, quando vieram da roça recém-casados e ali constituíram um patrimônio, tirando assim o nosso sustento.

Minha mãe dizia que meu pai relutou para não sair da Baixa Seca, onde moravam, para morar em União, mas por insistência dela, acabou cedendo e foram morar em União dos Palmares. Em primeiro lugar montando um pequeno hotel, que depois veio a falir, depois com a mercearia e o armazém de compra e venda de cereais, além das casinhas de aluguel que possuíram ali, no começo da rua. Nessa época que mudaram para União, meu irmão mais velho, Petrúcio, estava com oito meses de idade. Outra forte lembrança que eu tenho é a do meu avô Manoel Correia Paes e da Minha avó Olívia, os pais da minha mãe.

Convivi muito de perto com eles, éramos muito ligados. Quando foram para outro plano eu estava com 15 anos, sofri muito.Também as brincadeiras da infância, os banhos no Rio Mundaú. Além dos meus avós, também meu tio Antônio Paes de Siqueira completa essas minhas saudosas lembranças da infância, meus passeios e férias na Barriguda, tudo era muito encantador para nós. Tivemos uma infância muito sadia, de muitas aventuras e brincadeiras e de muitos amigos. Já da adolescência, as escadarias do Rocha Cavalcante, o Cine Imperatriz, a Praça Antenor de Mendonça Uchoa e a Avenida Monsenhor Clóvis eram os nossos points de encontro.

Na Avenida, como não tínhamos muitas opções, fazíamos muitas brincadeiras, paquerávamos e passávamos a maior parte do tempo, quando não estávamos na escola ou na casa dos amigos. Fiz muitas amizades em União dos Palmares, muitas das quais já se perderam pelo tempo, seja com a partida prematura de alguns amigos, ou pela roda-viva da vida que separa quase todo mundo mesmo.

Marcelo: Vocês tinham animais domésticos nessa época?

OC: Tínhamos, sim. Tivemos vários. Sempre fui muito apegada a eles. São meus amigos e amores mais preciosos. E sofro muito quando se vão. Minha mãe dizia, quando eu estava sofrendo por amor, por ter sido abandonada, depois da minha separação, que eu me contentasse mesmo com o amor e o carinho dos meus animais de estimação (risos).
Tenho muitas histórias pra contar sobre meus bichinhos. (risos) Além das galinhas que mamãe criava, nós tivemos nossos cães da infância.

O primeiro foi o Navan, nosso cão da infância que quase morre na enchente de 1969 porque foi se arriscar naquela boeira perto da Fazenda Jurema. Era um vira-latas diferenciado, grande, de pelagem branca com machas pretas.
Depois do Navan, tivemos o Dob, que era parecido com um bassê e foi presente do meu tio Antônio Paes, porque ele comia os ovos das galinhas do sítio. Dob morreu com 15 anos, velho, desdentado e gordo. Além do Dob, que não saiu da Rua da Ponte quando nos mudamos e ficou na mercearia de papai, na Tavares Bastos tivemos o Zé Black, outro vira-latas bege, que morreu de uma forma horrível, no mesmo mês que a minha avó, porque um morador da nossa rua deu carne com vidro pra ele comer.

E assim fomos adquirindo nossos bichos. Depois eu ganhei uma pequinês, a Kelly, do meu amigo Duerninho Wanderley, filho do dr. Duerno, mas ela morreu ainda novinha, porque mamãe colocou veneno de matar saúva para matar os carrapatos e ela morreu com problemas nos pulmões. Toinho Matias, que era meu consultor para esses casos, não pôde fazer nada quando cheguei desesperada na casa dele com ela embrulhada nos paninhos e choramos todos juntos a morte da minha cadelinha. E tive mais duas na adolescência, até que mamãe se desfez com raiva de mim, quando comecei a namorar mais sério, com ciúmes, por conta do meu namorado dos meus 17 anos, por quem tive uma grande paixão e ela não queria o namoro (risos, risos , risos, risos.).

Marcelo: Onde você estudou aqui em União?

OC: Minha primeira escola oficial foi o Rocha Cavalcante, depois Monsenhor Clóvis, Mário Gomes (um ano), Santa Maria Madalena foi o último, onde terminei o ginásio.

Marcelo: Qual a sua formação hoje?

OC: Sou jornalista, de profissão, opção e de coração, a profissão que escolhi por amor e dedicação e apesar das dificuldades e dos perrengues que passo pela falta de grana, amo minha profissão. Cursei jornalismo na Universidade Federal de Alagoas (Ufal). Entrei no curso em 1983 e concluí em 1988, porque precisei trancar um período para cuidar da minha mãe.

Sou pós-graduada em Marketing e Comunicação Integrada pela Unifal/Unifoa, mas não fui buscar o certificado da pós. Tenho curso incompleto de Inglês e comecei o curso de Português/literatura, mas desisti por causa de besteira e hoje me arrependo por não ter concluído, sou assim, às vezes, intempestiva mesmo. Ainda penso, de vez em quando, se tiver saúde e disposição para concluir os dois: o de inglês e o de Português/Literatura. (risos, risos)

Marcelo: Quais as festas mais importantes na sua juventude?

OC: Nossas festinhas eram assaltos, na casa dos amigos, as boates na Palmarina, os bailes durante o ano e o Carnaval, a Festa de Santa Maria Madalena.

Marcelo: Antes de você trabalhar na Usina Laginha, já tinha trabalhando em outros lugares?

Não, só ajudávamos papai na mercearia, mas a Usina Laginha foi meu primeiro emprego de carteira assinada. Eu não sabia fazer absolutamente nada, só tinha datilografia que comecei com dona Rosinha, esposa de seu Maurino Veras e terminei no Senac. Em Maceió.

Depois que terminei o científico e feito o primeiro vestibular para Medicina, pois minha mãe queria que eu fosse médica, já que não tinha seguido a carreira religiosa e tivesse me tornado freira, como queriam ela, meus avós e meu pai. Papai só deixou a gente trabalhar fora depois que terminamos os estudos. Também tinha tentado outros vestibulares, até que em 1982 eu passei em jornalismo.

Marcelo: Por quanto tempo trabalhou na Usina Laginha?

OC: Pouco tempo, 1981-1982.

Marcelo: Quais os maiores erros que fizeram em termo de demolições e modificações em prédios da cidade?

OC: Olha, eu sou apaixonada por arquitetura antiga, cidades históricas como Marechal Deodoro. Eu viajo nesses prédios. Em União eu lamentei a demolição do prédio da Secretaria de Educação, do lado da Igreja Matriz, a demolição do casarão que foi de Basiliano Sarmento, a casa de dona Salomé e outros prédios antigos que estão se perdendo com o tempo.

Eu lembro que tinha em União uns armazéns quando eu era criança, da Sambra, onde era armazenado o açúcar. Na rua do lado do Squina 90 graus também tinha uns prédios antigos, onde funcionou a mercearia de seu Floriano Bento, a Farmácia de seu José, tio do Laelcio Barbosa, que eu lembro. O próprio prédio onde hoje é o Squina 90 graus já funcionou uma livraria e era prédio antigo, também foi a lojinha de seu Edva, pai do Bobo. Era a livraria do doutor Nilson e do Paulo, irmão dele, se não me engano. E por aí vai.

Marcelo: União mudou muito desde que você foi embora?

OC: Eu vim morar de vez em Maceió quando passei no vestibular para jornalismo, em 1983, mas já tinha morado em Maceió quando vim fazer o hoje ensino médio. União mudou muito. Cresceu, ampliou, e cada vez que estou lá costumo comentar com amigos que em certas ruas eu me perco, mas eu tenho uma queixa.

Avalio que a cidade ficou menos afetiva, por conta da violência que anda solta. As amizades de agora, não são como na época da juventude, quando acreditávamos nos sonhos e que íamos mudar o mundo com nossas ideias: achávamos que nossas ideias e os amigos eram as coisas mais importantes das nossas vidas.

Marcelo: Em que ano foi morar em Maceió?

OC: Me mudei de vez em 1983, como já falei anteriormente.

Marcelo: A sua ligação com União é muito grande, isso se deve ao fato de você ter amigos e familiares vivendo aqui?

Não só por isso. Nasci e me criei em União dos Palmares, tenho minhas raízes aí, minha memória afetiva está toda na terrinha, não posso negar. E quando falo isso pros meus amigos daqui, eles tiram onda comigo. Mas é verdade. Amo minha terra, por tudo e apesar de tudo.

Marcelo: Você já foi casada, tem filhos?

OC: Vivi um relacionamento afetivo em regime de união livre por quase 20 anos. As lembranças são muitas (sempre tive minhas ideias próprias sobre a instituição do casamento e não casei no cartório ou no padre, como a gente dizia antigamente e por isso sempre fui muito criticada). Não pude ter filhos, Deus não me concedeu essa graça. Passei um tempo pensando em adotar uma criança e já tinha escolhido o nome da minha filha, seria Maria Clara, mas fui desaconselhada pelo meu terapeuta por conta dos problemas que posso vir a adquirir por causa do problema neurodegenerativo da minha família, a ataxia spinocerebelar ou Doença de Machado Joseph.

Marcelo: Está namorando atualmente?

OC: Não. Depois da minha separação, que foi muito dolorida e me deixou seqüelas, passei cinco anos sozinha. Arrumei um namorado, passei um ano e meio nesse relacionamento, mas não deu e hoje somos grandes amigos. Costumo dizer pros amigos que fechei o coração, tranquei as aportas, lacrei e joguei a chave. Avalio hoje, agora, no momento que te respondo essa pergunta, que a minha felicidade é a minha liberdade. Não há nada melhor no mundo do que ser livre. (risos, risos, risos, risos)

Marcelo: Olivia, é verdade que na sua casa você tem vários cachorros e gatos, como é o nome deles?

OC: Bem, morreram alguns gatos meus envenenados, o que gerou minha revolta. Atualmente eu tenho três gatas, mas já cheguei a ter nove gatos em casa. Tenho a Jane Joplin, a Lolita e a Sophia Loren, porque morreram há pouco menos de um mês, o John Lenon, a Nana Caymy e o Benjamim. Os cachorros são a Malu e o Otto, mas já tive cães com nomes de Tafarel, Nestor Antunes Correia de Cerqueira Marques, José Bonifácio, Dalila, Dandara, um gato chamado Aramis, outro Fred, Frederica e por aí vai. Todos os nomes são escolhidos para homenagear meus ídolos, os personagens dos livros que leio, escritores, atores, atrizes. Já possui Kelly, Baby, Juventina, Yoko Ono e por aí vai. (risos, risos, risos)

Marcelo: Você gosta muito de internet e redes sociais quais você usa com mais frequência?

OC: Sou viciada em internet, fico até as três da matina, depois de um rojão diário de três jornadas de trabalho. Não sei dormir sem antes percorrer as redes sociais, os blogs, os sites de notícia. Eu uso muito o Orkut, MSN, Facebook, Twitter, são os que uso com mais freqüência, além do meu blog, meus e-mails, Sonic, My Space, Baboo. O povo me convida e lá vou eu, só que o que mais freqüento é o Orkut e agora o Facebook.

Marcelo: Seu blog foi criado em que ano?

OC: No dia 4 de abril de 2007 eu criei o meu primeiro blog; como eu postava muita foto, o espaço espirou, criei o segundo, aconteceu a mesma coisa, fui para o terceiro, idem. Agora estou no quarto blog que criei em março e de lá para cá esse já teve mais de oito mil acessos, isso porque eu só coloquei o contador de páginas depois. Os outros blogs ainda hoje são visitados. E nem vi mais em quantos acessos os outros já estão. Tem um que já passou dos 20 mil acessos.

Marcelo: Seus textos são carregados de pura emoção, você é muito sentimental?

Sou. Desde os primeiros anos da adolescência. Sempre fui muito sentimental, por isso sofro muito, tanto no que se refere aos relacionamentos amorosos, por conta das decepções que tive, quanto com os amigos. Eu sou muito afetiva e qualquer coisa que me toque emocionalmente, já me deixa uma manteiga derretida. Sou muito chorona mesmo, próprio dos capricornianos, sempre fui assim. Minhas amigas de infância, quando encontro alguma de vez em quando por aí, ainda hoje me perguntam, se ainda choro muito por causa dos amores mal resolvidos. (risos, risos)

Marcelo: O seu acervo fotográfico é sensacional, você fotografa por hobby, ou por causa da profissão?

OC: É muito mais por hobby mesmo. Sempre gostei muito de fotografia, sou apaixonada por imagem. Minha primeira máquina fotográfica foi uma Tekinha que comprei no foto Cabral, o filme ficava fora da máquina e encaixava. Depois foi uma Kodak. Quando eu fui demitida do jornal Gazeta de Alagoas, na primeira vez que saí de lá, usei o dinheiro da indenização para comprar uma máquina Canon profissional , com três lentes, que comprei do Jonas. Ele tinha colocado a máquina no foto Cabral para a venda e meu ex-marido viu e me falou. Aí eu fui lá e compramos. Foi uma felicidade. A máquina fotográfica passou a ser uma extensão do meu corpo. Eu não saio de casa sem uma máquina de jeito nenhum, seja lá para que lugar eu vá.

Marcelo: Como você define a sua trajetória no jornalismo?

OC: Eu nem sei definir muito isso, sabe. Sempre foi tudo muito indefinido na minha vida. Eu comecei na profissão fazendo revisão de texto, ainda hoje faço. Eu gosto do que faço, mas eu me sinto feliz mesmo é escrevendo e fotografando, fazendo as duas coisas. Me realizo completamente quando estou escrevendo uma matéria, procuro fazer o melhor, escrever da melhor forma, me fazer entender. Fazer com que a pessoa que está do outro lado entenda o que estou dizendo. Princípio básico do jornalismo mesmo, porque a gente não pode escrever pensando na gente. Tem que escrever pensando no leitor. E gosto de escrever sobre tudo, mas a área de política é a que mais me identifico. E meus artigos também, além das fotos (risos).

Marcelo: O que acha da política de Alagoas?

OC: É complicado falar da nossa política. Vivo nesse meio tem muito tempo. Trabalhei onze anos na assessoria de imprensa do Sindicato dos Bancários, mas antes, já na universidade, acompanhava os movimentos, participei de muitas mobilizações. Antigamente os partidos ditos de oposição eram mais fortes, mais atuantes e mais acreditados.

A maioria dos políticos não pensa no bem comum que, teoricamente, é a filosofia da política. Os políticos do Brasil pensam muito mais em si, e a maioria só em si, em engordar ainda mais seus patrimônios.

O bem comum nem sempre é lembrado. A grande maioria é fisiológica mesmo, mas eu avalio que a população também tem uma parcela de culpa, porque não acompanha o desempenho dos nossos representantes. A gente tem que acompanhar e cobrar as promessas de campanha, as propostas e observar o que estão fazendo em benefício das comunidades, principalmente dos menos favorecidos.

As pessoas não devem vender o voto, porque assim não têm o direito de cobrar nada do político. Ainda falta muito para que se tenha uma política ideal, voltada para esse bem comum que a gente tanto prega. E para ser sincera com você, acho difícil, muito difícil. E vou te dizer o motivo: os compromissos assumidos são muitos. Para ganhar a eleição o cara faz aliança até com o diabo e fica devendo favor e dinheiro, então quando acontece alguma irregularidade, como é que ele vai denunciar o dito cujo se está devendo favor?

Marcelo: Qual a sua análise da política de União dos Palmares?

OC: Ainda não é a política ideal, mas avalio que pode melhorar, mas para que isso aconteça as pessoas precisam exercer a sua cidadania, cobrar, fiscalizar e não ficar só esperando uma política paternalista, que as coisas caiam do céu. A comunidade tem que participar e cobrar as políticas públicas.

Marcelo: Você acha que Genisete Lucena um dia será prefeita de União dos Palmares?

OC: Bem, isso eu não sei. Eu sou suspeita para falar de Genisete, porque ela é minha amiga desde o começo doso anos 80. Fizemos o Relâmpago juntas, colaborei com a Folha Palmarina, jornais fundados por ela. Mas posso dizer que ela é uma mulher de ideias e propostas e que pensa no bem comum. Avalio que seria uma boa candidata e se chegar à gestão algum dia vai procurar cumprir os compromissos assumidos.

Marcelo: Em sua opinião por que União dos Palmares não deslancha com o turismo cultural?

OC: Talvez falte projeto nessa área. União dos Palmares é uma região riquíssima, de muita história, o legado de Zumbi, por si só já seria o principal mote para que o turismo cultural se desenvolva, mas tem também Jorge de Lima, Povina Cavalcante, Mariá, Muquém, tudo isso é muito rico e poderia ser melhor aproveitado.

Marcelo: O que podemos fazer para melhorar esse quadro?

OC: Elaborar projetos que gerem recursos para que se invista nessa área. Treinar guias mirins como em Marechal Deodoro, onde a cidade respira cultura. Eu fiquei encantada quando fui fazer a cobertura da Feira de Arte e Literatura. A cidade está linda, arrumada, as igrejas preservadas, sendo restauradas e lá tem muitas. O patrimônio histórico bem cuidado.

Marcelo: O que significa para você Jorge de Lima?

OC: Desde criança eu apredi na escola que ele é o nosso poeta maior. O príncipe dos poetas, mas que além disso foi um artista, um médico dos bons. São muitas as histórias que se conta de Jorge. E se a cidade se voltar para o turismo como uma fonte de renda poderá explorar isso. Em Maceió, a casa onde ele morou, na Praça Sinimbu, foi restaurada e o professor Francisco Valois antes de morrer expressou o desejo de doar o acervo para a casa. Ele era especialista na obra de Jorge. Sabia tudo, um estudioso. Pena que morreu sem ver o sonho realizado que era a restauração do casarão.

Marcelo: O que significa para você Zumbi dos Palmares?

OC: Zumbi é meu herói, é o símbolo da liberdade, a liberdade que sempre defendi ao longo da minha vida. Nossa terra precisa assimilar a importância de Zumbi para o mundo, coisa que ainda falta muito, devido ao preconceito racial que é ainda é muito grande nas famílias palmarinas. Escamoteado, mas velado.

Marcelo: Pra quê dá nota 10 (dez) em União dos Palmares?

OC: Amo minha cidade apesar de todos os problemas, dou nota dez para sua história, sua gente e sua beleza natural

Marcelo: E o quê recebe 0 (zero)?

OC: Violência, prostituição infantil, pedofilia e drogas

Marcelo: Você pensa em voltar para União dos Palmares?

OC: Penso sim, em quando me aposentar ter um lugarzinho pra mim para escrever minhas histórias e ficar mais um pouco com os meus amigos e familiares. Mas tem que ser um lugar onde eu possa criar meus bichinhos de estimação.

Marcelo: Fique a vontade para manda uma mensagem ao povo palmarino?

OC: Quero pedir desculpas se por acaso magoei alguém da minha terra durante esse tempo. Quero desejar dias melhores, mais amenos, sem violência. Que o Natal seja de luz, paz e harmonia e que o Ano-Novo seja de boas novas para todos os meus queridos conterrâneos.

(http://www.jmarcelofotos.blogspot.com/)

A verdade de cada um

Olívia de Cássia -jornalista

Desde o começo do mundo, nos primeiros relatos bíblicos que o ser humano se depara com o questionamento do conceito a respeito do que seja a verdade. Ela é muito relativa e subjetiva também e os filósofos se debruçaram sobre esse tema para se aprofundarem mais em seus livros e levar a discussão à sociedade.

Comecei a pensar sobre essa questão da verdade desde que li o professor e escritor Pedro Demo, da Universidade de Brasília, na disciplina Metodologia Científica, que avaliava a questão da verdade como subjetiva.

O fato é que a busca pela realidade e pelo verdadeiro é algo que perpassa o essencial de todas as religiões. Alguém que desconfie da existência da verdade não pode jamais compreender plenamente o sentido do exercício filosófico, e nem tampouco realizá-lo, já que não havendo uma verdade, todo questionamento tornar-se-ia infrutífero, dizem os estudiosos.

Não sou especialista em filosofia, mas ultimamente venho pensando muito sobre essa questão. O conceito de verdade é muito amplo e, na minha avaliação, parte do princípio de que cada ser humano, cada pessoa em sua individualidade tem a sua verdade e acredita que ela seja absoluta.

Isso mostra que eu tenho a minha verdade, baseada na educação que eu tive, na minha formação, nos conhecimentos adquiridos e naquilo que aprendi com os meus pais. No acúmulo desse aprendizado e na minha formação profissional fui formando a minha verdade, baseada em meus princípios.

Certamente que a minha verdade ela pode desagradar a alguém que tenha uma visão diferenciada a respeito do que penso e do que defendo. É a verdade do outro, baseada nos conceitos que absorveu.

Para se viver em uma sociedade justa e democrática é necessário que essa opinião do outro seja respeitada e não achar que somos absolutos e únicos donos da verdade, por que isso seria tirania e falta de discernimento do que seja harmonia.

Eu não sou muito fã das pessoas que se acham donos da verdade, nunca gostei muito de imposições, sempre fui muito rebelde com relação a isso.

E mesmo que eu tenha simpatia por tal assunto, se ele me for imposto de uma forma que não me caiba avaliação e questionamento, eu já passo a vê-lo com menos simpatia.

Sou assim, avalio que numa sociedade democrática e plural existe lugar para todas as correntes de pensamento, todo um pensar diferenciado e é importante e salutar que essa vontade e opinião do outro sejam respeitadas.

(Texto publicado no meu blog anterior, em 30/11/2009 , no link http://oliviadecassiajornalista.zip.net/arch2009-11-01_2009-11-30.html - republicado aqui pela atualidade do tema).

Memorial Lêdo Ivo será inaugurado nesta terça

Foto de Olívia de Cássia
Espaço permanente dedicado ao jornalista, poeta, romancista, contista, cronista e ensaísta

Texto: Agencia Alagoas

Espaço permanente dedicado ao jornalista, poeta, romancista, contista, cronista e ensaísta fica localizado no Museu Palácio Floriano Peixoto
A Secretaria de Estado da Cultura (Secult) inaugura na próxima terça-feira (28), às 19h, no Museu Palácio Floriano Peixoto, um espaço permanente dedicado ao jornalista, poeta, romancista, contista, cronista e ensaísta Lêdo Ivo.

O salão mostra a trajetória literária do escritor alagoano, com ambientação que faz referência ao livro Ninho de Cobras (romance lançado em vários idiomas) e a poesia Planta de Maceió. Uma concepção dinâmica e sensorial que remete à poesia do escritor.

O evento contará com a presença do ilustre alagoano, que vem a Maceió exclusivamente para a inauguração. “A criação deste novo espaço representa a valorização de um dos grandes nomes da literatura alagoana e brasileira”, afirma o secretário de Estado da Cultura, Osvado Viégas.

domingo, 26 de dezembro de 2010

O show de Roberto Carlos

Olivia de Cássia – jornalista
(Foto: Rafael Andrade/Folhapress)

Pela primeira vez, desde 1974, o Rei Roberto Carlos fez um show ao ar livre, na Praia de Copacabana, no Rio de Janeiro, ao vivo, no dia de Natal. Segundo os organizadores do show, a expectativa era de um milhão de pessoas, o jornal Folha de São Paulo publicou que foram cerca de 200 mil nas areias da praia mais bonita do mundo.

Após mais de duas horas de show, o cantor Roberto Carlos se despediu jogando rosas vermelhas para seu público, como faz sempre em seus eventos, cantando a música "Jesus Cristo" em ritmo de samba.

No último bloco ele também recebeu no palco a bateria da escola de samba Beija Flor de Nilópolis que fará uma homenagem ao rei no carnaval de 2011. Outros famosos cantaram como Bruno e Marrone e a banda Exalta Samba.

Tive que aguardar a novela das nove para ver o show, como faço há vários anos. Roberto faz parte da vida de todo mundo, em especial, nós que vivemos nossa adolescência e juventude em União dos Palmares, nas décadas de 70 e 80, onde acompanhávamos as notícias do lançamento de seus discos, com muita ansiedade.

O Rei nunca perde a majestade, apesar dos sinais do tempo. No show ele pareceu cansado. Às 22h15 (horário de Maceió) o evento começou a ser exibido na Globo, com muitos efeitos de luz neon e apresentação da jornalista Glória Maria. Roberto não cantou nenhuma música nova: todas foram do repertório antigo e que embalaram a vida de quase todos nós. Começou cantando “Como é grande o meu amor por você”.

De terno branco como é do seu gosto, lenço azul na lapela combinando com uma camisa azul por fora da calça, descontraído, ele reclamou de uma dor no joelho, brincou dizendo que depois dos 35 é perigoso andar de moto e cantou quase o tempo todo sentado. O rei agradeceu a presença dos fãs, os aplausos de acolhida e observou que era a primeira vez que estava ali.

Roberto fez um agradecimento especial ao prefeito do Rio, Eduardo Paes e disse que fazer o show na Praia de Copacabana no dia de Natal foi o seu maior presente. Cantou grande parte do tempo com a mão em cima da perna esquerda e deu para perceber que estava incomodado com a dor.

O Rei da Jovem Guarda emocionou mais uma vez os que amam seu repertório e que repetiam “Hei, hei, Roberto é nosso rei”. Disse que quando foi para o Rio de Janeiro o seu sonho era morar em Copacabana e que fica orgulhoso quando vai para fora do País que as pessoas dizem que Copacabana é a praia mais linda e cantou “Copacabana princesinha do mar”, seguida de “Eu te amo”.

No megashow de Roberto não faltaram sucessos de antigamente e gente famosa sendo entrevistada nas areias da praia: Luiza Brunê, a cantora Rosemary e outros tantos. O rei convidou a cantora sertaneja Paula Fernandes, que com sua bela voz cantou os sucessos da Jovem Guarda junto com ele, num tom intimista e sensual.

Fizeram um poup purri com “Eu sou terrível”, “Tudo isso que você meu bem me dá”, “Na paz do teu sorriso”, “Ciúmes de você e “Não quero ver você triste”, encerrando o primeiro bloco do show.

Em outro bloco, com um violão, Roberto cantou “Detalhes” sua música mais tocada na década de 70, quando as mocinhas de União iam paquerar na festa de Santa Maria Madalena e ofereciam a música para seus amores. Muitos romances foram embalados em minha terra pela música Detalhes e tantas outras do Rei, no serviço de Alto Falantes de Maurino Veras.

Antes de cantar Ledy Laura ele disse que sempre cantou a música com muita alegria, mas que hoje canta com muita saudade. A música ele fez para sua mãe, dona Laura. Roberto é generoso com artistas novos e ao chamar a dupla sertaneja Bruno e Marrone ao palco, brincou com eles e disse que quando era menino escutava eles já fazendo sucesso.

Do otimismo e da confiança na vida

Olívia de Cássia – Jornalista

Na véspera do Natal amanheci com um sentimento pesado de contrariedade, acordei com vontade chorar, de mal dizer e reclamar por conta de tanta coisa de contrário que acontece em minha vida ou que me falta para que eu tenha mais comodidade, conforto e segurança.

Mas ao me olhar no espelho lembrei do que venho prometendo para mim mesmo e praticando já a algum tempo, porque não adiantaram tantos anos de pessimismo ao longo dos meus anos vividos. Me arrependi do que ia começar a fazer e comecei a agradecer a Deus por tudo o que ele tem me proporcionado.

Não vou dizer que é fácil a gente ser sempre compreensivo e otimista diante das tantas adversidades e até seria muito chato isso, se a gente não esperneasse de vez enquando, ninguém é contemplado com uma áurea de anjo que possa ser sempre correto em suas atitudes. Não tenho tanta sensibilidade para isso.

Vi na televisão que agora estão querendo até que a felicidade seja garantida na Constituição do país, mas a felicidade independe de questões políticas, todos sabem. A felicidade não vem por decreto e não se estabelece pela lei dos homens. Não é um discurso político, mas é um meta que todo mundo quer alcançar.

É por isso que estou procurando adotar, lembrando um pouco daquelas mensagens de otimismo que a gente tanto lia na adolescência. O certo é que não devemos ser tão exigentes conosco. Que cada um reconheça os seus limites de ser humano, que é passível de cometer erros. Os erros existem para ser reparados, perdoados e esquecidos. Sejamos menos arrogantes.

A arrogância empobrece o espírito. Vamos procurar levar a vida com mais suavidade, descontração e humor nesse ano que se aproxima. Vamos brincar, cantar comemorar, viajar, se há condições para isso, defrutar e respeitar a natureza e todos os seres vivos que nela vivem. Cada um tem seu espaço aqui na terra, o mundo é de todos. Sejamos mais humildes, mais cordatos e menos agressivos, sem atitudes petulantes.

sábado, 25 de dezembro de 2010

Os laços

Olívia de Cássia – Jornalista

A gente cria laços ao longo do tempo. Relações do nosso convívio que passam a ser importantes na nossa vida. Quando a gente é criança essas ligações começam na família, nos amigos que estão no nosso convívio, na primeira escola, na vizinhança e aí vamos formando a nossa personalidade, crescendo e construindo os nossos alicerces. Os laços das amizades são os mais edificantes, além dos que são fortalecidos no âmbito familiar.

Minha família não era muito de fazer festas lá em casa, nem no Natal, mas mamãe fazia questão de fazer um almoço natalino com todo mundo chegando na hora certa para saborear aquelas guloseimas deliciosas que ela fazia. Quando a gente perde isso fica sem chão por muito tempo, ainda hoje eu sinto a falta daqueles momentos que foram tão importantes para minha vida, do convívio com minha família, mesmo que terminássemos brigando por qualquer besteira depois.

No Natal e em outras datas também, minha mãe fazia comidas simples, mas muito saborosas e era nesses momentos, do almoço em família, que aproveitava para passar lições de vida para os filhos; de contar muitos fatos acontecidas e tomá-los como exemplos e era nessas horas também que a gente se divertia com as histórias de vida do meu pai. Muitas delas engraçadas, folclóricas, humanas e de uma simplicidade e humanismo incomparáveis.

Meu pai, meu alicerce, meu exemplo de homem honesto, religioso, caridoso e humanista. Sempre faço minhas reflexões diariamente, mas é no Natal e Ano-Novo ou nas datas específicas da igreja, embora eu não a freqüente mais com assiduidade, que tantas lembranças dos meus saudosos pais me veem com mais clareza, saudade e densidade.

Ontem foi nossa ceia de Natal aqui na Vieira Perdigão, fundos da Estação Ferroviária, um momento de confraternização entre a família nossa daqui e os moradores da nossa rua. Festa que fazemos há mais de vinte anos, desde que fixei residência em Maceió. Faz tempo que não comemoro o Natal em União dos Palmares e hoje acordei com saudade dos nossos almoços caseiros natalinos e dos laços da nossa família quando morava por lá.

Me vejo muito mais frágil nesse tempo; quando a gente era criança ia pra Missa do Galo, na Praça Basiliano Sarmento, a Praça da Igreja, como a gente chamava na infância, com nossas melhores roupas, compradas especificamente para a data. Depois de cumprimentar os amigos e conhecidos, meus pais ‘batiam em retirada’ para casa e nós imos dormir.

Não tinha árvore de Natal, nem Papai Noel lá em casa e os enfeites de Natal só chegaram, muito poucos, depois que a gente saiu de casa e mamãe se dedicou mais à decoração e aos cuidados com meu pai adoentado.

Minha descrença no Bom Velhinho chegou logo cedo e entendi que quem nos dava algum presente ou regalia eram nossos pais mesmo, ou meu irmão Petrúcio quando eu era criança, mas acho muito encantado a lenda do Papai Noel. Hoje em dia as decorações de Natal são muito bonitas, iluminadas e deixam a gente mais sensível diante de tanta beleza, pelo menos eu sou assim: “Uma manteiga derretida”, como diriam os amigos.

Uma pena que as pessoas, ao invés de cultuarem os ensinamentos do Menino Deus de humanidade, fraternidade, amor e solidariedade, se põem menos afetivos, menos fraternos, esquecendo da importância dos laços, sejam eles de família ou de amizade. Laços esses que nos tornam mais fortes diante das nossas fraquezas.

sexta-feira, 24 de dezembro de 2010

Impressões do Natal!

Olívia de Cássia – jornalista

Véspera de Natal, um corre-corre danado do povo e meu também. Não me sinto animada para comemorar a noite de hoje, apesar de achar que devo jogar esse peso que estou sentindo e essa angústia pro alto e tocar minha vida pra frente. Como dizem os antigos, “vão-se os anéis e ficam os dedos”, isso quando ficam, não é? Vida pra frente!

Paciência, fiz tudo: trabalhei com afinco até durante doze horas seguidas no dia de ontem, mas no último instante, descobri que tinha deixado passar um erro na chamada do título do caderno de artes do jornal. Não teve jeito, o material já tinha sido rodado e não tivemos como reverter a triste situação.

Meu corpo respondeu tremendo, gelado, até agora, até a alma esfriou. Me senti um lixo por isso, desolada e sem chão. Resultado da ópera: estragou meu Natal, que não seria de tanto brilho, nem de muita empolgação, mas com um pouco de saúde e resto de otimismo, a gente consegue sobreviver e superar tudo.

O certo é que não estou me sentindo muito bem com o fato acontecido. O episódio de ontem (deixar mais um erro na capa de cultura) me fez refletir muito durante toda a noite e madrugada sobre a minha vida. Eu quase não dormi e chorei muito.

Ninguém deixa erros porque quer em uma página ou uma matéria de jornal, mas é um sentimento de derrota,frustrante para uma pessoa que faz esse trabalho. Principalmente quando a gente trabalha com carinho, amor e gosta da profissão que escolheu.

Eu procuro dar o melhor de mim, seja fazendo os meus textos ou outra função qualquer do jornalismo.

Tudo de última hora nesse Natal. Como não recebi em tempo de providenciar alguma coisa para mim ou para a casa, foi a maior correria, nesses últimos segundos que nos separam do dia de Natal, para comemorar o nascimento do Menino Deus.

Não providenciei nada pra mim, fui numa loja ver uma sapatilha, para usar na ceia de Natal que fazemos aqui na rua onde moro em Maceió, com vizinhos e familiares. Tudo muito caro, longe do meu orçamento previsto, mas acabei levando o sapato, foi o jeito, não tive escolha.

Uma senhora ao lado me pede a opinião a respeito de uma sandália que ela queria comprar para usar hoje à noite. Ela estava com duas opções e eu apontei uma delas, aleatoriamente, pois estava com a cabeça no erro que tinha deixado no jornal, mas para ser agradável com aquela desconhecida tão gentil, que me pediu uma opinião, eu apontei minha escolha.

Ela não gostou muito, agradou-se da outra, que também era mais simples e de preço mais acessível e me disse que a que eu tinha indicado “tinha duas bolas brilhantes em cima e ficava muito chamativa”.

Entendi a opção, mas eu tinha indicado a outra, aleatoriamente, também pensando justamente no dia de hoje que é de muito brilho para muitas pessoas.

Então expliquei para a moça que se ela se sentiu melhor com a sua escolha, de menos brilho, que a levasse, para que não se arrependesse depois. E foi o que ela fez: quando eu estava de saída da loja, me disse que já tinha feito sua escolha e que ia levar a mais simples mesmo.

Fiquei pensando nisso quando vinha pra casa. Da mesa forma é a vida da gente: feita de escolhas. Às vezes a gente pede uma opinião alheia, mas o que prevalece é o que a gente quer, o que vai decidir, na maioria das vezes. Feliz Natal para todos os meus amigos de União dos Palmares e de Maceió!

quinta-feira, 23 de dezembro de 2010

Depois de muita peleja, sindicato anuncia que ALE depositou o décimo de seus servidores

Olívia de Cássia – jornalista

Finalmente, depois de muita peleja, os servidores da Assembleia poderão comemorar o Natal com seus familiares, isso se realmente se confirmar a afirmação do presidente do Sindicato dos Servidores do Poder Legislativo, Ernande Malta, que confirmou agora há pouco à reportagem da Tribuna Independente que o décimo-terceiro estaria na conta da Caixa Econômica.

O deputado Jota Cavalcante (PDT) também confirmou que depois das 18 horas o dinheiro já estaria na conta, depois da publicação no Diário Oficial de hoje de uma verba suplementar para o Poder Legislativo.

Assembleia Legislativa não paga décimo-terceiro

Olívia de Cássia –jornalista
(Texto e fotos)

Até as 13h15h desta quinta-feira a Assembleia Legislativa de Alagoas (ALE) não tinha depositado o décimo-terceiro salário de seus funcionários (servidores ativos, inativos, tão pouco de seus comissionados). Mas os gordos salários dos deputados foi depositado em suas contas dia 20.

A atitude da Mesa Diretora do Poder Legislativo alagoano revolta quem depende desse salário para pagar suas contas. Na sessão de terça-feira, 21, o presidente da Casa (Fernando Toledo-PSDB) garantiu que o dinheiro sairia no mais tardar nesta quinta-feira, 23, com possibilidades de sair ontem (quarta-feira, 22).

Segundo informações do Portal da Transparência e declarações do presidente do Sindicato do Poder Legislativo, Ernandi Malta, o governo do Estado liberou sete milhões para o pagamento dos devidos salários e décimo-terceiro, bem como liberou um aporte 118 milhões de reais. Ernandi Malta disse, também na sessão da terça-feira, que não conhece as despesas da casa e nem sabe o motivo de o governo do Estado ter liberado tanto dinheiro para a Casa de Tavares Bastos.

O que se sabe é que dinheiro tem, onde está sendo aplicado é que é outra discussão. Servidores da ALE estão apreensivos, já que o não-pagamento do décimo irá comprometer o Natal de todos e a mesma situação aconteceu em anos atrás. Outra preocupação é com relação ao pagamento do salário do mês de dezembro, que o presidente prometeu no começo do mês que sairia no dia 27, depois passou para o dia 5 de janeiro.

“Se até agora o décimo, que a Justiça garante, e por lei deveria ter sido pago até o dia 20, não foi pago, imagina os nossos salários”, disse um funcionário que não quis se identificar.

APROVAÇÃO DE PROJETOS

Por outro lado, o site da Assembleia informa que o Diário Oficial de hoje, 23, circula com a relação de matérias que serão apreciadas pelas Comissões Temáticas da Casa, na próxima segunda-feira, 27.

De acordo com o líder do governo na Assembleia, deputado Alberto Sextafeira (PSB), cerca de 30 projetos de lei vão ser votados pelos deputados na próxima semana. “Os mais importantes, sem dúvida, são o Orçamento do Estado para 2011, a lei delegada e a lei do Fecoep”, destaca o parlamentar.

Outra matéria que deverá ser votada é a Lei delegada, uma autorização para o governo realizar uma reforma administrativa na estrutura do Executivo e a lei do Fecoep, que autoriza o governo do Estado a ampliar o prazo de vigência do Fundo Estadual de Combate à Pobreza por mais dez anos.

No próximo dia 28 foi agendada pelo presidente da Casa a votação dos referidos projetos que se encontram em tramitação na Casa.

Na sessão do dia 21, o deputado Paulo Fernando dos Santos (Paulão-PT) , criticou a Mesa Diretora da Assembleia e disse que há muitos projetos polêmicos para serem apreciados pelos deputados. Paulão observou que se depender dele, ficará até o último dia do ano na ALE.

“Não está garantido o dinheiro da folha e do décimo-terceiro, o governador fez um acordo ontem á noite (segunda-feira) no Palácio com a Assembleia e repassou o dinheiro, recurso extraordinário. O duodécimo tem condições de manter o custeio e o pessoal”, observou.

Segundo Paulão, “não tem acordo, pra mim vamos trabalhar até depois do dia 30. Não tem QDD (Quadro de Detalhamento de Despesas), não posso apresentar emenda se não tem o QDD. Como posso fazer emendas se não tem o QDD? Sou realista, o pessoal está brincando de fazer emenda, tem o Fecoep (Fundo de Combate e Erradicação da Pobreza). Voto a favor embora tem algumas discordâncias sobre a falta de transparência.

quarta-feira, 22 de dezembro de 2010

Deputados trancam a pauta e só votam Orçamento dia 28

Foto de Olívia de Cássia
Presidente da Casa diz que décimo de funcionários deve ser pago até quinta-feira


Olívia de Cássia – Repórter

Sem a liberação, ainda, do décimo-terceiro dos servidores da Casa e sem votarem o orçamento para o exercício de 2011, os deputados estaduais trancaram a pauta na tarde desta terça-feira, 21, e só voltam a se reunir no próximo dia 28, para deliberar sobre as matérias que estão pendentes.

O anúncio foi feito no final da sessão de ontem, pelo presidente da Casa, deputado Fernando Toledo (PSDB), que disse à imprensa que o décimo-terceiro dos servidores será pago até a quinta-feira, mas que pode sair até amanhã (hoje).

A sessão, a primeira da semana, quando especulava-se que a Lei Orçamentária Anual (LOA) poderia ser votada, não teve nem Ordem do Dia. Depois da chamada e da leitura da ata, o deputado Antonio Albuquerque (PTdoB), solicitou a suspensão para entendimento de lideranças, para que os deputados discutissem sobre os projetos pendentes na Casa.

O presidente concordou com a solicitação e anunciou que a suspensão seria por 30 minutos, tempo este que se estendeu por quase duas horas sem que os deputados chegassem a um acordo. Estão para ser votados na Casa vários projetos; alguns são polêmicos.

Mensagens como o projeto que aumenta o salário dos deputados, seguindo o efeito cascata dos deputados federais, que na semana passada aprovaram aumento nos seus salários, de presidente e senador.

Outro projeto na Casa concede aumento para o salário dos secretários do governo do Estado (hoje em torno de seis mil reais) e a Lei Orçamentária Anual (LOA).

Além desses projetos, também tem na Casa de Tavares Bastos mensagem sobre a construção de uma ciclovia na duplicação da BR-101, de autoria do deputado Judson Cabral (PT), entre outras mensagens que estão com a pauta trancada até que o orçamento seja votado.

RETORNO

Os deputados retornaram da reunião a portas fechadas e recomeçaram a sessão às 17h10. Assim que tomaram acento no plenário o deputado Jota Cavalcante (PDT) fez a leitura dos pareceres das comissões a algumas mensagens que estão em tramitação na ALE. Foi aprovado o parecer 960 que trata da alteração da lei e promulgação (ampliação) do Fundo de Combate e Erradicação da Pobreza (Fecoep).

Antes de terminar a sessão, o presidente da Casa fez duas convocações aos deputados: uma para o dia 27 de dezembro, às 14 horas, para as comissões permanentes da Casa, para deliberar sobre matérias que, segundo ele, serão publicadas no Diário Oficial (D.O).

A outra convocação feita foi para a próxima sessão, no dia 28 de dezembro, para a votação das matérias. A convocação será publicada junto com a pauta, também no Diário Oficial. Até lá não haverá sessão e a pauta da Casa fica trancada em função do orçamento. “Tudo foi feito dentro do Regimento Interno”, disse ele.

O deputado Alberto Sextafeira (PSB) disse que a preocupação do governo é com a prorrogação do Fecoep, por conta do prazo. “O governo federal já votou pela ampliação do Fecoep dele”, observou.

O deputado Rui Palmeira (PSDB) solicitou que o presidente coloque em votação a criação da Delegacia Contra os Crimes Ambientais.

Malta diz que não sabe o que está acontecendo na ALE

Olívia de Cássia – Repórter
(Texto e foto)

O presidente do Sindicato dos Servidores do Poder Legislativo, Ernandi Malta, disse que não sabe “o que está acontecendo na Casa de Tavares Bastos” e observou que houve uma negociação entre a Mesa Diretora da Assembleia e o Governo do Estado, na segunda-feira à noite, que segundo ele, “liberou sete milhões para o Poder Legislativo pagar o décimo-terceiro e o salário de dezembro dos servidores ativos e inativos da ALE”.

“Está no Portal da Transparência a liberação de R$ 7 milhões e eu não sei o motivo de o presidente da Casa não ter pago ainda o décimo dos servidores, se existe dinheiro”, observa. A Assembleia tem 1.300 servidores, ativos e inativos. Segundo Malta, o governo do Estado também encaminhou 118 milhões para a ALE e quer saber “por que o governo encaminhou tanto dinheiro para o Poder Legislativo.

“Não conheço as despesas com pessoal da Casa, o sindicato já deu entrada no Ministério Público e no Tribunal de Justiça com uma liminar para garantir o PCC (Plano de Cargos e Carreiras). Agora está nas mãos do dr. Estácio (Luiz) Gama (desembargador). Pela lei o PCC tem que ser implantado até janeiro de 2011.

O sindicalista disse que foi constituída uma comissão de deputados e funcionários para acompanharem a implantação do Plano de Cargos e Carreira dos servidores, que tem o deputado Marcelo Victor (PTB) na coordenação, mas disse que essa comissão está paralisada. O deputado Paulão concordou com Ernandi Malta sobre a liberação dos sete milhões e antes que a sessão terminasse se retirou do plenário.

Paulão diz que se depender dele fica até depois do dia 31

Olívia de Cássia - Repórter
(Texto e foto)

O deputado Paulo Fernando dos Santos (Paulão-PT) disse que se depender dele, ficará até o último dia do ano na ALE. Segundo o petista, há muitas questões polêmicas para serem discutidas antes de aprovadas.

O petista, que saiu da reunião do entendimento de liderança antes dos outros deputados, disse que não houve acordo na reunião e confirmou sobre o que disse Ernandi Malta a respeito dos sete milhões liberados pelo governo do Estado para pagamento do décimo e dos salários dos servidores.

“Não está garantido o dinheiro da folha e do décimo-terceiro, o governador fez um acordo ontem á noite (segunda-feira) no Palácio com a Assembleia e repassou o dinheiro, recurso extraordinário. O duodécimo tem condições de manter o custeio e o pessoal”, observou.

Segundo Paulão, “não tem acordo, pra mim vamos trabalhar até depois do dia 30. Não tem QDD (Quadro de Detalhamento de Despesas), não posso apresentar emenda se não tem o QDD. Como posso fazer emendas se não tem o QDD? Sou realista, o pessoal está brincando de fazer emenda, tem o Fecoep (Fundo de Combate e Erradicação da Pobreza). Voto a favor embora tem algumas discordâncias sobre a falta de transparência.

Edval Gaia reclama de portaria do governo federal em favor dos índios

Olivia de Cássia - Repórter

O deputado Edval Gaia (PSDB) usou a tribuna da Casa, na hora do Expediente, num longo discurso, para reclamar de uma portaria expedida pelo ministro da Justiça, Paulo Barreto, a respeito de demarcação de terras indígenas em Palmeira dos Índios.
Segundo o deputado, a portaria define limites aos povos Xucurus-Cariris e vai prejudicar pequenos proprietários de terras no município.

“É um absurdo essa portaria, o que está acontecendo é que a população de Palmeira dos Índios está aterrorizada, por conta disso”, disse o deputado.

Gaia observou que os empresários que estão instalados no município estariam “apavorados” com essa portaria baixada pelo Ministério da Justiça e solicitou que a Casa se posicione, o governo do Estado se posicione, pois segundo ele, com essa portaria a cidade corre riscos de desaparecer.

“A atitude foi irresponsável, em Palmeira só tem 500 índios, a Funai (Fundação Nacional do Ìndio) já fez esse ano duas demarcações. Vai haver prejuízos à cidade, em Palmeira já é feita uma reforma agrária natural, gostaria de dizer que não sou contra a demarcação”, disse o deputado, conclamando o governo a se mobilizar sobre a questão.

CONTRADITÓRIO

O deputado Judson Cabral (PT) solicitou um aparte para falar a respeito da demarcação da Funai e disse que, como presidente da Comissão de Direitos Humanos da Assembleia vem acompanhando o caso.



“O povo Xucuru-Cariri, desde 1922, luta pela demarcação das terras. A colonização da cidade foi feita por indígenas, o nome da cidade já o diz. Os fazendeiros é que ampliaram suas posses dentro da área indígena”, disse Cabral.

Em defesa dos índios, o deputado do PT argumentou que os povos indígenas não são invasores “são ocupantes naturais”. “Concordo com vossa Excelência que não é só baixar portaria com demarcação, tem que haver indenização dos fazendeiros, para que haja a conciliação de interesses”, observou.

Judson avaliou que o processo junto ao governo federal a respeito da demarcação das terras indígenas deve ser levado á frente.

O deputado Edval Gaia retomou a palavra e reclamou que o governo “assinou a portaria no apagar das luzes, sem ouvir os proprietários das fazendas. “Os índios não querem isso para Palmeira. A Fuanai não pode querer acabar com famílias de mais de 200 anos”, protestou.

Edval Gaia repetiu várias vezes que foi feito um estudo antropológico no município, por profissionais que não são contratados pela Funai e que o estudo “desmoraliza os antropólogos da Fuani. Vamos fazer a coisa correta, faço apelo par que a Casa não deixe cometer injustiça que está prestes a acontecer. Eu apelo para o Estado: cadê os direitos humanos? Só serve para um lado e não para o outro?”, indagou.

Vários deputados fizeram apartes à fala de Edval Gaia. O deputado Gilvan Barros (PSDB) disse que vê com preocupação a questão, o deputado Nelito Gomes de Barros (PSDB) se associou a Edval Gaia e disse que podia contar com ele, Antônio Albuquerque (PTdoB) disse que é indiscutível a preocupação e a gravidade da situação.

O deputado Rui Palmeira pediu um aparte e disse que a Funai encontrou uma tribo de mais cerca de 300 homens e considerou como indígenas pessoas que se passaram como tal, sem que fosse comprovada a descendência.

Usando seu horário regimental o deputado Judson Cabral argumentou que é preciso desfazer equívocos e disse que o processo de demarcação das terras indígenas em Palmeira é um processo de racionalidade, “não foi uma invenção”.

Ele observou que os donos das terras (os índios) foram expulsos e louvou a atitude da Funai, destacando que o processo não é demagógico, como disse Gaia. “Não podemos fechar os olhos, o Estado tem a maior concentração de renda, a portaria dá início a um processo que será feito com responsabilidade, com exclusão da parte urbanizada e produtiva não é verdade que vá acabar com a cidade”, disse.

Judson destacou que é preciso “acompanhar o processo. “Não é pregando o caos que a situação vai ser revertida. Os equívocos da Funai devem ser corrigidos”, disse o petista.

Suplentes querem assumir mandato

Foto de Olívia de Cássia
Olívia de Cássia - Repórter

Os suplentes de deputado José Maria Tenório e Damasco Monteiro (ambos do PMN) compareceram ao plenário da Assembleia na tarde desta terça-feira, para reivindicar as vagas dos deputados Jeferson Morais (DEM) e Temóteo Correia (DEM). Zé Maria disse que protocolou um requerimento na Casa, com a solicitação (na segunda-feira) e que a ALE tem um prazo de 24 horas para responder, mas que “até agora não respondeu”.

Segundo ele, o prazo já expirou e "já estou com um mandado de segurança pronto. Quero a minha vaga, tive 4.793 votos e estou reivindicando à Mesa Diretora assumir o mandato até janeiro, baseado na decisão do STF (Supremo Tribunal Federal), que definiu que a vaga é do partido e não da coligação”.

A vaga preterida pelo suplente José Maria Tenório é a do deputado Temóteo Correia (DEM) que está de licença médica e assumiu o mandato depois que o ex-deputado Cícero Amélio (PMN) foi para o Tribunal de Contas.

Já o suplente Damasco Monteiro (que obteve 144 votos) está reivindicando a vaga do deputado Jeferson Morais (DEM) baseados na decisão do STF que entendeu que a vaga dos eleitos pertence ao partido e não à coligação.

Segundo Tenório, o deputado Temóteo está ocupando uma vaga irregularmente, porque agora mudou a regra e “o efeito é automático. Os caras estão na vaga que não é deles, veja o prejuízo que a Justiça Eleitoral está dando, desde que Cláudia (Brandão) saiu para o Tribunal de Contas (TC)”.

Tenório disse que tem o entendimento de que os deputados (Jeferson e Temóteo) já deveriam ter saído há dois anos. “Nos outros estados já aconteceu, aqui é praxe negar-se o direito e só funciona na pressão, eles não podem ser coniventes com coisa errada”, finalizou.

Caso os suplentes assumam o mandato que reivindicam ficarão por apenas 40 dias e vão receber, juntos, cerca de 19 mil reais.

terça-feira, 21 de dezembro de 2010

Governo decreta feriado nas repartições públicas na sexta-feira

Não haverá expdiente nas repartições públicas do Estado, na próxima sexta-feira, 24. A medida é embasada no Decreto 4.227 quando o Governo definiu sobre feriados estaduais e pontos facultativos de 2010.

Ainda de acordo com o decreto, o dia 25 de dezembro, dedicado ao Natal, é considerado feriado nacional.

ALE NÃO PAGA DÉCIMO-TERCEIRO

Até este momento a Assembleia Legislativa não pagou o décimo-terceiro sálário de seus servidores. Por lei, o último dia para ser paga a segunda parcela do décimo seria ontem, 20, mas nem isso a Casa de Tavares Bastos fez.

Em outra oportunidade, o presidente Fernando Toledo (PSDB) tinha explicado que pagaria, integralmente, até o dia 20 de dezembro e os sálarios dia 27 de dezembro, mas até agora isso não aconteceu e os funcionários já temem que o último salário de dezembro e dessa legislatura não seja pago, como aconteceu em outras oportunidades na ALE.

Nos corredores do Poder Legislativo os funcionários reclamam disso e o não-pagamento do décimo poderá ter algum desfecho logo mais à tarde, quando haverá sessão na Casa e os deputados têm vários projetos a serem votados, como a Lei Orçamentária Anual (LOA) e outras mensagens, antes de entrarem em recesso.

segunda-feira, 20 de dezembro de 2010

Tenho tudo a comemorar

Olívia de Cássia – jornalista

Meu colega de profissão, João Dionisio Soares, da Tribuna Independente, vive me criticando, me dizendo que sou conformada com tudo, achando que tudo vai melhorar e que tudo está bem. Vivemos brigando, é certo, por termos discordâncias de opinião.
Já argumentei várias vezes para o João que a questão não é essa.

Em vários textos e oportunidades, aqui no blog, e também aqueles que me conhecem, sabem que sempre fui muito reclamona, rebelde, contestadora e inconformada, mas a maturidade e as bordoadas que levei na vida me trouxeram muitas lições e aprendizado diante das intempéries da vida.

Vamos aos fatos: lá em minha casa está precisando de mil e um reparos. O piso está todo quebrado, a pintura estragada, parece que passou um tusinami por lá. Tem três banheiros, mas só um está funcionando, as lâmpadas estão queimando todo dia, a casa está precisando , com urgência, de uma reforma.

Sem ter como administrar tudo isso, sinto-me impotente diante do caos, diante da rotina doméstica. Mas como vou fazer, agora, se não tenho condições de providenciar tanto reparo? Todo dia acontece uma coisa lá em casa, não sei lidar com isso. Sou um completo desastre como dona-de-casa, diferente da minha mãe que era quem providenciava tudo lá em casa, era quem comandava nossas vidas.

No sábado, quando fui colocar roupas de molho, meu celular mergulhou junto, quando vi, lá ia o bichinho descendo. Resultado: quem ligar para mim, não vai conseguir comunicação, está mudo e apagado. Ontem, no comecinho da noite, a chave da porta de entrada lá de casa quebrou dentro da fechadura. Sou ou não sou um desastre completo?

Mas com os problemas de saúde que eu tenho e ainda podendo caminhar, embora que sem muito equilíbrio, me comunicar, escrever, viver, fotografar e conversar, fazer amigos, eu tenho mais é que comemorar. Dar vivas neste Natal que se avizinha, por estar de pé ainda, intelectualmente funcionando e capaz.

Agradecer a Deus por ter nos concedido, apesar das dificuldades que passamos nesses três anos de fundação da Cooperativa dos Jornalistas e Gráficos - Jorgraf, por termos conseguido arrematar a rotativa e o gerador de energia, contrariando as expectativas daqueles que apostavam que não íamos conseguir sobreviver, ganhar o nosso pão de cada dia, embora que ainda falte muito para que atinjamos o nosso ideal profissional.

Louvar e agradecer pelo reconhecimento e carinho dos amigos, pelos acessos da minha página na internet que crescem a cada dia, pela medalha de honra Maria Mariá que recebi no II EPA – Encontro com Palmarinos Ausentes, em União dos Palmares. Bem dizer a Deus por tudo isso e agradecer pela saúde da minha família e pelo bem dos meus amigos. Obrigada, meu Deus, por tudo.

Que todos tenham um lindo Natal e que nunca esqueçam da força de Deus em nossas vidas. Muita paz, harmonia e saúde, principalmente, porque o resto, “a gente corre atrás”, como dizem por aí. Feliz Ano-Novo para todos!

domingo, 19 de dezembro de 2010

A arte pela arte

Fotos: Álbuns do Orkut de Allan Carlos
Olívia de Cássia – Repórter

“Arte como arte, na medida em que ela é ela mesma, a ‘ priori’, sem representação, sem mais o dever de comunicar ou dialogar com aquilo que só pode ser o que é em si mesmo, arte é apenas arte”. É assim que o artista plástico Allan Carlos Monteiro da Silva, ou simplesmente Allan Carlos, 40 anos, alagoano de Arapiraca, define o seu trabalho.

Para Allan Carlos, a arte não é a coisa criada nem está no ato dos que fazem. “Arte apenas como arte que independe e não completa nem diminui não muda nem deixa de ser arte. Que não é regional nem tão pouco universal”, conceitua.


Reconhecido internacionalmente, o trabalho de Allan Carlos já percorreu países como a Alemanha, França, Italia, Áustria e Portugal, onde fez várias exposições, além do Brasil. Ele conta que nos anos 80 conquistou o seu primeiro salão de arte, em Arapiraca e resolveu ir em busca de seu sonho.

“Fiz cerca de 35 a 40 exposições nacionais e outras 15 intencionais, entre a Alemanha, França, Itália, Áustria e Portugal”, descreve Allan, que é autodidata e desde muito cedo começou a pintar: “Pinto o chão, paredes, telas, lençóis, mesas e outras coisas”, explica o artista, ressaltando que aos dez anos brincava com telas e trabalhos escolares e “adorava tratar matéria como coisa que precisava mudar”.

“Nos anos 80 me entreguei às telas e aos salões de arte em Arapiraca. Eu me entreguei à busca desta ideia, era apenas uma visão: comunicar por meio da arte e da expressão”, observa o artista, que fala da sua experiência mais marcante em seu trabalho: dar aulas para crianças de rua em todo o Nordeste.


Essa experiência, segundo ele, foi uma experiência gratificante e construtiva “e que me ensinou a compreender e querer mais daquilo que eu criava. Foi nessa época que comecei a despertar para as esculturas. Surgiu no final dos anos 80, mas ainda continuei a pintar até final dos anos 90”, conta ele.

LIBERDADE ARTÍSTICA

Allan observa que esta experiência com meninos de rua do Nordeste lhe deu uma sensação de liberdade artística para trabalhar com matérias diversas. “No final dos anos 90, eu estava exausto: viajava muito do sertão da Bahia até Aracati–Ceará e trabalhava com instituições Maristas e associações de comunidade. Havia algumas vilas e escolas que eu acompanhava também”, diz ele.

Depois de muitas exposições pelo Brasil a fora ele conta que surgiu uma oportunidade. Uma mostra na Alemanha. “Eu precisava desta experiência e decidi que iria. Havia um convite para uma pequena galeria num local chamado “Café Arte”, isso foi no final de 1995 para início de 1996”.

Allan diz que foi sozinho para a Alemanha e sem falar idioma algum. “Eu tinha algumas exposições marcadas no segundo semestre de 1996 e fiquei três meses; voltei angustiado queria mais daquilo: aquele mundo me deu a certeza de que eu precisava estar ali por muito tempo, mas voltei ao Brasil. Iniciei algumas exposições e retornei para a Alemanha, para ficar por quase dois anos”, relata.


O tempo que passou na Alemanha, segundo o artista plástico, foi uma experiência formidável. “Construí minha vida a partir dali, eu via o Brasil e entendia a minha região, entendia o que era ser brasileiro estando longe. Pude ver melhor a vida e a arte e entender o que era em fim que eu buscava. De tudo que vivi na Europa, a melhor experiência foi descobrir o pensamento Alemão a maneira alemã de ser, a fala e os costumes. Isso me fez mais completo em relação a mim mesmo e ao que eu pensava”, analisa.

MATÉRIA-PRIMA

Allan Carlos utiliza todo o tipo de material que apareça à sua frente para compor os seus trabalhos. Ele diz que começou sua trajetória nas esculturas com a tridimensionalidade. “Eu sempre gostei de esculturas, mas pintar parecia ser a única maneira de expressão. Depois da experiência na Alemanha, voltei à procura de pigmentos minerais, queria esculpir diversos materiais e assim o fiz: pedra, gesso, ferro, madeira, concreto, papel, isopor, plástico, massa plástica, osso, resina, argila, arame, cordas, borracha, mantas, fibras ou outro tipo de material que apareça”.

Ele explica que ainda hoje dá aulas para escolas e universidades. “Faço pequenas palestras sobre arte e desenvolvo projetos artísticos como: intervenções urbanas, pesquisas sobre pigmentação de minerais, pigmentação natural e projetos de instalações de arte”.



Sócio e membro da União Brasileira de Escritores UBE-PE, membro e sócio da Acala - Academia de Arte e Letras de Arapiraca, Allan Carlos tem obras expostas em alguns museus no Nordeste. “Não trabalho para ninguém, vivo da arte há mais de 20 anos, tive ateliê nas grandes captais do mundo e no Brasil”, diz ele.

Atualmente, Allan está com ateliê montado em sua terra natal, Arapiraca, mas explica que se considera um nômade. “Acho e creio que todo artista deve ser um pesquisador, deve se interessar por outras fontes para unir força e resistência. A vida artística surpreende, porque a gente deve fazer arte independente do retorno e nunca deve esperar disso uma resposta, a arte serve para a arte e nunca para o artista”, filosofa. Segundo ele, o artista tem o dever de manter distância do que ele é, “para superar o que ele faz assim como dever”.

Reflexões sobre a vida prática


Olívia de Cássia – jornalista

Eu não posso, de repente, começar a pensar nas dificuldades e no que me falta para ter uma estrutura mínima, no sentido de que viva com mais cidadania e conforto, numa casa que funcione dentro da normalidade. Devo admitir que sou muito atrapalhada no que diz respeito à rotina da minha vida e que não sei administrá-la como devia ser.

Não tem jeito, parece que a cada dia eu tenho mais dificuldade em fazê-lo.Não nasci, como dizia minha saudosa mãe, para ser uma dona-de-casa; ela conhecia de perto minhas limitações e sempre me falava isso. Minha vontade era que tudo fosse mais fácil, que eu tivesse condições de ter uma pessoa ou empresa que administrasse isso para mim, essa organização do lar que para mim é tão difícil.

Acabo sempre atrapalhada e termino não investindo naquilo que preciso de útil e que tem que ser feito de fato. O que a gente deve fazer quando, aos 50 anos, tem a clareza de que não aprendeu a tomar conta de sua própria estrutura doméstica e pessoal?

O trabalho é sempre a minha prioridade maior e toma conta do meu espaço todo. Mas eu poderia ter aprendido a ser as duas coisas: uma dona-de-casa e a ser jornalista e alguém que gosta de pensar e escrever sobre várias situações, sobre a vida; mas infelizmente isso não aconteceu comigo.

Me envolvi tanto em querer dar o melhor de mim, em fazer o que gosto, que esqueci da vida prática e a gora isso me faz falta também. A gente bem que poderia saber administrar isso, pelo menos no meu caso. Não sou uma pessoa normal, isso eu sei.

O mundo real é muito diferente do mundo ideal. O ideal seria que pudéssemos concretizar todos os nossos sonhos, aspirações, desejos e propostas, mas a realidade é bem outra, mais cruel e se a gente não tiver consciência disso, o sofrimento é inevitável e maior.

Eu era assim. Sofria muito diante das adversidades da vida e reclamava muito, por conta de projetos que eu não conseguia tocar para frente, muitas das vezes, por absoluta falta de preparo e inapetência minha mesmo.

Me faltou preparo para a vida. Não me acerquei de informações necessárias, de base, como eu deveria para o cotidiano e hoje eu vejo esses detalhes com leveza, suavidade e humor. Procuro não sofrer mais por isso.

Tento ser mais confiante, até porque meu tempo agora é bem menor que antes, acreditando que sendo um pouco mais otimista eu terei mais chance de ser uma pessoa bem melhor e feliz. De que adianta eu ter vivido tão introspectivamente, triste, com a autoestima baixa, cheia de complexos e limitações se isso não me fez uma pessoa melhor?

O mundo real é muito duro, materialista, competitivo e desumano e se a gente não procurar melhorar nossas ações com o outro e para conosco, a cada dia, a gente só contribui com a baixa qualidade de nossas vidas.

Aprendi que nossas escolhas são necessárias e importantes e vão influenciar muito a nossa vida, até que não tenhamos mais que fazer escolhas.

Ainda tenho esperança

Por Olívia de Cássia Cerqueira O dia amanheceu com mais uma promessa de vida. É sexta-feira, dia de alegria, como todos devem ser: de agr...