sábado, 30 de agosto de 2014

Marcas do tempo

Olívia de Cássia – jornalista

Olho-me no espelho e vejo as marcas do tempo no meu rosto: mais uma ruga me apareceu, olhar modificado por conta da questão de saúde: estou diferente. A Doença de Machado Joseph (DMJ) vai modificando o olhar da gente, o semblante.

Eu me policio frequentemente, com medo de ficar com aquele jeito espantado, meio alienado, como meu irmão e meu pai. Já não tenho a meiguice da meninice e nem olhar matreiro da juventude e da adolescência.

Não posso dizer que não vivi aventuras na minha vida, mas olhando agora, bem de longe do meu passado, no alto dos meus 54 anos, e percebo que queria ter vivido mais, com mais intensidade.

Minhas experiências daquela fase foram  inocentes e desprovidas de malícia e às vezes fico comparando com o que vivem os  jovens de agora. Tive minhas vivências próprias de cada fase da idade, mas sinto ainda como se faltasse muito para viver.

Quero viajar, conhecer mundos, pessoas, viver outros momentos da idade de agora. Acho que se eu tiver que ir agora não iria completa, sem ter vivido tudo o que eu queria e aproveitado a vida muito mais. Se pudesse ter uma chance de fazer essa reivindicação, eu pediria. Se pudesse voltar, queria voltar para dar continuidade aos projetos idealizados, sonhados, desejados.

Fui almoçar no shopping hoje e encontrei uma colega da pré-adolescência, com a filha. Na década de 1970 ela ia passar as férias na casa da família, em União e se pôs a perguntar por todo mundo, queria saber das pessoas, dos nossos amigos e conhecidos, sobre o que fizeram da vida.  

Engraçado esses momentos. Saí dali pensando em como a vida vai distanciando  a gente e nos separando das pessoas e muitas vezes de tudo. Cada um vai procurando seu caminho: alguns se perderam, outros foram muito felizes em suas escolhas.

Eu não posso dizer que seja infeliz nas minhas e se me coloco às vezes pensativa e interrogativa é porque eu penso que eu poderia estar em situação melhor.

Dizem que a gente colhe o que planta e que nossa vida é fruto de nossas escolhas, mas eu não escolhi ser herdeira de um problema hereditário que vai nos limitando a cada dia e nos impossibilitando os movimentos, ninguém escolhe isso para sua vida.

É um problema que vai limitando você com um tempo, às vezes rapidamente, em outras situações mais lentamente.  Tem gente que o problema chega com mais intensidade e a pessoa se entrega com mais facilidade, mas eu não quero me entregar, apesar das limitações.

Eu quero e preciso  viver ainda bons momentos na vida, ter o que compartilhar com outros, escrever muito e falar dos meus sentimentos; ter boas atitudes, continuar amando meus animais e procurar ser melhor a cada dia. Boa tarde!

sexta-feira, 29 de agosto de 2014

Doces lembranças da infância

Olívia de Cássia - jornalista

Faltava água potável na Rua da Ponte nos anos 1960 e sendo assim, os moradores se valiam de favores e iam buscam água em uma cacimba na Fazenda Jurema, de propriedade de dr. Antônio Gomes de Barros ou no Rio Mundaú; mas para beber era a da cacimba da Jurema, que de tão transparente era azulada e ficava no pé da serra.

Era uma verdadeira romaria de mulheres e meninos com latas d’água na cabeça e a gente aproveitava para pegar manga e observar o gado da fazenda. Para nossa visão de criança era tudo encantado e eu ficava entre curiosa e deslumbrada ao mesmo tempo com aquilo tudo.

Na outra casa nossa, vizinha ao armazém de compras e cereais, tinha um poço muito fundo, mas a água era salobra e só prestava para tomar banho e lavar roupa. Quando nos mudamos de lá e papai vendeu o imóvel, os novos proprietários mandaram aterrar.

Papai chegou a ter umas seis ou sete casas na Rua da Ponte, que ele alugava para ajudar no orçamento doméstico, além da mercearia e do armazém, de onde tirava o nosso sustento.

Na mercearia meu pai vendia de tudo um pouco: alimentos, produtos de limpeza e higiene e outros objetos de consumo, pois naquela época não havia supermercado e nem loja de conveniência em União dos Palmares.

E logo cedinho meu pai levantava para ir vender o pão para que os moradores pudessem tomar o café. Meu Pai tinha muitos fregueses, mas a maior parte da freguesia comprava fiado, e ele anotava tudo em uma pequena caderneta, para ter controle das finanças.

Quando meu pai se aposentou não teve coragem de fazer todas as cobranças para os devedores, delegou isso para o meu irmão Paulinho, mas muita conta ficou por isso mesmo. Assim era o meu pai. Um homem honesto, religioso e trabalhador.

Seu João Jonas não parava de trabalhar: era o dia todo na lida; fosse na mercearia ou  descarregando mercadoria que os matutos traziam dos sítios para vender no armazém. Meu pai só parou de trabalhar quando precisou se aposentar por conta da Doença de Machado Joseph, que fazia com que levasse muitas quedas na rua e ele não pôde mais caminhar.

Quando a noite chegava, ele ainda ficava ali, até que não tivesse mais freguês, ouvindo aquelas conversas dos bêbados, mas com toda  paciência do mundo. Muitas vezes eu ficava na cadeira de balanço com meu avô, na porta da mercearia, contando carneirinhos nas nuvens, tomando guaraná e ouvindo as muitas histórias do meu avô, que era um herói para mim.

Quando eu ia para a Barriguda passar as férias escolares, era com meu tio Antônio Paes que eu mais dividia os momentos mágicos, quando não estava brincando com minhas primas. Quando meu tio apontava lá em baixo no lombo do burro, eu corria com a boneca na mão para encontrá-lo e vir na garupa do burro com ele.

Tio Antônio ele me colocava no colo e me contava as histórias da nossa família. E como ele tinha histórias engraçadas para dividir com aquela criança que eu era; curiosa e aflita de informações!

Em tempo de moagem no velho engenho, nós cutucávamos os bois da almanjarra, com um ferro pontiagudo e em cima de uma espécie de banquinho colocado em uma linha, tudo puxado por bois; um deles se chamava Laranjeira e tinha um touro nelore chamado Presidente.

Além do engenho tinha a casa de farinha, que produzia também beiju, um iguaria parecida  com a tapioca e deliciosa que os trabalhadores e trabalhadoras, moradores  do engenho do meu tio faziam. Na casa dos meus tios Antônio e Marieta, na Barriguda, eu vivi muitas aventuras de criança, aventuras que ficaram para sempre na minha memória e que me fazem muito feliz lembrar.

quinta-feira, 28 de agosto de 2014

Me desculpem alguns amigos

Olívia de Cássia – jornalista

Me desculpem alguns amigos, mas falar de fidelidade partidária quando se está  do lado do que há de pior na política é uma grande contradição. Eu posso até estar equivocada nas minhas escolhas, mas jamais as faço por interesse financeiro ou por conveniência política.

Hoje em dia eu não voto mais em partidos, eu voto em pessoas e em projetos. Lá se foi o tempo em que eu vestia camisas partidárias e que me sacrificava de alguma forma para defende-los. Passei, ao longo desse tempo, por um processo de ‘salgamento’ e diante de tanta coisa irregular eu já não acredito nas pessoas que antes defendiam ideologias a ferro e fogo.

Continuo com meus princípios, respeito muito as opiniões contrárias à minha, mas quero que respeitem os meus argumentos, mesmo que eles não sejam do agrado de quem pensa ao contrário de mim. Tem pessoas que são contra as políticas sociais do governo Dilma, porque melhoraram a vida de quem vivia em situação de miséria absoluta; hoje em dia a gente já não vê mendigos na rua, como antigamente.

É evidente que muita coisa ainda precisa ser feita, mas são poucos os pedintes por conta da melhoria na qualidade de vida dessas pessoas. Lembro bem da romaria que se formava na porta da mercearia do meu pai, que fazia caridade na Rua da Ponte.

Toda sexta-feira os pedintes formavam fila para que meu pai distribuísse alguns itens da cesta básica: café, açúcar, sabão, charque, bacalhau que naquela época era comida de pobre, sardinha e outros itens. Hoje a gente já não vê hordas de pedintes nas ruas, a não ser os menores viciados em drogas.

Já declarei nas redes sociais o meu voto para a Presidência da República: voto na presidente Dilma Rousseff, por entender que o seu programa de governo é o que mais trouxe benefícios para as populações menos favorecidas. E fico estarrecida quando vejo no Facebook postagens destratando a presidente.  Isso se chama falta de respeito com a chefe da Nação.

As pessoas estão confundindo liberdade de expressão com anarquia, no pior sentido da palavra. Devemos criticar sim, se acharmos que há deficiência em algum item de seu programa, mas não devemos jamais levar as situações para o lado pessoal. Depois da morte do ex-governador Eduardo Campos as agressões aumentaram, as insinuações rasteiras e sem comprovação se alastraram.

Pessoas que sempre defenderam arrumadinho na política e que nunca votaram em propostas de esquerda, agora se dizendo eleitores de carteirinha da ex-senadora Marina Silva, numa situação oportunista só porque têm raiva da presidente Dilma e de seu partido, como se tivessem feito algo de pessoal contra eles.

As pessoas precisam entender, e isso eu já disse aqui, que não se trata de uma disputa pessoal, mas de projetos e ideias e que a briga é por espaços de poder na sociedade e quando tudo acabar, os adversários dão as mãos, como em toda sociedade civilizada; muitos ocuparão cargos na administração do outro.

É preciso que isso seja esclarecido, que as pessoas procurem ler e  tomar conhecimento de que nada é de graça em sociedade e muito menos em política. Não existem santos nessa seara e cada um defende o seu lado com unhas e dentes, mas é preciso respeito pelo outro. E tenho dito.  

quarta-feira, 27 de agosto de 2014

Daquilo que eu vivi ...

Olívia de Cássia - jornalista

Sempre que meus tios chegavam do Rio de Janeiro do fim para começo de ano era uma festa para nós e tudo era uma grande novidade: saber notícias dos parentes e familiares distantes e um pouco sobre aquela terra maravilhosa, além do quê, a gente sabia que não ia apanhar dos nossos pais quando fizesse algo que não fosse do agrado deles, com visitas em casa.

Meus avós Olivia e Manoel ficavam numa alegria só ao verem a filha mais velha de volta, com os netos cariocas, quebrando um pouco aquela vidinha deles de ficarem todos os dias na porta da casa da Rua da Ponte olhando o movimento e o tempo passar; missa aos domingos da minha avó, ou pequenas visitas à casa dos meus pais.  

Eu ficava tão curiosa vendo meus primos se arrumarem para irem aos bailes de carnaval, quando eu era bem pequena, que dava uma vontade danada de participar de tudo aquilo. Desde pequena aprendi a gostar muito de festas com minha saudosa tia Ozória que era muito animada e não perdia um evento sempre que podia.

No final dos anos 1960 nos mudamos da Rua da Ponte, porque meu pai adquiriu uma casa na Rua Tavares Bastos, no centro de União dos Palmares, bem próxima à pracinha do cinema. O imóvel pertencia a Hamilton Baia, que era filho de dona Helena, senhora abastada da sociedade palmarina, proprietária da Fazenda Anhumas, onde nos anos 70 foram filmadas cenas do filme Joana Francesa. Isso para nós era uma referência.

Além da casa, papai também comprou o terreno do lado, onde tinha sido demolida outra residência e lá fez o nosso jardim, uma garagem e ampliou o imóvel. A casa era de corredor, como aquelas antigas da maioria do interior do Estado.

Vivi ali dos nove aos 23 anos, alternando com meus estudos do ensino médio no Moreira e Silva, quando mamãe alugou uma pequena casa em Maceió para que fizéssemos o científico no Cepa, ou  morar em casa de tios e de amigos por um tempo.

Na Tavares Bastos tudo era novidade  e com tanta menina e menino morando na vizinhança  foi fácil fazer novas amizades e viver outras aventuras da pré-adolescência. Todo domingo meu padrinho Durval Vieira ia me buscar de jipe para a gente fazer uns passeios pelas ruas de União ou pelos sítios e fazendas.

Íamos eu e Luciana Medeiros, sobrinha de madrinha Nenzinha,  terminando na fazenda do meu padrinho, a Sete Léguas, para a gente tomar banho de açude, colher frutas no pé e se divertir muito.  Era só felicidade o que a gente vivia.

Acho que fui um pouco bicho do mato, pois passava as férias na Barriguda do meu tio Antônio Paes e aos domingos, quando estava em União esses passeios com meu padrinho me encantavam.

Nos dia de domingo e datas religiosas eram sagradas para a gente fazer visitas aos padrinhos e tios e pedir a bênção. Fomos criados assim, embora com o tempo e a roda vida da vida a gente se separe das raízes e vá adquirindo novas experiências e novas vivências.

São essas histórias de vida  que vão constituindo a nossa formação e aprendizagem. Tudo vai contribuindo de alguma forma para o crescimento interior e para que tenhamos um pouco para lembrar na fase da terceira idade, essa que estou começando a viver agora. Boa dia!

terça-feira, 26 de agosto de 2014

Meus compadres e as boas lembranças ...

Olívia de Cássia – jornalista

Eles começaram a namorar nos anos de 1960, na Rua da Ponte, em União os Palmares. Ambos tinham muitos irmãos e irmãs. Ela era de família humilde, pai agricultor que com muito sacrifício veio para a cidade em busca de dias melhores. Essas eram as informações que eu tinha e guardo até hoje deles.

A família dele tinha mais posses: o pai era proprietário de terras no Muquém, povoado constituído de famílias em sua maioria quilombolas. Ele tinha  muitos irmãos, mas não tinha emprego definido.

Com o avançar do namoro ela engravidou e eles resolveram fugir de casa para morarem juntos, prática de muitos casais apaixonados de antigamente. Foram morar em uma casa alugada na Rua da Ponte, de propriedade dos meus pais.

Da mesma forma que ele não tinha emprego e nem profissão definida, passaram muitos apertos, mas o amor que sentiam um pelo outro era imenso e tiveram quatro filhos, dos quais eu e meus pais fomos padrinhos, mesmo eu sendo criança ainda e muito miúda.

Eu gostava de passar horas e horas na companhia daquela família que aprendi a admirar desde criança  e enquanto minha comadre ia para o Rio Mundaú  lavar pratos e roupas, eu ficava tomando conta das crianças e da casa e cuidava ‘bem’ de acordo com a minha idade de sete a oito anos.

Eu banhava os meninos, fazia o mingau, alimentava-os e os colocava para dormir, tudo isso ouvindo o velho rádio e as radionovelas que naquela época me empolgavam. Lili era minha comadre e confidente também, já naquela época. Eu contava para ela minhas pequenas histórias e éramos amigas.

Fiz muitas amizades na Rua da Ponte e todas as minhas memórias afetivas da infância, acho que ficaram por lá, agora só na imaginação, depois que nosso amado rio levou tudo na enchente de 2010.

Quando eu não estava na companhia dos moradores ouvindo e sendo testemunha de suas histórias de vida, me punha a subir nos pés de goiaba nos fundos do armazém do meu pai, tomava banho num pequeno tanque de águas represadas da chuva, ou no Mundaú, o que rendia boas surras da minha mãe e que depois me rendeu uma febre tifoide que quase me mata aos oito anos.

Rememorar a infância me traz doces recordações de um tempo que eu era feliz, vivia em liberdade e não tinha medo das ruas, que era onde eu passava a maior parte do meu tempo, onde aprendi  muitas lições numa escola em que hoje é impossível frequentar por conta da violência.

Lembranças que me acometem na manhã desta terça-feira, 26 de agosto, um mês que naquela época caia muita chuva em União e fazia com que a gente fosse tomar banho na rua, nas biqueiras das casas, sem se importar com nada.

sexta-feira, 22 de agosto de 2014

Notícias falsas nas redes sociais ...

Olívia de Cássia – jornalista

Em tempos de mídias sociais  mudou a maneira de se fazer política no mundo. A internet é uma nova ferramenta na troca e agilidade das informações exigida hoje nos  tempos modernos. Seguindo essa tendência, uma pesquisa feita pelo Ibope Inteligência aponta os jovens e também os adultos estão antenados com a modernidade da tecnologia e seguindo a nova onda, estão conectados o dia inteiro.

Essa conexão, na maioria das vezes, é utilizada para a diversão, aumentar o ciclo de amizades e trocar ideias. Mas a ferramenta também está sendo usada, indiscriminadamente, para se espalhar notícias falsas contra os adversários políticos nessa campanha eleitoral.

Todos os candidatos à Presidência estão sendo alvo disso, principalmente a presidente Dilma Roussef que, da mesma forma que lidera as pesquisas, tem sido o principal foco de seus adversários, acentuada essa prática por pessoas conservadoras, reacionárias que disseminam as informações só por se tratar da presidente que é filiada ao Partido dos Trabalhadores.

Essas pessoas disseminam o ódio ferrenho ao PT, engolem todo tipo de informação negativa e não procuram saber de onde parte, mas compartilham e curtem, para usar a linguagem do Facebook, como se fossem verdadeiras.

A morte do ex-candidato do Partido Socialista Brasileiro (PSB) Eduardo Campos veio comprovar isso de maneira contundente e maldosa. No dia do acidente fiquei perplexa com comentários maldosos e que insinuavam que tivessem sido a presidente Dilma e o presidente do Senado, Renan Calheiros, os autores do atentado que vitimou sete pessoas.

E saí do local  estarrecida  e pensando que cada dia me apego mais aos meus filhotes de quatro patas, porque está difícil conviver com o ser humano. Existem pessoas que sentem prazer em disseminar conceitos mórbidos, negativos e sem noção. A campanha deste ano não tem as mesmas características de décadas passadas. Tudo mudou.

Segundo uma consulta divulgada na internet, “na última eleição presidencial, ocorrida em 2010, a Rede possuía influência pouco significativa nesse processo, devido à sua baixa penetração, observação esta feita naquela ocasião, pelo colunista Noblat”. Quatro anos depois, um dos fatores que desfez essa teoria é o do grande aumento do volume de pessoas utilizando a internet por meio de celulares.

Segundo a pesquisa, 70% dos usuários do Facebook acessam a rede social por meio de seus celulares; com os quais se estima que os brasileiros gastem cerca de 84 minutos por dia navegando, de acordo com dados do Ibope. Boa parte desse tempo é dedicada não só ao entretenimento, mas também à troca de informações sobre o cenário político atual. 

No entanto, nem sempre as informações são dados que se deva levar a ferro e fogo e que levem a conscientização política, é apenas uma forma de desabafo de problemas e situações. Manda o bom senso e a responsabilidade que a gente procure se acercar de toda a informação de qualidade, para não cair na mesmice e na esparrela de levar as questões para o lado pessoal e comprometer assim as amizades, que é o que vem acontecendo desde que começou a campanha.

Gente que nunca participou politicamente de movimentos ou que abomina a política, detratando e enxovalhando com palavras grosseiras e até de baixo calão algumas autoridades,  num desabafo desesperado e muitas vezes por oportunismo de ocasião.

Não estamos vivendo num paraíso, mas as estatísticas mostram que nos governos Lula e Dilma os índices sociais tiveram alcance da população menos favorecida e que melhorou a situação para quem vivia em situação de miséria absoluta. O contraditório é salutar em uma democracia, mas deve ser feito com discernimento, seriedade e bom debate. Bom dia!

domingo, 17 de agosto de 2014

Ensaio da solidão...

Olívia de Cássia - jornalista

Os  gatos e os cães me fazem companhia, para me lembrar nesta manhã de domingo de agosto, que apesar de tudo eu não estou só, não obstante aquela sensação estranha estar me perseguindo desde a quinta-feira. “Angústia e solidão um triste adeus em cada mão”.

É como se eu tivesse levado uma paulada na cabeça, tivesse ficado desacordada por muito tempo e  ainda não tivesse me situado por qual motivo estava sendo repreendida.  Ter boas ideias e querer contribuir para o melhoramento do produto do seu trabalho, parece que é uma infâmia, injúria e difamação, apesar de estarmos em pleno século 21.

É assim que estou me sentindo desde então e tento me refazer e não lembrar daquelas palavras que insinuavam que eu não teria autoridade para pensar, em tomar iniciativas, fazer matérias fossem elas quais fossem, ‘sem autorização’ como se eu fosse uma escrava da modernidade que não tivesse livre arbítrio para pensar e elaborar minhas próprias ideias.

Escolhi fazer jornalismo por amor: por gostar de escrever, por achar que seria escritora algum dia, por gostar de fazer o que eu achava que poderia vir a ser poesia e por me afinar por tudo o que dizia respeito às causas sociais, políticas, à literatura, à arte, à música e tudo o que eu achava ideal.

O tempo foi me mostrando, nesses 25 anos de profissão, que a banda não toca com o afinamento que a gente deseja. Os meios de comunicação no país estão entregues aos grandes grupos políticos e conglomerados econômicos, isso todo mundo sabe e quem manda é a política e o poder econômico, mas no nosso caso eu avaliava que seria diferente. Ledo engano.

Assédio moral é um tema que me é familiar desde que comecei a conviver com movimentos sociais e políticos; a partir do momento em que entrei na universidade. Fui conhecendo façanhas e o caráter de muita gente, ao logo desses meus anos que já me comprometem a saúde e a locomoção.

Na minha idade e com problema neurodegenerativo, fica difícil ir em busca de outras searas, de outros campos de atuação. E nessas horas a lembrança da minha mãe fica mais forte, porque ela se contrapunha à ideia de eu fazer vestibular para jornalismo e não queria que eu enveredasse por esse caminho.

Parece que minha mãe era visionária e sabia o que eu iria encontrar pela frente: dificuldades, tentativas de impedimento de atuação na minha profissão e um mercado estreito e cheio de descaminhos. Assim é o jornalismo brasileiro e o alagoano não fica atrás.

Quando me iniciei na profissão fui fazer revisão de texto e naquela época, quando alguém começava em uma função era demorado ir para outra editoria ou não ia. E assim passei quase toda a minha vida profissional com medo que os outros não aprovassem meu texto.

Achava que o que escrevia não tivesse qualidade e fui me submetendo a humilhações até que resolvi dar um basta naquela situação e fui escrever, fazer o que sempre quis: matérias especiais, com conteúdos e responsabilidade social.

E novamente me enganei com o que achei tivesse liberdade de escolher também  sobre o que eu achava fossem temas sérios e do interesse da sociedade alagoana. A prática veio me jogar na cara que eu não tenho esse direito.

Pensar à frente incomoda e isso tem me tirado o sossego e a certeza de que chegou a hora de eu tentar a minha aposentadoria, nem que seja pela questão da saúde e que, parodiando Fernando Pessoa, "nada vale a pena, quando a alma é pequena". Bom dia.

sábado, 16 de agosto de 2014

A fé e o fanatismo político do meu pai

Olívia de Cássia - jornalista

 Papai teve tuberculose nos ossos e já estava desenganado dos médicos, quando eu ainda era criança. Ele fazia consultas com o doutor Ib Gatto  Falcão que, segundo meu pai, já àquela época tinha fama de ser muito bom no que fazia. Doutor Ib atestou que a tuberculose nos ossos que tinha acometido meu pai não tinha cura. Meu pai fumava nessa época e deixou por esse motivo. 

Ele foi ao Recife consultar outros médicos, viagem que sempre fazia, fosse para médico ou compras; era mais fácil viajar para Recife do que para Maceió, pois as estradas eram de barro e perigosas. Dessa vez ele foi de avião. Os médicos de Pernambuco desenganaram meu pai que ficou, por alguns meses, andando agachado. Foi quando, segundo ele contava, fez uma promessa à santa Maria Madalena e ficou curado. Desde então sua fé na santa aumentou e nunca mais deixou de ir à igreja, todo o final de semana. Passou a ser integrante da comunidade Vicentina da Igreja Católica de União dos Palmares. 

A devoção de meu pai pela santa era tão grande que fiquei sabendo por meu primo Edvaldo Siqueira, que mora no Rio de Janeiro, que meu pai quando soube que a antiga Igreja Matriz de Santa Maria Madalena ia ser demolida, numa reunião com os padres canadenses onde se aprovou a derrubada do prédio, ele teria comparecido de arma em punho, tentando impedir aquele ato. Infelizmente meu pai não foi ouvido e o que resta da igreja hoje, em União, são algumas telhas antigas que a historiadora e jornalista Maria Mariá guardou em seu antigo acervo. Se bem que depois da reforma da Casa eu nem sei mais se ainda estão por lá.

Eu acompanhava vovó Olívia às missas de domingo porque ela tinha catarata e dificuldade em enxergar, ou ia com meu pai e toda a nossa família. Mamãe contava que num dia de procissão de santa Maria Madalena operou-se outro milagre. 

Dona Antônia dizia que meu irmão Petrúcio era muito pequeno e ela o levou à procissão. Estava com ele sentado no muro da igreja quando o andor de Nossa Senhora passou e então, segundo relato de mamãe, meu irmão pequenininho disse: “Bênção, mamãe do céu, faça com que meu pai compre uma casa pra gente morar”. E segundo ela, o milagre se fez e meu pai conseguiu comprar várias casas que tivemos em União, que alugava na Rua da Ponte, além da nossa casa, na Tavares Bastos. Pode ter sido coincidência, mas a fé do meu pai era muito grande.
                
Absorvi dele o interesse por política, embora hoje não tenha o mesmo engajamento que já tive em época da faculdade. Com o tempo e as decepções que fui colecionando no pequeno período de militância partidária, me afastei dos antigos companheiros. 

No entanto, não deixei de atuar politicamente e, em processo eleitoral, não consigo ficar de fora; de uma forma ou de outra acabo desenvolvendo alguma atividade política. Quando se instalou a ditadura militar, os partidos de esquerda ficaram na clandestinidade e passaram a existir, oficialmente, apenas a Arena (Aliança Renovadora Nacional) e o MDB (Movimento Democrático Brasileiro). Meu pai, que durante um tempo votou na Arena, passou a simpatizar com os candidatos do MDB, que reunia todas as forças da oposição ao regime.

Não é que ele tivesse tomado consciência política do que estivesse se passando no País, pelo menos isso ele nunca deixou transparecer para nós. Papai era até um pouco medroso tanto que, logo quando se instalou o regime militar, ele não era de deixar que a gente saísse, pois éramos muito pequenos e não entendíamos o que se passava no Brasil naquele tempo.

 Seu João Jonas costumava viajar para Maceió, nas estradas de barro, enfrentando atoleiros, pontes de madeira e todas as atribulações nas estradas, para marcar os bingos no Trapichão, que naquela época ainda não era um estádio propriamente dito. 

O maior sonho do meu pai era possuir um carro, mas só fomos ter o nosso primeiro Fusquinha, quando ele presenteou meu irmão Petrônio em meados de 1981. Ele nunca aprendeu a dirigir nem possuiu seu próprio carro, porque adoeceu e não pode mais andar, ficou inválido em consequência do agravamento da ataxia spinocerebellar. 

Para marcar os bingos em Maceió, papai nos deixava em União, pequenos, com mamãe, e nem pensava no que pudesse nos acontecer. Mamãe, por sua vez, tinha como sua defesa um pequeno revólver, calibre 32, chamado balaú, que ela utilizava para matar os cassacos, que costumavam atacar e comer as galinhas de capoeira que ela criava no quintal da nossa casa, que nessa época era nos fundos da mercearia. De vez em quando ela matava um bicho daqueles.

 É um animal que tem um olhar muito sinistro e eu ficava escondidinha, atrás da porta, quando ela se punha a caçá-los, à noite. Afora estas viagens de papai para jogar nos bingos, em Maceió, ele costumava ir a Garanhuns fazer as compras em grosso para abastecer a mercearia ou bodega, como ele chamava. Foi em Garanhuns, na loja Ferreira Costa, que papai comprou nosso primeiro aparelho de TV Phillips, em preto-e-branco. Fomos a primeira família da Rua da Ponte a ter televisão em casa. Meu irmão mais velho, muito esperto e maroto, começou a cobrar ingresso dos meninos da rua, para entrar lá em casa. 

A sala de janta, local onde ficava a televisão, não tinha espaço de tanto menino e menina que dividiam conosco a emoção de ver as primeiras imagens na telinha: as novelas, os programas de auditório da Jovem Guarda, e os filmes de Zorro, Perdidos no Espaço, Durango Kid, Jinnie é um Gênio, entre outros. Mas as imagens que chegavam até nós eram de péssima qualidade, cheias de pequenos pontinhos iluminados, que deixavam a imagem quase imperceptível. A gente se esforçava para decifrar qual o ator ou atriz estava no vídeo. E quando terminavam as “sessões”, momento em que mamãe anunciava que íamos dormir, a sala ficava toda suja de areia e papel de confeito e mamãe ia fazer a limpeza, reclamando muito, antes de nos colocar na cama. 

Papai gostava de ir à Praça Antenor de Mendonça Uchôa, ou ficava no viaduto próximo à praça, à noite, depois da janta, onde encontrava os amigos e conhecidos e tomava conhecimento das novidades da cidade ou do País. Essa rotina ele viveu durante muitos anos, antes de ficar inválido. Seu João ia às cinco da manhã abrir a bodega, para que desse tempo de vender o pão do café da manhã dos fregueses da Rua da Ponte. 

Antes da instalação dos supermercados e lojas de conveniências nas cidades do interior, as pessoas costumavam comprar pão e fazer as compras que hoje são feitas em supermercados nas mercearias. Seu João Jonas passava o dia todo ali. Na hora do almoço ia para casa tomar banho e comer, depois voltava sem tirar sua sesta, para o expediente na mercearia, até as sete ou oito horas da noite, conforme fosse o movimento.

Meu pai só deixou de fazer os seus passeios à praça e de ir à nossa mercearia, quando começou a levar muitas quedas e não pôde mais andar. Depois que eu fui morar com meu companheiro e compramos carro, nos fins de semana nós dávamos um passeio com ele pelos locais que costumava frequentar. Papai ficava muito contente com isso. Gostava também de tomar uma cervejinha e até bem doente, aos domingos, fazíamos a sua vontade. Ele bebia dois copos de cerveja como se tivesse tomando água saboreando e tomando tudo de uma vez. Eu sempre o acompanhava na bebida.

Meu pai era o eleitor mais fanático que eu já conheci. Era o eleitor número um do nosso primo Afrânio Vergetti de Siqueira, que foi prefeito da cidade por três vezes e deputado estadual idem. Já bem doente, com a fala já comprometida pela ataxia, ele pedia para que nós avisássemos a Afrânio que não estava bem. E reclamava quando nosso primo não ia visitá-lo. Seu João Jonas pediu para que, quando morresse, Afrânio Vergetti fosse a primeira pessoa a ser avisada, e que colocasse o carro de som da Prefeitura para anunciar o seu falecimento. E assim foi feito.

Quando meu pai morreu, eu perdi um grande amigo; nas minhas idas a União para visitá-lo, eu ficava sentada em sua cama conversando e contando-lhe as novidades. Ele rememorava os fatos da sua infância e juventude, me dava a sua opinião a respeito do que eu estivesse fazendo; achava que trabalhar em jornal e escrever não dava futuro pra ninguém, porque não rendia dinheiro suficiente para a sobrevivência, mas ele não era de me desestimular. Nos finais de semana quando eu ia lhe ver, eu levava jornais, pois ele gostava muito de ler.

Perdi muitos entes queridos e talvez isso tenha influenciado na minha formação, naquilo que sou hoje. Minhas perdas foram muitas, e talvez seja por isso que não valorizo demais os bens materiais. Nesse aspecto, eu tinha muito conflito com mamãe, que era mais materialista do que papai, talvez porque ela tivesse passado mais dificuldades do que eu. Mamãe tinha muita fibra e era quem dominava a nossa casa. Aprendi com papai que mais vale o caráter da pessoa e dormir com a cabeça tranquila no travesseiro do que ter muito dinheiro e não viver em paz com a consciência. Coisas simples, assimilada por pessoa humilde como meu pai.

Não que eu não goste de dinheiro, mas ele me serve apenas para suprir os bens necessários para o mínimo que se pode ter de conforto; se eu tiver o suficiente para pagar minhas contas, comprar os meus livros, e o necessário para me manter com conforto, já me dou por satisfeita. Tenho os meus sonhos de consumo, afinal vivo num sistema capitalista, mas não sou do tipo que vive no empenho, apenas, de ganhar dinheiro.  Esta foi a lição que eu aprendi do meu querido pai a quem eu rendo todas as minhas homenagens.

sexta-feira, 15 de agosto de 2014

Usar o celular é a segunda maior infração cometida pelos condutores em Maceió

Irregularidade ficou atrás de estacionar em lugar e horário proibidos  pela sinalização   

Olívia de Cássia – Repórter

Dirigir o veículo utilizando fones de ouvidos conectados à aparelhagem sonora ou de telefone celular foi a segunda maior infração cometida pelos motoristas de Maceió, sendo que  5.324 pessoas foram autuadas e pagaram uma multa de natureza média no valor de R$ 85, 13, ficando atrás de estacionar em local/horário proibido especificamente pela sinalização (1º lugar, com 14.268 multas no mesmo valor).

Os dados são da Superintendência Municipal de Transportes (SMTT) e se referem ao período de 1º de janeiro a 11 de julho deste ano. Avançar o sinal vermelho ou de parada obrigatória, segundo a instituição, custa para o bolso do maceioense  R$ 191,54, multa considerada de natureza gravíssima e ficou em terceiro lugar, no ranking das infrações cometidas por 3.666 condutores maceioenses.

A quarta infração, de natureza média cometida pelos motoristas de Maceió foi deixar de usar o cinto de segurança (3.478); a quinta estacionar o veículo em desacordo com a regulamentação especificada pela placa (2.988); estacionar o veículo em vaga para idoso e portador de deficiência e em sexto lugar transitar na faixa exclusiva.

Em Maceió, os bairros que mais se comete infração no trânsito são o Tabuleiro do Martins e o Farol, respectivamente, nas avenidas Durval de Góes Monteiro e Fernandes Lima, devido ao fluxo de veículos que é imenso.

CONDUTORES

A professora e psicopedagoga Livia Maria Barbosa ensina em uma escola na Barra de São Miguel e todo dia faz o percurso Maceió-Barra e vice versa. Ela disse que, apesar de usar o celular dirigindo nunca foi multada. “Costumo dirigir conversando com os amigos nas redes sociais, no celular, mas graças a Deus nunca fui multada”, observa.

Seu Helenilson dos Santos Alves, conhecido como seu Heleno,  é taxista há 30 anos em Maceió e falou que observa muito em alguns motoristas da capital é o desrespeito  ao pedestre e a queima de semáforo. Além disso, ele destaca que muitos condutores dirigem com o celular provocando acidentes.

“Os guardas de trânsito deveriam, ao invés de ficarem escondidos aplicando multas, orientar mais os motoristas para que não cometerem tanto erro ao dirigir”. Heleno Alves ressalta ainda que não atende celular dirigindo, porque além de não ser permitido por lei, “é uma falta de ética com o passageiro”, avalia.

Dona Anastácia Pereira Marques disse que falta respeito às leis do trânsito em Maceió; ela disse que não atende celular estando na direção. “Eu paro o carro para atender, ou então, quando chego em casa, retorno a ligação. Avalio que se é lei tem que ser cumprida, independente de ter guarda olhando ou não”, ressalta.

Código de Trânsito prevê penalidades e advertência para infratores

O Código de Trânsito Brasileiro (CTB) prevê penalidades para quem comete infração no trânsito como a advertência por escrito, multa, suspensão do direito de dirigir, apreensão do veículo, cassação da CNH (Carteira Nacional de Habilitação) e a obrigatoriedade de frequentar um curso de reciclagem.

Segundo o que diz o Código, as infrações punidas com multa estão divididas em quatro categorias, de acordo com a gravidade. São elas: infração de natureza gravíssima (onde o condutor perde sete pontos na carteira), punida com o pagamento de 180 Ufir (Unidade Fiscal de referência, cujo valor é variável).

Infração de natureza grave (o condutor perde cinco pontos na carteira) onde o motorista paga multa equivalente a 120 Ufir; infração de natureza média (o condutor perde quatro pontos na carteira) e o motorista paga valor referente a 80 Ufir e infração de natureza leve (o motorista perde três pontos na carteira) e é obrigado a pagar um valor referente a 50 Ufir.

quinta-feira, 14 de agosto de 2014

Os novos amigos ...

Olívia de Cássia - Jornalista

Na época em que o primeiro homem pisou na lua, papai comprou uma casa na Rua Tavares Bastos, número 35, junto com um terreno, que eram de propriedade de Hamilton Baia, filho de dona Helena Baía, proprietária da Fazenda Anhumas, local onde foi rodado, na década de 70, o filme “Joana Francesa”, com a atriz Jeanne Moreau.

A casa da Tavares Bastos tinha um corredor enorme, com três quartos, sala de janta e cozinha também amplas. Quando fomos morar no imóvel, mamãe mandou fazer algumas reformas: o terreno ao lado transformou-se num jardim, a garagem num quarto com suíte para ela e meu pai; outro nos fundos para as visitas e o quarto da frente foi  adaptado para ser  a  sala de visitas.

Quando nos mudamos da Rua da Ponte para a Tavares Bastos, eu estudava no Colégio Mário Gomes de Barros e pedi à mamãe que me colocasse no colégio Santa Maria Madalena, pois era lá que estudavam meus novos amigos. Fui estudar o hoje equivalente à sexta série do ensino fundamental, conheci novos amigos e construí novas e sólidas amizades, que hoje já se dispersaram, na roda viva da vida.

No Santa,  tínhamos os grêmios estudantis, onde mostrávamos os nossos “dotes” musicais. Éramos metidas a cantar em inglês, sem saber nada dessa língua. Eu e Madalena Ferreira, filha de seu Dalmário Ferreira, cantávamos músicas de Elton John, Billy Paul e de cantores da MPB.

Dona Celina era a nossa boa professora de português e com Antônio Manoel, já na oitava série, tínhamos as aulas de literatura, onde interpretávamos textos das músicas de Chico Buarque: Construção, Roda Viva e Cotidiano, além de cantores como Raul Seixas, Gilberto Gil, Caetano Veloso, entre outros grandes nomes que estavam se firmando no cenário musical brasileiro.

Mas foi com meu amigo Alonso Costa Pereira (Alonsinho), já na juventude, que me apaixonei de verdade pela música. Ele colecionava discos e tinha um verdadeiro acervo fonográfico em seu quarto. Era um armário, estilo guarda-roupa, cheio de discos de músicas nacionais e internacionais, rock, MPB, samba, frevo, trilhas de novelas da Globo e tudo o que se podia ouvir de bom gosto musical.

Aos sábados, eu tinha o hábito de ir até a casa dele ouvir os seus discos, conversar, desabafar minhas crises existenciais: com ele, Marta, sua irmã, e dona Sebastiana, sua mãe, que era uma mulher bondosa e me dava muitos conselhos, porque eu contava para ela as divergências que eu tinha com mamãe.

Alonsinho era um bom filho e eu ficava ouvindo as histórias de viagens que ele fazia ao Rio, à Paraíba, onde estudava, às praias de nudismo que costumava ir com os amigos. Eram muitas aventuras interessantes que me fascinavam, já que eu não costumava viajar muito, a não ser para a casa dos meus tios no Rio de Janeiro.

Meu lindo amigo também gostava de ler a Bíblia e da mesma forma que a família dele era evangélica, ele dava a interpretação aos textos bíblicos na sua maneira de ver o mundo. Eu respeitava muito a opinião dele, apesar de a minha família ser toda católica e eu participasse mais profundamente da igreja, naquela época, mesmo tendo me afastado algum tempo depois.

Com Alonsinho fazíamos pequenas viagens a Panelas, interior de Pernambuco, para ver a corrida de jegue, no dia 1º de maio, Dia do Trabalho. Minha amizade com esse querido amigo rendeu em União alguns comentários maliciosos. Diziam de tudo de mim e de Alonso, mas éramos apenas confidentes e muito unidos.

Senti profundamente a morte dele, que  foi um irmão que eu perdi e, desde então, nunca mais a cidade foi a mesma. É o que sempre afirmo quando encontro o pessoal daquela época: para mim existiram duas cidades distintas: a União da época de Alonsinho e a de agora, que está menos fraterna, menos aconchegante e mais violenta, acompanhando o desenvolvimento das grandes cidades.

Alonsinho estava para se formar em agronomia quando morreu de acidente, na Avenida Fernandes Lima, em Maceió; seu carro foi engavetado por um caminhão. Acredito que todos os que foram seus amigos sentem a mesma falta que eu ainda sinto dele.

quarta-feira, 13 de agosto de 2014

Doação de cabelos para pessoas com câncer melhora autoestima de alagoanos

Projeto de estudante de Direito beneficia pessoas que passam por tratamento quimioterápico 

Olívia de Cássia - Repórter

Um projeto de responsabilidade social beneficia pessoas que estão passando por tratamento quimioterápico e estão tendo a oportunidade de melhorar a autoestima de alagoanos e de pessoas de outros estados. É o projeto de doação de cabelos para perucas que em Maceió é de autoria da estudante de Direito Marcella Lessa Santos, 25, e foi encampado pela Apala (Associação dos Pais dos Leucêmicos de Alagoas). 

Atualmente o projeto tem um salão de beleza  conveniado (localizado em frente ao antigo Shopping Iguatemi) que corta os cabelos de graça sem receber nenhum benefício, tudo como  forma de doação. Segundo Marcella Lessa, o projeto não tem data de validade e todas as doações podem ser entregues em sua residência, no bairro da Jatiúca.

O projeto, segundo ela,  nasceu no dia 12 de março deste ano, quando sem nenhum motivo especial ela decidiu que cortaria o cabelo para dar início à campanha em Maceió. “No dia seguinte, cortei meu cabelo e publiquei a foto explicando o motivo do corte no meu perfil de uma rede social. O resultado de várias curtidas e comentários, foi a emoção de ver as pessoas querendo participar também. Na mesma semana já recebi doações e a campanha só foi aumentando”, explica.

O projeto de doação de cabelos tem atualmente um perfil oficial para a campanha, que é o @projetodoesuasmadeixas no instagram, onde a criadora da ideia faz publicações diárias sobre a proposta, incluindo fotos de doadores, avisos, pedidos de doação de sangue para pacientes em estado grave ou com o quadro da doença necessitando do transplante e comunicados em forma de documentos emitidos pelas próprias instituições que são beneficiadas.

Segundo Marcella Lessa, praticamente todos os interiores do Estado fazem doações, além de  outros estados  da federação que não têm esse tipo de projeto. Ela explica que todas as doações serão entregues no final de ano para o Projeto Fios do Bem, na cidade que Natal/RN, que tem parceria com o hospital do câncer da cidade e possui uma oficina própria para a confecção de perucas”, informa.

Marcella Lessa pontua ainda que o projeto cresceu tanto que outros estados buscaram  informações de como proceder, do que fazer, de alternativas para crescer, como é o caso do projeto de Salvador. A estudante acrescenta não sabe mensurar quantos doadores atualmente tem o projeto.

“Hoje não consigo passar um número exato de doadores, pois alguns entregaram direto na Apala e os que chegaram em minhas mãos  foram entregues e outras centenas serão entregues em outras instituições. Vale salientar que não temos nenhum vínculo com órgão governamental e principalmente político. Todos os eventos realizados pelo projeto são feitos de verba própria e de doações, como o mutirão que realizamos em um povoado da cidade de Marechal Deodoro”, ressalta. 

INÍCIO

Marcella Lessa observa que, de início, o objetivo da campanha para doação de cabelos era ajudar a Apala,  onde entregou  várias mechas de cabelos que seriam usadas para a confecção de perucas para as crianças e adultos assistidos pela instituição.

“Tivemos o apoio da psicóloga Sandra (Agrele), responsável pela triagem que é feita na Apala para saber quem realmente quer usar a peruca, pois não basta fazer a peruca e entregar ao assistido, alguns deles não necessitam apenas da peruca; muitos casos só pedem um lenço para usar na cabecinha careca que já faz parte da vida e é aceita com muito amor. A aceitação da população é grande: graças a Deus, que pessoas de outros estados que não têm projeto desse tipo, mandam sua doações para Maceió”, destaca.

Marcella Lessa argumenta que se sente na obrigação de deixar tudo muito transparente para qualquer pessoa ter acesso, mesmo não sendo doador.  “Muitas pessoas me perguntam se o motivo para criar o projeto foi de ter algum portador do câncer ou da leucemia na minha família. Negativo. Há quase dez anos perdi minha avó materna portadora de leucemia e por alguns anos não conseguia entender o motivo de ela ter morrido tão rápido sem nenhum tratamento que conseguisse curá-la ou que ao menos proporcionasse mais alguns anos de vida. Mas hoje, o meu objetivo de criar essa campanha, foi realmente ajudar ao próximo”, pontua. 

A autora desse projeto solidário beneficente diz que participa de outras campanhas : “Desde mais nova fazia minha festa de aniversário (12 de outubro)  e pedia os presentes (brinquedos) para fazer doação para crianças nas ruas. Há uns seis anos organizo campanhas de arrecadação de alimentos, roupas, sapatos e brinquedos usados ou novos para doações em datas comemorativas, mas  todos os donativos podem ser entregues qualquer época do ano, pois quando não tenho campanha prevista, repasso as  doações para outras campanhas que são realizadas na cidade”, ressalta.

Raíssa Novaes cortou as longas madeixas e disse que não se arrependeu do que fez. “Eu soube que a Apala estava fazendo uma campanha e que alguns cabeleireiros estavam cortando para doação. A campanha acabou em junho e eu fui cortar em julho, aí eu mesma levei o cabelo na instituição e conheci o projeto de perto. Foi tranquilo e outras amigas minhas ficaram interessadas”, observou.

Raíssa Novaes disse ainda que gostou de ter participado da campanha. “Achei interessante porque fiz uma pessoa que está passando por uma situação difícil um pouco feliz; estou adorando o cabelo curto e muita gente elogiou o corte”, disse a jovem.

Os cabelos cortados com esse fim viram perucas que são destinadas a adultas e crianças que lutam contra a doença e estão com a autoestima baixa, por conta da queda dos fios. Em todo o País a ideia está se proliferando e salões de beleza se engajaram na causa, incentivando a iniciativa.  Para que a mecha possa ser doada, é preciso que tenha o comprimento mínimo de 10 cm e que a cabeleireira seja comunicada antes de passar a tesoura, para que possa fazer o corte correto, prendendo a parte que será retirada com uma liga (elástico).

As redes sociais têm sido aliadas nesse tipo de ação. É por meio da internet que pessoas do mundo todo divulgam doações e acabam estimulando outras a fazerem o mesmo. Há, inclusive, crianças mobilizadas em ajudar a causa.


A reportagem ligou para a Apala para falar com a psicóloga Sandra Agrele, mas ela  está viajando de férias. 

terça-feira, 12 de agosto de 2014

Novo aplicativo na internet causa polêmica entre usuários

Alagoanos dizem que ferramenta está servindo para espalhar fofocas

Olívia de Cássia – Repórter

 Em tempos de novas tecnologias em que a internet é usada para facilitar a vida de profissionais, de quem quer trocar informações e fazer amizades no mundo virtual, um novo aplicativo está causando polêmicas entre usuários de internet no Brasil e gerando ação na Justiça por conta do mau uso. Trata-se do Secrett, que permite comentários anônimos de quem o está utilizando.

Segundo informações de internautas consultados pela reportagem da Tribuna Independente, o Secrett é um app que permite compartilhar segredos de forma anônima com todos os seus amigos do Facebook. 

“Ele não é exatamente um lançamento, já que está disponível desde maio deste ano. Porém, tem ganhado popularidade por causa de uma série de acontecimentos recentes”, observa Mário Eduardo dos Santos, estudante universitário e usuário do aplicativo.

Mário Eduardo destaca que o aplicativo não é complicado para quem já usa alguns serviços na net. “É uma plataforma para compartilhar informações anonimamente com as outras pessoas”, destaca o internauta.
Ele explica que ao instalar o Secret é necessário se cadastrar para começar a fazer uso de seus serviços. 

“Há a opção de criar um registro, mas também é possível conectar a conta do Facebook diretamente no app”, observa. Depois disso, o aplicativo abre na aba “Explorar”, opção que mostra os segredos compartilhados em sua rede de amigos (de forma anônima).

Internauta diz que o Secret tem coisas chatas como difamar pessoas

Maria Cecília Pontes, moradora do bairro da Jatiúca, em Maceió, disse que usava o aplicativo, mas não usa mais porque ele está sendo usado para difamar as pessoas. “Ele tem uma coisa muito chata, as pessoas estão usando para difamar as outras e eu não concordo com isso; conheço outras pessoas que também estão deixando de usar”, pontua.

A publicitária Gabriela Azevedo ressalta que usa o aplicativo mas que não concorda com o a forma como está sendo utilizada no Brasil. “O Secret em outros países serve como apoio, uma ferramenta a mais para trocar informações com amigos; no Brasil está sendo usado para espalhar fofocas e eu não concordo”, argumentou.

O consultor de Marketing  Otacílio José Macário disse que teve um amigo com a privacidade exposta por meio de imagens suas acompanhadas de comentários inoportunos e por isso já aconselhou o amigo a procurar a Justiça e mover uma ação contra a empresa.

Segundo a revista Exame, pelas regras da legislação brasileira, esse serviço não poderia ser oferecido no País pois os termos de uso e a política de privacidade do aplicativo Secret estão disponíveis para os usuários apenas em inglês. “Isso violaria o artigo 10º do Marco Civil da Internet, que determina  que informações desse tipo devem ser fornecidas aos usuários ‘de forma clara”, diz as revista.

MARCO CIVIL

O Marco Civil da Internet (oficialmente chamado de Lei nº 12.965, de 23 de abril de 2014) é a lei que regula o uso da Internet no Brasil, por meio da previsão de princípios, garantias, direitos e deveres para quem usa a rede, bem como da determinação de diretrizes para a atuação do Estado e trata de temas como neutralidade da rede, privacidade, retenção de dados.

 “A função social que a rede precisará cumprir especialmente garantir a liberdade de expressão e a transmissão de conhecimento, além de impor obrigações de responsabilidade civil aos usuários e provedores”, diz o texto da lei.

sexta-feira, 8 de agosto de 2014

Assembleia debaterá maus tratos aos animais nesta segunda, 11

Sessão pública é de autoria do deputado Ronaldo Medeiros, também autor da autor da Lei 7.427, de 13 de novembro de 2012, que dispõe sobre a proteção e defesa dos animais e controle de reprodução e regulamentação da vida de cães e gatos encontrados nas ruas 

Olívia de Cássia – Ascom

Na tarde desta segunda-feira, 11, a partir das 15h, a Assembleia Legislativa Estadual realiza uma sessão especial para debater  o abandono e os maus tratos contra os animais. A audiência atende um requerimento do deputado Ronaldo Medeiros, autor de um projeto que pune quem comete esse tipo de crime.

O parlamentar é autor da Lei 7.427, de 13 de novembro de 2012, que dispõe sobre a proteção e defesa dos animais e controle de reprodução e regulamentação da vida de cães e gatos encontrados nas ruas. 
Para que a lei seja colocada em prática, segundo Ronaldo Medeiros,  é necessário que sejam realizadas campanhas de educação ambiental a fim de reeducar algumas pessoas que ainda insistem em maltratar animais.

“O abandono de animais de estimação tem tomado proporções  imensas e gerado debates na sociedade entre os estudiosos,  defensores dos direitos humanos, protetores e cuidadores de animais no Brasil e atendendo uma solicitação dos setores envolvidos apresentei requerimento solicitando o debate na Casa de Tavares Bastos”, disse Medeiros. 


Para participar da sessão pública foram convidados vários setores da sociedade civil ligadas ao tema. 

quinta-feira, 7 de agosto de 2014

Esperança...

Olívia de Cássia - jornalista

A gente nunca sabe com o que vai se deparar na vida. Às vezes acreditamos que podemos mais do que somos capazes de executar e de repente a vida dá uma rasteira tão grande que é capaz de açoitar tudo o que a gente acha que tem de melhor.

Leva embora a expectativa, a esperança e a vontade de continuar.  E nessas horas ficamos sem rumo, sem chão, sem prumo. Se não formos fortes o suficiente para respirar, colocar um sorriso no rosto e seguir em frente, podemos chegar ao fundo do poço.

E nessas horas temos que buscar o que ainda nos resta de força para que a gente renasça das cinzas, feito a fênix da mitologia grega. Eu sempre me lembro disso quando me vejo em alguma situação inusitada.

É sempre bom a gente ter fé na vida e acreditar nos bons princípios, procurar semear o bem,  porque se assim não for, tudo se torna mais difícil e indigesto. Dizem os espiritualizados que tudo o que vai tem retorno; o que se planta colhe. Eu também acredito nisso.

Depois de oito anos ...

Olívia de Cássia – jornalista

Oito anos se passaram desde a criação da Lei Maria da Penha. Sancionada em 7 de agosto de 2006, a Lei n. 11.340 ganhou esse nome em homenagem à farmacêutica cearense cujo marido tentou matar duas vezes e que desde então se dedica à causa do combate à violência contra as mulheres.

De lá para cá as denúncias têm aumentado consideravelmente. Segundo o Mapa da Violência, a cada quatro minutos uma mulher é vitima de violência no Brasil, mas quando ela denuncia o agressor, a vida dela costuma mudar para melhor.

Segundo os especialistas, em oito anos de existência, a Lei Maria da Penha deu mais garantias às mulheres contra a violência doméstica, os serviços de proteção foram ampliados em todo o país e elas tomaram coragem de denunciar seus agressores.

A secretária executiva da Secretaria Nacional de Política para mulheres, Lourdes Maria Bandeira, explicou na imprensa que depois da criação da lei houve a emissão de 370 mil mandados de medidas protetivas. A Maria da Penha não acabou com a violência doméstica, mas garantiu várias conquistas importantes para o universo feminino.

De acordo com os dados oficiais, os índices a respeito da violência contra a mulher em Alagoas são alarmantes. Mais de cinco mil denúncias de novos casos nos últimos seis anos, cerca de 800 homicídios contabilizados entre 2008 e 2014 e uma média de sete mil processos para serem julgados pelo Juizado da Violência Doméstica e Familiar Contra a Mulher.

Em nível nacional, o  número de centros especializados subiu de 92 para 231; o de casas de abrigo cresceu de 62 para 78; as delegacias da mulher e os núcleos de atendimento aumentaram de 328 para 500 e o de juizados e varas subiu de 19 para 100”, de acordo com informações publicadas na imprensa.

Segundo especialistas da área de Justiça, a Maria da Penha é uma lei que veio para transformar a sociedade, a forma de pensar de homens e mulheres. “Hoje, a mulher não tem mais medo de procurar a Justiça quando em casos de violência dentro de casa, pois ela sabe que vai ter uma resposta efetiva, como por exemplo, as medidas protetivas”, observam.

Mas muito se tem a caminhar ainda, segundo representantes dos movimentos femininos. É necessário um melhor aparelhamento e treinamento dos órgãos de segurança pública, pois muitos inquéritos e processos prescrevem por falta de servidores e recursos operacionais. Com exceção do crime de lesão corporal, as penas dos crimes não mudaram, o que torna mais rápida sua prescrição e também impede que o acusado fique preso por um tempo maior.

Muitos inquéritos policiais ainda tramitam nas Varas e mesmo com toda a divulgação ainda falta conscientização por parte das vítimas, apesar de muitas terem perdido o medo de denunciarem seus agressores.

Também diminuiu, segundo especialistas, o número de mulheres que desistem da ocorrência, depois da decisão do STF (Supremo Tribunal Federal) que entendeu que não é necessária a representação nos casos de crime de lesão corporal.

Nesses casos, a vítima querendo ou não, o Estado tem que agir. Mas ainda há muitas desistências e também há muitas vítimas que não procuram a delegacia para dar andamento aos boletins de ocorrência lavrados nos crimes que ainda exigem a representação.

Ainda segundo o Mapa da Violência, o perfil das vítimas de violência doméstica, a maior parte é de classe média ou baixa, mas há uma parcela expressiva de vítimas de classe média/alta. Os agressores também tem o mesmo perfil.

Ainda segundo os especialistas, há três tipos mais comuns de agressores: a) o criminoso, que já responde por muitos crimes como tráfico de drogas, roubos e homicídios e nesse caso há um medo maior em denunciar devido à periculosidade do agressor; b) o doente psiquiátrico, que sofre de doenças como transtorno bipolar, depressão e vício em drogas e álcool e  c) o machista, que não é criminoso e nem é doente, mas sente-se superior à mulher e por conta disso entende a violência doméstica como algo comum e aceitável. Trata-se da grande parte dos agressores e para estes a Lei é muito eficaz. Fica a reflexão.

Empregador que não registrar doméstica a partir desta quinta-feira, 7, será multado

Para a Justiça do Trabalho, o vínculo de emprego doméstico é caracterizado quando o trabalho é exercido pelo menos três vezes por semana

Olívia de Cássia - Repórter

A partir desta quinta-feira, 7 de agosto, independente da regulamentação da PEC das Domésticas, empregadores de todo o País que deixarem de assinar a carteira de trabalho de seus empregados domésticos estarão sujeitos a uma multa de R$ 805. O valor pode aumentar em caso de omissão do empregador, idade do empregado e tempo de serviço.

Esta é mais uma das medidas que passam a valer após a aprovação da PEC das Domésticas, assim como a jornada de trabalho de oito horas e o pagamento de horas extras. Alguns direitos previstos pela lei ainda dependem de regulamentação. A nova legislação previa 120 dias para os empregadores regularizarem a situação dos domésticos.

De acordo com entendimento da Justiça do Trabalho, o vínculo de emprego doméstico é caracterizado quando o trabalho é exercido pelo menos três vezes por semana. A norma estabelece como regra geral que as infrações previstas na Lei que trata do trabalho doméstico serão punidas com as mesmas multas previstas na Consolidação das Leis do Trabalho (CLT).

No caso da falta de registro, a multa prevista no art. 52 da CLT, de meio salário mínimo (R$ 362), deve ser dobrada, mas o valor pode ser reduzido se o empregador efetivar as anotações e recolher as contribuições previdenciárias voluntariamente.

Segundo o advogado Mirabel Alves, o registro em carteira nunca é uma opção do empregado ou do empregador. Se a condição de empregado estiver presente, o registro é obrigatório, conforme o código. “Caso não haja fiscalização para identificar a irregularidade, apenas com o ajuizamento de ação trabalhista por parte do doméstico será possível identifica-la”, diz o advogado.

O  juiz do Trabalho da 9ª Vara e professor da Universidade Federal de Alagoas Jasiel Ivo explicou que a fiscalização da aplicação da PEC das Domésticas é de responsabilidade da Superintendência Regional do Trabalho, antiga Delegacia Regional do Trabalho, mas o trabalhador pode entrar com uma ação na Justiça exigindo seus direitos no caso de se sentir lesado.

Empregadora diz que cumpre a lei, mas teve dificuldade com uma ex-funcionária

A dona de casa Karla Araújo diz que cumpre a lei e assina a carteira de suas auxiliares, sempre, mas observa que já passou dificuldade com uma delas. “Sempre peço a carteira assim que elas chegam aqui em casa, mas já aconteceu de uma pessoa vir trabalhar comigo; de eu pedir o documento e ela passou cinco meses sem trazer; quando saiu do trabalho foi cobrar na Justiça justamente esse tempo e tive que desembolsar mais dinheiro”, observa Karla Araújo.

 A dona de casa explicou que está com nova funcionária e que já pediu a carteira, tem dois meses e ela ainda não levou. O juiz Jasiel Ivo, argumentou que se o empregador pede a carteira de trabalho e o funcionário não traz é questão de demissão por justa causa, sob pena de estar fraudando o sistema. “O empregador tem 48 horas para assinar a carteira, se não o fizer, a lei vai punir”, explica.

Segundo Jasiel Ivo muitas vezes existe um jogo de conivência que é aceito pelos empregadores. “O funcionário está com algum tipo de benefício: benefício de saúde, seguro desemprego ou recebe Bolsa Família e não quer perder, aí vai  adiando a entrega da carteira”, pontua.

O juiz acrescenta que a lei vai punir o empregador, no caso dessa omissão, pois só quem pode coibir esse tipo de prática é ele, a não ser que formalize um contrato assinado por ambas as partes, com reconhecimento legal. “A Justiça não pode acobertar esse tipo de fraude”, enfatizou.

PENDÊNCIAS

Na lista de pendências a serem regulamentadas na PEC das Domésticas que está no Congresso Nacional estão direitos considerados históricos como o pagamento do patrão de 8% da contribuição ao Instituto Nacional do Seguro Social (INSS) sobre a remuneração do empregado por meio do Simples, 11,2% do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço (FGTS), sendo 3,2% para o fundo de multa em caso de demissão sem justa causa e 8% para seguro contra acidente de trabalho.

terça-feira, 5 de agosto de 2014

Contratos de energia de indústrias do Nordeste estão chegando ao fim

Abrace diz que renovação depende da aprovação de emendas que tramitam no Congresso 

Olívia de Cássia – Repórter

 Os antigos contratos de energia das principais indústrias de base do Nordeste acabam em julho de 2015 e as discussões em torno do abastecimento de curto prazo do setor elétrico estão dominando os debates sobre o tema. Preocupada com a questão, a Abrace - Associação Brasileira de Grandes Consumidores Industriais de Energia e de Consumidores Livres,  tem feito gestões junto a lideranças alagoanas no Congresso Nacional e ao governo federal, para que as emendas que tramitam na Casa sejam votadas com a maior brevidade possível.

“Esses contratos decorrem de uma política industrial que começou há 70 anos e fazia com que a Chesf (Companhia Hidro Elétrica do São Francisco) tivesse contratos de longo prazo com as indústrias; se não forem renovados no próximo ano, essas indústrias não conseguirão contratar energia de forma competitiva”, observa  Paulo Pedrosa, presidente da Abrace. 

Segundo ele há um risco da não renovação desses contratos, que afetaria a economia da região. “Essas indústrias representam 16 bilhões do PIB do Nordeste; são 150 mil empregos, é mais do que isso: tem todo um conjunto de cadeias produtivas e aqui em Alagoas, por exemplo, tem um ciclo de investimentos que vem acontecendo no Estado”, destaca.

Historicamente, segundo Paulo Pedrosa, em vários governos, foi se consolidando um polo químico em Alagoas.  “Há pouco tempo se avançou com o PVC; Alagoas se tornou o maior produtor de PVC da América Latina e hoje temos 60 indústrias em torno da antiga Salgema, atual Braskem; indústrias que produzem tubos e os principais fabricantes do país estão aqui. Esse conjunto de empresas representa um percentual importante do PIB alagoano, algo como  15% e isso está sobre ameaça”, reforça. 

A Abrace representa metade do consumo industrial de energia e metade do consumo brasileiro de gás, segundo Paulo Pedrosa, empresas como Gerdau, Braskem, Voltorantin, Usiminas, SCN, Alcooa, Rio Tinto, entre outras, que produzem alumínio, aço, produtos químicos, minérios.

Paulo Pedrosa observa ainda que sua presença no Estado é para repercutir a questão com a sociedade alagoana, que tem potencial com o sal, combinado com a energia competitiva. “Esse sal combinado com a energia competitiva é um diferencial para Alagoas e o Estado tem procurado construir uma linha de desenvolvimento, mas isso está, de alguma forma, ameaçado”, destaca.

Segundo o presidente da Abrace, existe uma perspectiva de renovação: “A proposta é muito boa para a cadeia produtiva, para as indústrias, para a Chesf, porque a opção de renovação é uma opção muito melhor para a empresa do que a outra que está colocada, que é pegar a energia por um preço bem menor e exportar boa parte dela para outras regiões do país”, destaca. 

A questão, segundo ele, é transformar essa iniciativa em lei e para isso precisa o Congresso votar e passar pelo processo do Executivo. “Essas emendas a Medidas Provisórias foram feitas pelo governo, preservam a Chesf, e é em torno delas que está havendo uma negociação”,  finaliza. 

segunda-feira, 4 de agosto de 2014

O tempo é curto...

Olívia de Cássia Correia de Cerqueira

Eu tenho pouco tempo. 
Eu sei que não terei mais
o viço da juventude.
Ainda há pouco tempo
Eu não esperava que o tempo
passasse tão rapidamente
e levasse meus dias mais bonitos.
A gente ‘se achava’ na mocidade,
acreditava que podia tudo,
Mas o tudo que a gente podia
não passou de um sonho.
Os meus sonhos se foram
e agora a realidade se faz presente.
É tarde: já não sinto tantas dores,
já se foram os amores.
Meu tempo é curto, eu sei.
Procuro viver do que ainda posso
Do que ainda me é permitido
Meu tempo é curto...

Infeções por HIV aumentam 30% em Alagoas, mas caem no mundo


Foto: Sandro Lima

Paciente com aids, de 47 anos, está internado e conta que não sabe como contraiu a doença, mas informou que não se prevenia
Paciente com aids, de 47 anos, está internado
 e conta que não sabe como contraiu a doença,
mas informou que não se prevenia

Estudo aponta que em todo o Brasil o aumento foi de 11% entre 2005 e 2013


Olívia de Cássia - Repórter

Dados da Organização das Nações Unidas (ONU) apontam que o índice de novos infectados por HIVAids no Brasil subiu 11% entre 2005 e 2013, em contramão aos dados do mundo que vêm diminuindo. Em Alagoas o número de infectados é bem pior, segundo Mardjane Lemos, médica infectologista, coordenadora de Serviços para os portadores de HIV do Hospital Helvio Auto (Hospital de Doenças Tropicais).
Segundo dados da Secretaria de Saúde do Estado (Sesau), em Alagoas, a epidemia da Aids vem com tendência crescente, com registro de 4.349 casos notificados (Dados do Sinan - Sistema de Informação de Agravos de Notificação - 1986 a dezembro 2012). O sexo masculino é onde houve maior notificação, com 2.864 casos, contra 1.485 do sexo feminino.
Atualmente a epidemia de Aids em Alagoas cresce em todas as faixas etárias com maior predomínio na faixa etária de 30 a 39 anos, segundo os mesmos dados da Sesau. “A taxa de detecção de Aids no ano de 2012, foi de 11.9 casos por 100 mil habitantes, superior as taxas dos anos anteriores”, diz o mapa da secretaria.
Alagoas ocupa a 6ª posição entre os estados do Nordeste com maior risco de adoecer por Aids, ficando abaixo dos estados de Pernambuco, Bahia, Ceará, Maranhão, Paraíba. Quanto ao número de óbitos registrados no Estado, os homens continuam morrendo mais em consequência da Aids:  foram 1.365, sendo 971 do sexo masculino e 382 do sexo feminino.
Os dez municípios alagoanos com maior número de casos são: Maceió - 2.909; seguido de Arapiraca – 190; Rio Largo  - 88; São Miguel dos Campos  - 71; Palmeira dos Índios – 60; União dos Palmares – 58; Marechal Deodoro  - 55; Pilar – 40; Murici – 39; Penedo – 34.
Segundo os mesmos dados da Sesau, todas as faixas etárias apresentam crescimento, mas a de maior concentração é de 30 a 39 anos, seguida da faixa de 40 a 49 anos. A categoria de maior exposição para os casos de Aids são os heterossexuais superando a categoria de homossexuais.
Hospital Helvio Auto atende 1.500 pacientes com HIV
Há cinco anos trabalhando com pacientes com HIV, a infectologista Mardjane Lemos observa que Alagoas é sempre pior do que o restante do País no que se refere aos casos de Aids. “O número de infectados em Alagoas continua crescendo; não é diferente do País; pelo contrário, teve um aumento de 30%”, entre o mesmo período da pesquisa.
No Hospital Hélvio Auto cerca de 1.500 pacientes com HIVAids são tratados e segundo a médica anualmente são notificados mais ou menos 300 casos de paciente infectados. “Os dados são sempre subestimados, porque no Brasil a notificação de uma pessoa soropositiva não é obrigatória”, segundo ela.
A infectologista ressalta que têm algumas doenças que se o médico descobre que o paciente é portador tem a obrigação de informar ao Ministério da Saúde. “No caso do HIV a notificação só é obrigatória quando o paciente já está doente”, destaca.  
RECOMENDAÇÃO
A Organização Mundial de Saúde (OMS) recomenda que sejam notificados todos os casos e a partir desse ano ou do próximo, segundo Mardjane Lemos, vai mudar a questão da notificação no País. Segundo a médica, a maior forma de transmissão da Aids atualmente no Estado é pelos  heterossexuais.
“Hoje em dia não se fala mais em grupos de risco, mas em comportamento de risco. Aqui em Alagoas a principal forma de transmissão é a sexual e nos heterossexuais é onde se dá a maior forma de transmissão”, observa.
Mardjane Lemos destaca ainda que aumentou o diagnóstico e também a oferta de teste, motivo pelo qual aumentou o número de infectados no Estado. Mais pessoas estão tendo a oportunidade de descobrir o problema com o aumento do diagnóstico, mas segundo a coordenadora, o motivo principal não é só esse.
“É realmente a banalização do cuidado com a relação sexual, embora os preservativos sejam distribuídos amplamente. Ninguém pode dizer que tem dificuldade de acessar os preservativos porque tem nos postos, as pessoas não usam, é uma questão cultural mesmo”, argumenta.
Em Alagoas homens são mais infectados que as mulheres
Os homens são a categoria mais infectada no Estado. A médica avalia que muitos têm dificuldade em aderir ao preservativo: “Não é à toa que eles são a maioria com o problema. Está aumentando a proporção de mulher para homem, mas a maioria é homem”, destaca.
A especialista informa também que a medicação para os portadores do vírus HIVAids é distribuída gratuitamente, no próprio Hospital Hélvio Auto, no Salgadinho e no Hospital Universitário. “A medicação é gratuita; não se vende medicamento antirretroviral no país, mesmo as pessoas que têm plano de saúde, venham de consultório particular, a medicação é do serviço público”, relata.
Segundo a infectologista, embora o Ministério da Saúde recomende fazer exame independente da situação do paciente, o médico faz uma série de avaliações para poder iniciar o tratamento.  
“Tem paciente que chega muito bem e a gente tem tempo na primeira abordagem de fazer um exame, acompanhamento, trabalhar a adesão; outros já chegam realmente doentes, com alguma infecção grave e com sinais de que a doença está realmente avançada. Nesses casos a gente tem que iniciar a medicação o mais rápido possível”, explica.
Indagada sobre como é possível detectar em um primeiro momento se a pessoa está infectada com HIV, a médica destaca que existe a sorologia, que é um exame cujo resultado demora um pouco para chegar. O outro exame é o teste rápido, que é parecido com o da glicemia, com um aparelho que fura o dedo e com meia hora já tem o resultado, depois é feito um segundo teste para confirmar se o paciente é soropositivo.  
Os óbitos em pessoas em decorrência da infecção pelo HIVAids ocorrem atualmente, segundo Mardjane Lemos, principalmente naqueles pacientes que descobrem a doença muito tarde, acabam tendo uma infecção grave e já chegam bem debilitados, numa situação muito difícil.
“O segundo grupo que morre é aquele que iniciou o tratamento e não se cuidou. Perdi um paciente esta semana por esse motivo. Ele não se cuidou, acabou contraindo tuberculose e morreu”, relata.
Segundo a médica, o paciente com HIV que descobre o problema numa fase mais cedo e se cuida tem uma vida praticamente normal; vive por muito tempo. “Quem morre é quem não se cuida ou realmente quem não teve a oportunidade de descobrir a tempo”, descreve.
DADOS DO BRASIL
Segundo o relatório da Organizações das Nações Unidas (ONU), o Brasil tinha 730 mil pessoas com Aids vivendo no país em 2013, número que representa 2% do total mundial. “Estima-se que 44 mil pessoas tenham contraído o HIV apenas no ano passado, montante que também representa 2% do total global”, diz o estudo.
Os dados das Nações Unidas afirmam que 16 mil pessoas com HIV morreram no ano passado e que 327.562 pessoas utilizavam antirretrovirais. Em relação à América Latina, 47% dos novos casos registrados no ano passado surgiram no Brasil, sendo o México o segundo país com mais contaminações novas.
De acordo com a ONU, os grupos particularmente vulneráveis a novas infecções são transexuais, homens que fazem sexo com outros homens, profissionais do sexo e seus clientes, além de usuários de drogas injetáveis.
No fim do ano passado, o Ministério da Saúde havia divulgado que o país tinha cerca de 700 mil pessoas infectadas pelo vírus, sendo que 39 mil descobriram estar contaminadas em 2013. Além disso, o governo informou que 300 mil pessoas estavam em tratamento em 2013.
Paciente alagoano diz que não sabe como contraiu a doença  
A reportagem da Tribuna Independente conseguiu permissão para entrevistar um paciente infectado com o vírus HIV que vamos chamá-lo de José, tem 47 anos, está internado em um hospital do Estado e embora fale muito pouco, contou que está hospitalizado há 40 dias e que está se sentindo bem, mas a família ainda não sabe que tem o problema.
Acanhado para falar na frente do irmão, seu José disse a princípio que sentiu uma dor nos rins, veio para o hospital e ficou internado. Mas o irmão dele informou assim que a reportagem chegou que ele já vinha doente há algum tempo.
Depois que o irmão saiu da enfermaria, seu José pediu segredo e contou que quando fez o exame, o médico disse que “acusou um negócio, o vírus, mas eu não sei dizer como foi que peguei; fui para o médico e ele passou um remédio e eu estou bem”, disse ele.
O paciente soropositivo disse também que não se cuidava nas relações sexuais que tinha: “Eu era muito perdido; tive muita relação fora do casamento e não me cuidei; vivia frequentando prostíbulos, desde muito cedo. Estou há seis anos com essa nova mulher e estou doente desde então, mas não sei informar como peguei; ela também não sabe que estou com o vírus”, explica.
PROGRAMA DST/AIDS
Segundo a Secretaria de Saúde, o Programa de DST/Aids tornou-se referência no Estado para o desenvolvimento das Políticas Públicas de Prevenção e Controle da Aids e outras Doenças Sexualmente Transmissíveis. “Sua missão é reduzir a incidência dessas doenças na população alagoana e promover a qualidade de vida das Pessoas Vivendo com HIV/Aids. Para isso, atua por meio de quatro grandes áreas: promoção, prevenção e proteção; diagnóstico, tratamento e assistência; gestão e desenvolvimento humano e institucional; parceria com OSC/ONG.

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