quinta-feira, 30 de abril de 2015

Geraldo Cardoso vai entrar na Justiça por perdas e danos morais



 Foto: Olívia de Cássia 

Cantor e compositor está em Sergipe divulgando seu novo trabalho e ficou indignado com ação da SMCCU

Olívia de Cássia – Repórter

O cantor e compositor Geraldo Cardoso, por telefone,  lamentou a demolição de dez casas de sua propriedade; oito prontas duas só com as paredes suspensas,  localizadas entre o Ouro Preto e a Gruta de Lourdes, denominado loteamento Gruta de Lourdes. O fato aconteceu na manhã desta quarta-feira (29).

A ação aconteceu porque a Superintendência Municipal de Controle do Convívio Urbano (SMCCU) e a Secretaria Municipal de Proteção ao Meio Ambiente (Sempma) avaliou que a duas casas inacabadas em construção seriam irregulares e foi erguida em uma Área de Proteção Permanente (APP). A Guarda Municipal e o Batalhão de Polícia Ambiental (BPA) deram apoio à ação.

O engenheiro da SMCCU, Galvaci de Assis, disse na oportunidade à imprensa, que Geraldo Cardoso não respeitou as notificações nem o embargo dado pelo município, até chegar a esse ponto. O cantor, que está em Sergipe fazendo divulgação de seu novo DVD e só volta para Maceió na sexta-feira, 1º de maio, disse que está indignado com o ato dos agentes públicos da Prefeitura, que ele chama de covardia.

 “Meu filho foi lá no local e viu tudo destruído e me disse por telefone: ‘painho, isso foi uma covardia que fizeram com você’. É mentira que eu tenha construído casas em terreno irregular e de preservação. Tenho toda a documentação que comprova o contrário”, disse ele. 

O proprietário alega que está sendo acusado, julgado e condenado injustamente e que todas as taxas: IPTU, CREA e SMCCU foram pagas no momento em que deu entrada no alvará antes de começar a obra e que esperava que a SMCCU levasse o topógrafo, mas depois de dois meses ele não compareceu.

“Contratei então um topógrafo que presta serviços para o órgão e ele fez topografia do local e constatou que tudo estava regular. Por isso de início às obras. Depois da obra começada recebi a notificação alegando que tinha uma denuncia anônima que as duas das casas estariam fora das medições”, disse o proprietário.

Ele contesta a alegação do Sr. Galvaci e explica que compareceu ao órgão as duas vezes que foi citado e foi acompanhado de sua arquiteta e que falou pessoalmente com o Sr. Galvaci. Na ocasião foi informado da possível irregularidade e por isso seria feito outro levantamento topográfico para tirar as dúvidas e seguir com o processo. “Porém a secretaria em questão que se comprometeu em reunião mandar o topógrafo, jamais o fez.  A obra então ficou parada durante esses dois meses à espera. E hoje foi surpreendido com essa decisão arbitrária”, pontuou.

Segundo Geraldo Cardoso, “isso que fizeram comigo parece perseguição política, parece que estamos numa terra sem lei; eu não tenho inimizades com ninguém. Foi arbitrariedade, sem aviso prévio; eles derrubaram tudo. Isso não vai ficar assim, eu vou entrar na Justiça e quero que a Prefeitura de Maceió se responsabilize, porque, inclusive, criaram pânico aos filhos menores dos trabalhadores da obra, que moram no local”, destacou.

O cantor e compositor de forró alega ainda que pediu dinheiro emprestado no banco para a compra do terreno “O terreno é meu há mais de 13 anos como consta na escritura e procuração anexo. Fiz a contabilidade do meu prejuízo e foi em torno de R$ 315 mil”, argumenta.

Geraldo Cardoso ressaltou que aquelas casas são fruto do seu suor: “Eu fiz para garantir o futuro dos meus filhos. Contratei uma arquiteta para fazer o projeto e um engenheiro, juntei a documentação e dei entrada, as casas são do tipo quitinete; eu tenho um nome a zelar e não gosto das minhas coisas irregulares”. O compositor reforça que está se sentindo injustiçado, penalizado.

“Vou entrar com uma ação de danos materiais e morais contra a Prefeitura de Maceió, e contra as secretarias que irresponsavelmente fizeram a demolição das minhas casas. Não tenho esse perfil que estão divulgando, estou transtornado, não só pelo dano material, e sim pelo dano moral: isso é grave, a gente luta 26 anos para ter um bom nome e vem pessoas com má intenção tentar denegrir minha imagem perante a sociedade”, protesta.


Ex-funcionários da Fábrica Carmen falam de tempos áureos e buscam alternativas

Olívia de Cássia - Repórter Primeiro Momento

Fernão Velho vivia em função da indústria e trabalhadores se sentem órfãos e sem capacitação para exercerem outra atividade

O bairro operário de Fernão Velho, um dos mais antigos de Maceió, já viveu tempos áureos, numa época em que tudo no local girava em torno das atividades da Fábrica de Fiação de Tecelagem Carmen, do Grupo Othon Bezerra de Melo. O desenvolvimento do local esteve ligado por mais de um século à fábrica, a primeira de Alagoas, fundada em 7 de março de 1857,por José Antonio de Mendonça,  Barão de Jaraguá.
Fábrica de Fiação de Tecelagem Carmen, do Grupo Othon Bezerra de Melo - Fotos: Paulo Tourinho
Em seguida a fábrica passou para o controle de um comendador e outros industriais ao longo da história até chegar à família de Othon Bezerra de Melo, em 1946, que se desinteressou pelo setor têxtil e a fábrica terminou fechando as portas, em 1996.
A reportagem pesquisou que, ao longo desse tempo,  a fábrica Carmen chegou a uma época na década de 70 em que tinha quatro mil empregados da região, todos com seus direitos em dia. Após 10 meses fechada a fábrica reabriu em 1997, com incentivos do governo estadual de Alagoas, mas não teve muito sucesso e desativou devido altos impostos do governo e a mal gestão empresarial.
Depois do fechamento da indústria, alguns trabalhadores conseguiram a aposentadoria e receberam seus direitos, no primeiro fechamento da empresa, mas cerca de 60 a 70 por cento dos outros trabalhadores ainda estão sem as indenizações e sem capacitação, já que não se prepararam para outras atividades e não se reciclaram em tempos de tecnologia e modernização.
Localizado às margens da Lagoa Mundaú, rodeado de matas e nascentes e com uma paisagem bucólica e deslumbrante, o bairro já foi distrito e deu muitos talentos ao Estado. A fábrica foi montada em um prédio de 25 mil metros de área construída e ocupa um quarteirão inteiro do local, além de duas nascentes dentro da propriedade.
A fábrica fornecia toda a estrutura possível para os operários, que recebiam em troca casa, água e luz, tudo sem pagar nada, além de atividades recreativas como cinema, teatro, dois clubes, atividades esportivas, bailes, entre outras diversões, segundo contam os moradores.

Trabalhadores dizem que é preciso capacitar ex-funcionários e jovens

Fábio Assis de Farias é aposentado, ex-operário da Fábrica de Carmen e ex-presidente do Sindicato dos Trabalhadores têxteis avalia que a criação de uma cooperativa dos funcionários seria uma das alternativas para o local. Na calçada da fábrica, que está abandonada, sucateada, com vidros quebrados, paredes pichadas e o prédio vazio, ele fala da situação dos trabalhadores, dos tempos áureos do bairro e avalia ainda que outra alternativa para acabar com a ociosidade da juventude de Fernão Velho seria a capacitação dos moradores para outras atividades fins.
Fábio Assis de Farias é aposentado, ex-operário da Fábrica de Carmen e ex-presidente do Sindicato dos Trabalhadores têxteis
“Eu não consigo entender que teve uma ação na Justiça que deu ganho aos trabalhadores, para que assegurasse os bens, e a fábrica vendeu as melhores máquinas, o patrimônio e até telha venderam e também a cobertura da estrutura foi comercializada, ninguém sabe por quanto e nem a quem. A informação que tivemos é que o prédio foi leiloado, para fazer dinheiro para pagar o povo”, diz.
Fábio Assis de Farias destaca que existem muitas opções para a capacitação dos trabalhadores e jovens do bairro que ficaram ociosos: “Existem muitas opções, mas depende de gestão, esses 25 mil de metros construídos poderiam ser aproveitados em benefício dos moradores. Fernão Velho nasceu e cresceu em função da tecelagem, poderiam pensar num projeto simples. Fizeram um café da manhã, perto do período eleitoral, prometeram mudar a realidade daqui, mas até agora nada; deram as costas para o bairro”.
O trabalhador aposentado diz que no caso dele foi beneficiado porque já está aposentado. “Essa aposentadoria foi oriunda do trabalho da Fábrica Carmem, pois aqui foi onde eu comecei minhas atividades. Eu não tinha profissão nenhuma, foi meu primeiro emprego. Comecei na empresa em maio de 1972, como servente. Tinha um setor de treinamento da escolinha, uma professora chamada Valdete, que era muito dedicada e a gente aprendia fácil”, explica.
Fábio Assis de Farias destaca que existem muitas opções para a capacitação dos trabalhadores e jovens do bairro que ficaram ociosos
Seu Fábio de Farias conta que pegou gosto pela arte de tecer, pois sempre procurou ser uma pessoa responsável, e por conta disso foi crescendo os degraus na área da profissão. “Daí eu passei a ajudante de contramestre de tecelagem e acharam por bem me colocar na parte de manutenção”, explica.
Em seguida, Fábio de Farias comenta que foi fazer curso em Recife, numa instituição que era como o Senai, para treinar os trabalhadores da área de fiação e tecelagem “e eu passei lá num colégio interno, um período de seis meses, sem nenhuma despesa, recebendo meu salário como se estivesse em atividade na Fábrica e aprendi muito lá”, destaca.

Com início da decadência da empresa, operário diz que entrou no sindicato

“Ingressei na vida de sindicato, porque eu não estava mais vendo um futuro promissor da minha dedicação na fábrica. Eu tinha vindo do interior, com 15 anos de idade e naquela época você poderia começar a trabalhar, principalmente na fábrica; hoje não é permitido por conta da legislação, porque é uma área insalubre, a tecelagem te oferece poeira, calor, fadiga, tudo isso junto, você não pode maios fazer outro trabalho, a não ser numa situação anônima, mas no caso daqui não podia ser feito”, comenta.
Na época em que começou a trabalhar, ele explica que a fábrica tinha cerca de três mil trabalhadores. “A informação dos mais antigos é que a Carmen já chegou a empregar cinco  mil trabalhadores. No horário em que saíam de um turno, parecia mais um bloco carnavalesco de tão animado; tudo aqui em Fernão Velho girava em torno da fábrica, tanto é que nasceu e cresceu por conta da implantação dessa fábrica aqui”, argumenta.
Fabio de Farias explica que a fábrica também empregava trabalhadores operários de outros bairros de Maceió.
Seu Fabio de Farias explica que a fábrica também empregava trabalhadores operários de outros bairros de Maceió.  “Moradores mais distantes, do Tabuleiro do Martins desenvolviam suas atividades aqui. O próprio grupo que administrava a fábrica tinha uma moradia; a Vila ABC e a Goiabeira foram construídas com essa finalidade: em Fernão Velho, todo trabalhador tinha residência fixa, algum ou outro que não morava aqui, mas a finalidade da construção do bairro foi para abrigar os trabalhadores”, explica.
Fábio de Assis pontua que a fábrica oferecia tudo: “Lazer nos finais de semana, em datas festivas como o São João, dava o tecido para que os trabalhadores fizessem uma roupa; também na virada do ano também. Além disso, escola para os filhos dos funcionários; era uma mãe, tanto é que hoje em dia tem gente que diz que era feliz e não sabia”, diz.

Acomodação e dependência

Por outro lado, seu Fábio avalia que havia uma acomodação por parte dos trabalhadores, já que as pessoas recebiam tudo. “Muitos pensavam: ‘já tenho meu emprego, salário garantido semanalmente, não tinha atraso. Com o passar do tempo, a terceira geração da família Othon Bezerra de Melo começou a perder o interesse e começou a investir em outras áreas: na rede hoteleira, destilaria, usina de açúcar, começaram a diversificar as atividades”, relata.
Na década de 1970 seu Fábio conta que a fábrica começou apresentando sintomas de dificuldades. “Quando a gente menos esperava era deflagrada uma crise, a crise nacional afetava diretamente a fábrica. Era necessário que todos os fabricantes do seguimento fizessem a introdução de máquinas modernas no setor e a Fábrica Carmen não acompanhou essa evolução, começou a perder seu espaço no mercado, por conta dos concorrentes, por causa dos investimentos que eles não faziam”, pontua.
Conhecedor a fundo da história operária de Fernão Velho, seu Fábio fala com nostalgia e diz que quando a fábrica fechou pela primeira vez, em 1996, o sindicato dos trabalhadores, entidade que ele presidia, começou a fazer um trabalho no bairro, acreditando que ia ter a retomada. “Foi uma situação de calamidade a que foi implantada aqui. Os profissionais não sabiam fazer outra coisa, um mecânico de tecelagem não sabe mexer com mecânica de automóveis; o tecelão não sabia operar uma máquina fora, pois lá já exigia conhecimento em um tear moderno”, pontua.
Segundo ele, a fábrica voltou a funcionar em agosto de 1997, até janeiro de 2010, quando fechou as portas de vez. Por conta desse período foi que muita gente conseguiu a aposentadoria e conseguiu se profissionalizar. Fábio conta ainda que a fábrica fez um processo de modernização, mas não dava para competir com as concorrentes. “A nova direção resolveu entrar numa linha intermediária, mas o grupo que adquiriu o patrimônio não se entendia e a pessoa que ficou na direção não dominava o setor”, avalia.

Expectativa de fundação de uma cooperativa como opção vem de longe

Seu Fábio de Farias explica que os operários acreditaram que a Carmen poderia ser trabalhada como cooperativa, pelo fortalecimento do setor: “Apostamos todas as fichas, foi feito um trabalho para transformar a fábrica numa cooperativa, falamos com o Governo do Estado, foi  feito um trabalho com o pessoa da Oceal, hoje OCB (Organização das Cooperativas do Brasil), só que o governo deu um prazo ao grupo Othon Bezerra de Melo para dizer o que queria. “Aí eu era presidente do sindicato e o governo liga dizendo que ia apresentar os novos donos da fábrica”, destaca.
Fábio avalia que havia uma acomodação por parte dos trabalhadores, já que as pessoas recebiam tudo
Fábio Farias conta que o governo apresentou o grupo, que formou uma sociedade para tocar a fábrica. “Tanto é que houve essa retomada, Fernão Velho foi palco de festa, celebração de missa, fogos, todo mundo contente, feliz da vida, acreditando que ia dar certo”. O operário aposentado alega que os administradores que assumiram a empresa compraram teares que já eram consideradas obsoletas nos Estados Unidos ultrapassadas para a realidade de lá e o tear só era de 240 rotações por minuto (RPM), enquanto que lá era muito maior. 
O ex-operário  avalia que deve ter acontecido também um erro de planejamento para que a fábrica fechasse. Ele também cita a arrogância da última direção que se achava toda poderosa. “Chegou com a pose de rei, ficou sozinho, não dominava a parte de produção, começou a mergulhar num a profunda crise, sem pagar os salários dos trabalhadores, atrasando os compromissos com o governo e o município, fornecedores e a fábrica fechou depois de uma manifestação dos trabalhadores, indignados com a falta de salários  e por não acreditar mais no que o diretor falava”, discorre.

Trabalhadores propõem capacitação e investimentos no bairro  

A esperança dos trabalhadores é que o município de Maceió, que recebeu algum dinheiro por conta da venda do maquinário da fábrica, resolva alguma coisa. “Já tentamos marcar várias reuniões, mas sempre tem uma desculpa. Isso só aumenta a descrença na Justiça e nos gestores. Estamos num beco sem saída.”
Seu Manoel Dantas também é operário aposentado e fala que a sua situação é igual à de todos os trabalhadores. “Trabalhei 26 anos, teve a aposentadoria que o governo lançou e eu aproveitei, se não ia morrer de trabalhar”, disse ele.
Manoel Dantas também é operário aposentado e fala que a sua situação é igual à de todos os trabalhadores
Seu Manoel disse que com dificuldade conseguiu formar dois filhos, que hoje lhe dão muitas alegrias, mas a realidade de muitos jovens no local é outra. “Tenho um filho que é professor de música e ensina nas escolas e minha filha é muito estudiosa. Tenho que agradecer a Deus, pois com esforço a gente consegue, tem gente que não luta e não consegue, mas se eu pagasse aluguel estava em situação pior”, avalia.
Carlos de Freitas é ex-gerente da fábrica e hoje tem um pequeno negócio de confecções na Praça São José Operário, no bairro. “Fui gerente de produção durante 18 anos e quando a fábrica fechou a gente tinha a expectativa de modernizar. Quem modernizou como a Fábrica da Pedra, em Delmiro Gouveia, conseguiu sobreviver”, observa.

Potencial humano do bairro foi desprezado

Seu Carlos de Freitas comenta que os donos da fábrica não acreditaram no potencial humano que tinha o bairro: a mão de obra barata. “O resultado é um entulho de ferro velho. Eu tive a indenização; enquanto era de Othon Bezerra de Mello todo mundo recebeu, aí pegaram as melhores casas. Sobrou esse casarão, ninguém queria, porque o preço era elevado, o direito que o empregado tinha não dava para pagar. Eu ainda botei do meu dinheiro; venderam barato, num preço que eu ainda coloquei 15 mil reais das minhas economias e da minha esposa, funcionária do Estado, compramos a casa e montamos a loja”, explica.
Carlos de Freitas comenta que os donos da fábrica não acreditaram no potencial humano que tinha o bairro: a mão de obra barata
Seu Carlos ressalta que quando a fábrica voltou, em 1997, ele já estava com a loja e trabalhava na confecção com o tecido da empresa; fabricava no local e tingia em Caruaru e voltava para vender em Fernão Velho.  “Era um tecido que dava para fazer alguma coisa que agradava as pessoas. No seguimento algodão a gente conseguiu fazer as peças e ia se ganhar dinheiro com isso. Criou-se uma cooperativa que não teve êxito porque o governo desprezou”, reclama.
Seu Carlos ressalta ainda que o governo poderia ter aberto uma concessão até para o Estado comprar. “Nunca houve um interesse nenhum. No caso das mulheres (trabalhadoras da fábrica) elas não tiveram chance nenhuma de se prepararem para novas atividades, mesmo para a área doméstica tem que saber de alguma coisa. Essa parte não foi feita”, afirma.

Nova Realidade

O ex-gerente também destaca que os gestores precisam preparar mão de obra para a nova realidade. “Hoje não tem mais emprego, quem pensar em fábrica de dez mil, vinte mil empregados, não existe mais isso. A própria Fábrica da Pedra eu acredito que não tenha mais de 600 trabalhadores e ela tem uma produção em relação a essa, cinco vezes maior”, calcula.
Ninguém espere, na opinião de seu Carlos, aquele mundo de emprego. “Se a fábrica daqui tivesse funcionando a gente só teria uns 250 empregados. Isso ia jogar em torno de 350 a 400 mil reais na economia do bairro, ia gerar muita oportunidade para os pequenos comerciantes e outras pessoas mais. A fábrica controlava a vida da gente, não precisava de relógio. O trem também era outro relógio. Tínhamos creche, maternidade, escola, dois clubes, a limpeza pública funcionava, os jardins eram cultivados e ninguém pagava nada, era um aluguel simbólico; era uma maravilha”, avalia.
Seu Carlos diz que a indústria que mais absorve mão de obra hoje em dia é a de confecção. “Com 800 reais compra uma máquina e emprega uma pessoa. Enquanto que só um tear custa em torno de 50 mil dólares, quase 150 mil reais. O governo deveria criar confecção, apoio à cooperativa, dar incentivo, investimento do poder público no bairro e treinamento de pessoal”, finaliza.


terça-feira, 28 de abril de 2015

De Quebrangulo, para o Brasil, Geraldo Cardoso vai trilhando o caminho do sucesso

Artista participará da gravação do São João do Nordeste, que terá entrevista feita por Wesley Safadão

O Matuto de Luxo Geraldo Cardoso, natural de Quebrangulo, em Alagoas, vai trilhando seu caminho de sucesso, com simplicidade e determinação e uma carreira já consolidada nos palcos do Brasil. O artista compartilha essa alegria com o público, pela qualidade do seu trabalho e empreendimento na sua carreira.
Para divulgar esse novo trabalho Geraldo Cardoso disse que está vendo pauta para lançar o DVD no Teatro Deodoro, antes do São João - Fotos Paulo Tourinho
Geraldo também foi convidado pela Rede Globo, para gravar para o São João do Nordeste e a gravação acontecerá em sua casa, com Wesley Safadão, que fará a entrevista, apresentando o programa. “Estou muito feliz de ter sido escolhido aqui de Alagoas para representar o São João do Nordeste”, comenta.
O artista tem shows previstos para o São João em Serra Talhada, Recife, Caruaru, Paulo Afonso, Canindé do São Francisco, Piranhas (na Festa do Cangaço), Belém de Maria e Maceió, que segundo ele está de parabéns com a nova administração cultural, no que se refere à valorização dos talentos locais, “dando oportunidade a quem faz o autêntico forró”, destaca.
Ele concedeu entrevista à reportagem do Primeiro Momento, em sua residência, na capital alagoana, um local aconchegante, onde a natureza está presente em todas as suas vibrações. Ensaiando canções que ainda não foram gravadas em disco, ele deu uma cancha à equipe de reportagem e mostrou seu mais novo trabalho que será incluído no próximo disco que promete estourar nas rádios do Brasil inteiro.
Para divulgar esse novo trabalho, Geraldo Cardoso disse que está vendo pauta para lançar o DVD no Teatro Deodoro, antes do São João.  “Estou prestes a lançar o Roda de Forró, meu novo DVD, terceiro da carreira. Esse trabalho foi concebido aqui em casa, nos encontros com os músicos, Pardal (zabumbeiro) e Geraldo Araújo (baixista). A gente se encontra aqui, depois dos shows, para dar uma descansada e virou um show, por intermédio do jornalista Keyler Simões”, observa.
Show no Teatro Deodoro - Arquivo pessoal
O músico conta também que fez o show no Teatro Deodoro e para sua surpresa estava lotado: “Todo mundo sentado no teatro para ver o show, cantando junto comigo. O repertório foi de clássicos como Zé matuto foi à praia, de Luiz Gonzaga; Nessa estrada da vida, de Aparecido José, que foi sucesso na voz de Luiz Gonzaga, e vários parceiros”, destaca.
Além dos parceiros ele destaca o sexteto, formado por Eré na sanfona; Milla do acordeom; no Pardal zabumba; Geraldo Araújo, baixo, Eduardo, violão; triângulo e back vocal do Jairo Marques e Jucélia Santos no back. Participações especiais de Almir Medeiros, Chau do Pife e Ari Perciano, que é parceiro de vários tempos.
O Roda de Forró, segundo Geraldo Cardoso,  já tem de início quatro mil cópias (CD e DVD) prontas e está sendo distribuído em vários locais e com boa aceitação. “O público participa muito, nesse lançamento agora vamos colocar muita animação”, explica.

Início da carreira foi no grêmio estudantil, com muita timidez

O artista comenta que tudo começou nos idos da década de 1980, no grêmio da escola. “Eu não era muito bom, em artes e faltava muito a essa aula e quando chegava ao grêmio, para ganhar ponto, ia lá na frente, tremendo, com medo danado  do povo,  ainda tímido, conseguia cantar alguma coisa e ganhar pontos para poder passar”, relata.
Geraldo Cardoso explica que desde aquela época adorava a sanfona: “Quando vi um sanfoneiro tocando de perto, eu fiquei encantado, me perguntando como é que um cara toca desse jeito: abre o fole naquela velocidade e faz as notas e os acordes. O som do triângulo, da zabumba, me deu uma vontade de cantar e eu disse: ‘um dia eu canto com esses caras’”, observa.
Influenciado por artistas como Luiz Gonzaga, Trio Nordestino, Alceu Valença, Nando Cordel e Jorge de Altinho, Geraldo Cardoso explica que essas foram referências muito boas para a sua carreira. “No final dos anos 80 eu juntei uma banda com os meninos que tocavam ali; uma banda não, um pedaço de banda”, comenta rindo.

O COMEÇO

Geraldo Cardoso explica que começou a banda com formação simples: uma sanfona, zabumba e um baixo; depois viu a necessidade de se colocar uma bateria, uma guitarra, e em seguida  entraram os metais e ele gravou o primeiro disco chamado ‘Baião Aceso’.
“Gravei com 36 horas de estúdio, sem nunca ter entrado em um, eu não sabia o que era. Matuto das ribeiras do Paraíba, em Quebrangulo, eu entrei num estúdio, em Recife, onde gravava as grandes estrelas do forró, na época: Alcimar Monteiro, Jorge de Altoinho e outros gravavam tudo nesse local”, comenta.

 Sem recursos, ele conta que só tinha dinheiro para pagar 36 horas de gravação

Geraldo Cardoso conta que, nessa época, só tinha dinheiro para pagar as 36 horas e gravar um disco que tinha metais, “já é complicado gravar porque naquele tempo, não tinha o recurso que tem hoje, era tudo em fita K-7. Se a gravação não prestasse, voltava as fitas todas, agora, não. Você grava ali e emenda um pedaço: o computador e a tecnologia ajudaram bastante”, pontua.
O artista explica que nesse primeiro disco ficaram quatro músicas com voz guia (voz que o cantor usa só para guiar os músicos para gravar a base do disco). “É uma voz imprestável, grava-se com um microfone simples e na ora de botar a voz, não sobrou tempo para colocar a voz suficiente; a imaturidade também (atrapalhou) e quatro músicas ficaram com mixagem de voz guia”, destaca.
O trabalho ele conta que foi produzido pela gravadora Polidisc, por intermédio de Antônio Jacinto, produtor executivo. “Vendeu aqui em Alagoas mais de cinco mil cópias. Na época foi bom para um artista iniciante. O repertório foi todo de composições minhas e de composições com outros parceiros como os alagoanos Geo D’ Almeida, Beto Barbosa, Cinho, de Palmeira dos Índios, e músicas minhas. Foi muito bom para minha carreira, meu cartão de visita”, avalia.

NA ESTRADA

De lá para cá Geraldo Cardoso não parou mais e já gravou três vinis; na era do CD e DVD já gravou 14 trabalhos: onze CDS  e três CDS e DVDs.  “Me orgulho de ter começado em uma época que se gravava vinil, tempo muito rico para a música. Fiz bastante shows, em muitas capitais, pelo Nordeste principalmente, muita coisa no interior, o interior consome muito o nosso trabalho”, argumenta.
Geraldo Cardoso também já teve música incluída na trilha sonora da novela América, da Rede Globo, com a música ‘Um matuto em Nova Iorque, época em que ganhou o título de Matuto de Luxo.
O artista também já fez apresentações em aniversários de cidades, festa de padroeiro, vaquejadas, festa junina. O mais estranho, segundo pesquisamos em sua biografia, foi num Circo Tourada, sem palco e com som de corneta, no início da carreira, e cantou em um restaurante do hotel Fenícia em Brasília, para vários prefeitos, no evento chamado Marcha de Prefeitos, em 2005, quando estavam presente prefeitos do Brasil inteiro.
Geraldo observa que recebeu da gravadora a informação de que já tinham sido vendidos, nos primeiros três trabalhos, mais de 200 mil cópias, “até onde fechei a conta, mas depois vieram os pingados, porque a gravadora está sempre relançando os trabalhos e acredito que já tenha passado disso”, ressalta.  

Meu pai

Olívia de Cássia - Jornalista

Meu pai era um homem excepcional: temeroso a Deus, justo, trabalhador e honesto. Era um homem que acordava logo de madrugada para o trabalho diário e não se furtava às adversidades do tempo. Se ainda estivesse nesse plano, teria completado 93 aninhos no dia 16 de abril, ele morreu faltando  quatro dias para completar 76 primaveras.

Quando estava em casa, ainda quando tinha saúde, seu passatempo preferido era ler a Bíblia, notícias dos jornais que eu levava para ele e ver televisão. A fora isso, as festas de Santa Maria Madalena e ir à missa eram o seu ritual preferido.

A festa ele não perdia uma noite, nem as novenas, isso quando ele ainda podia andar. Seu João também gostava de viajar a Maceió para marcar os bingos que eram feitos, que tinham como premiações carros, para angariar fundos à construção do Trapichão.

Além disso, gostava de ficar na ponte próxima à Praça Antenor de Mendonça Uchoa, para saber das novidades da política local. Meu pai era fanático por política. Era assim que ele ficava sabendo de todo o burburinho da cidade de União dos Palmares, até o início dos anos 1980, quando começou a levar quedas na rua e deixou de andar.

Isso herdei dele também, o problema hereditário, a Doença de Machado Joseph. Herdei dele algumas particularidades, tanto físicas quanto sentimentais  e isso minha mãe Antônia dizia: “Até o nariz é igual, dizia ela”, mas com o tempo e a maturidade eu fui pegando as feições da minha mãe e hoje me acho mais parecida com ela fisicamente do que com seu João.

Eu e minha mãe tínhamos muitas divergências, por conta das nossas opiniões e dos meus relacionamentos amorosos e amizades que ela tinha restrições. Sempre acabávamos discutindo de alguma forma, até que por dois anos ela parou de falar comigo, mas o meu pai, nunca se furtou a me receber e a conversar com a filha rebelde.

Ele tinha sempre uma palavra amiga e um conselho para me dar, mesmo quando já estava bem acometido pelo seu problema de saúde. Lembro daquele sorriso doce me dizendo que eu entendesse a minha mãe, que se trancava no banheiro quando eu ia de Maceió a União para vê-los e fui proibida de entrar em casa.

Mesmo assim, meu pai, cambaleante ia até o sofá da sala para conversar comigo, que ficava sentada no batente da porta, ora chorando, ora conversando com ele. Ela não baixava a guarda, até que um dia cedeu. Hoje eu tenho muita saudade dos dois, que já se foram há mais de dez anos, embora as lembranças estejam bem avivadas em minha mente.

E quando me vejo assim, frágil, sentindo as mesmas limitações físicas que meu pai teve, até não caminhar mais, me ponho a refletir sobre muitas questões da vida. Não adianta orgulho, não adianta incompreensões diante da falta de saúde e das limitações que a vida vai nos impondo.


Aos poucos a gente vai percebendo o quanto somos frágeis e que é muito tênue a linha da vida. Procuro me aprimorar a cada dia, melhorar minhas atitudes, comigo e com os outros e fico pedindo a Deus para não dar trabalho a terceiros e a me conduzir para o bem, me dando mais força e saúde para continuar a minha missão aqui na terra, que é escrevinhar, isso eu tenho certeza. Bom dia e fiquem com Deus.

domingo, 26 de abril de 2015

Festa e alegria na entrega do Prêmio Braskem de Saúde e Segurança no Trabalho

Olívia de Cássia - Repórter
Primeiro Momento

O Sindicato dos Jornalistas do Estado de Alagoas (Sindjornal); a Braskem; Ministério Público do Trabalho e Emprego (MPTbE), por intermédio da Superintendência Regional do Trabalho e Emprego realizaram ontem na noite deste sábado, 25, no Armazem Uzina, em Jaraguá, a cerimônia de entrega da segunda edição do Prêmio Braskem de SST – Saúde e Segurança no Trabalho.
Prêmio Braskem de SST – Saúde e Segurança no Trabalho - Fotos Olívia de Cássia
A festa de entrega contou com a presença de mais de 600 pessoas e mesmo sendo a segunda edição a premiação bateu recorde de inscrição: teve 77 trabalhos inscritos, superando em 42% o número de trabalhos de 2014.
O jornal Tribuna Independente ficou em primeiro lugar na categoria impresso/texto, com o trabalho da jornalista Thayanne Magalhães, que teve o título: “Profissão perigo: as cinco áreas mais arriscadas para atuar em Alagoas”. Já a jornalista Ana Paula Omena,repórter do portal tribunahoje.com obteve duas premiações. O terceiro lugar em webjornalismo com a reportagem “Matadouros clandestinos ameaçam saúde e segurança do trabalhador”. E o segundo na mesma categoria com a matéria “Motoboys: profissão quase suicida”.
O presidente do Sindjornal, Flávio Miguel Peixoto , nas palavras de boas-vindas aos presentes destacou o momento difícil que a categoria está passando, por conta de estar na data-base e os patrões terem oferecido zero por cento de reajuste, ou seja, nada.
Presidente do Sindjornal, Flávio Miguel Peixoto - Foto: Olívia de Cássia
“Quero agradecer aos patrocinadores do prêmio e à comissão que apreciou os trabalhos inscritos, destacando a qualidade das matérias. A categoria está em campanha salarial e a nossa data-base é o mês de maio; os patrões não ofereceram nada de reajuste. O resultado de hoje eleva e divulga o nome das empresas e é preciso que a categoria tenha o seu reconhecimento merecido”, observou.
Segundo Flávio Miguel, as empresas não querem aplicar sequer a inflação do período, diante de tanta intransigência, “estamos abertos ao diálogo”, pontuou.
O superintendente do Trabalho, Israel Lessa, disse que o número de acidentes de trabalho no Estado tem aumentado. “Chega a um número alarmante e esse ano já começamos com mortes nos locais de trabalho. Um trabalhador de 37anos foi esmagado por um trator”, disse ele.
Todos os representantes do Ministério do Trabalho reforçaram a necessidade da prevenção nos locais de trabalho. O representante do MTbE, Rodigo Alencar, disse que a questão da terceirização aprovada na Câmara dos Deputados Preocupa. “Terceirização resulta em trabalho escravo. É preciso haver honestidade sobre a terceirização, para não termos que lamentar acidentes de trabalho. Esse Congresso que está aí é muito conservador”, argumentou.
Os jornalistas premiados receberam troféus, além de dividir premiação que soma cerca de R$ 60 mil em dinheiro
Este é o segundo ano do Prêmio Braskem de Jornalismo Saúde e Segurança no Trabalho (SST). “Este avanço, além de consolidar o concurso já no segundo ano, fez ampliar na mídia alagoana a produção de reportagens que trazem denúncias ou soluções a respeito das condições de trabalho no Estado, particularmente nas empresas” explicam os organizadores.
Os jornalistas premiados receberam troféus, além de dividir premiação que soma cerca de R$ 60 mil em dinheiro. Tanto o jornal impresso diário Tribuna Independente quanto o portal tribunahoje.com são produtos da Cooperativa de Jornalistas e Gráficos do Estado de Alagoas (Jorgraf).

Veja abaixo os vencedores:

Estudante
1º lugar: SST JOGADAS NO LIXO – ROBERTA MEYCE (UFAL)
2º lugar: BELEZA INSALUBRE: OS RISCOS ENFRENTADOS POR TRABALHADORES EM SALÕES E CENTROS DE BELEZA – MÁRCIO ANASTÁCIO (UFAL)
3º lugar: FALTA DE PROTEÇÃO EXPÔE FRENTISTAS DE ALAGOAS – LUCAS ALCÂNTARA (UFAL)
Menção Honrosa: VIDA NA ESTRADA: O RISCO DE SER CAMINHONEIRO EM ALAGOAS (UFAL)
Radiojornalismo
1º lugar: NR-20: OS COMBUSTÍVEIS E A SAÚDE DOS FRENTISTAS – GIULIANO PORTO E CARLOS MADEIRO (RÁDIO DIFUSORA)
2º lugar: A SAÚDE NO TRABALHO DOS PROFISSIONAIS DE SAÚDE – GIULIANO PORTO E CARLOS MADEIRO (RÁDIO DIFUSORA)
3º lugar: MERCADO ALAGOANO INVESTE EM CONSULTORES PARA SEGURANÇA DO TRABALHO – ALEXANDRE LINO E MARCOS MOREIRA (RÁDIO CORREIO)
Webjornalismo
1º lugar: PERIGO NAS RUAS: EQUIPES DE LIMPEZA URBANA ENFRENTAM RISCOS DIÁRIOS EM MACEIÓ – JAMYLLE BEZERRA (GAZETAWEB)
2º lugar: MOTOBOYS: PROFISSÃO ‘QUASE SUICIDA’ – ANA PAULA OMENA (TRIBUNA HOJE)
3º lugar: MATADOUROS CLANDESTINOS AMEAÇAM SAÚDE E SEGURANÇA DO TRABALHADOR – ANA PAULA OMENA (TRIBUNA HOJE)
Fotografia - Impresso
1º lugar: RISCO IMINENTE – EDUARDO LEITE (O DIA ALAGOAS)
2º lugar: QUANDO O RISCO É SINÔNIMO DE FATURAMENTO ALTO – DÁRCIO MONTEIRO (GAZETA DE ALAGOAS)
3º lugar: NO AR POR UM FIO – MARCELO ALBUQUERQUE (GAZETA DE ALAGOAS)
Jornalismo impresso (Texto)
1º lugar: PROFISSÃO PERIGO: AS CINCO ÁREAS MAIS ARRISCADAS PARA ATUAR EM ALAGOAS - THAYANNE MAGALHÃES (TRIBUNA INDEPENDENTE)
2º lugar: CADÊ A NR-20 – LÁYRA SANTA ROSA (O DIA ALAGOAS)
3º lugar: 10 MINUTOS: UMA PAUSA PRODUTIVA, SAUDÁVEL E SEGURA (O DIA ALAGOAS)
Reportagem cinematográfica
1º lugar: EDUCAÇÃO É SEGURANÇA – MARCELO HENRIQUE MOURA (TV PAJUÇARA)
Reportagem de TV
1º lugar: SÉRIE ASSÉDIO MORAL: UMA JORNADA DE HUMILHAÇÃO – THIAGO CORREIA, GÉSIAS MALHEIROS E EQUIPE (TV PAJUÇARA)
2º lugar: EDUCAÇÃO É SEGURANÇA – MARIA MACIEL E EQUIPE (TV PAJUÇARA)
3º lugar: ALARMANTE: HGE REGISTRA MAIS DE 300 CASOS DE ACIDENTES DO TRABALHO EM 2014 – MADYSSON WESLEY (TV GAZETA)
Assessoria de imprensa
1º lugar: GRUPO PREVENCIONISTAS: A UNIÃO PELA SEGURANÇA DO TRABALHO EM ALAGOAS – PATRÍCIA BARROS (GRUPO PREVENCIONISTAS)
2º lugar: DICOM DO MPF APRESENTA UM HOTSITE DA ATUAÇÃO DA FISCALIZAÇÃO DA FPI DO SÃO FRANCISCO EM DEFESA DO MEIO AMBIENTE – JANAINA RIBEIRO (MPE)
  

Com trinta anos de estrada e estilo eclético, Ari Persiano está fazendo divulgação do seu novo CD

‘Olívia de Cássia - Repórter
Primeiro Momento
Com trinta anos de estrada e estilo eclético, o compositor, cantor e escritor alagoano Ari Persiano está fazendo a divulgação do seu quinto CD ‘Como o Céu e o Mar’ nas rádios alagoanas e diz que é difícil para um compositor ter um só estilo.

Além de compositor, cantor e instrumentista, Ari Persiano tem três livros escritos que falam sobre religião. Fotos Paulo Tourinho

“Ele compõe várias coisas, não foca só num estilo”, observa. O novo CD de Ari Persiano tem sete músicas, cinco autorais, uma parceria com Geraldo Cardoso e outra com Luciano Versati e ele diz que está sendo muito bem aceito, e está num bom momento.
O músico observa que quando está em Maceió, toca no Francês, nas barracas de praia, nos restaurantes voltados para a praia. “À noite eu faço no píer do Hotel Enseada, lá é MPB, voz e violão”.
Ele não contou à reportagem, mas andei pesquisando que é fã do cantor Benito de Paula, bisneto de imigrantes e de uma época em que “em Maceió não existia nada”. Nascido no ano de 1962, ele contou ao Papo Musical, de Serginho Lamecci, no canal You Tube, que a primeira vez que foi ao Teatro Deodoro tinha cinco anos e foi ver uma peça, isso em 1967. “Alagoas estava engatinhando com relação à arte”.
Ele destaca que a família gostava muito de música. “Meu pai tinha um grande acervo musical, ouvi muita música, mas ele não queria que eu aprendesse tocar violão e deu um violão a minha irmã, que não sabia tocar nada; comecei a tocar naquela época”.
Ari Persiano tem três livros escritos que falam sobre religião. Com formação em história antiga ele é conhecedor das escrituras sagradas, diz que dependendo do ambiente onde esteja vai traçando o seu estilo musical.
“Por exemplo: eu estou muito aqui, no Nordeste, e convivo muito com o Geraldo (Cardoso, matuto de Luxo), há muitos anos; agora estamos com uma parceria com Flávio José, entre outros artistas e nesse caso a tendência é o xote”, ressalta.
O compositor confessa ainda que gosta de balada romântica, mas quando está em Salvador faz os ritmos da Bahia. “Compositor é assim, é um clínico geral; eu não fiz outra coisa na vida a não ser tocar; tentei fazer outra coisa, mas não deu; eu não nasci para estar parado em um só lugar”, observa sorrindo.
O músico de espírito leve, espiritualizado e de alma suave, diz que já tocou em várias bandas e começou com banda de baile, no final dos anos 70. Tocou com Zé Barros, músico de Paulo Jacinto, era um dos formadores da banda Odisseia. “Naquela época se usava terno e depois dos anos 80 vieram as revoluções artísticas com os festivais estudantis universitários que participei de todos”, destaca.
Ari Persiano também foi tecladista de trio elétrico por dez anos, tocou na Banda Omin, tem discos autorais e foi técnico da Rádio Jovem PAN. “Também sou músico da noite, ainda me defendo tocando; mas não gosto muito, mas a barriga ronca, é preciso suprir as necessidades”, pontua.
Para o novo CD ele conta que veio uma estrutura melhor esse ano: “Sem estrutura você não anda, e graças a Deus pude fazer um disco de qualidade, que está agradando”, ressalta.



quarta-feira, 22 de abril de 2015

PÁSSARO FERIDO

Precisa-se de um ninho Pode ser pequenino Pode ter algumas arestas Devagar se concerta Pode passar algum frio Pode proteger com as asas Pode ser alto ou baixo Não se pretende sair Não se pretende voar. Precisa-se de um ninho Para guardar o amor Do maior predador... Os tantos silêncios Que no coração Já não cabem.

(Lindair Amaral 21/04.2015)

terça-feira, 21 de abril de 2015

LIMITAÇÃO

Não tenho direito a palavra!
Não tenho direito a opinião. A do outro está formada e por mais que queira explicar, você não tem razão. Não tenho direito ao silêncio! Ficar calada é abstenção dos seus direitos, é omissão e são crimes e violação de direitos. Não tenho direito de amar! Agora amar não pode. Tem que xingar, rasgar bandeiras, fazer gestos obscenos e se aproveitar das limitações alheias, ainda que sejam físicas. Não tenho direito a ter direito! Não posso ser contra e nem a favor. Qualquer coisa que diga pode ser usada contra você. E acredite, o é. Não uso a palavra para agredir, apenas para me posicionar ou trazer quando posso algum conforto. Não tenho direito de dizer que meu direito não é seu. Que o silêncio por vezes é para não magoar. Que amar independe de tuas convicções, para isso existe o diálogo. Que o direito chegou até mim depois de grandes lutas. Ter direito é simplesmente dizer que discordo ou concordo e que não quero brigar com você. Não posso ser a pessoa que você gosta ou odeia, você nem me tão profundamente assim. Dos direitos retirados um ficou: A certeza de que como sempre tudo vai passar, o dia vai nascer, o sol vai brilhar e as luzes vão se apagar para afina, o sono de conforto nos deixar livres para sonhar...
Lindair de Morais Amaral (20/04/2015)

Baque Alagoano: tambores e ritmos que encantam

Grupo tem 40 componentes que têm a proposta de preservação da nossa cultura

O Grupo Percussivo Baque Alagoano completa oito anos hoje e surgiu a partir de uma oficina ministrada pelo músico e artesão Wilson Santos, no Cenarte, em Maceió, há sete anos. A oficina reuniu cerca de 50 pessoas de diversas idades e profissões que tinham em comum a necessidade de um espaço onde pudessem batucar e trocar ideias sobre os ritmos populares da região Nordeste como o maracatu, coco, baianas de Alagoas, bumba-meu-boi, guerreiro alagoano, entre outros.

Foto: Paulo Tourinho e Olívia de Cássia

Hoje o grupo tem 40 batuqueiros fixos e segundo Rose Mendonça, coordenadora artístico-cultural, batuqueira e cantora, nasceu com a intenção de fazer ressurgir o maracatu no Estado de Alagoas. “Inclusive a gente tem uma loa, que é uma composição de um dos sócios fundadores, que fala justamente disso”, destaca.
Foto: Olívia de Cássia
Rose Mendonça observa que na época da criação do grupo, não existia mais o maracatu, desde o Quebra de Xangó, que foi um ato de violência praticado em 1º de fevereiro de 1912 contra as casas de culto afro-brasileiras de Maceió e que se estendeu pelo interior de Alagoas, por conta da intolerância religiosa.
“Depois do surgimento do Baque, vários outros nasceram e estão nascendo. Estamos no caminho certo”, avalia. O grupo já fez apresentação em várias cidades do Estado: em Maceió, no interior de Alagoas e também fora do Estado, como Pernambuco.
“Participamos de eventos, simpósios, festas particulares, em casamentos, além disso, a gente tem uma agenda fixa com apresentações em datas importantes, que têm um significado, independente de convite. A gente vai para a rua, que o maracatu é uma manifestação de rua e faz a apresentação”, explica.
Foto: Olívia de Cássia
O Baque Alagoano tem instrumentos como alfaia (tambor grande), gonguês (instrumentos de marcação) agogôs, caixa de guerra e os Agbês\ Xequerês. “Depois da oficina não queríamos mais parar de tocar. A ideia era fazer com que o projeto sensibilizasse outras pessoas quanto a importância da cultura popular e afro do nosso Estado e do Nordeste”.
Segundo ela as pessoas se juntaram e formaram uma associação e daí nasceu o grupo, que sobrevive dos cachês das apresentações e de uma contribuição individual de cada associado. “É um valor pequeno, mas que dá para uma pequena rentabilidade para o grupo, para as coisas básicas”, pontua.
O grupo ensaia todos os sábados à tarde, na Praça Marcílio Dias, em Jaraguá, em frente à Capitania dos Portos, das 14h às 18h. O grupo tem uma oficina marcada para os dias 30 e 31 de maio, que é a única forma para se entrar no grupo.
Foto: Paulo Tourinho
“A gente faz duas oficinas por ano, não tem limite de idade e qualquer pessoa pode participar, não tem nenhuma restrição e não precisa ter nenhuma preparação. As oficinas acontecem uma parte na praça e outra parte na sede do grupo, próximo à Marcílio Dias, onde os componentes guardam os instrumentos e vestimentas e serve de apoio quando das apresentações, como a prévia de Jaraguá, o Dia do Folclore e outras apresentações.
Têm pessoas que pegam com mais facilidade, tem outras que têm mais dificuldade e a gente dá assessoria para isso”, pontua.
O Baque Alagoano faz uma incursão pelos ritmos da cultura popular e afro-nordestina. O trabalho de pesquisa e criação musical tem raízes fincadas na cultura popular regional, procura fazer uma releitura dos ritmos tradicionais alagoanos, “respeitando a tradição e com consciência dos efeitos transformadores da contemporaneidade”, explica.
A batida forte e contagiante dos tambores de som grave é característica marcante do Baque Alagoano, que com pouco tempo de formado já ganhou vários prêmios. A proposta do grupo vai além da pura combinação de batuques em sala fechada.
Foto: Paulo Tourinho
O trabalho desenvolvido pelos componentes do grupo é voltado para a pesquisa do desenvolvimento histórico e antropológico de nossas raízes musicais e tem conseguido levar aos locais onde tem se apresentado um verdadeiro resgate de valores e símbolos da nossa musicalidade atemporal.

segunda-feira, 20 de abril de 2015

Da Vila ABC, em Fernão Velho, para o mundo

Produtos derivados do jacaré-do-papo-amarelo são vendidos no exterior

Olívia de Cássia - Repórter

Pouca gente no Estado sabe, mas Alagoas exporta produtos derivados do couro dojacaré-do-papo-amarelo, que tem o nome científico de Caiman latirostris. No Brasil não existe um clima igual ao de Alagoas para se criar jacaré: quem diz é a empresária Cristina Ruffo, que tem um criadouro localizado numa propriedade de três hectares, no bairro operário da Vila ABC, em Fernão Velho, e tem um plantel de cerca de 20 mil animais para o abate que se alimentam de proteína vegetal e animal. 


Alagoas exporta produtos derivados do couro do jacaré-do-papo-amarelo, que tem o nome científico de Caiman latirostris - Foto: Olívia de Cássia
Empresária Cristina Ruffo, que tem um criadouro localizado numa propriedade de três hectares, no bairro operário da Vila ABC, em Fernão Velho - Fotos: Paulo Tourinho e Olívia de Cássia

 O maior destaque da empresa, segundo ela, é ter um produto que sai do ovo ao produto final. Com licença para do Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama) e demais órgãos para fazer o comércio, a empresa foi criada em 1994, há 21 anos, e começou com três jacarés. É um empreendimento familiar e tem dedicação exclusiva de cem por cento ao negócio.
O criatório tem atualmente 100 tanques e por mês abate em torno de 200 animais. A carne vai para restaurantes e supermercados de São Paulo e Maceió, mas a capital paulista é o maior consumidor da carne. O macho da espécie chega a três metros e dez, a fêmea é menor, dois metros; e este ano teve alta natalidade no local.
O couro do jacaré abatido na empresa de Cristina Ruffo é curtido em Estância Velha, no Rio Grande do Sul, mas ela explica que em breve vai ser curtido no Estado também. “É o único curtimento de pele que a Europa aceita”, explica. Depois de curtido o couro volta para a empresa para serem processadas as peças que serão exportadas para países, principalmente a França, onde atende a alta moda.

São bolsas de grife, que custam R$ 8 a R$ 10 mil e sapatos que serão lançados na Francal, em São Paulo, e na Itália. O sapato é comercializado a R$ 14 mil o par e já tem venda garantida. A empresa também tem um site onde vai funcionar uma loja on line. 
Uma bolsa quando vai pra loja passa a ser vinte mil, trinta mil, segundo a empresária, que justifica o preço observando que um centímetro da pele de jacaré custa vinte e quatro euros e para confeccionar um par, dependendo do modelo, às vezes são necessárias duas peles.
A proprietária Cristina Ruffo mostrou algumas bolsas que ainda estão na linha de montagem da empresa e explicou que as peças são exportadas já prontas; saem do ateliê da empresa, que tem designer e costureiras. Os sapatos, segundo ela, são tão procurados que não tem para quem queira.
“Nós vendemos nossa grife e vendemos para outras grifes também. Temos um designer italiano que é contratado por coleção, amanhã ou depois vem outro para outra coleção, cada vez é um profissional diferente”, explica.
Cristina Ruffo explica que a empresa iniciou suas atividades com três jacarés que surgiram espontaneamente na propriedade, no lago da frente do sítio. “Eles vieram atraídos certamente pelos peixes que eram criados lá; se passou a primeira rede de biometria dos peixes e surgiram esses três animais. Normalmente fazem parte do ecossistema de Alagoas, principalmente, são oriundos da Mata Atlântica, e nós resolvemos preservá-los e não matá-los”, argumenta.
Cristina Ruffo comenta que resolveu procurar a Universidade de São Paulo, para saber que espécie era aquela, pois nem o Ibama tinha notícia: “Aí descobrimos que era um espécie que estava em extinção e nosso primeiro objetivo foi ajudar a sair desse processo. Foi um desafio”, observa.
Segundo a empresária, que também é jornalista, quando já tinha se passado dez anos, a empresa estava com um número significativo de animais e recebeu do Ibama algumas doações para melhorar a espécie: “Eram doações de animais que estavam ilegais, ou era gente criando, ou querendo matar”, destaca.

Empresa tirou espécie da extinção

Durante dez anos ela destaca que foi feito um trabalho sem ganhar um centavo, preservando a espécie, para que se tornasse um criatório totalmente sustentável. “Eu não entendia nada de jacaré e resolvi fazer medicina veterinária aos 50 anos, saí para poder trocar ideia com o mundo científico e conseguimos um bom resultado; conseguimos chegar a trezentos e poucos cientistas que queriam tirar algumas espécies da extinção”, pontua.
Para entrar no mercado de criação de jacarés um empresário gasta cerca de um milhão e seiscentos mil reais, segundo a empreendedora. No Brasil, hoje, só pode criar jacaré se comprar da Mister Cayman, quem tem autorização para o comércio. “Somos os únicos do Brasil e na América Latina somos os maiores”, explica.
Na natureza, segundo a especialista, nascem dois por cento dos jacarés-do-papo-amarelo. “Na chocadeira elétrica a gente faz nascer de 98 a 100 por cento”, destaca. Segundo ela, a empresa conseguiu multiplicar muito a espécie; “mas não bastava só isso: fomos viajando o mundo inteiro para fechar toda a cadeia produtiva; não adianta você fabricar um sapato desse nível ou uma bolsa top de linha, uma pele de qualidade se você não tem para quem vender”, destaca.
Ela observa que enquanto a empresa está fazendo nascer os filhotes na estufa, dentro dessa temperatura que temos no Estado, no Sul os criadores são obrigados a colocarem aquecedor nas águas. “Por que o animal cruza dentro d’água e se tiver fria ele não vai lá. Estamos sempre na frente, em todos os sentidos. Temos tecnologia e clima”.
Segundo ela, viajando para a China, Japão, Dubai, Europa toda, Estados Unidos conseguiu ver que o mercado era muito carente. “Fizemos uma franquia; vendemos hoje matrizes reprodutoras, projetos e somos responsáveis técnicos dessa comercialização, para que a sustentabilidade continue cada vez maior”, observa.
Cristina Ruffo argumenta também que o importante nesse mercado é ir crescendo, gradativamente, “porque a gente tem sempre que focar que a espécie acabou de sair da extinção”. A empresa comenta que montou criatórios no Rio Grande do Sul, em Santa Catarina, São Paulo, porque, segundo avalia, nessa época, os alagoanos não despertavam nenhum interesse pela criação.
“De repente, começaram a despertar e temos três parceiros em Alagoas, que criam nos mesmos moldes, com o mesmo tipo de tanque, mesmo tipo de alimentação e a empresa dá escoamento para o produto deles”, ressalta. A empresária ensina que para ser criador de jacaré-do-papo-amarelo tem que ter a paciência de esperar, pois criação de animal não é da noite para o dia que faz um enorme plantel.
“Nós abatemos com SIC (Serviço de Inspeção estadual); estamos pleiteando um abatedouro com SIF (Serviço de Inspeção Federal), pois tem alguns locais que comercializam a carne na clandestinidade. Eles vendem a carne que é abatida na natureza; compravam um quilo, dois quilos da gente, só para esquentar a nota. Isso a gente não incentiva que aconteça”, explica.

Consumo em São Paulo é alto e não dá nem para a capital

Cristina Ruffo explica ainda que a carne de jacaré que é produzida e vendida também em São Paulo pela empresa é consumida no próprio mercado. “É tão alto o consumo lá que não dá nem para a capital. A gente não abate muitos animais; são 200 por mês, no máximo, sendo que 50% aqui e a outra metade em São Paulo por causa do SIF: a daqui fica para as famílias que compram seriamente e alguns restaurantes,” conta.
A empresária reclama que na natureza acontece de alguns pescadores olharem os jacarés que têm olhos grandes e abatem o animal, às vezes uma fêmea ovada, um macho reprodutor, para eles tanto faz e isso é crime ambiental, ensina.
“A empresa trabalha com o curtimento vegetal; o abate é humanitário, com pistola. O nosso abatedouro é mais limpo, posso garantir, do que muitas UTIS de hospital. Superesterilizado, não tem nenhuma contaminação”, explica. O jacaré é um animal rústico e tem baixíssima mortalidade. A empresária ensina que o cuidado que tem que se ter com o animal é obedecer às técnicas de manejo; não haver brincadeira na hora do trabalho.
“Temos doze funcionários, entre o abatedouro e o ateliê. A gente terceiriza muita coisa e acho que dá emprego para 200 pessoas, na fábrica, para produção da pele. Trazendo o curtume para Alagoas a gente vai gerar esses 200 empregos aqui em Maceió. A gente emprega mão de obra para a Vila ABC, que está saindo da ociosidade, vindo trabalhar aqui”, ressalta.
Ela explica que o abate do animal é feito com insensibilização, com uma pistola pneumática (foto). “Um animal não é abatido ao lado do outro, para que ele não sinta a morte do primeiro; é animal por animal abatido, individualmente, não deixa passar medo para o outro”, explica.
Os jacarés, quando nascem, vão para um berçário para que sejam feitos os cuidados com o cordão umbilical, depois vão para a estufa berçária, daí para uma estufa infantil de crescimento, até que se tornem matrizes: ou reprodutores ou vão para o abate. Ela explica que o tempo de crescimento do bicho são dois anos para o abate e quatro para a reprodução.
No criadouro tem animal de três anos postando ovos. “Tem deles que começam com 20 e vão até 60 ovos, uma vez por ano. Quanto mais o animal vai amadurecendo sexualmente mais ele vai reproduzindo. A gente acredita que eles cheguem até 60 anos, pelas pesquisas que a gente faz”, explica.
As cores das peles curtidas são determinadas pela empresária, de acordo com a feira Le Cuir de Paris, que dita as tendências da moda para daqui a dois anos. As peles coloridas que estavam expostas no escritório da empresária já são para as feiras do inverno e verão de 2017. “Já trabalhamos fazendo banco de Ferrari de BMW; também fazemos outras coisas que não bolsas socialmente. Nós trabalhamos na área de decoração, bancos de iates de árabes. “Temos equipes fora do país que trabalham com isso”, pontua.
A empresária comenta que em cem anos, “nem nós e nem os parceiros vamos conseguir atender a trinta por cento da demanda mundial. É um investimento certo, que só tem pontos fortes, não tem pontos fracos: não existe para nós mais jornalismo, não existe indústria de autopeças na Europa (a empresa do marido): a gente parou com tudo porque não dá para atender todo mundo”, explica.
A empresária explica também que a empresa está fazendo um polo de criação de jacaré-do-papo-amarelo em Alagoas e que a proposta é fundar uma cooperativa. “Dou palestra no Brasil todo e ganhei o prêmio Nacional Mulher de Negócios do Estado, em São Paulo, gerou credibilidade e fui disputar o prêmio em Paris e ganhei também”, complementa.

Cuidador explica como faz o manejo

Ig Barbosa é um dos funcionários da empresa e cuidador dos animais. Ele explicou à reportagem como faz o manejo e cuida dos jacarés: “Eu cuido a partir da postura, até o ponto de chegar ao abate; logo no nascimento, quando a fêmea põe os ovos, a gente tira e coloca na chocadeira. Lá, os ovos ficam durante um tempo de 80 dias e quando eclodem eles vão para o berçário”, destaca.
Ig Barbosa observa que no berçário o jacarezinho passa seis meses e depois eles levam para o tanque para engorda, até chegar ao tamanho ideal para o abate de dois anos a dois anos e meio. A reportagem visitou o local do abate dos animais e constatou a assepsia, que nem parece um abatedouro.
“Quando eles saem do berçário a gente baixa a água, coloca uma luva e os tira para colocá-los no tanque para a engorda. O jacaré grande e pronto para o abate a gente pega no cambão (tipo um laço), coloca no pescoço do animal e tira ele fora”, destaca o criador, acrescentando que também no local são criadas abelhas, mas apenas para o consumo.
O veterinário Isaac Manuel Albuquerque é o técnico responsável pelo criatório e explica que a carne do jacaré não é ‘carregada’ como dizem. “Isso não existe. O carregado, na verdade, se dá por questão de origem da carne. A carne mal conservada ela pode desenvolver algumas bactérias. Aqui a gente sabe o que ele está comendo”, explica.
Isaac explica in loco como é feito todo o procedimento do abate do animal . “Tem que estar tudo esterilizado, com roupas apropriadas, usa um produto específico e fica aguardando o animal chegar. Ele é insensibilizado lá fora, vem para cá e é feita a sangria, como faz com o bovino”, explica.
Depois de abatido é feito o corte do animal ou pela barriga ou pelas costas, dependendo da peça que for ser empregada, mas usa mais a parte ventral, para estofamento de bancos e outras propostas, segundo o veterinário.
Retirado o couro inteiro, na esfola, vai para uma parte; a carne vai para outra para o animal ser viscerado. Os animais não se alimentam das próprias vísceras para não despertar neles o canibalismo, de acordo com a explicação do professor Isaac.
“O animal fica cerca de 40 minutos numa câmera fria para que facilite tirar os ossos; depois disso, sendo cortes nobres, vai para a bandeja, é lacrado e selado. Às vezes a pessoa quer comprar a carne do animal inteiro, porque o produto se torna mais barato o preço.O quilo da carne de jacaré para as venda custa R$ 85 com osso e R$ 120 o filé”, destaca.
Matéria publicada no site Primeiro Momento:

Ainda tenho esperança

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