sábado, 30 de maio de 2015

A virgem do alto dos bodes, romance regionalista, será lançado próximo dia 3

Autor Jorge Tenório já pode ser considerado um dos grandes romancistas de Alagoas


Olívia de Cássia - Repórter
O escritor Jorge Tenório, alagoano de Palmeira dos Índios e membro da Academia Palmeirense de Letras, está lançando seu novo livro, ‘A virgem do alto dos bodes, um romance urbano e regionalista, ambientado em sua cidade natal, nas décadas de 60 e 70.
Com a atual obra A virgem do alto dos bodes, o escritor se consolida como romancista regionalista e já pode ser considerado um dos mais importantes do Estado, segundo Carlito Lima, secretário de Cultura do município de Marechal Deodoro - Foto: Carla Regina
Este é o sexto romance do autor, que já ganhou quatro prêmios da Academia Alagoana de Letras (AAL); três de romance e um de contos, com as seguintes obras:  O Sacripanta, São José e Guerra de Tolos, que contemplaram Jorge Tenório com o Prêmio Graciliano Ramos de Letras.  
Com a atual obra A virgem do alto dos bodes, o escritor se consolida como romancista regionalista e já pode ser considerado um dos mais importantes do Estado, segundo Carlito Lima, secretário de Cultura do município de Marechal Deodoro e também autor de vários livros, que fez a apresentação do livro.
Ao comentar a respeito de seu novo livro, Jorge Tenório observa que fez um romance pitoresco, com muito humor, como são as suas obras anteriores, para quem já conhece o estilo de leitura leve e texto bem construído.  

Ao comentar a respeito de seu novo livro, Jorge Tenório observa que fez um romance pitoresco, com muito humor
No texto do prefácio, Carlito Lima destaca que a obra de Jorge Tenório tem uma enorme densidade humana e os personagens, de tão reais, ‘vão ficar para a eternidade’. Melinda; o malandro Bartô, a vingativa Beré; o falso médium Lourenço ; a viúva Edite; o carroceiro João do Ó, e o vereador Izidro Tenório, entre outros personagens da obra, que buscam a sobrevivência; a riqueza, prazer e a felicidade.
A virgem do alto dos bodes aborda várias  histórias, além da de Melinda, uma moça pobre do interior, que busca um marido rico e a riqueza para se dar bem na vida, sem muito esforço. “Antigamente a virgindade era mais valorizada do que hoje e o livro trata da virgem Melinda e sua ambição para conseguir um marido rico e casar, para sair da miséria, sem trabalho”, diz o autor.
Como disse Carlito Lima, Jorge Tenório nos oferece uma oportunidade feliz para que possamos mergulhar nas emoções da envolvente história e seus personagens engraçados.  O autor “escreve cenas dramáticas, eróticas, hilárias, com linguagem simples,acessível, sem rebuscamentos”.
Em A virgem do alto dos bodes, o autor, que  já foi premiado com outras obras como O Sacripanta, São José, Guerra de Tolos, que lhe renderam o Prêmio Graciliano Ramos de Letras, “entrou no rol dos grandes escritores de Alagoas”, como bem disse Carlito.
O Alto dos bodes é um povoado conhecido em Palmeira dos Índios; atualmente Alto do Cruzeiro, onde foi ambientada a história dos personagens. O livro será lançado no próximo dia 3, quarta-feira, às 19h, no CNA da Ponta Verde, à rua José Freire Moura, número 244, na Ponta Verde, em Maceió.

SERVIÇO:

O QUÊ: Lançamento do livro A virgem do alto dos bodes
AUTOR: Jorge Tenório
QUANDO: 3 de junho de 2015.
Onde: CNA Ponta Verde
ENDEREÇO: Rua José Freire Moura, 244
PONTO DE REFERÊNCIA: Igreja São Pedro

Altemar Dutra Júnior recebe Título de Cidadão Honorário de Maceió

Comenda foi de autoria do vereador Eduardo Canuto (PV)



Olívia de Cássia - Repórter
O cantor Altemar Dutra Júnior recebeu nesta sexta-feira, 29, o Título de Cidadão Honorário de Maceió do Legislativo Municipal, numa sessão permeada de emoção, música e com o plenário da Casa de Mário Guimarães lotado de artistas e personalidades de destaque no Estado.

O título foi entregue pelo vereador Eduardo Canuto, por frei Hélio Barbosa e pelo secretário de Finanças do Grande Oriente do Brasil em Alagoas, Derli Klusener. - Fotos: Paulo Tourinho

 A honraria foi uma proposta do vereador Eduardo Canuto (PV), que também é amigo pessoal do artista.  O cantor baiano Igbonan Rocha disse que a outorga desse Título de Cidadão Honorário para Altemar Dutra Júnior já não era sem tempo, “porque ele  é um cidadão de Maceió, um cidadão de Alagoas: por ano ele faz mais de dez shows em Maceió; eu acho que é uma das cidades que ele faz mais shows no Brasil”, destaca.

O cantor baiano Igbonan Rocha disse que a outorga desse Título de Cidadão Honorário para Altemar Dutra Júnior já não era sem tempo

Segundo Igbonan, por isso mesmo, “é um reconhecimento desta cidade que o abraça como grande artista que ele é. A cidade está devolvendo a Altemar o amor que ele tem por ela, porque ele é apaixonado pela cidade e a gente sabe disso”, pontuou Igbonan.
O propositor do título, Eduardo Canuto (PV), relembrou os tempos em que dividia os ringues com Altemar Dutra, quando ambos eram lutadores e representavam o Brasil no esporte. A amizade surgiu daí, numa época em que eram jovens de vinte e poucos anos, e acabou sendo retomada anos depois, nas recorrentes vindas do cantor para shows em Maceió.

O propositor do título, Eduardo Canuto (PV), relembrou os tempos em que dividia os ringues com Altemar Dutra, quando ambos eram lutadores e representavam o Brasil no esporte

Admiração

“Altemar Dutra Júnior, para quem não sabe, é um grande amigo e além de cantor ele foi um lutador brilhante e eu me inspirei nele; eu admirava o estilo de luta dele. Quando entrou para a profissão que era dos pais, Marta Mendonça, cantora mais famosa da época e Altemar Dutra brilhante da mesma forma, nos encontramos aqui em Maceió”, destacou.
Segundo o vereador,  Altemar Dutra dispensa comentários: “Além de um grande cantor, quando ele vem a Maceió faz um trabalho de ação social, show beneficentes, e ajuda as instituições religiosas e de caridade”, explica.
O vereador argumenta que essa é “mais do que justa a homenagem. Quero agradecer aos vereadores que aprovaram o requerimento. Esse é um momento muito importante em que concedo esse título com muito merecimento”, justificou.  O título foi entregue pelo vereador, por frei Hélio Barbosa e pelo secretário de Finanças do Grande Oriente do Brasil em Alagoas, Derli Klusener.

Emoção e lágrimas

O artista iniciou o seu discurso de agradecimento bastante emocionado e não conseguiu conter as lágrimas em diversos momentos. Sobre os tempos de lutador com o amigo vereador ele disse: “A gente suou, chorou e sangrou junto!”.

O artista iniciou o seu discurso de agradecimento bastante emocionado e não conseguiu conter as lágrimas em diversos momentos

Dutra falou ainda sobre sua relação especial com a cidade de Maceió, para onde vem diversas vezes ao ano tanto para fazer shows quanto para matar a saudade dos amigos e das praias. “Tenho amigos verdadeiros aqui! Adoro essa terra, é um lugar maravilhoso. Ainda não moro em Maceió, mas o meu coração está aqui. Já tenho título de cidadão de Satuba, também”, disse.
Segundo Altemar, não tem como não citar o pai. “Quando cheguei a essa terra, as pessoas comentavam: ‘seu pai vinha aqui’, e com o trabalho e eu vindo cada vez mais a Alagoas, pelo meu jeito também de ser, fui conquistando espaço e as pessoas foram entendendo a proposta do meu trabalho; fui criando essa afinidade”, avalia.

Altemar disse que é gratificante receber a homenagem

Altemar disse que é gratificante receber a homenagem. “Não é só um amor platônico, não é apenas eu apaixonado por Maceió e quero agradecer ao Canuto (Eduardo), que eu conheço desde lutador”, ressaltou. Para encerrar, o artista pediu aos convidados para agradecer da forma que mais sabe se expressar e cantou diversas músicas.
Quem é Altemar Dutra:
Filho de dois grandes nomes da música popular brasileira, Altemar Dutra e Martha Mendonça, Altemar Dutra Júnior  teve a música como cenário principal de sua infância e adolescência. “Todos os encontros familiares, festas e almoços, sempre foram regados de alegria e boa música”, conta o cantor.
Dos 12 aos 24 anos, empenhou-se no esporte. Formou-se em Educação Física, e dedicou-se às artes marciais. Sua grande realização deu-se pelo kickboxing full contact, modalidade que, na época, dava seus primeiros passos no Brasil. Em apenas dois anos conquistou a faixa preta, tornou-se professor, e então lutador profissional, passou a disputar títulos, consagrando-se campeão brasileiro e sul-americano.
Em 1995, não resistiu à vocação musical, e cantou profissionalmente pela primeira vez, em São Paulo. A princípio cantou as músicas que marcaram a carreira de seu pai, o que emocionou o público, devido à semelhança das vozes. Posteriormente começou a busca pela sua própria identidade. E foi no programa de televisão da apresentadora e amiga Hebe Camargo que Altemar recebeu o primeiro convite para gravar.
Em 1997, lançou seu primeiro disco, Transparente, pela gravadora Velas, que lhe rendeu o Prêmio Sharp de Cantor Revelação. Além disso, participou da gravação da música Poema do olhar, no CD Miltinho Convida, ao lado de Chico Buarque, Emílio Santiago, Dóris Monteiro e outros. Participou também dagravação do disco de Tânia Alves na canção Brigas, sucesso de seu pai.
Em 2000, lançou seu segundo CD, Agora Eu Sei, onde gravou músicas de compositores como Elias Muniz, Carlos Colla e Lula Barbosa. Após 4 CDs gravados, shows internacionais, participações em trabalhos de grandes nomes da MPB como Nana Caymmi, Fagner, Jair Rodrigues; e prêmios importantes da música, Altemar Dutra Júnior  está concluindo a gravação de um CD com composições próprias.
“Participo de uma comunidade religiosa na cidade onde moro e desta vivência surgiu, de forma muito espontânea, minha primeira música, “Santo Manto”, que dá o titulo ao meu novo álbum”, conta o músico.
Altemar Dutra Jr. que sempre teve a responsabilidade de representar um grande nome da MPB, agora se sente em um momento diferente, mas não de transição, já que vive a experiência de unir a sua realidade de fé à música popular brasileira.
Seu novo repertório é composto por 13 faixas inéditas, entre elas Santo Manto, A Força do Amor e Minha Canção. “Esse certamente é o trabalho mais importante de toda minha vida. Quero dividir com o público a minha verdadeira caminhada de fé. Sei que essa missão não é fácil, mas é certeira e surpreendente. É um momento de intensa espiritualidade e felicidade”, afirma Altemar.
CDs Gravados:  Transparente, Gravadora Velas (1997);  Agora eu Sei, Gravadora Velas (2000);  Altemar Dutra Jr., Gravadora Velas (2001); Altemar Dutra Jr., Gravadora Som Livre (2007);  Santo Manto – ASJ (2012).
Participações: Miltinho Convida, Gravadora Sony.

Mais fotos da entrega do Título de Cidadão Honorário de Maceió ao cantor Altemar Dutra Jr.

quinta-feira, 28 de maio de 2015

Intolerância e ódio não são do bem

Olívia de Cássia – jornalista

Está na Declaração Universal dos Direitos Humanos e é importante que se lembre, sempre, que manifestações de ódio e intolerância, seja religiosa ou política é crime. “O crime de ódio é uma forma de violência direcionada a um determinado grupo social com características específicas”, diz o texto da DUDH.

Já comentei em artigo, em outra oportunidade, que não tolero esse tipo de manifestação e sempre vou combate-la. Recentemente, tivemos um exemplo de caso de intolerância religiosa contra a líder espiritual à Yalorixá Mãe Neide Oyá D´Oxum.

O caso foi parar na polícia e está rendendo um processos contra a assessora de imprensa Juliana Despírito, ex-namorada do ator Henri Castelli, que deverá ser intimada para depor no Rio de Janeiro, Estado onde mora, por meio de carta precatória.

Tudo começou quando o ator, que é filho espiritual de Mãe Neide, postou uma foto para homenageá-la no Dia das Mães, onde a filha estava vestida de baiana e no colo da ‘vó preta’. Por conta dessa postagem, a ex-namorada se sentiu ofendida tascou xingamentos nas redes sociais, que repercutiu em todo o país e até em sites de Portugal.

Pessoas intolerantes e sem noção fizeram os mais absurdos comentários, com incitação ao ódio e à violência e devem responder por isso também na Justiça. Outro exemplo nas redes sociais é o menosprezo e a baixaria daqueles que foram derrotados nas últimas eleições contra a presidente Dilma.

Todos sabem que o país está vivendo momentos de tensão, desde a campanha presidencial, mas isso não justifica esse comportamento agressivo, deselegante e disforme contra nossa principal liderança política.

No domingo, 8 de março, Dia Internacional da Mulher, o Brasil assistiu uma grave e cruel demonstração de ódio, machismo e misoginia à presidenta Dilma Rousseff, por meio da publicação da principal charge do Jornal o Globo. A ilustração feita pelo cartunista Chico Caruso, mostrou  Dilma de joelhos, prestes a ser degolada por um terrorista islâmico.

A charge foi uma verdadeira incitação ao ódio e violência contra a mulher, principalmente em meio ao atual clima de radicalização política em que vive o país. Isso depõe contra a democracia.

A charge foi veemente criticada nas redes sociais.  Por outro lado, esses mesmos internautas usuários das mídias sociais têm se mostrado intolerantes, mal educados, mal amados e sem noção.

Esta semana compartilhei uma imagem da presidente ainda menina com um texto afirmando sua coragem, valentia  e determinação e fui criticada severamente e com deselegância por alguns amigos virtuais, que não aceitam a opinião do outro e ainda se acham no direito de destilar ódio, veneno e desentendimentos.

 Eu não uso as redes sociais para isso, repito mais uma vez. Essa ferramenta me serve para divulgação do meu trabalho, diversão, fazer amizades e compartilhar mensagens engraçadas ou que eu avalie como interessantes.

Segundo a Declaração Universal dos Direitos Humanos (DUDH), o crime de ódio é mais do que um crime individual; é um delito que atenta à dignidade humana e prejudica toda a sociedade e as relações fraternais que nela deveriam prevalecer. “Ele produz efeito não apenas nas vítimas, mas em todo o grupo a que elas pertencem. Assim sendo, podemos classificá-lo como um crime coletivo de extrema gravidade”.


Apelo mais uma vez para que os caros colegas se dignem a entender que a DUDH assegurou a igualdade entre todos os indivíduos. Independente do grupo social ou do modo de ser e agir, todo ser humano tem o direito ao tratamento digno e imparcial. A Constituição Federal do Brasil afirma como objetivo fundamental do país a promoção do bem-estar de todas as pessoas, sem discriminações. Espero que tenha me feito entender. Fiquem com Deus.

segunda-feira, 25 de maio de 2015

Maioria das adolescentes que têm filhos estão fora da escola


Andressa engravidou aos 17 anos, quando cursava o 1º ano do ensino médio, e resolveu parar de estudar
Andressa engravidou aos 17 anos,
quando cursava o 1º ano do ensino médio,
 e resolveu parar de estudar. Foto Adailson Calheiros
Olívia de Cássia – Repórter
 Com a mudança dos costumes e o passar do tempo, muitas mulheres estão tendo filhos muito cedo e algumas abandonam a escola, ainda meninas, quando se tornam mães. Muitas o fazem porque não têm com quem deixar seus filhos, outras por vergonha da gravidez. Foi o que aconteceu com a jovem Andressa Leão, que mora no Pontal da Barra e engravidou com 17 anos, em 2011; fazia o primeiro ano do ensino médio e parou de estudar até hoje.
 “Estou atualmente com 21 anos, pretendo voltar a estudar, eu até tentei, quando minha filha nasceu, mas eu moro em uma casa que tem escada e a escola que eu estudava fica no Vergel, porque aqui no bairro não tinha escola do segundo grau; aí não deu, estudei dois meses e desisti”, observa.
Já Elisângela Cerqueira conta que também engravidou aos 17, quando estava iniciando o ensino médio. “Descobri que estava grávida; terminei o primeiro ano e quando eu tive o bebê não concluí porque fiquei com vergonha de as pessoas comentarem; esperei meu filho completar sete anos de idade, para retornar a estudar novamente”, explica.
Elisângela ressalta que não tinha com quem deixar a criança: “Eu não tinha com quem deixar; fiz uma forcinha e acabei deixando ele com meus pais. Todos os dias papai ia buscá-lo e eu ia estudar à noite, na Escola Rodriguez de Melo, na Ponta Grossa, na Praça Santa Tereza”, destaca.
Essa mamãe conta que fez as duas séries do primeiro grau ainda  à noite e o terceiro, pela manha. “Deixava meu filho na escola e ia estudar e terminei o ensino médio em 2000”, relata. Elisângela Cerqueira diz que se sentiu prejudicada quando deixou de estudar, porque ficou com vergonha.
“Fiquei com vergonha de mim mesmo, de frequentar as aulas e alguém me olhar atravessado, porque estava grávida e tinha receio de alguém perguntar, fazer indagações”, pontua.
Jovem  engravidou com  16 anos e teve que enfrentar a gravidez sozinha
Alessandra Maria tinha 16 anos quando engravidou pela primeira vez do namorado: é um exemplo de jovem mãe que teve que enfrentar uma gravidez sem a presença do companheiro, aos 16 anos e que deixou de estudar até hoje, quando já está no terceiro relacionamento e tem três filhos: dois meninos e uma menina.
Ela comenta que quando engravidou o namorado recebeu a notícia com alegria, mas com pouco tempo depois revelou que não estava preparado para assumir uma família e não apareceu mais. Com o afastamento do pai da criança e com a gravidez em andamento ela disse que começou a ter outro relacionamento e não voltou mais a estudar. A reportagem pesquisou que isso acontece com muitas meninas no País e no Estado.
“Maurício queria assumir o meu filho de qualquer jeito e morar comigo; quando nós aproximamos ele aparentava ser uma pessoa, mas quando fui o conhecendo aos poucos, ele se mostrou muito estranho e descobri que é usuário de drogas e acabei o namoro”, conta.
Hoje, Alessandra sobrevive ajudando o atual companheiro, que vive de pequenos bicos, revendendo produtos em catálogos como perfumes, sapatos e outros objetos. 
Depois que o primeiro bebê nasceu, Alessandra fala que não se arrepende de ter engravidado, porque, segundo ela, a maternidade colocou mais juízo na sua cabeça, mas que gostaria de ter continuado os estudos. “Antes da gravidez eu vivia em farras, bebendo, com amizades incertas e não muito recomendáveis”, revela.
Psicólogo explica que é preciso consciência da responsabilidade que se vai assumir
O psicólogo, advogado e jornalista Arnaldo Santtos destaca que é preciso consciência, de ambos os lados, de toda responsabilidade que se vai assumir. “Num casamento tradicional em que um pai e uma mãe vão cuidar de um bebê, a  vida do casal vai mudar completamente e são diversas as responsabilidades que serão assumidas para o resto da vida”, argumenta.
Segundo Arnaldo Santtos, o fato de a mulher estar gestante já é, por si só, um fato ímpar na vida dela. “É o que representa de mais sublime numa mulher, ou seja, parir um filho, dar a luz. Esse poder, somente a mãe tem”.
O psicólogo analisa que se a opção de ter o bebê sozinha for da mãe, mesmo assim, é preciso que se tenha plena consciência da situação, ou seja, de toda responsabilidade que se vai assumir. “E mesmo assim, é preciso que o bebê tenha uma referência masculina. Vai chegar um momento em que os questionamentos  vão surgir: ‘quem é meu pai? Por que eu nunca o vi?’ Isso será inevitável. Portanto, o apoio da família é fundamental”, observa.
O advogado  e especialista em psicologia também avalia que ter um bebê independente  é erro, até mesmo conceitual. “O bebê não deve ser uma espécie de objeto da mãe com o argumento de que ‘eu produzi meu bebê’. Isso cria mecanismo de posse. E posse é um dos sinais de existência de algum tipo de patologia”, ensina.
Arnaldo observa que o ciúme possessivo também é um sinal de que a pessoa precisa de psicoterapia. “Apresentar comportamento de posse sobre o outro não é um comportamento saudável; aliás, o comportamento de amor é exatamente o inverso: é dar liberdade ao outro.
O papel de um pai na relação de criação do bebê é fundamental. Na psicanálise ele representa a lei, o “não”, embora esse papel possa ser representado, também pela mãe, mesmo numa relação heterossexual”, explica.
 Se a questão do criar o filho sozinho pela mãe foi porque o companheiro abandou o bebê, o psicólogo diz que isso vai ter um efeito psicológico ainda muito mais negativo na mãe. Seria o sentimento de abandono duplo e neste caso é preciso que a mãe tenha um acompanhamento psicoterápico para suportar o sentimento.
Pesquisa recente indica que 309 mil meninas de 15 a 17 anos estão fora da escola
A Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios (Pnad) indica que o Brasil tinha 309 mil meninas de 15 a 17 anos fora da escola, em 2013, e segundo a avaliação, mais de 257 mil delas não estudam nem trabalham. O levantamento foi feito pelo Movimento Todos pela Educação.
A professora e diretora do diretora do Sindicato dos Trabalhadores em Educação (Sinteal), Célia Capistrano,  avalia que Alagoas não foge desse quadro e boa parte das adolescentes que têm o apoio da família consegue superar essa dificuldade, mas a maioria está fora da escola por falta de creche para deixar os filhos.
Segundo ela, o Estado não dá as condições de creche para essa maioria e observa que está previsto no Plano Nacional de Educação que os municípios devem atuar prioritariamente no ensino fundamental e na educação infantil; os estados e o Distrito Federal, prioritariamente nos ensinos fundamental e médio.
“A previsão do PNE é que até 2016 os municípios tenham cumprido 50% dessa demanda, com creches construídas para crianças de quatro a cinco anos”. A professora observa que em Maceió há creches construídas, “mas sem a parte humana, não tem o profissional para trabalhar”.
A diretora do Sinteal também destaca que os municípios alegam que as creches oneram o orçamento. “Temos muitas dificuldades: estagiários trabalhando sem a supervisão de um profissional nos municípios, que alegam que creche é cara, mas só tem prioridade nos palanques políticos, em época de campanha; depois que se assume qualquer administração, a educação é esquecida. Alega-se que a educação infantil é cara; sim, mas é necessária”, destaca.
Célia Capistrano reconhece a problemática das adolescentes, jovens e adultas também, que têm filhos e precisam trabalhar, mas têm dificuldade para encontrar com quem deixar seus filhos. Segundo a professora, uma creche é importante, “faz muita falta, sem contar que ela oxigena a rede e faz com que as adolescentes quando têm os filhos não desistam de estudar e possam trabalhar sossegadas, sabendo que o filho está nas mãos de profissionais e até rendendo mais”, pontua.
A diretora do Sinteal entende que a principal política pública para resolver essa questão é ter creche, para a população que estuda e trabalha. “Maceió tem uma demanda reprimida de mais de 90 mil crianças de zero a cinco anos fora da escola. O problema não é só em Maceió. Rio Largo não construiu sequer uma creche dessa nova meta do governo federal que era construir dando todos os recursos para a construção da creche. O município só precisava oferecer o terreno”, ressalta.
Segundo Célia, o município tinha como meta construir dez creches; “inclusive algumas foram construídas e estão abandonadas, servindo de ponto de droga e para o tráfico. Tem uma creche aqui na Cambona que a construção foi paralisada e está servindo de dormitório”, denuncia.
Outra informação da professora é que no Conjunto Santa Maria, no Eustáquio Gomes, onde foi construído um Cras (Centro de Referência da Assistência Social), um posto de saúde e a escola, mas está tudo abandonado.
Ela fala do jogo de empurra entre os Poderes Executivo estadual e municipal. “A escola, é lamentável, cada dia mais vai para o chão: já tiraram as telhas e quase tudo, o patrimônio está jogado para o tráfico de droga; está abandonada pelo poder público”, lamenta.
Segundo a educadora, as pessoas reclamam (governo), “mas tiram as pessoas das favelas, das lagoas e levam para conjuntos habitacionais sem estrutura, creche, sem escolas, para o ensino fundamental; aí eles (comunidades carentes) vão descer para trazer os filhos para a escola e a tendência é venderem as casas e voltarem para o mesmo lugar”, observa.
Nesse jogo de empurra de Estado para município, o que falta, segundo avalia a professora, é política pública para a educação: creches e escolas em tempo integral, segundo Célia Capistrano, é o que iria resolver essa problemática das meninas que engravidam cedo e abandonam a escola.
“As meninas engravidam porque vão para a escola em um horário e no outro ficam ociosas, sem lazer e sem ocupação, sem a continuidade da educação: tarefas, estudos, atividades físicas. O ócio é que leva a isso: tanto à gravidez quando à questão das drogas”, avalia.
 Também a falta de educação familiar, a mídia e as redes sociais estão fazendo com que as crianças percam a ingenuidade. “A educação não está sendo priorizada, queremos as promessas de campanha cumpridas, pois se não for pela educação que se melhora o mundo, tão pouco será sem educação”, argumenta.

Alunos de universidade de Baylor, no Texas, nos EUA, ensinam novas técnicas do futebol americano em Alagoas

Esporte está crescendo no Brasil e Maceió Marechais consolida-se no cenário nacional


Olívia de Cássia - Repórter 
Ensinar novas técnicas e estratégias para os jogadores do futebol americano Maceió Marechais, é o que uma equipe de atletas da Universidade de Baylor, no Texas, está fazendo em Alagoas, trazida pela Igreja Batista do bairro do Trapiche. Eles estavam treinando na tarde de sábado, 23, no Parque da Pecuária, em Maceió, quando a reportagem do portal Primeiro Momento foi conhecer a modalidade, ainda nova para alguns alagoanos, apesar de já existir há alguns anos no Estado.
O nome do time foi escolhido em homenagem aos Marechais, Ernesto da Fonseca e Floriano Peixoto, alagoanos e primeiro e segundo presidentes do Brasil, respectivamente - Fotos: Paulo Tourinho
Os americanos fazem parte de um projeto social que a Igreja Batista apoia e por meio da ação, o coordenador incluiu a equipe alagoana para ser contemplada com o  recebimento das instruções. São movimentos sincronizados que obedecem a regras rígidas que têm que ser exaustivamente ensaiadas.
Os americanos fazem parte de um projeto social que a Igreja Batista apoia e por meio da ação, o coordenador incluiu a equipe alagoana para ser contemplada
Deivid  Carneiro, coordenador defensivo e um dos fundadores do futebol americano no Estado, disse que ao todo a equipe Maceió Marechais tem atualmente 42 atletas e que essa modalidade esportiva não tem uma técnica específica: “Temos posições para várias pessoas; se você é gordo; magro;  ou rápido, idem. É um jogo bem democrático”, observa.
Deivid Carneiro, coordenador defensivo e um dos fundadores do futebol americano no Estado
O coordenador conta que quando foram informados sobre a existência da equipe no Estado, os americanos ficaram empolgados e resolveram passar a experiência para os alagoanos. “O Maceió Marechais nasceu da fusão de três times de futebol americano em Alagoas: o Maceió Crabs; Black Rats e os Vikings”, observa.
O nome do time foi escolhido em homenagem aos Marechais, Ernesto da Fonseca e Floriano Peixoto, alagoanos e primeiro e segundo presidentes do Brasil, respectivamente. No futebol americano, cada equipe é formada por 11 jogadores e o número de substituições numa partida é ilimitado.
A partida do FA tem a duração de 60 minutos, e dividida em duas metades separadas por um intervalo
A partida do FA tem a duração de 60 minutos, e dividida em duas metades separadas por um intervalo. O atleta já tem que ter na cabeça todos os nomes das jogadas, que são chamadas pelo lançador. Além da boa ovalada, o traje de cada jogador é o capacete, uma ombreira que protege a estrutura do tronco, uma coquilha, para proteger as partes íntimas, chuteira, protetor bucal, uma calça específica que tem uma proteção na coxa.
O material ainda é muito caro, tudo importado dos Estados Unidos, mas já tem empresa do Brasil que já produz com qualidade, segundo a reportagem apurou. A bola de futebol americano é diferente da nossa:  é um equipamento desportivo oval, que tem uma costura tipo um cadarço no meio e lembra uma embalagem de confeito.
A bola de futebol americano é diferente da nossa: é um equipamento desportivo oval, que tem uma costura tipo um cadarço no meio e lembra uma embalagem de confeito.
A medida padrão no futebol americano são as jardas (equivalente a 91 centímetros):  53 jardas de largura por 100 jardas de comprimento. Nas extremidades do campo ficam localizadas as endzones. A endzone é a área onde se pontua, que é o objetivo do time que está com a bola.
 “Vamos imaginar um jogo de xadrez, em que onze pessoas ficam de um lado e a mesma quantidade do outro. Os homens que estão com a bola vão planejar uma jogada para conseguir as metas, o outro lado, que é a defesa, tem que se projetar para não deixar o ataque dominar”, destaca. Enquanto a equipe entrevistava Deivid Carneiro, os americanos passavam as instruções para a equipe do Maceió Marechais, em inglês, com o auxílio de um tradutor.
Enquanto a equipe entrevistava Deivid Carneiro, os americanos passavam as instruções para a equipe do Maceió Marechais, em inglês, com o auxílio de um tradutor
O atleta de futebol americano já tem que ter na cabeça todos os nomes das jogadas, que são chamadas pelo lançador.
Jogadas de curta duração e objetivo de extravasar o estresse do dia a dia
Alberto Madeiro é o presidente do Maceió Marechais e disse que está há dois anos à frente do time.  “A gente disputa competições e tem o objetivo de extravasar o estresse do dia a dia, levando  tudo muito a sério. Todo ano a gente participa de disputas no Nordeste e em vários estados”, observa.
Alberto Madeiro é o presidente do Maceió Marechais e disse que está há dois anos à frente do time.
O presidente da equipe destaca que um jogo de futebol americano consiste de uma série de jogadas de curta duração entre as quais a bola não está em jogo. “São permitidas substituições entre as jogadas, o que abre as portas a bastante especialização, uma vez que os treinadores põem em campo os jogadores que pensam servir melhor para a situação específica seguinte”, pontua.
Alberto Madeiro  explica que o jogo é muito tático e estratégico. “Com 22 jogadores dentro de campo ao mesmo tempo (11 por equipe), cada um tem uma tarefa atribuída para a jogada seguinte, as estratégias são complexas”.
Alberto Madeiro explica que o jogo é muito tático e estratégico

Objetivo do Jogo

O objetivo do jogo é somar mais pontos que seu adversário. A principal jogada é entrar na área ao fundo do campo adversário (endzone) com a posse da bola (touchdown), ganhando seis pontos e direito a pontapé livre a gol por mais um ponto extra, ou mesmo dois pontos extras. Se os jogadores tentarem, ao invés de um pontapé livre ao gol, um passe ou uma corrida para a endzone novamente.
O objetivo do jogo é somar mais pontos que seu adversário.
Segundo ele, ou ainda em uma situação onde um jogador com posse de bola é derrubado, em sua própria "endzone", por um adversário. “Tal situação confere dois pontos à equipe do jogador que o derrubou. É a única situação onde um time sem a posse de bola pode pontuar. É a situação análoga ao gol contra do futebol”, destaca.
O futebol americano é diferente do rugby ou rúgbi (português brasileiro), que é um esporte coletivo de intenso contato físico que também falaremos em outra matéria. Rodolfo Cezarino Soares, coordenador ofensivo, explica que a diferença entre as duas modalidades é que o rúgbi é um esporte olímpico e o futebol americano não foi aceito ainda, vai tentar daqui a dois anos de novo, porque estaria majoritariamente sendo praticado nos Estados Unidos e tem que ser um esporte difundido no mundo.
Rodolfo Cezarino Soares, coordenador ofensivo, explica que a diferença entre as duas modalidades é que o rúgbi é um esporte olímpico e o futebol americano não foi aceito ainda
“O futebol americano derivou do rúgbi e diz a lenda que surgiu junto com o futebol, quando um cara pegou uma bola com a mão e outro chutou e na mesma hora nasceram dois jogos. Os dois são estratégicos: um tem mais parada para pensar o que vai fazer, o futebol americano tem sempre aquelas reuniões para determinar a jogada e no rúgbi não tem essas paradas, ele não para, só tem o tempo de intervalo, vai indo na habilidade; um é mais cabeça, o outro é muito mais preparo físico”, pontua.
Mulheres vão aos poucos aderindo ao esporte
As mulheres foram se juntando aos poucos e gostando do esporte e aprenderam a teoria na prática: amigas e namoradas dos jogadores do futebol americano, que se interessaram pela modalidade e eles ajudaram a montar uma equipe feminina.
Joana Lessa de Moura Tenório pratica o esporte há cerca de dois anos e meio e destaca que existe um pouco de dificuldade para encontrar meninas: “Por ser um esporte de fora; diferente; novo;, dito violento, e na realidade, quando você começa a praticar, você sabe que tem força, pois é um esporte coletivo de contanto físico, mas é muito mais o cérebro do que força. Eu já vi uma menina de 50 quilos derrubando uma de 90”, conta.
Joana Lessa de Moura Tenório pratica o esporte há cerca de dois anos e meio e destaca que existe um pouco de dificuldade para encontrar meninas
O time feminino alagoano de futebol americano é o Maceió Harpias. A atleta explica que o time feminino oscila mais que o masculino e que a equipe já teve 20 meninas, mas atualmente está com 14 e basicamente para os treinos só aparecem seis. As jogadoras seguem as regras do play book, programa onde constam as regas para o esporte.
A atleta explica que o time feminino oscila mais que o masculino e que a equipe já teve 20 meninas, mas atualmente está com 14 e basicamente para os treinos só aparecem seis
“Da mesma forma que a gente não tem um time completo, a gente treina aqui e o time que tem em Aracaju nos convidou para participar do torneio feminino; e aí tem quatro atletas da gente que está indo para lá, para trinar uma vez por mês”, pontua.
O time feminino ainda não participou de nenhum torneio, por não ter meninas  suficiente para a partida. “Já jogo que fizemos nove contra nove, por não ter número suficiente, contra o Aracaju Alfas, eles ganharam e nós não conseguimos acompanhar, mas o nosso objetivo é aumentar o número de meninas participantes e divulgar mais o esporte, pois o brasileiro não está acostumado”, argumenta.
Joana Tenório observa ainda que a partida acontece muito rápido. “Tudo ocorre muito rápido, é um jogo de ganhar território. A tática é a gente ter um raciocínio muito rápido para poder jogar. Colocar aquela jogada que eles estão planejando dentro daquela posição da defesa e assim conseguir o espaço territorial para poder conseguir até chegar ao final do campo, onde a gente marca a pontuação (seis pontos)”, explica.
Joana Tenório observa ainda que a partida acontece muito rápido. “Tudo ocorre muito rápido, é um jogo de ganhar território
Ela destaca que o ataque vai ter quatro oportunidades para ganhar dez jardas. “O jogo consiste de uma série de jogadas de curta duração. São permitidas substituições entre a partida, o que abre as portas a bastante especialização, uma vez que os treinadores põem em campo os jogadores que pensam servir melhor para a situação específica seguinte”, comenta.
Segundo  a atleta, durante o jogo, as equipes mudam de campo no fim do primeiro e do terceiro quartos. As prorrogações obedecem ao método de morte súbita, o que significa que a equipe que pontuar primeiro, seja de que forma for, ganha.

Trabalho Social

Os americanos permanecem em Alagoas por um período de oito dias, tempo em que vão aplicar oficina de modalidades esportivas como futebol americano e feminino, basquetebol e tênis a 150 crianças e 100 adolescentes do projeto Ação Trapiche, mantido pelo pastor Jonsson Tadeu, e do Estádio Vivo, promovido pelo Estado de Alagoas. (Veja vídeo do treino do Maceió Marechais & Baylor Football)

quinta-feira, 21 de maio de 2015

Parque Memorial Quilombo dos Palmares reconstitui cenário da resistência à escravidão

Riqueza do patrimônio imaterial afro-brasileiro tem sido preservada através da oralidade e das práticas religiosas, culturais e artesanais


Olívia de Cássia - Repórter
O Parque Memorial Quilombo dos Palmares, implantado em 2007 pelo Ministério da Cultura, por meio da Fundação Cultural Palmares, na Serra da Barriga, em União dos Palmares, reconstitui o cenário da história de resistência à escravidão: a história do Quilombo dos Palmares, o maior, mais duradouro e mais organizado refúgio de negros escravizados das Américas, índios e brancos degredados da sociedade brasileira.
No Quilombo dos Palmares reinou Zumbi, o herói negro assassinado em 20 de novembro de 1695, data em que se comemora o Dia Nacional da Consciência Negra - Fotos: Paulo Tourinho
No Quilombo dos Palmares reinou Zumbi, o herói negro assassinado em 20 de novembro de 1695, data em que se comemora o Dia Nacional da Consciência Negra. O local obrigou todo o povo que foi oprimido pela sociedade escravagista: negros, brancos e índios. A arquitetura do Memorial reconstitui o quilombo e foi construído depois de muitos estudos e muita reivindicação do movimento negro brasileiro.
A Serra da Barriga foi tombada como Patrimônio Histórico, Arqueológico, Etnográfico e Paisagístico, em 1986, imortalizando o local como símbolo de resistência e luta pela liberdade. Em 21 de março de 1997, Zumbi dos Palmares foi reconhecido pelo Governo Federal como herói nacional.
No quilombo o povo oprimido era acolhido e bem recebido. Algumas lideranças do movimento negro e da comunidade da Terra da Liberdade reclamam que os olhos dos gestores só se voltam para a Serra da Barriga quando se aproxima o 20 de novembro e durante o resto do ano o local fica subaproveitado.
A riqueza do patrimônio imaterial afro-brasileiro tem sido preservada através da oralidade e das práticas religiosas, culturais e artesanais
A riqueza do patrimônio imaterial afro-brasileiro tem sido preservada através da oralidade e das práticas religiosas, culturais e artesanais, encontradas nas casas religiosas de matriz africana e nas comunidades remanescentes de quilombo. Estas são as fontes de criação do conteúdo cultural do Parque Memorial Quilombo dos Palmares.
O guia turístico e professor Carlos dos Santos acompanhou a reportagem em nossa incursão cultural e discorreu sobre a história do local.  O parque está preservado, apesar de precisar de alguns reparos em sua estrutura, nos bancos de madeira e na estrutura de sons, e a comunidade reclama que o escritório da representação da Fundação Palmares está fechado e sem comando.
O guia turístico e professor Carlos dos Santos acompanhou a reportagem em nossa incursão cultural e discorreu sobre a história do local.
“A representação não atende apenas União dos Palmares, mas todo o Estado e as demandas estão dependendo diretamente de Brasília até que escolham outra pessoa para responder pelo escritório”, observa o guia turístico.
O local costuma reunir no Dia 20 de novembro, dia da Consciência Negra, mais de 20 mil pessoas, onde são feitas apresentações do povo da religião de matriz africana, com cantos, orações, capoeira e várias exibições de grupos culturais afros de outros municípios,  em homenagem ao herói da liberdade.

Quilombo atingia um raio de 200 quilômetros entre Alagoas e Pernambuco

Segundo Carlos dos Santos, o Quilombo dos Palmares atingia um raio de 200 quilômetros, entre os estados de Alagoas e Pernambuco, com aproximadamente onze mocambos, onze povoados que o constituíam. Essa estrutura foi diminuída pelo Ipham (Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional, órgão do Ministério da Cultura que tem a missão de preservar o patrimônio cultural brasileiro).
Carlos dos Santos pontua que a diminuição foi porque tomaria muito mais espaço e já que a área está sendo pesquisada pela arqueologia, eles resolveram deixar o espaço mais restrito, para não tomar uma dimensão maior.
“O local também tinha três cercas, para garantir a segurança dos quilombolas. Uma no sopé, outra no meio e uma em cima. O quilombo também tinha grande abrangência de terras, onde os quilombolas plantam e colhiam e criavam as suas defesas contra o opressor”, ressalta.
 “Aqui nós temos o Muxima de Palmares, que é o coração de Palmares; representa o palácio do chefe, o lugar onde ele ficava, embora não governasse apenas a sede do Quilombo dos Palmares, mas todo um raio de 200 quilômetros”, observa.  
Muxima de Palmares, que é o coração de Palmares; representa o palácio do chefe, o lugar onde ele ficava
O Muxima de Palmares é uma homenagem aos principais líderes do Quilombo dos Palmares: Aqualtune, Ganga-Zumba e Zumbi, aos comandantes-chefes que formavam o Conselho Deliberativo da República: Acaiene, Acaiuba, Acotirene, Amaro, Andalaquituche, Dambrabanga, Ganga-Muiça, Ganga Zona, Osenga, Subupira, Toculo, Tabocas, e a Banga, Camoanga e Mouza, que resistiram depois da morte de Zumbi.
As ocas que forma construídas no local simbolizam a presença no quilombo de povos indígenas, primeiros povos habitantes dos quilombos, segundo Carlos dos Santos.  “De acordo com a arqueologia, os materiais que foram encontrados, representam a tribo Aratu há mais de 800 anos, muito antes da chegada dos europeus ao Brasil”, ensina.
As ocas que forma construídas no local simbolizam a presença no quilombo de povos indígenas, primeiros povos habitantes dos quilombos
Segundo o professor e guia turístico, o Memorial tem todo esse simbolismo representativo de como os povos indígenas moravam no local, com toda uma organização social e cultural, em que se precisassem algum tipo de alimento eles compartilhavam com os outros.
“No palácio do chefe tem dois quartos, um seria para a esposa e o outro para a outra ou das outras esposas.
“A maior quantidade de gênero aqui era de mulheres e para que não houvesse nenhuma disputa entre homens por uma mulher, o chefe na época (Ganga Zumba), pediu que elas escolhessem os seus pretendentes, para não haver confronto entre eles”, ressalta.
Carlos observa que os homens do quilombo também tinham alguns prestígios que era de ter as suas esposas: “No palácio do chefe tem dois quartos, um seria para a esposa e o outro para a outra ou das outras esposas. Para alguns pesquisadores, a entrada de um quarto principal da direita era da rainha e o da outra passariam a entrar pela porta do fundo do palácio e seguia do lado oposto”, observa.

Conselho Deliberativo

Próximo ao palácio do chefe havia um espaço onde se reunia o Conselho Deliberativo, para que pudesse montar suas estratégias de defesa. O guia explana que além do chefe do quilombo também tinha os chefes dos mocambos e no momento das batalhas eles vinham e montavam as estratégias, para que pudessem defender seu povo: negro, indígena e branco.
Muito antes do tombamento do parque, o guia explica que uma parte da Serra da Barriga era de um usineiro e a outra de um grande fazendeiro da região
Muito antes do tombamento do parque, o guia explica que uma parte da Serra da Barriga era de um usineiro e a outra de um grande fazendeiro da região e eles plantaram cana por um bom tempo. Depois que a Serra da Barriga foi tombada pelo governo federal, eles tiraram as plantações do local.

Árvore sagrada é local de orações e peregrinação no dia 20 de novembro

Na Serra da Barriga tem a árvore Jitó (onde são feitas oferendas) e a Iroko (orixá que representa o tempo); é uma árvore africana, sagrada, localizada na Lagoa dos Negros, que recebe no dia 20 de novembro o pessoal do candomblé e das religiões para fazerem as orações.
Na Serra da Barriga tem a árvore Jitó (onde são feitas oferendas) e a Iroko (orixá que representa o tempo); é uma árvore africana, sagrada
A casa de orações ou casa do campo santo compõe o conjunto arquitetônico junto com o Batucajé, espaço construído por trás da estátua do herói Zumbi, onde são feitas apresentações, palestras e atividades sonoras e de danças, onde os sons dos tambores, berimbaus, adufes (pandeiros) e agogôs levam homens e mulheres a sintonizarem seus corpos e espíritos através da ginga da capoeira, da congada, do maracatu, do samba.
Lagoa dos Negros, que recebe no dia 20 de novembro o pessoal do candomblé e das religiões para fazerem as orações
O Memorial Quilombo dos Palmares nos transporta no tempo e no espaço e faz o visitante viajar na história do País. “O Quilombo dos Palmares também tinha ligações com os pequenos vilarejos em seu redor; os povoados da época e era visto como uma ameaça para a Capitania de Pernambuco e outras localidades do País. Se o quilombo crescesse, poderia prejudicar todo o governo que estaria lá fora”, argumenta. 

Mais fotos da Parque Memorial Quilombo dos Palmares - Serra da Barriga

Ainda tenho esperança

Por Olívia de Cássia Cerqueira O dia amanheceu com mais uma promessa de vida. É sexta-feira, dia de alegria, como todos devem ser: de agr...