sexta-feira, 30 de outubro de 2015

Quando isso acontece...

Olívia de Cássia – jornalista

Há uma semana meu radar interior está em alerta: alguma coisa não está caindo muito bem em mim e minha cabeça começa a ficar impaciente, confusa: ora me negando ou me acenando positivamente, num inconstante pêndulo que vai se ampliando e que muitas vezes me consome a paciência com quem está de fora e não me entende.

Talvez eu esteja precisando de uma análise mais profunda; sinto-me assim, sempre às vésperas ou quando está acontecendo alguma coisa e ainda não mensurei o que seja. Preciso descobrir o que se passa comigo nesses momentos, para tentar me aquietar diante das insurgências.

Passei esses dias com aquela interpelação; a sensação de atrapalhação no juízo, por conta de algumas produções que eu avalio não renderam como o esperado e quando isso acontece comigo,  me angustio, me culpo, me impaciento; cobro de mim, às vezes me policio demais, é como se uma tempestade estivesse por vir e eu não soubesse acalmá-la.

E só isso para mim já é uma punição interior; quando as cobranças chegam extemporâneas e sem aquele sentimento de pertencimento, de humildade, fazendo com que eu me sinta não acolhida diante de alguma falha, é um castigo, uma tortura.

E parece que quanto mais a gente liga o alerta vermelho, mais constrangimentos vamos sentindo; já me bastam minhas culpas. Minha mãe era uma mulher que não levava desaforos para casa: tinha sempre uma resposta na hora para dar a quem lhe interpelava, fosse de qualquer maneira.

Não tenho essa fortaleza que dona Antônia carregava consigo; puxei mais à condescendência e humildade do meu pai, sem quere ser piegas. Alguns conceitos da vida eu aprendi muito cedo com meus pais; outros eu fui aprendendo com as pancadas que levei da vida e elas não foram poucas e nem miúdas.

De resto me sobrou uma herança indesejada, que me limita e me envelhece a cada dia, sem que eu veja uma solução e tenha que ‘me conformar com meu destino’, política que sempre rechacei. Quando a gente fica vulnerável diante de um problema de saúde, muitas vezes perde o norte da situação.

Tenho um defeito enorme que é não saber guardar meus segredos e às vezes acabo confessando para quem não merece ou não se interessa. É uma estranha mania. Às vezes avalio que é para desabafar e ou encobrir alguma falha ou me sentir mais segura diante das minhas fraquezas.

Sou crítica dos meus erros, porque sei que foram cometidas e quando o foi. Muitas vezes a gente passa a vida errando, querendo acertar, de forma atabalhoada e sem previsão. E como diz Paulo de Tarso de Moraes Souza, ‘na vida a gente está toda hora pagando pelos erros que comete e se beneficiando dos acertos por ventura realizados’.

Tenho tentado acertar de uma forma ou de outra. Escrever é um sacerdócio, uma paixão sem limites.  E quando a gente começa a distinguir aquilo que nos conforta por meio da escrita e da leitura, não há nada melhor que isso.

Diz um ditado que quem gosta de escrever o faz pelo prazer de escrever, sem se preocupar com quem lerá ou se ao menos vão ler, mas pelo menos nós dizemos o que sentimos. Mostramos ao mundo que nesse silêncio todo ainda existem vozes gritando.

No jornalismo devemos ficar atentos a respeito disso e pensar no leitor que está do outro lado; tentar simplificar ao máximo o que dizemos, para não confundir aquele que religiosamente nos seguem ou nos acompanha pelas mídias. De resto, precisamos nos analisar de vez em quando. E quando isso acontece...


quinta-feira, 29 de outubro de 2015

Historiador lança biografia sobre o jornalista Jayme Miranda

Por: assessoria



O historiador Geraldo de Majella vai lançar o livro Jayme Miranda, um revolucionário brasileiro, é um perfil biográfico do jornalista alagoano, sequestrado em 4 de fevereiro de 1975, no Rio de Janeiro aos 49 anos em 1992.  O lançamento será no dia 10 de novembro, às 19:30 horas na Pizzaria Armazém Guimarães, no bairro de Jatiuca.

Jayme Miranda começou a militância no PCB, pela União da Juventude Comunista (UJC), na segunda metade da década de 1940, foi revisor dos extintos Jornal de Alagoas e a Notícia e trabalhou também na Cooperativa dos Plantadores de Cana de Alagoas. Capa do livro. 

 O jornalista e advogado Jayme Miranda (1926-1975), ex-dirigente nacional do PCB, foi sequestrado pelos órgãos de repressão da ditadura militar no dia 4 de fevereiro de 1975, na cidade do Rio de Janeiro, onde residia com a família, a mulher Elza Rocha de Miranda e os quatro filhos.
 “Teve origem numa família de classe média baixa: o pai era proprietário de um bar e lanchonete na região central de Maceió, onde os filhos mais velhos o ajudavam no balcão. A família morou por muitos anos num bairro também de classe média, o Poço.  O historiador Geraldo de Majella, diz ainda que Jayme Miranda é um típico membro da classe média alagoana do pós-guerra. 
“Iniciou os estudos, o antigo curso primário, em escolas públicas. Em 1937 foi matriculado no colégio Diocesano (Marista), onde cursou o ginasial, sendo em 1941 transferido para o Liceu Alagoano e aí concluindo o curso colegial em 1944”, afirma, Majella.
Jayme Miranda começou a militância no PCB, pela União da Juventude Comunista (UJC), na segunda metade da década de 1940, foi revisor dos extintos Jornal de Alagoas e a Notícia e trabalhou também na Cooperativa dos Plantadores de Cana de Alagoas.
O ministro da Defesa do Brasil, jornalista Aldo Rebelo, prefaciou o livro e diz que: “Jayme Miranda (1926) nasceu quando o prestigio da Revolução Russa multiplicava os partidos comunistas e seus militantes por todo o mundo. O Partido Comunista Brasileiro (PCB) surgia em 1922 e elegeria seus primeiros representantes em 1928, o operário marmorista Minervino de Oliveira, e o alagoano de Viçosa, Octávio Brandão, ambos pela legenda do Bloco Operário e Camponês (BOC).
A juventude de Jayme encontrou o mundo em guerra e a União Soviética como esperança da humanidade contra a máquina liberticida do nazismo.  
A resistência dos povos da URSS e Exército Vermelho comovia e mobilizava o mundo, quando Jayme se alista nas fileiras dos combatentes da liberdade na sua Alagoas”.
Título: Jayme Miranda, um revolucionário brasileiro
Editora: Edições Bagaço
Horário: 19:30
Dia: 10 de novembro
Local: Armazém Guimarães.
Avenida Amélia Rosa, 188

quarta-feira, 28 de outubro de 2015

Show de Geraldo Cardoso empolga plateia na Praça Multieventos

A musicalidade de Geraldo Cardoso tomou conta do palco, dividindo muita alegria, descontração e forró com o público presente. Foto: Olívia de Cássia 

Olívia de Cássia - texto e foto

O Matuto de Luxo Geraldo Cardoso fez o público se descontrair e se divertir na noite desta terça-feira, 27, na Praça Multieventos, encerrando as comemorações do Mês do Servidor, organizado pela Prefeitura de Maceió.

O evento teve muita animação e descontração e o músico lembrou alguns hits seus e dos forrozeiros consagrados no país, além de outros grandes artistas consagrados no país.

Antes do show ele disse que quando sobe ao palco quer que o público interaja e também dance junto com ele. A musicalidade de Geraldo Cardoso tomou conta do palco, dividindo muita alegria, descontração e forró com o público presente.

O artista, alagoano de Quebrangulo, se configura como um dos melhores nomes do forró do Nordeste, tendo participado de diversos projetos de destaque e premiações fora do Estado.

Geraldo Cardoso agradeceu ao secretário Vinicius Palmeira; ao prefeito Rui Palmeira e ao deputado Paulo Fernando (PT), autor da emenda que proporcionou o evento.  “Para mim é uma honra estar aqui; Maceió é uma cidade bela e com certeza tem muito turista aí e espero que todo mundo dance”, observou.

A noite também teve apresentação do grupo afro do Conjunto Village Campestre, Arafunfun Omanjerê e marcada pelo sorteio de prêmios, premiação dos jogos dos servidores e concursos desenvolvidos ao longo do mês de outubro.

terça-feira, 27 de outubro de 2015

'O 20 de novembro busca a possibilidade de trabalhar o racismo'

Olívia de Cássia - Primeiro Momento

Avaliação é de Arísia Barros, professora, publicitária e coordenadora do Instituto Raízes de Áficas
Às vésperas do Mês da Consciência Negra, a reportagem foi conversar com Arísia Barros, publicitária, professora e coordenadora do Instituto Raízes de Áfricas, que nos falou sobre a importância do Dia 20 de Novembro para o povo negro, quando se homenageia em todo o país  o herói Zumbi dos Palmares.
Publicitária e coordenadora do Instituto Raízes de África, ela diz que a data também traz os números criminosos sobre o genocídio do povo negro. “A gente não pode simplesmente comemorar; deveria ser todos os meses, todos os dias do ano”. (Fotos Paulo Tourinho)
 Segundo a professora, O Dia da Consciência Negra é uma ressignificação de todo o processo de luta do movimento e é a busca da possibilidade de trabalhar o racismo.
 “Eu acho que a cada ano se reinventa esse espaço de luta; o 20 contemporâneo busca abarcar a possibilidade de trabalhar o racismo, porque não é só data de festa; claro que a gente tem que festejar os avanços, entretanto é preciso que haja reflexão”, observa. Arísia Barros destaca que é preciso saber onde foi que o movimento retrocedeu.
“Nós retrocedemos. A política federal quando ela faz a junção de secretarias, quando prega o fim da Seppir (Secretaria de Políticas de Promoção da Igualdade Racial), que foi uma luta árdua, e coloca num pacote dos direitos humanos e mulheres, ela tira o poder dessa secretaria”, avalia.
A militante destaca que não é uma junção por junção; é uma perda de poder. “O 20 de novembro é isso: é uma data de reivindicação, pautado nas possibilidades e perspectivas de avanço para o povo negro”, observa.
Publicitária e coordenadora do Instituto Raízes de África, ela diz que a data também traz os números criminosos sobre o genocídio do povo negro. “A gente não pode simplesmente comemorar; deveria ser todos os meses, todos os dias do ano”.
Segundo ela, o dia 20 de novembro não é só uma data, é um calendário extenso; uma agenda permanente, com possibilidades e é preciso lembrar o ano todo. Sobre a questão da mulher negra, ela ressalta que existe todo um processo que as mulheres brancas não vivem.
Arísia Barros destaca que a mulher negra teve que romper barreiras e ainda hoje rompe. “Quando a gente vê a questão da vulnerabilidade dentro do feminismo, é a mulher negra que sofre essa vulnerabilidade”, pontua.
A professora comenta que a mulher negra é excluída socialmente, mas reconhece alguns avanços sociais. “Tivemos alguns avanços, quando a gente tem colocado o discurso na rua. Hoje em dia, quando se trabalha a questão da mulher, necessariamente tem que se trabalhar a mulher negra; não foi uma coisa gratuita”, exemplifica.
Segundo a militante, as discussões em torno da problemática das negras foi uma imposição do movimento social, que vem despertando a sociedade, para o papel da mulher negra e a necessidade de ressignificar  toda uma luta.
Ela analisa que o tema da redação do Exame Nacional de Cursos (Enem) ‘A violência  persistente contra a mulher’, foi um avanço, mas o universo ainda é branco.
“Quando se fala nessa violência, ela está voltada estritamente para a mulher que não é negra; agora você imagina que muitas pessoas acharam bem difícil a temática: já pensou se fosse “A violência secular contra a mulher negra ?, muitos não fariam, porque não está no currículo da escola, no dia a dia das pessoas”, pontua.
Arísia Barros destaca que ainda existe essa exclusão de ver o negro como sujeito atuante, principalmente a mulher. Existe uma escala, uma pirâmide: existe o homem branco; a mulher branca; o homem preto e a mulher preta. Na pirâmide, ela é a última; bem mais abaixo”, argumenta.
Segundo a publicitária, existe racismo com o povo preto, mas com a mulher preta é bem pior. “Eu acho que nós, mulheres pretas, vivemos na construção diária do ser mulher no Brasil”, destaca.
Com relação ao retrocesso social que acontece atualmente na sociedade, com destaque para as redes sociais, a militante comenta que a mídia tem um grande papel. “Temos um parlamento muito conservador, evangélico, que tem traduzido os seus valores e a mídia tem comprado esses valores e reproduzido”, explica.
A sociedade por si só é preconceituosa e por isso reage, segundo Arísia Barros. “Quando ela encontra terreno ela se expandiu. O Congresso é preconceituoso, mas reflete o que a sociedade pensa. Tanto reflete que a sociedade hoje acha que o Congresso está certo”, pontua. 
A mesma coisa, segundo ela, é a matança geral que existe hoje no país e no Estado. “A história do bandido bom é bandido morto, que só vale para o bandido pobre, é uma coisa muito guardada, muito velada. Quando ela encontrou voz (a sociedade) para falar por ela, aí ela está falando. Isso é muito perigoso, porque se está dando o direito de matar”, avalia.
É perigoso, segundo ela, “porque a gente fala do nazismo, do fascismo, estamos entrando pelo mesmo caminho. Vimos o caso do angolano que foi morto e a sociedade é tão conservadora e voltada para alguns pontos, que isso não reflete”, avalia.
Segundo Arísia Barros, a sociedade brasileira é conservadora, racista, machista, homofóbica e só responde quando o crime se refere a um deles (brancos, hetero). “É preciso refletir  porquê estamos nesse caminho. A gente vinha avançando (os movimentos sociais), mas aí, chega um parlamento que diz que a cartilha do Brasil não serve”, destaca.
A professora reflete que o que é pior é que a massa social não ocupa mais as ruas para protestar contra o conservadorismo. “Cadê junho nas ruas? Cadê a massa? Por que estamos tão quietos e essas questões não nos movem mais? Por que nos acomodamos tanto a esse processo? São perguntas que a gente tem que fazer”, avalia.
Arísia avalia ainda que houve uma acomodação dos movimentos sociais com relação a muitas questões importantes. “A gente não vê mais os movimentos na rua; é preciso fazer a crítica construtiva. Há um processo de acomodação”, pontua.

Gabarito do Exame Nacional do Ensino Médio deve ser divulgado até quarta


Enem


Olívia de Cássia\ Tribuna Independente
O gabarito oficial do Exame Nacional do Ensino Médio (Enem) vai ser divulgado até quarta-feira (28), segundo informações do Ministério da Educação (MEC). Segundo a instituição, Alagoas teve 23,3% de abstenções nas provas.
O Enem deste ano registrou o menor índice de abstenção desde 2009: 25,5%, de acordo com o balanço apresentado pelo ministro da Educação Aloizio Mercadante. Na edição do ano passado, o índice de faltas ficou em 28,9%. As provas foram realizadas em todo o país neste sábado (24) e domingo (25) e o Exame foi considerado tranquilo e dentro da normalidade.
Além da seleção de vagas em universidades públicas, é obrigatório para estudantes de escolas públicas interessados em bolsas de estudo parciais ou integrais em universidades particulares por meio do Programa Universidade para Todos (Prouni), bolsas de intercâmbio pelo Programa Ciência sem Fronteiras e para universitários que querem financiar um curso superior por meio do Fies.
Também não foram divulgadas estimativas de datas para apresentação das notas ou para abertura do Sistema de Seleção Unificada (Sisu), que considera as notas do Enem para distribuição de vagas em universidades públicas.
REDAÇÃO
O Enem deste ano teve como tema da redação “A persistência da violência contra a mulher na sociedade brasileira” e desde que foi anunciado pelo Inep (Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais Anísio Teixeira), o assunto virou polêmica nas redes sociais.
De um lado os setores sociais, sindicatos e entidades de classe, alunos e movimentos progressistas que aprovaram o tema e avaliaram como atual. De outro os chamados conservadores e fundamentalistas do Congresso Nacional, que protestaram contra o Enem e acusaram MEC de ‘esquerdista’.
A professora Consuelo Correia, presidente do Sindicato dos Trabalhadores da Educação de Alagoas (Sinteal), disse que o tema da redação do Enem veio num momento propício e parabenizou o MEC por ter esse olhar diferenciado a respeito da questão da violência contra a mulher, estampada todos os dias nos meios de comunicação.
“Infelizmente a violência está arraigada na sociedade. No Estado, Arapiraca é um dos municípios com os maiores índices de violência. Para Alagoas ver o tema na redação do Enem foi muito importante; deu mais visibilidade a essa temática”, disse a presidente do Sinteal.
Sobre a reação dos parlamentares evangélicos no Congresso Nacional, que criticaram o MEC pela escolha do tema, a professora disse que esse setor não respeita a questão de gênero “e essa questão tem que começar a ser descontruída na escola”, segundo ela avalia.
A professora e publicitária Arísia Barros, militante do movimento negro, disse que o tema da redação do Enem este ano foi um avanço para o movimento de mulheres, mas o universo ainda é branco.
“Quando se fala nessa violência, ela está voltada estritamente para a mulher que não é negra; agora você imagina que muitas pessoas acharam bem difícil o tema: já pensou se fosse “A violência secular contra a mulher negra?, muitos estudantes não fariam”, avalia.
O professor Daniel Matos, que ensina Literatura e Línguas Estrangeiras em um cursinho de Maceió disse que trabalhou muitos temas atuais com seus alunos entre eles os de responsabilidade social. Segundo o professor,  a violência cotidiana contra a mulher, jovens e negros foi um dos que ele abordou na sala de aula.
“É muito importante que o professor-educador não se feche às discussões que estão sendo colocadas na sociedade. Existem muitos tabus que são repassados pelas famílias e o próprio meio onde o aluno vive; é de fundamental importância que a escola vá quebrando isso, para que possa transformar a realidade em que vivemos”, disse ele.
ESTUDANTES
O estudante João Pedro Magnani, que fez o exame pela segunda vez, para Engenharia Civil, disse que gostou do tema, porque foi atual. “Foi legal; achei um bom tema na redação”, disse ele, acrescentando que durante o ano todo se preparou para o exame.
Jonas Alves, de 21 anos, foi um dos estudantes alagoanos que também fizeram o Enem em Maceió e disse que se saiu bem nas provas e que saiu animado do local. “Achei um ótimo tema. Fácil e muito comentado na atualidade. O segredo é estar sempre informado”, disse o estudante. 
Cíntia Matos tem 20 anos e fez o Enem pela primeira vez. Ela disse que se sentiu muito feliz com o tema da redação. “Devo admitir que como mulher e defensora do feminismo e das causas sociais, eu me senti orgulhosa em fazer essa redação, que trata de um tema tão atual. Me empolguei e acho até que escrevi demais. Estou tentando a faculdade de Direito e acho que vou conseguir”, avalia.

‘Matuto de luxo’ Geraldo Cardoso será uma das atrações hoje, na Praça Multieventos

Foto: Álvaro Tojal\arquivo
 Olívia de Cássia 

O forrozeiro Geraldo Cardoso, o ‘Matuto de Luxo’ será a segunda atração da noite desta terça-feira, 27, na Praça Multieventos, na Pajuçara, antecedendo o show do cantor Guilherme Arantes. O artista alagoano de raiz nordestina vai ilustrar a festa promovida pela Fundação Cultural de Maceió (Fmac).
Geraldo Cardoso vai trilhando seu caminho de sucesso, com simplicidade e determinação e uma carreira já consolidada nos palcos do Brasil. O Matuto de Luxo compartilha essa alegria com o público e promete muita alegria, descontração e forró, pela qualidade do seu trabalho e empreendimento na sua carreira.
Natural de Quebrangulo, o Matuto de Luxo está entre os melhores nomes do forró do Nordeste, tendo participado de diversos projetos de destaque e premiações fora do Estado. Ele conta que cada show que faz é uma emoção diferente.
“O prazer aumenta cada vez mais quando sinto que toco no coração e na emoção das pessoas, eu gosto de ver o povo dançando”, pontua.  Geraldo Cardoso lançou recentemente seu CD e DVD Roda de Forró, que foi concebido em casa, em encontros com amigos.
“Esse trabalho nasceu aqui em casa, nos encontros com os músicos, Pardal (zabumbeiro) e Geraldo Araújo (baixista). A gente se encontra aqui, depois dos shows, para dar uma descansada e virou um show, por intermédio do jornalista Keyler Simões”, observa.
Além de Geraldo Cardoso, a festa contará com apresentação de grupos folclóricos resultado de  uma emenda do deputado Paulo Fernando dos Santos (Paulão-PT), que contempla cinco artistas solo e cinco grupos folclóricos, além da produção e lançamento do CD do Matuto de Luxo. “Agradeço ao deputado Paulão pelo investimento na cultura do nosso Estado e pelo reconhecimento dos artistas da terra”, disse Geraldo Cardoso.
O artista também destaca a parceria com a Fundação Cultural de Maceió. “Para mim é um prazer cantar na minha terra e quero aqui agradecer à Prefeitura Municipal de Maceió pelo belo trabalho de valorização da cultura desenvolvido pela Fmac e pelo Vinícius Palmeira”, pontuou.
O COMEÇO
Influenciado por artistas como Luiz Gonzaga, Trio Nordestino, Alceu Valença, Nando Cordel e Jorge de Altinho, Geraldo Cardoso explica que no final dos anos 80 juntou uma banda com formação simples: uma sanfona, zabumba e um baixo; depois viu a necessidade de se colocar uma bateria, uma guitarra, e em seguida entraram os metais e ele gravou o primeiro disco chamado ‘Baião Aceso’.
De lá para cá o artista alagoano não parou mais e já gravou três vinis; na era do CD e DVD já gravou 14 trabalhos: onze CDS e quatro CDS e DVDs.  “Me orgulho de ter começado em uma época que se gravava vinil, tempo muito rico para a música. Fiz bastante shows, em muitas capitais, pelo Nordeste principalmente, muita coisa no interior, o interior consome muito o nosso trabalho”, argumenta.
Geraldo Cardoso também já teve música incluída na trilha sonora da novela América, da Rede Globo, com a música ‘Um matuto em Nova Iorque, época em que ganhou o título de Matuto de Luxo.

sábado, 24 de outubro de 2015

Em Alagoas, neste ano, 153.318 estudantes se submetem ao Enem

C´lívia de Cássia - Repórter - Tribuna Independente
Neste fim de semana, hoje e amanhã, acontece em todo o país as provas do Exame Nacional do Ensino Médio [Enem]. Este ano 153.318 estudantes alagoanos vão se submeter às provas, segundo o Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais Anísio Teixeira [Inep]. O número é superior ao do ano passado, que registrou 147.811 inscritos.
Este ano 153.318 estudantes alagoanos vão se submeter às provas, segundo o Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais Anísio Teixeira [Inep]. O número é superior ao do ano passado, que registrou 147.811 inscritos.(Foto: Divulgação)
Segundo o site do Inep, com um crescimento de 3,72% em relação a 2014, este ano dos 153.318 candidatos, 137.626 estão inscritos na modalidade geral e os outros 15.692 na modalidade certificação, que inclui os participantes que têm interesse em obter o certificado do Ensino Médio.
Alagoas ficou em oitavo lugar no número de inscrições no Nordeste, ficando à frente apenas do Estado de Sergipe. No país, este ano o Enem registrou queda de 7,7% no número de inscritos em relação à edição de 2014.
O exame é considerado um dos mais importantes da atualidade, pois abre portas para o ensino superior por meio de programas que dão bolsas de estudo em universidades públicas e privadas, como o Prouni – Programa Universidade para Todos e Sisu – Sistema de Seleção Unificada.
O Enem é uma maratona de provas, simulados, plantões de até 20 horas, aulões, revisões, estudos, muita disciplina e dedicação para aqueles alunos que desejam entrar na universidade.
A reportagem ouviu alguns candidatos, por telefone e WhatsApp,  para que contassem como se prepararam este ano para as provas: muitos deles abdicaram das saídas nos fins de semana para se dedicarem exclusivamente aos estudos.
João Pedro Magnani  comenta que está fazendo o Enem pela segunda vez. “O ano passado estudei muito, mas fiz mais por experiência e não alcancei os pontos necessários. Estou numa bateria de estudos os três horários, com simulados na internet, videoaulas gratuitas, cursinho e grupos de estudos com alguns amigos”, destaca.
João Pedro Magnani comenta que está fazendo o Enem pela segunda vez. (Foto: Olívia de Cássia)
Segundo ele, o curso que vai tentar entrar é o de Engenharia Civil e por isso tem se esforçado o máximo que pode. “Nesses três últimos meses foi de revisão e respondendo questões: nada de diversão e nem sair com os amigos. Agora estou tentando relaxar um pouco”, destaca.
Catarina Lopes é outra estudante que vai fazer provas do Enem no próximo fim de semana em Alagoas e diz que vai fazer Enfermagem. “É a primeira vez que me submeto ao Enem; estou terminando o ensino médio e tenho amigos que já fizeram as provas por experiência no segundo ano”, destaca.
A estudante diz que está curiosa para saber como vai ser a prova, mesmo tendo os simulados do cursinho que ela avalia não é a mesma coisa: “Se não der para entrar na universidade agora, não vou ficar decepcionada, pois ainda sou muito nova e tenho tempo para estudar. Quero me familiarizar com o que é cobrado no exame; ver as dificuldades que tenho em alguma matéria para estudar mais, corrigir os erros e me preparar melhor”, observou.
Custódio Mesquita está cursando o terceiro ano do ensino médio e disse que dividiu o seu horário de estudos da seguinte forma: no primeiro semestre estudou só um horário, mas no segundo; ele estudou os três horários para enfrentar a bateria de provas.
“Estudei muito os três horários: na escola; matéria isolada; cursinho preparatório; Inglês à noite e aos sábados aulões. Sobrava o domingo para o lazer que se resume a ir ao cinema, shopping ou praia”, explica.
Custódio Mesquita destaca que seus pais são muito exigentes e cobram dele organização e disciplina nos estudos. “Eles dizem para eu  me dedicar muito, mas que não é uma traédia se eu não conseguir os pontos necessários: no próximo ano tem de novo; tem a pressão particular: minha mesmo e dos amigos”, destaca.
O estudante também pontua que na escola tem muita competição, na sua turma: “Muitos não querem estudar tudo de novo e a concorrência é entre os amigos mesmo. No meu caso vou fazer Direito e meus pais não interferem na minha escolha”, argumenta.

Maratona de provas exige disciplina e estudo com antecedência

O professor Manoel dos Santos ensina biologia em uma escola pública de Maceió e faz alguns bicos nos fins de semana para complementar o salário dando aulas particulares em casa. “Ensino Matemática, Física e Química e Biologia; oriento os alunos para se prepararem para a maratona do Enem”, avalia.
Segundo o professor, se o aluno não tiver preparado não adianta; “têm que estudar com antecedência e os pais que tenham alunos que fazem o primeiro ano, que comecem a dar um incentivo maior, para que eles criem uma base desde cedo”, orienta.

DOCUMENTOS

O professor Manoel dos Santos disse que também orienta seus alunos sobre o dia da prova, para que levem os documentos necessários e não tenham nenhum impedimento na hora da prova e que se alimentem com comidas leves.
Para fazer as provas do Enem, é necessário que o candidato apresente um documento de identificação original com foto; os documentos aceitos são:  Cédula de identidade (RG); emitida por Secretaria de Segurança Pública, Forças Armadas, Polícia Militar ou Polícia Federal;  Carteira de Habilitação [CNH], entre outros.  No site do Enem http://www.enem.inep.gov.br/documentos-validos.html tem todas as orientações necessárias aos candidatos.

Psicólogo diz que a ansiedade é um dos maiores problemas na hora de fazer a prova

Irritabilidade, insônia, inquietação, dores de cabeça, diarreia, comportamento de fuga e sensação de estar perdendo o controle são alguns dos sinais de ansiedade que os estudantes passam diante da maratona das provas do Enem, segundo o psicólogo Arnaldo Santtos.
Segundo Arnaldo Santtos, a ansiedade é um transtorno que tem características bastante peculiares (Foto: Arquivo pessoal)
Segundo ele, é preciso aprender a controlar, para ter um bom desempenho no exame. “O fundamental é não fugir do problema e sim enfrentá-lo com tranquilidade: não é fácil, mas é possível”, explica. 
Segundo Arnaldo Santtos, a ansiedade é um transtorno que tem características bastante peculiares: “É um pensamento voltado para o futuro; às vezes um futuro bem próximo, ou seja, antes dois ou três dias de um exame ou de um concurso”, observa.
O transtorno de ansiedade é um dos maiores inimigos do estudante às vésperas do vestibular ou de qualquer outro exame como o Enem. “Graças a um mecanismo de sobrevivência, ao ficarmos ansiosos, nosso organismo identifica com isso uma situação de perigo iminente”, explica.
O psicólogo diz que esse é o momento em que o corpo precisa reagir e lutar. “Esse tipo de comportamento é possível administrar. Os estudantes quando submetidos a diversas provas num período curto ficam num estado de irritabilidade muito intenso, que pode prejudicar o desempenho escolar e esse ambiente pode se tornar um fator estressante, causando mal estar”, destaca.  
Para que os estudantes tenham um bom desempenho nas provas, que acontecem sábado e domingo próximos, Arnaldo Santtos analisa que é preciso ter tranquilidade: “É preciso dizer a si mesmo: sou capaz e vou obter êxito”.
Outra recomendação é que o estudante, nesses últimos dias, não  realize nenhum comportamento excessivo, como por exemplo rever tudo que foi estudado, passar muito tempo preocupado e sim fazer algo para relaxar.
“Esses comportamentos facilitarão a concentração na hora de fazer a prova. A palavra de ordem é que a pessoa tente obter equilíbrio, pois se a ansiedade não for controlada, pode desencadear diversos transtornos e um deles é o de pânico”, avalia.
Arnaldo Santtos afirma ainda que o ter medo é extremamente salutar, mas se isso está fazendo com que a pessoa não consiga fazer as tarefas do dia a dia, como por exemplo, ir ao cinema, se concentrar, enfim, deve procurar o profissional rapidamente. 

Equipes da SMTT vão dar apoio durante provas do Enem

Devido à realização do Exame Nacional do Ensino Médio (Enem) neste final de semana, a assessoria informou que a Superintendência Municipal de Transportes e Trânsito de Maceió (SMTT) estará auxiliando o fluxo de trânsito de locais próximos aos principais colégios e faculdades da cidade.
“Agentes da SMTT estarão a partir das 9h até o término das provas em locais como a Avenida Comendador Gustavo Paiva, em Cruz das Almas, Rua Doutor Messias de Gusmão, na Pajuçara, e Rua Cônego Machado e Avenida Fernandes Lima, ambas no Farol.”, observou Nicolas Albuquerque, assessor de Comunicação.
Segundo ele, a Rua Íris Alagoense, localizada no bairro do Farol, que é interditada para o projeto Lazer na Praça, da Secretaria Municipal de Esporte e Lazer (Semel), excepcionalmente neste domingo (25) será liberada, para facilitar o acesso dos candidatos.
ÔNIBUS
Para o acesso dos candidatos aos locais que farão prova e o deslocamento para casa, a SMTT vai reforçar no domingo, segundo a assessoria, as linhas de ônibus da capital com a programação usada no sábado, com uma maior frota.

sábado, 17 de outubro de 2015

Novo pub Sebá é mais uma opção para a noite de Maceió

Olívia de Cássia - Repórter \ Primeiro Momento

Às quartas, quintas, sextas e sábados, a partir das 19 horas, o alagoano pode saborear gostosos petiscos e bebidas diferenciadas num ambiente aconchegante e intimista, com decoração personalizada, recomendado para quem gosta de um bom papo, atendimento personalizado, música ambiente  e estilo.

Os proprietários Sebastião Muniz Falcão, o Muniz, e a chef paulista Gabriela Costa deram um toque especial ao local. Muniz diz que o Sebá é um sonho antigo. Fotos: Paulo Tourinho

 Assim é o Sebá: um pub localizado na Rua Deputado Elizeu Soares, no bairro da Jatiúca, em Maceió. Os proprietários Sebastião Muniz Falcão, o Muniz, e a chef paulista Gabriela Costa deram um toque especial ao local. Muniz diz que o Sebá é um sonho antigo.
Ele comenta que já teve lanchonete, restaurante. “Sempre gostei de gastronomia e de bebida e Gabriela é ligada nessa área”. Muniz, que também é cervejeiro, conta que está preparando uma remessa de cerveja longueneque para o local.
“O Sebá, hoje, é um lugar idealizado por mim e Gabriela. Começamos a estudar, eu na parte de cerveja e ela na parte da gastronomia e hoje está aberto. O projeto ainda está inacabado, nós queremos mais do que isso. Estamos com duas semanas de funcionamento e queremos trazer mais para o público”, pontua.
 
Segundo Muniz Falcão, a ideia é oferecer comidas e bebidas diferenciadas: “Nosso carro chefe é a minha cerveja; eu não tenho ela hoje porque está fermentando e daqui a 30 dias ela fica pronta e aí eu não paro mais. Fora isso eu tenho as bebidas e cervejas diferentes”, observa.
O proprietário do Sebá destaca que trabalha com cervejas especiais e diferentes e não com as comercializadas nos demais estabelecimentos . “Não trabalho com cervejas de grande produções; eu tenho também vinho, quero dar valor à cachaça, que é um produto nosso; vamos ter caipirinha na carta; tenho vodka, porque o cliente pode chegar aqui e pedir caipirosca, mas eu quero focar na caipirinha”, pontua.
Muniz acrescenta que como cardápio está oferecendo  também presuntos e queijos espanhóis, linguiças e queijos artesanais; “montamos as tábuas na hora, na frente do cliente: preparo as tábuas, eles escolhem e como acompanhamento sugerimos a cerveja diferenciada ; churrascão de carneiro, fornecido de Delmiro Gouveia, coxinha da Rose, que é a nossa colaboradora”, além de outros produtos.
 O Sebá também tem um hambúrguer caseiro de dar água na boca, com porção generosa de carne macia, que leva um tempero de ervas especiais.
“Nós não temos um cardápio fixo; todo dia a chef Gabriela tem um prato especial. Nossa proposta é divulgar na rede social tal prato [no Instagram sebá_pub], todos os dias. Hoje nós temos um guisado de carne, com toque especial; salada de quinoa, com cebola roxa e tomate e risotinho de limão siciliano; são as três receitas de hoje da casa, mais os petiscos ”, observa.
Quando o cliente faz o pedido, os proprietários vão explicando as propriedades de cada pedido e o produto utilizado. No caso da quinoa, é amplamente consumida na região dos Andes, considerada um pseudo cereal. Isto é, ela possui os mesmos nutrientes que os cereais propriamente ditos, como arroz e trigo, mas suas características de plantio e crescimento são diferentes.
“Minha casa tem um toque intimista, como nós queríamos. Tem muita coisa na parede, a decoração é minha e de Gabriela; tem um quadro para que o cliente deixe sua mensagem, livros espalhados para quem quiser ler; a galera vai chegando e riscando as paredes, deixando seu recado. E em breve teremos a parte do grill; das carnes. Cortes de cordeiro e suínos. Preparo, passo para a chef, que dá o toque final, com os molhos, temperos  e o carinho”, explica.
Muniz ressalta que ainda falta muito para que o projeto fique como ele idealizou, mas destaca que a ideia inicial era ser apenas o Sebá, mas depois a galera foi chegando e intitulando de pub. “Eu só não queria ter rótulo de bar; não é uma discriminação, porque eu adoro bar, mas o ambiente não comporta um público de bar e trabalhamos nessa ideia de pub”, argumenta.
No ambiente o cliente chega, aprecia uma cerveja especial, tem atendimento personalizado e “tem uma pegadinha de feira gastronômica; prova várias cozinhas e sai supersatisfeito e uma coisa que estamos fazendo também é a sangria espanhola, com vinho. Eu preparo a sangria”, destaca.
A chef Gabriela Costa, que participou da Primeira Feira Gastronômica de Maceió com um prato típico suíço: a raclette, conta que está cuidando do lado gourmet no pub, apesar de o local ter os petiscos comuns.
 
A raclette é  um prato que se come mais no inverno, por conta do clima. Gabriela Costa explica que é um prato muito prático, composto de batata inglesa, com o queijo raclette em cima derretido e com os acompanhamentos. Ela comenta que o termo deriva do francês racler, que significa raspar.
“Vários acompanhamentos podem ser utilizados, como o pickles e embutidos como presunto cru, lombo defumado, salsicha bovina, salame, pepino em conserva, milho, e a gente vai harmonizar com alguns vinhos”, observa.
“Temos alguns pratos diferenciados que ainda não está no cardápio e a raclette que apresentei na Feira Gastronômica vai continuar. Vou apresentar algumas massas e molhos; vamos ter vários outros pratos diferenciados”, observa.












Integrante do Grupo Malacada, Mel Nascimento fala de sua carreira

Olívia de Cássia - Repórter\ Primeiro Momento

Em única apresentação, no próximo dia 29 de outubro, o Grupo Malacada irá interpretar clássicos de Paulinho da Viola como Pecado capital, Coração imprudente, Choro negro e Onde a dor não tem razão. “Além da homenagem ao nosso artesão marceneiro (já que o mestre de Botafogo também confecciona móveis), o show no Sesc-Poço será uma oportunidade para o público conhecer as músicas do disco Influências, primeiro CD autoral do Grupo Malacada”, observa a cantora Mel Nascimento, integrante do grupo.
Este ano, após cinco anos de andanças pela noite e pelos palcos da vida, o Grupo Malacada volta a cantar Paulinho da Viola, desta vez no Sesc-Poço, no próximo dia 29 de outubro. Fotos JUL SOUSA
 Por e-mail, com simplicidade, ela fala de sua carreira e diz que iniciou de forma bem despretensiosa. “Meu irmão mais velho e os meninos da minha rua se engajaram em um coral da igreja do meu bairro e aquilo me chamou atenção. Era um coral de jovens e eu tinha apenas 13 anos”, fala.
Depois da primeira apresentação desse coral, Mel Nascimento diz que se encantou e mesmo sabendo que não tinha idade pra participar pediu para ficar indo para os ensaios só pra ver como era.  “Mas fiquei de fora por pouco tempo, tinha facilidade em decorar as melodias e as letras. Abriram uma exceção para que eu me tornasse componente do coral”, explica.
Mel Nascimento destaca que foi se interessando cada vez mais: “Cantei em outros corais da mesma comunidade; em ministérios de música e quando eu estava com 16 anos fui visitar um coral que minha mãe participava no trabalho dela; era um coral que havia divisão de vozes e com sonoridade diferenciada, resultado: me encantei mais uma vez”, destaca.
A cantora diz que fez teste pra entrar e ficou nesse grupo por alguns meses: “Fiz testes em mais alguns corais renomados de Maceió e fui muito bem acolhida pelo professor Max Carvalho nos corais da OAB e Sefaz e Camerata Pró-Música de Alagoas onde fiquei por dez anos”, relata.
Depois de 17 anos de carreira, ela explica que leva a profissão da maneira que iniciou: como uma brincadeira de criança. “Tenho formação superior em canto pela Ufal [Universidade Federal de Alagoas] e entrei no Grupo Malacada  em 2010, quando estava buscando novos conhecimentos e tentando colocar em prática o que foi aprendido na Universidade”, comenta.
Segundo Mel Nascimento, os meninos que já estavam juntos há um tempo e buscando uma voz pra compor o grupo. “Foi a mão e a luva, montamos um repertório e em duas semanas estávamos nos apresentando. Embora nosso repertório inicial fosse baseado em pesquisas feitas coletiva e individualmente, nosso samba por muitos anos seguiu um fluxo, por muito tempo cantamos mais do mesmo, uma espécie de corepetição desenfreada e sem proposta”, avalia.
A cantora acredita que agora o grupo busca novas propostas: “Estamos em plena gravação do primeiro CD autoral, que vem para concretizar isto. Sabemos a importância dos nossos mestres, entendemos que foi essencial o processo de pesquisa, mas, temos certeza que o novo deve surgir”, enfatiza.
O CD “Influências” , trabalho autoral, ela explica que vem carregado de personalidade, com temas pensados por Salomão Miranda e Gustavo Rolo, “além dos nossos parceiros Juliana Barbosa, Chico Torres e Victor Pirralho que cederam suas músicas para o grupo, fora os arranjos incríveis de Felipe Burgos que passeia por outros ritmos sem descaracterizar a essência do samba. Acredito que este trabalho será um divisor de águas para o grupo e tem algo a acrescentar na música alagoana”.
Mel conta ainda que participou da abertura do MPB Petrobras em Maceió e foi vencedora no Festival de Música da Ufal. “Subir em um palco é sempre um momento especial e subir em um palco antecedendo o show de João Bosco é simplesmente mágico, que honra para mim, pois sabemos a importância dele para a nossa MPB”, destaca.
Segundo ela, foi a primeira vez que participou do Femufal. “E que bom que teve final feliz, interpretei a Música “No mais”, de Salomão Miranda , que inclusive estará no nosso CD. Aguardem!”, diz entusiasmada.
Sobre o projeto “Modinhas do meu Brasil” ela diz que foi um projeto contemplado pela Fundação Nacional de Arte Funarte /2012), “onde apresentei nas escolas, composições brasileiras, que nasceram entre os séculos XVI e XIX como: modinhas, lundus, maxixes e cantigas populares”.
Ela explica que em seguida  foi contemplada no projeto Mais Cultura nas Escolas (2014), financiado pelo Ministério da Cultura e Ministério da Educação, desta vez abordando a música brasileira a partir do século XIX desembocando no samba.
Sobre a segunda edição do São Paulo Exposamba ela destaca que foi uma experiência singular, ter contato com intérpretes e compositores de todo Brasil. “Mas foi muito bom também para refletir sobre algumas coisas; acredito que a música alagoana não deve nada a ninguém no cenário nacional”, avalia.
A cantora alagoana analisa ainda que devemos valorizar muito mais as músicas e os compositores da terra; “e acho que essencial que Alagoas cuide melhor dos nossos artistas pois fui, defender três músicas alagoanas no entanto não tive apoio financeiro nenhum, só consegui viajar porque meus amigos e minha família se uniram e esta viagem se tornou possível”, reclama.
Do Tributo ao Paulinho da Viola
Mel Nascimento participa pela segunda vez do Tributo a Paulinho da Viola. Segundo ela, há  muito tempo o Grupo Malacada admira e reconhece a profunda riqueza da obra do sambista.  Em 2010, no Teatro Linda Mascarenhas, o Malacada fez um marcante show em homenagem ao compositor carioca.
Este ano, após cinco anos de andanças pela noite e pelos palcos da vida, o Grupo Malacada volta a cantar Paulinho da Viola, desta vez no Sesc-Poço, no próximo dia 29 de outubro. “Paulinho da Viola é um compositor que não briga com o tempo. Sua serenidade transmite paz, esperança e tranquilidade. Não sou eu que me navego, quem me navega é o mar, reéte ela o refrão da música do compositor.


“O que é que pode fazer um coração machucado, senão cair no chorinho, bater devagarinho pra não ser notado. Foi um rio que passou em minha vida, e meu coração se deixou levar... É assim que toca a vida o nosso filósofo do samba, na quietude, na humildade de quem sabe que não adianta discutir com a natureza e com o tempo. Aliás, é assim que o Grupo Malacada também trata o samba, sem pressa, na cadência, no miudinho”.

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