sábado, 30 de janeiro de 2016

A efemeridade de tudo

Olívia de Cássia – jornalista

Estive pensando e sempre me vêm esses pensamentos à mente, sobre a efemeridade das coisas, onde tudo é feito para ter pouca duração. Vivemos num mundo em que isso está presente em tudo: tanto para o bem quanto para o mal.

Essa é uma reflexão que faço sempre e que algumas pessoas  deveriam fazer, diante de um sistema onde tudo é feito para ser descartado, inclusive e até, infelizmente, os sentimentos. A vida útil de um produto para aumentar o consumo de versões mais recentes é feita para movimentar o capitalismo.

Mas não falo aqui apenas do sistema em que vivemos, politicamente falando. Nada é duradouro nessa vida, mesmo, mas tem gente que se apega a determinadas situações avaliando que vão ficar nelas para o resto da vida.

E se põem a agir como se fossem donos do mundo e da verdade, como se a verdade fosse única. Filosoficamente falando, passei grande parte da vida achando que a minha felicidade estava atrelada a outra pessoa; que eu só seria feliz se tivesse aquele ente do meu lado.

Não estava atenta, ou estava tão envolvida que não me dava conta da transitoriedade da vida e de suas nuances. Eu avaliava, até aquela fase da minha vida, que só estaria satisfeita espiritualmente e materialmente se fosse daquela forma que eu via o mundo.

Quando a gente é jovem acha que tem que viver tudo; aquele momento é muito precioso: aquela festa imperdível, o encontro com os amigos; as diversões e todo o que a gente possa fazer para alegrar a vida. Hoje ainda acho que se a gente pudesse viver assim, talvez o mundo fosse bem melhor.

Com o tempo; as perdas e as dores que a vida trouxe, fui me certificando  de que não é possível a gente viver sempre daquela forma; e que também não podemos nos apossar dos sentimentos de alguém para preencher nosso próprio vazio existencial.

Mas isso eu passei a entender depois de muito sofrimento da alma. Hoje vivo tentando descomplicar o que compliquei a vida inteira; tentando praticar o desapego, me livrando de excessos de bagagem que não vou levar quando partir para o mundo espiritual.

Já comecei me desapegando de muita coisa em casa, não vou precisar de tanto e só de muito pouco, principalmente se a vida me deu mais limites do que eu avaliava que deveria.  Aproveitando também para me livrar de situações, sentimentos e de hábitos que não fazem bem ou que estejam me impedindo de seguir em frente.

É o que tenho feito, independente de religião ou credo. Viver o que a vida ainda tem para me oferecer, agradecendo a gratidão de todos. E como diz um amigo meu em tom de galhofa: “Tudo é passageiro, menos o motorista e o cobrador”. E vamos que vamos. Boa tarde.

sábado, 23 de janeiro de 2016

Crianças são vítimas de mortes brutais e precoces

Olívia de Cássia - Repórter\Tribuna Independente

O que leva um ser humano: mãe, pai, pessoa da própria família ou amigo a tirar a vida de uma criança indefesa? Por que tem crescido assustadoramente casos de violência cometida contra crianças, no Estado e no país? Essa pergunta chega à reportagem como resultado do recente caso do assassinato de  Dyllan Taylor Soares, de três anos, assassinado pelo padrasto, Meydson Alysson Silva Leão.

Essa pergunta chega à reportagem como resultado do recente caso do assassinato de Dyllan Taylor Soares, de três anos, assassinado pelo padrasto, Meydson Alysson Silva Leão. (Foto: Reprodução web)

O caso do pequeno Dyllan Taylor não foi o único no Estado. Uma pesquisa rápida na internet indica que as crianças são vítimas constantes de pessoas insanas, na maioria das vezes da própria família ou de pessoas próximas a ela.
Em junho de 2013, um caso que chamou à atenção da mídia e da sociedade alagoana foi o do menino Felipe Vicente da Silva, de dois anos, sequestrado e morto e o corpo encontrado em um buraco em um terreno baldio no Conjunto Cleto Marques Luz, no Tabuleiro do Martins, parte alta de Maceió.
O sequestro do menino Felipe Vicente gerou protesto e projeto de lei aprovado na Câmara de Vereadores de Maceió, de autoria da vereadora Heloísa Helena (Psol), que acompanhou a família desde o desaparecimento de Felipe.
O projeto de lei aprovado pela Câmara de Maceió obriga a exibição da foto de crianças e adolescentes desaparecidas em telões, murais e placares eletrônicos instalados em rodoviárias, aeroportos, teatros, cinemas, casas de espetáculo, praças esportivas e de eventos e clubes recreativos.
À época, Heloísa Helena disse que a dor de uma mãe é a mesma, sendo rica ou pobre. “O que muda é o tratamento que ela recebe”, observou. Depois de 13 dias de buscas o corpo do pequeno Felipe foi encontrado em avançado estado de decomposição.
Em julho de 2013, em Rio Largo, o sequestro, seguido de morte de uma criança de um ano e seis meses, desafiou os investigadores da Polícia Civil de Alagoas. A menina, que morava com a família na cidade de Rio Largo, região Metropolitana de Maceió, foi sequestrada e encontrada morta na lateral de uma ponte que dá acesso a saída da cidade. A menina recebeu uma pancada na nuca.
Em março de 2015, em Palmeira dos Índios, um doente mental de 17 anos espancou dois sobrinhos: um de três anos e outro de cerca de um ano, que não resistiu e morreu ainda no local. A população revoltada com o caso espancou o doente mental até a morte.
Em dados divulgados no ano passado, pelo Conselho de Medicina, Em Alagoas, cerca de 40 crianças e adolescentes desaparecem todo mês;  estima-se que 50 mil crianças somem no país e cerca de 250 mil ainda não foram solucionados. No mundo esse número chega a 25 milhões.

 Mortes brutais e precoces

As causas das mortes brutais e precoces de crianças são as mais variadas: violência doméstica, rituais satânicos, operações policiais frustradas, assaltos, vingança, tiroteios, entre outras. A psicóloga Juliana Campos Correia avalia que a violência cometida contra crianças acontece (quando é a mãe que pratica), porque às vezes não foi uma gravidez desejada e bem-vinda.
“A pessoa que comete esse tipo de maldade pode ser que tenha algum problema psicológico ou social e acaba descontando em um ser indefeso e incapaz de se defender, o mesmo acontece com quem maltrata animais”, comenta.
Segundo Juliana Campos Correia, essa pessoas precisam de um tratamento terapêutico, mas tem que ser consentido: “A pessoa tem que querer, porque  para pessoas assim, essa atitude é normal, elas não sofrem com isso, são frias”, analisa.
A psicóloga diz ainda que, no caso do assassinato do pequeno Dyllan Taylor Soares pelo padrasto pode ter sido por ciúmes do garoto e a mãe do menino deixava-o em segundo plano. “Tem gente que é possessivo e ruim; por isso que a pessoa tem que ter cuidado com quem se envolve, para não sofrer as consequências”, observa.

Criminalista diz que violência não é método de aprendizado

O advogado criminalista Welton Roberto fez uma análise dos casos de violência cometidos contra crianças e disse que infelizmente os pais avaliam que são donos: “É a velha ideia de que por serem criança elas devem obediência cega e (os pais) utilizam do poder familiar para subjugá-la a todo tipo de tratamento”, destaca.
Segundo Welton Roberto, quando o governo lançou a polêmica "Lei da Palmada" proibindo a violência dos pais contra os filhos, ele viu muita gente dizendo que o Estado não tinha o direito de interferir na "educação" doméstica de seus filhos, “como se a utilização da violência fosse método de aprendizado”, observa.
Para o advogado criminalista, o resultado é este. “A desmesura da violência gerando mortes de crianças Brasil afora”. Ele explica que agora os acusados serão processados e punidos a depender do tipo penal que os enquadrarem: “ou maus tratos seguido de morte ou homicídio doloso”, pontua.
Perguntado se essas pessoas que praticam esse tipo de crime podem ser consideradas doentes sociais ou psicopatas, Welton Roberto responde que “a questão é cultural, pois os adultos se acham os donos das crianças, da mesma forma que os homens se acham donos das mulheres, por isso usam da violência”, pontua.

Professora diz que desmanche da instituição família desagregou sentimentos

A professora Lindair Morais Amaral, instrutora do ensino profissionalizante, disse que o caso do menino  Dyllan Taylor Soares foi um assassinato cruel. “Culturalmente falando, hoje o desmanche (a palavra é essa) da instituição família, desagregou sentimentos, hábitos e responsabilidades. O ser humano criado desgarrado, sem autoestima e sem valores, tem a sensação de ser responsável somente por si, o que o faz indiferente ou insensível ao outro”, avalia.  
Segundo ela, hoje as pessoas se juntam para viver, “não por motivos habituais como o amor por exemplo; dessas pessoas nascem outras que se tornam agregadas e não parte do todo. Então, se essa parte incomoda é subtraída sem qualquer sentimento de perda”, comenta.
Outra questão apresentada por Lindair Amaral é a baixa autoestima e autodesvalorização da classe mais pobre revelada no alto índice de homicídios, feminicídio e agora com maior frequência, a morte de indefesos pelos pais ou pessoas da “família”.
Segundo a professora, a falta de regras, de valores, de controles, punições efetivas, ações coletivas ou não, determinam que a vida não vale nada, como dizer “eu não tenho nenhum valor”.
Lindair Amaral destaca ainda que nenhuma criança chega à morte sem antes sofrer maus tratos constantes e vivenciar os horrores da conivência por vezes doentia de um casal. “Nenhuma criança morre sem que antes as pessoas em seu entorno tomem ciência de seu sofrimento e elas se calam. São cúmplices passivos da violência que de alguma forma também vivem e acabam por achar natural”, argumenta.
Segundo ela, as pessoas que hoje pedem justiça, muitas participaram ativamente do círculo vicioso familiar daquela criança (Dyllan Taylor Soares) e não fizeram nada, não era com elas ou não vai passar disso.
“Passou... para melhorar a consciência agora buscam justiça... Por que motivo não salvaram antes? Não queriam se envolver, precisavam se proteger. Como disse antes, sou responsável por mim, só por mim. Graças a Deus que a coletividade ainda é maior em busca da vida do enfrentamento, da tolerância zero e da fé, esta última abrange todos os outros sentimentos”, finaliza.

Mapa da Violência aponta aumento de homicídios contra crianças e adolescentes no país

A taxa de homicídios entre crianças e adolescentes no Brasil entre 1980 e 2010 cresceu 346%. Isso é o que aponta o novo Mapa da violência 2012 – Crianças e adolescentes do Brasil. O elevado índice de assassinatos de meninas e meninos colocou o país em 4° lugar em uma lista de países com maiores taxas de homicídio entre crianças e adolescentes.
Segundo a pesquisa, durante as três décadas analisadas, mais de 175 mil meninos e meninas de zero a 19 anos de idade perderam suas vidas para a violência. Somente em 2010, 8.686 crianças foram assassinadas no país.
O estudo alerta para o fato de que, nesses 30 anos, enquanto as taxas de mortalidade de crianças e adolescentes por causas naturais diminuíram, os índices de morte por fatores externos aumentaram.
Destaque para homicídios, acidentes de transporte e outros acidentes. Segundo o relatório, em 2010, essas três causas representaram mais de 90% do total de mortes de crianças e adolescentes por causas externas, ficando o assassinato em primeiro lugar (43,3% das mortes), seguido por acidentes de transporte (19,7%) e outros acidentes (19,7%). 
O que mais chama a atenção é o crescimento do número de assassinatos. Em 2010, 8.686 meninos e meninas foram mortos/as no país, representando uma taxa de 13,8 homicídios para cada 100 mil crianças e adolescentes. Dez anos antes, a taxa era de 11,9 para cada 100 mil.
"Dentre os 99 países com dados recentes nas bases estatísticas da Organização Mundial da Saúde, o Brasil, com sua taxa de 13,0 homicídios para cada 100 mil crianças e adolescentes, ocupa a 4ª posição internacional, só superada por El Salvador, Venezuela e Trinidad e Tobago”, destaca.
O documento ainda mostra a diferença das taxas por unidades da federação e municípios. De acordo com a publicação, enquanto estados como Piauí e São Paulo apresentam índices de homicídios de 3,6 e 5,4 para cada 100 mil, respectivamente; em Alagoas e Espírito Santo, essas taxas sobem para 34,8 e 33,8. 

quarta-feira, 20 de janeiro de 2016

Geraldo Cardoso se apresenta no carnaval de Pernambuco com projeto Forrofrevando

Trabalho foi gravado no Fortim de Olinda, durante o carnaval de 2015, com arranjos do maestro Almir Medeiros

Por Olívia de Cássia

O forrozeiro de raiz Geraldo Cardoso está com um novo projeto na praça: o Forrofrevando, gravado ao vivo, no Fortim de Olinda, durante o carnaval 2015, com arranjos do conceituado maestro Almir Medeiros. São 22 marchas que foram gravadas ao vivo e melhoradas em estúdio.

Há sete anos participando do carnaval de Pernambuco e com uma carreira consolidada, Geraldo Cardoso é compositor de várias músicas que são sucesso no cancioneiro regional. Este ano ele participa do carnaval em várias cidades pernambucanas como: Olinda; Recife; Triunfo e com possibilidade de fazer show em Catende.

O CD Forrofrevando caiu no gosto do público e está tocando em várias rádios alagoanas e algumas de Pernambuco. O trabalho mistura vários elementos do forró, como xote, galope, arrasta-pé, se fundindo ao frevo, uma mistura que deu certo.

“O forró e o frevo são primos-irmãos; e com essa mistura não dá outra coisa a não ser a euforia de querer dançar sem parar”, comenta o artista, um dos mais procurados na região, pela autenticidade de seu trabalho.


Alagoano de Quebrangulo, Geraldo Cardoso tem 14 trabalhos lançados, todos fazendo sucesso especialmente aqui no Nordeste. Ele interpreta clássicos como Minha gata (Accioly Neto); Pagode Russo (Luís Gonzaga); Estação da luz (Alceu Valença);  Rosa de Sol (Carlos Moura) e também faz homenagem a Dominguinhos e muito mais.

terça-feira, 19 de janeiro de 2016

Dez anos depois

Olívia de Cássia- Jornalista 

Dez anos se passaram desde que eu escrevi meu primeiro depoimento sobre a Doença de Machado Joseph (Ataxia spinocerebellar) e o que é conviver com ela, que fez parte de um livro com opiniões e relatos das pessoas portadoras desse problema e os que convivem e têm pessoas na família acometidas da doença.
No texto, discorremos sobre os impedimentos e limitações que passamos no dia-a-dia, desde dobrar um lençol, até apertar a tampa de uma garrafa, pois vamos perdendo a coordenação motora, a escrita vai ficando irreconhecível e a visão duplicada, em 3D; tombos, quedas, engasgos, incontinência urinária e dores nas pernas, nos ombros, entre outros sintomas.
 Esse primeiro livro foi organizado por Priscila Fonseca, à época presidente da Associação Brasileira dos Portadores das Ataxias Hereditárias e Adquiridas, que já publicou outros tantos textos tratando sobre o mesmo assunto onde consta, entre tantos outros, o meu depoimento, agora com algumas alterações mais atualizadas.
À época meus sintomas ainda não estavam muito aparentes, se é que podemos considerar assim,  desde que comecei a desenvolver os primeiros sintomas, há cerca de doze anos, depois de uma crise emocional que me levou à depressão, por conta da separação. Muita gente na minha idade, inclusive vários parentes meus, já não conseguem se locomover sem a ajuda de um andador ou de uma cadeira de rodas, devido aos tombos e quedas que são frequentes.
Eu já me convenci de que devo adotar a bengala como sinalizador social, como me aconselham os amigos portadores do problema, do Grupo Ataxias Hereditárias, pois meu equilíbrio está muito comprometido, com quedas e tombos feios. Minha fala e minha audição também já começam a ficar comprometidas e agora entendo o motivo de o meu pai ficar tão irritado quando dizíamos que não entendíamos o que ele falava.
Muitos tios e primos tiveram ou têm esse problema, que ainda é misterioso e não tem cura. Imperfeições na voz, ao falarmos, entre tantas limitações que já começam a me incomodarem. A comunidade médica brasileira se voltou para a Doença de Machado Joseph há bem pouco tempo, na década de 90, a partir do surgimento de grupos familiares em estados como o Rio Grande do Sul, Paraná, mas é possível encontrar portadores em todo o País, sendo o RS o Estado onde tem grande número de pessoas acometidas pela ataxia spinocerebellar.
Na minha família, todos se referiam a esse problema como “a doença da família” ou a “maldição da família Siqueira/Cerqueira\ Vieira\ Correia\ Paes” e há bem pouco tempo é que descobrimos o nome científico. É uma doença rara e segundo os cientistas teve início na Ilha dos Açores, em Portugal, onde os casamentos consanguíneos foram acontecendo de forma desordenada.
Da mesma forma aconteceu na minha família. Meus pais eram primos-irmãos, assim como seus ascendentes e os relacionamentos foram se perpetuando e a doença se alastrando como se fosse uma maldição. Dizem que o portador de ataxia é um revoltado, rebelde, depressivo, mas tem muito portador usando de bom humor para aliviar as nossas dores e os nossos incômodos. Resolvi adotar a mesma tática, procuro dar suavidade ao que me resta.
Na internet é fácil a gente encontrar links e comunidades de piadas que foram criados por atáxicos com a finalidade de tornar o nosso dia-a-dia mais digerível, ameno e menos pesado. A internet nos trouxe muitas facilidades porque podemos trocar informações com outros portadores da doença em comunidades como o Facebook, Watsap; grupos como o Ataxia net no Yahoo e outros.
Quem convive diariamente com um portador de ataxia, no estágio mais avançado, sabe do que eu estou falando. Foi assim com minha mãe e meu irmão Paulinho, que cuidaram do meu pai, em União dos Palmares, até o último suspiro. Há muito preconceito ainda na sociedade para com as pessoas que têm esse problema, tanto que muita gente esconde a doença e diz que é apenas uma labirintite.
O teste genético, molecular, vai apenas comprovar o que já sei: que sou portadora de uma herança maldita. Convivi com meu pai, acompanhei tudo de perto e tenho consciência dos meus sintomas e limitações.

quinta-feira, 14 de janeiro de 2016

Procissão do mastro da festa da padroeira

Foto: Olívia de Cássia - arquivo 2014
Olívia de Cássia – jornalista

Será neste domingo, 17, a procissão do mastro da festa da padroeira de União dos Palmares, Santa Maria Madalena. São 181 anos de festividades e fé do povo palmarino, que todo ano representa a sua fé acompanhando o cortejo.

A árvore esse ano foi tirada na Fazenda Laginha, onde ficava a antiga Usina Laginha, e como tradição será carregada por milhares de fiéis; mas  antes de falar da fé e da religiosidade do nosso povo, vai aqui uma sugestão: que para cada árvore cortada anualmente, outras dez sejam plantadas, para preservar o nosso meio ambiente.

A saída do cortejo será no final da Rua Juvenal Mendonça (antigo Castelo Branco),  com destino à Igreja Matriz de Santa Maria Madalena. A procissão percorre cerca de três quilômetros: são fiéis que fazem o percurso quase correndo: a pé, de moto, bicicleta; cavalo ou carro.

Um  detalhe que se mistura com a fé é um culto pagão e incomoda muita gente: alguns homens embriagados durante o trajeto, montados nos cavalos, que às vezes assustam. Depois da procissão, costumam desfilar na Avenida monsenhor Clóvis Duarte, para demostrar ostentação e ficam lá até tarde da noite.

Alguns comerciantes de churrasquinho aproveitam para faturar e até paredões são instalados.  Já teve ano que depois do evento ou durante aconteceram casos de agressões e até tiroteios, por conta da injeção exagerada de álcool.

Mas a festa de Santa Maria Madalena é o principal evento turístico religioso/cultural de União dos Palmares e reúne milhares de devotos da santa, bem como pessoas que querem apenas se divertir. 
É nessa época que se dão os encontros fraternos; de amigos e familiares que passam o ano distante. 

Desde criança acompanho esse ritual. Lá em casa era costume a gente receber os parentes que chegavam do Rio de Janeiro e era tudo muito bom de se viver tudo aquilo.

São momentos que estão na memória de quem viveu em União dos Palmares nas décadas de 60; 70; 80 e por aí vai. Um tempo de calmarias, onde a cidade não tinha essa violência estampada nos dias de hoje, onde a gente ia visitar as casas dos amigos e familiares; fazia refeições, se divertia harmoniosamente.

Outro setor que vai festejar o período é o  comércio local, pois  é uma oportunidade de faturar um pouco mais e aquecer as vendas. Lembro que nessa época do ano, as moças não repetiam uma roupa para o evento e nas nove noites de festa se trajavam com peças diferenciadas.

As atrações artísticas para o evento, que acontece na Praça Basiliano Sarmento, o point das atividades culturais de União, onde está localizada a Igreja Matriz de Santa Maria Madalena; a Casa do Poeta Jorge de Lima e próximo ao Museu de Maria Mariá,  ainda não foram anunciadas.

Atualmente a festa cresceu bastante: antigamente estava restrita apenas na praça, mas atualmente se estendeu até a Avenida Monsenhor Clóvis Duarte e o pátio da antiga Estação Ferroviária, mudando toda a estrutura da cidade nessa época, como o deslocamento da principal feira livre e o trânsito.

Este ano eu não poderei ir para a procissão das charolas e nem para mais dias de festa, mas por certo neste domingo estarei presente, embora que discretamente, por conta de motivos superiores, mas estarei daqui, pedindo a proteção da santa. Fiquem com Deus.


terça-feira, 12 de janeiro de 2016

Mitos se vão. E outros... virão??



Por Gabriela Rodrigues
Jornalista

Você já ouviu a versão de “under pressure” apenas com os vocais de David Bowie e Freddie Mercury?! Experimente, o áudio está disponível no youtube. Recomendo aumentar o volume. E, de preferência, ouvir nos fones de ouvido. Para perceber detalhes da genialidade de Bowie e Freddie. E esta é apenas uma parte do que esses dois mitos tinham em comum.

O áudio é uma gravação do verão de 1981, no Mountain Studios, na cidade de Montreux, Suíça. E voltou à tona em redes sociais e site no dia 11 de janeiro, diante da notícia da morte do camaleão.

Um dueto como esse provoca alegria e melancolia. Alegria por não fazer parte de uma geração que “viu e viveu” inícios de mitos como Freddie ou Bowie, “no olho do furacão” da música e da cultura pop, mas por ter figuras emblemáticas como estas fazendo parte de minha trilha sonora e do meu dia a dia há anos, provando que são atemporais, únicos, como uma arte que se mantém viva, atual e atemporal. Basta ouvir Under Pressure algumas vezes, (de preferência com Bowie!) para descobrir algo novo a cada vez que o fone de ouvido é plugado e o som começa a rolar.....

A melancolia é a de constatar que pouco a pouco os grandes ícones se vão, sem que outros “a altura” surjam para preencher lacunas impreenchíveis. A melancolia é a de saber que sim, bandas e artistas novos surgem e se consolidam no cenário cultural, mas não como lendas capazes de transcender gerações e de ditar, mais do que música, comportamentos, estilos de vida, formas de pensar, agir e questionar ideias e ideais. E é disso que precisamos. Mais do que da música, precisamos da música que nos transforma.

Este não é um texto para ser nostálgico, mas apenas uma impressão. Porque basta ouvir a “capella” de Bowie e Freddie para entender porque gosto tanto de um som que ao longo da vida absorvi de meus pais, irmãos e de mim mesma. E que continuarei a absorver, a sentir de forma diferente, e a viver. Porque jamais haverá, nunca mais, outro Bowie, nem outro Freddie, nem outros Hendrix, Elvis, Cobain, Lennon, Janis Joplin, Michael Jackson, Jim Morrison... Sem falar dos nossos Tim Maia, Cazuza, Raul, Renato Russo.... e outras lendas.

E outros grandes irão.... outros “outros” surgirão. Mas as lacunas são impreenchíveis. Há nomes incríveis, mas ainda não há produção que se possa comparar a obra consolidada por mitos das eras pop e rock das décadas de 60 a 80...
Não sei se pelo contexto, não sei se pela era, ou se, simplesmente, o que houve de melhor na música “já era”....

Atemporais. Apenas tudo isso.
Meus heróis morreram de overdose.




quarta-feira, 6 de janeiro de 2016

DUAS BARRAS PRIVATIZADA?

Lindair Amaral - Professora do Pronatec - Cursos Técnicos

Não Bastasse a concessão do uso de uma duna (literalmente), um pedaço cuja preservação deveria ser obrigatório pelos órgãos públicos responsáveis, se ergue um restaurante, cuja força me parece tão grande, que se sobrepôs ao nome do lugar que hoje é chamado de Dunas de Marapé.

Não obstante a tamanho desrespeito, por estar do outro lado do rio, temos, na maré alta, fazer uso para a travessia de um barco local, apesar da entrada oficial, que custa R$5,00 por pessoa (negociável, bem seja dito).

E a surpresa maior vem exatamente aí. O jantar R$60,00 (sessenta reais) por cabeça até pode ser entendido já que o preço é livre em estabelecimentos privados.

Mas, pensamos, vamos apenas sentar na cadeira de praia, comer uns petiscos e se deliciar com a paisagem. Fomos barrados antes mesmo de sentar pelo garçom que nos trouxe a seguinte informação: Para uso das cadeiras teríamos que pagar R$ 30,00 (trinta reais), achei justo já que me acostumei a ser cobrado por esse serviço em outros lugares, mesmo que não concorde com ele. A consumação deveria ser a liberação dessa taxa.

Mas, o pior estava por vir, esse valor era por cabeça, ou seja, R$ 240,00 (duzentos e quarenta reais) já que estávamos em oito pessoas. E pasmem, sem negociação, com ou sem consumação!!! Me senti mais que roubada, me senti humilhada na terra que propago e trago de longe pessoas para conhecer.

Me senti em uma terra sem dono, onde além de burlar a lei de proteção à natureza, exploram os turistas (principalmente os que não lhe são convenientes). Me senti discriminada, gente da terra para quê, se vários ônibus da CVC são capazes de engordar os cofres sem se misturar aos alagoanos? Não seria então essa forma também de discriminação?

Do outro lado do rio, pequenas barracas simples e muita gente! Gente que não pode passar para o outro lado e nem ocupar frente da barraca, mesmo levando suas cadeiras e guarda sol, (declaração do usuário da terra) isso senhores é privatização de uma praia pública e discriminação do lazer daquele que não pode ser extorquido pelos valores tão altos cobrados.

Minha indignação vem do meu retorno, no mesmo barco, que não devolveu meu dinheiro. Vem do poder público que não fiscaliza e dos órgãos que fingem não ver o sacrilégio da construção em área ambiental. Vem da farsa que acompanho em alguns lugares que são prejudicados e outros que são liberados sem restrição, apesar de tantas restrições...

Qualquer alagoano sabe do que falo. Em tempo de se salvar o verde e se lutar pela preservação ambiental, o litoral norte é invadido por prédios e prédios a beira mar, indiferente ao enfrentamento das águas contra suas encostas. Indiferente ao aumento de volume de água que se espalha e destroi.

Minha indignação vem por não ter respostas, não ter recursos, não ter canais além da minha própria voz e da voz de milhares de alagoanos cujo poder público finge não escutar.
Não bastava o reduto territorial feito pela política, agora também sofremos pela privatização do lazer público alagoano.
E eu pergunto... ATÉ QUANDO?

Um novo recomeço

Olívia de Cássia - jornalista
Recomeçar sempre é a palavra de ordem, para que a gente se fortaleça, aprendendo com as adversidades e se fortalecendo com elas. O ano-novo mal começou e, de fato,  o brasileiro só começa a voltar à normalidade logo depois do carnaval, que esse ano, feliz ou infelizmente, acontece no começo de fevereiro.
Depois das festas de fim de ano, o povo já começa a pensar no carnaval; mas para os palmarinos da minha terra, antes disso vem a festa da padroeira, Santa Maria Madalena que faz parte da vida de todos nós, evento que renova a nossa fé e preces nos fazendo voltar mais para a espiritualidade, no caso daqueles que a tem.
 Na semana de festejos natalinos e de réveillon as discussões políticas nas redes sociais se aquietaram um pouco, mas não quer dizer que esse arrefecimento nos ânimos seja a ‘insustentável leveza da resignação’.
A  gente sabe disso, pois o poder é tão fascinante para muitos que chega a anestesiar mentes e corações com a perspectiva dele e esquecem essa gente o que o ser humano tem de melhor e mais bonito: a humildade.
Não podemos nos esquecer,  mesmo que tenhamos deixado as querelas um pouco de lado, a luta contra a corrupção, pela preservação da nossa democracia, conquistada com sacrifício e morte de muitas pessoas, por homens e mulheres de bem desse país.
Não podemos esquecer também a guinada do conservadorismo estampada nas mídias sociais, por pessoas jovens, estranhamente tacanhas e pequenas na maneira de pensar, o que só revela a verdadeira face daqueles que se escondem por trás de um teclado de computador ou de um celular.
Mas o coração precisa estar arejado para que não nos embrenhemos nessa seara tão perigosa. Nessa época do ano é de praxe que eu fique um tanto quanto acometida de uma ‘macambuzisse’, refletindo sobre algumas situações de minha vida pessoal; minha saúde e escolhas individuais, sem importância para quem quer que seja, sendo-o relevante apenas para mim.
Tenho refletido muito nesses tantos anos de vida que me chega logo no início de mais um janeiro, embora eu não me sinta tão idosa quanto a idade que já me bate à porta.  Não tenho sentimento de culpa de qualquer que tenha sido minhas ações, apenas daquelas que por acaso não tenha trazido nenhum fruto positivo.
As minhas reflexões talvez se deem pela covardia de pensar que posso vir a precisar do auxílio de cuidadoras, tão logo os sintomas da DMJ se agravem. Mas não quero pensar nisso agora. O que me vem à mente são sentimentos de paz, humildade que aprendi com meu pai.
O pensamento que me chega na manhã é de otimismo, esperança e positividade, acreditando que eu possa superar as sequelas e ainda produzir muitos frutos, que no meu caso são as minhas ferramentas de trabalho: a escrita e a fotografia; também as amizades conquistadas ao longo da minha existência.
Meu lema sempre é viver para apreciar e desfrutar da cultura, diversão e arte e ainda aproveitar o que a vida pode me oferecer de melhor. Não posso pensar em situações que não sejam de paz e bem e esse recomeço tem que vir acompanhado desses ingredientes primordiais.  Para reflexão. Fiquem com Deus.

Ainda tenho esperança

Por Olívia de Cássia Cerqueira O dia amanheceu com mais uma promessa de vida. É sexta-feira, dia de alegria, como todos devem ser: de agr...