quarta-feira, 28 de junho de 2017

Véspera de São Pedro

Por Olívia de Cássia

Hoje, 28 de junho, é véspera de São Pedro. Chove muito lá fora e me reporto aos tempos da juventude, fazendo um paralelo com o que vivo hoje. Jamais imaginaria que fosse me aquietar, pois não queria perder nem aniversário de boneca.

O tempo passou e voou tão rápido, que nem percebi a sua rapidez. Estava tão envolvida com o trabalho, que não tinha outros olhos para muita coisa lá fora. Lá se foram muitas perdas e sonhos que eu acalentava.

Não é que eu tenha deixado de sonhar, só que agora os pensamentos são dentro da realidade que me cerca. No temnpo da juventude eu já estaria me arrumando para o encontro com os amigos; mesmo que tivesse caindo tanta chuva como agora. E se meus pais impedissem, eu dava um show.

Agora, no abrigo do meu modesto lar, eu agradeço ao pai celeste por tudo. Pela família que me deu e pelos anjos que colocou no meu caminho, fazendo com que minha vida ficasse mais bonita.

Sou feliz agora, apesar da pouca saúde, das limitações do corpo, mas a cabeça ainda pensa. O cenário político entristece a gente, não dá para acreditar em tantos retrocessos num país que já viveu tempos sombrios.

Há uma crise moral, social e política. Me vêm à cabeça muitas lembranças, mas não vou deixar que me amoleçam e me deixem cabisbaixa.

Às vésperas de viajar para o Sudeste, minhas expectativas são outras. Vou conhecer novos ares, agora tenho todo o tempo, não preciso me preocupar com faltas ao trabalho e nem com desculpas e satisfações.

Sou livre e essa liberdade me basta, para ser o que sou. As festas juninas já estão chegando ao final e eu nem fiz questão de ir. Fui apenas a uma confraternização da minha cateria profissional e ponto.

Lá fora chove forte, alguém solta fogos em alguma parte da cidade. Me recolho por conta de uma virose e crise alérgica que me persegue com a mudança do tempo, mas vou melhorar.

Juca se assanha todo e late para um gato de rua que veio se abrigar aqui. Agora me pede colo e quer brincar com sua bolinha azul, a que mais ele gosta. Os gatos estão aninhados nas camas para espantar a preguiça e eu sigo espirrando desejando que o chá de limão com alho faça algum efeito positivo. No mais, é vida que segue e ter esperança. Boa noite.

terça-feira, 13 de junho de 2017

Desestímulo

Por Olívia de Cássia

Estou vivendo um momento de desestímulo para escrever. Já passou de um mês, eu acho, desde a última vez que postei algo no blog. Andei adoentada, atribulada com a reforma da casa e depois, a conjuntura está tumultuada, estou desaceditada das nossas instituições e não tenho incentivo algum para discorrer sobre esse vale de lama que o Brrasil está atravessando.

Vasculho no fundo da mente algo inspirador, para que volte a escrever. Desde que me aposentei, esse foi o maior período que fiquei assim, sem ânimo, sem aquela impaciência que me leva a dizer algo sobre algum tema, mas sigo esperançosa por dias melhores. Para que eu possa tomar o curso normal das coisas.

Um tempo em que a gente volte a falar também de amore, de flores, de vida. De mensagens otimistas, de perspectiva de vida e de esperança. Boa noite.

sexta-feira, 28 de abril de 2017

Em tempo de reformas

Por Olívia de Cássia

Me ausentei por um tempo de atualizar o blog e a minha página no Facebook, por conta de estar com reformas em casa e não ter nem onde colocar o notebook para escrever alguma coisa. Nesse ínterim, meu tempo foi ocupado com assuntos domésticos e material de construção.

A minha reforma ainda não acabou, mas não estou ausente das grandes discussões nacionais ou da pauta diária local. Hoje é dia de greve geral contra as reformas do governo ilegítimo. Ligo a TV e vejo a âncora tratar o dia como um feriadão e discorrer apenas sobre os 'prejuízos' que a greve irá trazer ao país.

Em momento algum falam dos prejuízos que essas reformas da Previdência e a trabalhista vão resultar ao trabalhador brasileiro. E me ponho a pensar e a estabelecer alguns parâmetros.

A comparar a reação da população de outros países se algo parecido acontecesse por lá. Sou contra a violência, mas o povo tem que ir as ruas reclamar o que está sendo tomado. E aqui não vai a opinião partidária, mas cidadã.

O que é que os pais estão ensinando hoje em dia a seus filhos e o que eles estão aprendendo nas escolas, a gente não sabe. Estou sendo censurada numa rede social, por compartilhar postagens defendendo a greve geral e contra o golpe desferido no ano passado. Isso quer dizer que 2016 ainda não acabou.

O regime de exceção está sendo aplicado no pais, a democracia está sendo tomada por uma corja vagabunda de ladróes, comprovadamente e mesmo assim ainda tem gente se colocando conta a mobilização dos trabalhadores.

Copiei na minha linha do tempo no Facebook, um texto do amigo Carlos Madeiro, já que estou sendo impedida de compartilhar textos pertinentes ao tema, mas vou reproduzir aqui também já que acho bem oportuno.

Diz ele: "Você pode ser contra a greve. Não vá, é compreensível a omissão. O que não​ se pode tirar é o direito de luta das pessoas. Existem no Congresso duas propostas que afetam brutalmente as relações de trabalho e a aposentadoria", disse ele.

"São temas sérios demais, que não foram debatidos --a não ser com empresários-- e que as mudanças foram propostas por um governo​ interino. Não importa aqui se você defende esse ou outro ponto de vista. A greve é um grito do trabalhador que teme essas mudanças e vê a chance da vida piorar. Todos devem entender isso, independente de lado político. Ah, e se você acha de verdade que quem apoia a greve é para não prenderem Lula, pra defender o PT, procura uma terapia. E tenta curar ó odio que lhe faz mal e o aliena da realidade", observou Madeiro.

Sou de uma época que quualquer que fosse a medida contra trabalhadores e estudantes, estávamos na rua protestando, mesmo em época de ditadura militar. Me inquieto com a passividade das pessoas, principalmente os estudantes de agora, que já receberam o país numa democracia e a maioria que se abstém de se posicionar nasceu em lares com conforto.

Defendo a greve geral, sim. Embora esteja impedida fisicamente de estar em protestos e grandes aglomerados, por conta de problemas de saúde, mas faço a minha parte de outras formas. Vamos reivindicar nossos direitos e nas próximas eleições retirar essa corja vagabunda que tira o direito dos trabalhadores. É o que tenho a dizer hoje, parz reflexão.

quinta-feira, 6 de abril de 2017

Sobre o medo

Por Olívia de Cássia

Por causa do medo que eu tinha de tomar iniciativas que eu queria e precisava tomar, eu perdi algumas oportunidades de crescer e me realizar profissionalmente e pessoalmente, da maneira que sempre sonhei. O medo é uma limitação que nos aprisiona.

Dizem que ter medo de reconhecer erros é abdicar de todo potencial que pode ser descoberto após transcendê-los. Sonhei com muitas viagens, com reconhecimento profissional, em cobrir conflitos externos e em ser uma pessoa melhor.

Sempre fui uma sonhadora, idealista e luto por um mundo melhor para todos. No momento de agora, mais cética diante da atual conjuntura, não deixo de lutar pelos meus ideais, embora eu tenha mais paciência para determinadas situações. Ninguém é perfeito.

Agora na maturidade e fora do mercado de trabalho por conta da aposentadoria, estou em paz. Não pensei que fosse me acostumar tão logo afastada do trabalho, da reportagem, que sempre foi o meu sonho. Agora não adianta arrependimentos e frustrações.

Ninguém quer ter um problema de saúde grave, para se afastar do trabalho. A ataxia vai nos limitando, roubando os nossos movimentos, nos tornando mais frágeis. Mas ainda quero viver muitas situações de prazer pessoal, conhecer outras culturas e espero que não seja tarde demais.

Que ainda me seja dada uma oportunidade de melhorar, uma prorrogação, para que eu possa desfrutar o momento de agora. Talvez a psicologia explique o motivo de eu ter tanto medo e ter me libertado desse sentimento que vai nos consumindo e acabando com a autoestima.

Minha saudosa mãe, no seu cuidado e vigilância dobrada com a minha pessoa, àquela época, me dava muitos conselhos, à sua maneira e me fazia muito medo de tudo, para que eu não caísse em tentações da vida, por conta das amizades que eu tinha.

Ela preferia acreditar no que os outros diziam do que confiar em mim; muitas vezes entrávamos em conflito, por conta da nossa divergência de ideias; desses medos dela que depois eu absorvi com o tempo, mesmo sendo rebelde a maior parte do tempo, o que não me ajudou muito.

Foram momentos tensos, divergências de pensamentos, ideias e objetivos, deparando-nos com situações de conflito. Quando meu pai e minha mãe se foram passei a me questionar a respeito de várias questões interiores e a me perguntar se tinham me perdoado pelas minhas atitudes.

Agora compreendo que não foi por falta de amor que eles, principalmente minha mãe, agiam daquela forma comigo. Era a sua maneira de amar, com rusticidade, que eu não entendia. Com o tempo a gente vai desvendando os mistérios da alma.

Que todos possam ter essa compreensão da vida a tempo de redimir-se diante de nós, diante da vida. Bom dia.

quarta-feira, 5 de abril de 2017

Reformas que precisam ser feitas

Por Olívia de Cássia

Há mais de duas semanas que estou em reforma aqui em casa. Vou fazendo aos poucos, pois o dinheiro é curto; sem planejamento, não dá para fazer tudo de uma só vez. A pintura está quase terminada, mas faltam colocar piso e revestimentos. Tudo muito caro, mas que é preciso ser feito. Passei muitos anos sem fazer nenhum tipo de melhoramento no meu lar.

Comecei arrumando as gavetas do guarda-roupa, que estavam em confusão, tudo bagunçado. Não sou uma administradora do lar. Sou péssima nesta seara. E enquanto eu arrumava minhas roupas, lembrei das reflexões de Clarisse Lispector no livro A paixão, segundo G.H.

No livro a protagonista-narradora, que despede a empregada doméstica e decide fazer uma limpeza geral no quarto de serviço, faz algumas reflexões sobre a vida. Após recuperar-se da frustração de ter encontrado um quarto limpo e arrumado, G.H. depara-se com uma barata na porta do armário.

Depois do susto, ela esmaga o inseto e decide provar seu interior branco, processando-se, então, uma revelação. G.H. sai de sua rotina civilizada e lança-se para fora do humano, reconstruindo-se a partir desse episódio.

Não que eu me compare com a autora, seria muita pretensão de minha parte, mas toda vez que vou arrumar as gavetas do guarda-roupa, fico a pensar em algumas situações da minha vida.

A protagonista vê sua condição de dona de casa e mãe como uma selvagem. Tal qual a protagonista, não nasci para esse ofício, não sei quase nada de nada, sou um desastre. Clarice escreve: “Provação significa que a vida está me provando. Mas provação significa também que estou provando. E provar pode ser transformar numa sede cada vez mais insaciável.”

Estou me descobrindo com gosto de fazer novos experimentos em arrumação da casa, nunca fui muito de me dedicar a isso, mas estou gostando dessa nova fase da minha vida, depois de aposentada por invalidez.

Entendi que tenho que preencher meu tempo com foco e objetivo nas atitudes positivas, mesmo que meu dinheiro não comporte todas as minhas ideias de melhorar a minha qualidade de vida limitada pela Doença de Machado Joseph.

Quando terminar a reforma vou viajar, conhecer lugares que não conheço, desfrutar dessa paz que reina em mim, sem pensar nas dores do passado, que já ficaram para traz e focar na minha saúde, fazendo o que devo fazer para melhorar ainda mais a minha autoestima e minha espiritualidade já um pouco fraca.

São essas reformas pessoais de casa que precisam ser feitas;, mas para melhor. Não têm nada a ver com o que está sendo feito com o nosso país, que desce de ladeira abaixo todos os dias, com medidas indigestas para a maioria da população que precisa dos serviços do Estado para viver melhor. Tenham um bom dia.

quarta-feira, 22 de março de 2017

A despedida

Por Olívia de Cássia

Meu bebê de quatro patas de doze anos, a Malu, virou uma estrela. Ela se submeteu a uma cirurgia de risco da vesícula e o veterinário já tinha me alertado de que ela poderia morrer, tanto na cirurgia quanto depois dela, mas que era preciso a intervenção, por conta do sofrimento da cadelinha toy.

Eu nunca tinha visto tanta pedra ser retirada de um animalzinho indefeso e nem sei como ela estava aguentando esse tempo todo. Se o ser humano tem um problema ele grita e diz, mas a Malu apenas olhava com aqueles olhinhos pra gente, para dizer que não estava bem.

Nem a palavra mágica passear a animava mais. Malu foi o melhor presente que eu ganhei, há doze anos, quando estava numa fase conturbada da minha vida. Foi presente do primo Edvaldo Siqueira, o Edinho, e veio para mim um bolinho de pelo de 700 gramas.

Algumas pessoas diziam que ela não sobreviveria naquela época. Durante todos esses anos, a Malu, com seu sorriso mais lindo do mundo, como eu dizia para ela rir para as visitas, só distribuiu meiguice, amor incondicional e amizade.

Dormia comigo e ultimamente já vinha dando sinais de que estava chegando a hora de partir, virar estrelinha. A minha estrela que vou continuar amando e lembrando pro resto da vida, como lembro de todos que vieram antes dela.

Nem pude chorar o luto da Malu, pois tive que me ausentar o dia quase todo de casa, por conta de consulta médica que estava marcada há alguns dias no Hospital Universitário, e não poderia faltar.

Deixei o corpinho da minha deusa para ser feito os procedimentos devidos por minha prima Isabell. Foi melhor assim. O ruim é não ter um cemitério para animais por aqui, para que a gente dê um enterro digno a um pedacinho de nosso coração que se foi. Eu não chorei ainda essa perda como eu deveria e queria.

A comprovação da ataxia me deixou menos sensível para chorar, em algumas situações, como era de costume, nos endurece o coração e nos deixa mais duros, devido a tanto remédio. Depois da comprovação da Doença de Machado Joseph, estou procurando não me emocionar.

Não passar por situações de estresse como estava acontecendo antes do benefício, pois isso só piora meu estado de saúde. As pernas travam, as carnes tremem, a gente cai e tomba com mais facilidade. Agora, devidamente medicada e com a fisioterapia, venho tendo melhor qualidade de vida.

Me mediquei antes de sair de casa, mas passei o dia no hospital para ser atendida e voltei em situação de cansaço físico e mental. Estou exausta e triste, mas o que me conforta é o sentimento de que se Malu tiver um espírito, ele está sereno e em boa companhia.

Amo essas criaturas e acredito que são anjos que Deus coloca em nossas vidas para tornar nossos dias mais amenos e suaves. Podem me chamar de louca, quem não gosta dos bichinhos, mas eu ‘conversei’ muito com Malu, antes da cirurgia. Uma espécie de despedida antecipada.

Disse para ela que ‘Francisquinho de Assis’ iria estar do lado dela e todos os espíritos de luz; falei do meu amor por ela, eterno, sincero e leal. Ela se foi, mas com a certeza de que era muito amada. Meu pedacinho de amor. Boa noite e fiquem com Deus!

quinta-feira, 16 de março de 2017

Finalmente chove

Por Olívia de Cássia

Finalmente chove, para aplacar o calor infernal que está fazendo em Maceió. A rua está silenciosa. É noite de quinta-feira, mas poderia ser de qualquer dia. O tempo fechou, mas a quentura permanece. Agora tenho todo o tempo livre para pensar, me organizar e ler.

E ao contrário do que eu estava pensando, estou lendo menos depois da aposentadoria. Tenho um mundo novo para colocar em dia, mas me policio e me critico por isso. É preciso Organizar a casa, que está fora de ordem, sou uma péssima administradora do lar. Não nasci para essa função.

Tenho que providenciar algumas coisas, tomar conta dos meus bebês e depois de tudo em seus lugares, quero aproveitar o que me resta. Viver cada momento, descobrir mundos, viajar como eu sempre sonhei e não realizei.

Quero conviver mais na companhia dos amigos e perseguir dias mais suaves. Essas são as minhas metas, além de voltar com todo vapor às leituras, depois de tudo organizado.

Pipico, meu gato mestiço, sobe no apoio do notebook e pede carinho, reclama e faço um cafuné; Juca reclama atenção. Malu está pionga, doentinha, fez exame de; ultrassonografia hoje. A idade também chegou para minha deusa.

Hoje de manhã, foi para retirar os livros das estantes e colocar tudo em cima da cama, para que o rapaz recomece o serviço de limpeza e pintura. Dá muito trabalho, mas o contato com meus livros me faz bem; são meus companheiros de uma vida.

Estou naquela fase em que as mulheres sofrem com os calores da maturidade. Passo mal e desejo entrar numa banheira gelada. Ando um pouco com Malu e Juca, para que se acalmem. Parou de chover. Foi só um ensaio; está mais quente ainda.

Leio num site alternativo, que além de todas as maldades do governo maldito golpista, vão privatizar também Aquífero Guarani. “As negociações com os principais conglomerados transnacionais do setor, entre elas a Nestlé e a Coca-Cola, seguem “a passos largos”, informa o site.

Segundo o redator, representantes destas companhias têm realizado encontros reservados com autoridades do atual governo, no sentido de formular procedimentos necessários à exploração pelas empresas privadas de mananciais, principalmente no Aquífero Guarani, em contratos de concessão para mais de 100 anos. Chegamos ao fundo do poço, bem fundo mesmo.

Fico me perguntando o que será de nós, pobres mortais, diante de tantas injustiças e medidas destruidoras. Para hoje é o que tenho. Boa noite.


sexta-feira, 10 de março de 2017

A escolha de Sofia

Por Olívia de Cássia

Quando Sofia nasceu, não teve festa, nem muita alegria. O pai estava trabalhando; a mãe pariu sozinha e quando a parteira chegou ela já tinha vindo ao mundo. A mulher atravessou o rio e veio correndo; cuidou apenas dos procedimentos necessários a uma recém parida e seu bebê.

Naquele tempo de poucos recursos, casar e procriar era o destino de toda mulher, mais que uma obrigação. Os pais de Sofia vieram da roça e mal sabiam ler, mas ensinaram para ela e os outros filhos que tiveram, os conceitos mais preciosos que formam uma família.

Sofia foi crescendo livre, rebelde, não pensava em casamento e queria viajar e conquistar um futuro promissor. Vivia livre, no meio daquela comunidade carente de políticas sociais e foi entendendo certas nuances da vida. Ela não se contentava com o chamado destino que os mais velhos falavam. Avaliava que poderia mudar tudo aquilo, se preciso fosse.

E foi com esse objetivo que começou a se interessar pelos estudos, conviver com pessoas ligadas à arte, a música e aprendeu com elas a ter bom gosto. A mãe de Sofia, dona Mércia, não entendia o motivo de a filha viver com a cara nos livros, gostar de hobbies caros como escrever todos os dias para os amigos, a fotografia e colecionar coisas.

Internet e tecnologias nem sonhavam em existir no Brasil dos anos 60, 70, quando Sofia nasceu e viveu sua adolescência. Ela gostava de poesia e personalizou seu quarto com painéis de poesias, colagens tapeçarias e almofadas, coisas que ela produzia na adolescência para deixar seu quarto de um jeito adequado ao seu mundo. Era ali que ela gostava de passar horas a fio.

Já na adolescência vieram os primeiros problemas ‘sentimentais’. Sofia era do tipo romântica e se ‘apaixonava’ com facilidade por qualquer garoto, mesmo que nem se importassem com ela. Passou a ter baixa autoestima por isso. Se achava muito feia e desengonçada e foi esse complexo de inferioridade que a levou quase à depressão profunda, já àquela época.

Dona Mércia passou a fazer intervenções fortes e cotidianamente na vida de Sofia. Jogava remédios sem receita que a filha tomava para emagrecer, mesmo sendo magra. Colocava os irmãos e rapazes amigos da família para vigiar a filha rebelde.

Acreditava mais nos mexericos das beatas fofoqueiras do que na filha e assim castigava a menina a cada comentário maldoso que ouvia sobre ela, sem antes nem saber se era verdade. Primeiro batia. Foram várias surras que Sofia levou.

E quanto mais ela apanhava, mais se rebelava contra o sistema, que para ela significava a proibição, o veto à sua liberdade. E Sofia começou a ler e ler mais, até que um dia chegou a vez de fazer vestibular, escolhendo um curso que não era do gosto de sua mãe.

Os pais, naquela época, queriam filhos ‘doutores’ e fazer uma escolha fora da Medicina e dos cursos nobres era uma afronta à família. E mais uma vez Sofia se mostrou firme na sua escolha; queria escrever, ser escritora, poeta, jornalista. Não adiantaram as críticas negativas: foi em frente e seguiu o seu destino.

quinta-feira, 9 de março de 2017

Preocupada, mas aliviada

Por Olívia de Cássia

Queridos leitores, perdoe-me a ausência por período tão longo, mas estava resolvendo querelas burocráticas da rotina diária de uma recém-aposentada e necessitada de auxílios médicos. Hoje me sinto mais aliviada com a chegada da aposentadoria, embora tenha sido por invalidez.

São dores e sintomas diferentes que vão variando no dia-a-dia, por conta da Ataxia, mas a gente vai resistindo do jeito que pode e procurando viver o que nos resta de forma mais suave, sem valorizar questões que não estão a o nosso alcance resolver.

No entanto, diante da atual conjuntura nacional, em que vemos a previdência social ameaçada e nossos direitos, conquistados com tanto suor e lágrimas, à beira de serem extirpados tão vilmente, não dá para a gente esperar atitudes sensatas, por mínimo que sejam, de nossos governantes.

A tal reforma da previdência é uma dessas questões que deixam qualquer cidadão consciente preocupado com seu futuro. São muitas medidas impopulares e danosas aos trabalhadores que estão sendo implantadas e anunciadas por um desgoverno golpista e usurpador que se apoderou do poder à custa de um golpe maquiavelicamente planejado.

Todo dia é uma novidade anunciada, com gafes proferidas publicamente e sem noção. E novidades para o mal do assalariado e do pobre. A história do Brasil é um elenco de golpes e molecagens. Basta consultar os livros de história ou rememorar as aulas que tivemos.

Não dá para a gente depositar um mínimo de crédito de confiança nos tais representantes e agentes públicos atuais. Todos ou a grande maioria envolvidos em corrupção, da mais simples, à mais cabeluda.

Como disse o blogueiro Davi Sena Filho, em artigo no site Brasil 247, de 26 abril de 2016, temos, sem sombra de dúvidas, uma das oligarquias mais atrasadas e reacionárias do mundo, porque tal burguesia, proprietária da casa grande, é acima de qualquer coisa antidemocrática, antirrepublicana e absolutamente antinacionalista.

Infelizmente, as nossas instituições foram tomadas por uma quadrilha, carcomida pela ambição, subserviência e arrogância. Muitos atores dessa seara se acham deuses diante de nós, pobres mortais. O que fazer diante de tudo isso é resistir e lutar até o fim. Para refletir Bom dia.

terça-feira, 21 de fevereiro de 2017

Tempos difíceis

Por Olívia de Cássia

Parece que 2016 não acabou mesmo. Embora eu tenha adotado uma nova prática em minha rotina, de ser otimista e encarar as dificuldades com suavidade, não quer dizer que vou me alienar e ficar indiferente à conjuntura do País, do meu Estado e da minha cidade natal, União dos Palmares.

Começando por União, a população está vivendo dias de terror com a seca e o desaparecimento do Rio Mundaú, principal manancial que abastece a cidade. O fenômeno aconteceu pelo descaso do ser humano com a natureza, a falta de cuidados que é de muitas décadas, poluição, desmatamento das margens e extinção da mata ciliar e falta de cuidado com as nascentes.

Tenho recebido apelos e muitas reclamações nas redes sociais sobre a escassez de água na minha cidade. E cenas que a gente só via no Sertão, no cinema, ou lá pros idos da década de 1960 do século XX quando não tinha água encanada nas torneiras, estão no cenário da cidade.

Além do descaso com o Rio Mundaú, a mata dos Frios está sendo devastada, com queimadas da floresta para plantações outras, segundo têm denunciado os blogs e sites locais. Daqui do meu cantinho eu fico me perguntando: cadê as autoridades competentes que não fiscalizam esses crimes e não punem quem o cometem.

Cometer crimes ambientais é tão grave quanto a corrupção que a gente ver estardalhaços na mídia e que causa indignações. A vida é uma joia preciosa e só podemos tê-la com conforto se o meio ambiente estiver preservado.

Cortar madeira clandestinamente, toca fogo na vegetação, jogar lixo no rio, desmatar suas margens e poluir suas nascentes é crime gravíssimo tanto quanto. É lamentável que só se comece a pensar nisso depois que o desastre ambiental acontece.

Enquanto todos rezam para a chuva cair, e tem que ser reza poderosa, vamos pensar nisso: começar educando as crianças, que são o futuro do país; fazer projetos que dignifiquem e restaurem as matas, com plantações de mudas nativas; replantar toda a mata ciliar e desassorear o rio.

Em Alagoas os problemas de violência continuam, embora algumas pesquisas indicam que tenha diminuído. No que diz respeito ao país, vai despencando ladeira abaixo, numa velocidade assustadora, com anúncios de privatizações e extinção de todos os projetos que beneficiaram a maioria dos trabalhadores.

As nomeações estapafúrdias de personagens envolvidos até o pescoço com a corrupção, não revolta aqueles paneleiros e personagens que foram às ruas protestarem contra a corrupção. A perseguição ao ex-presidente Lula e sua família vem desde 1989, sem que tenham provas absolutas do que afirmam.

É tudo muito revoltante e não falo aqui achando que haja santos em política, porque não existe. É um jogo muito sujo e indecente pelo poder, que não tem limites e enquanto isso a justiça que deveria ser imparcial para julgar os fatos, está toda envolvida até os dentes.

São alguns pontos que deixo aqui no blog para contribuir com o debate e para reflexão, já que terei que sair daqui a pouco. Tenham um bom dia e fiquem com Deus.

sexta-feira, 10 de fevereiro de 2017

O tempo passou


Por Olívia de Cássia

O tempo voou para nós e para alguns com mais dureza. Nessa época do ano, em União dos Palmares, depois de passados o Natal, Ano-Novo, Festa da Padroeira, era tempo de a gente já pensar no Carnaval. Aula mesmo, só depois dos festejos de Momo. Temos de muitos encontros.

A cidade se enchia de amigos, familiares e visitantes e tudo era motivo de festa para nós, que apesar de não termos muitas opções como os jovens de hoje em dia, nos divertíamos muito. Cada idade tem a sua época e posso dizer que apesar dos problemas, eu fui e sou feliz.

Tive o privilégio de fazer amizade com várias gerações na minha cidade natal. Nunca fui CDF, mas não deixava de estudar por conta das brincadeiras e saídas no fim de semana. Sonhava com outro mundo.

Eu sabia que minha seara não era fazer cursos que exigiam tanto de mim, como Medicina, Direito ou Engenharia, como defendia minha mãe. A área de humanas sempre foi meu forte, coisa que minha mãe dizia, não dava dinheiro.

E ela estava adivinhando, na sua simplicidade de mulher do campo, as dificuldades são muitas; mas não teve jeito. Nunca fui afinada com a área de exatas e fui fazer jornalismo, para desespero dela.

Matemática para mim sempre foi um bicho papão, principalmente depois da surra que levei dela quando fazia o ensino primário, por ter tirado nota vermelha na matéria. Nunca aprendi nada, que desse para ir muito longe nessa área específica.

Meu lado era de sonhos, leituras, poesias, amizades, músicas e viagens que nunca fiz e ficava sonhando embalada na vivência dos meus amigos viajantes. Um lado mais suave da vida, que sempre tive afinidade.

O tempo passou; União já não é mais a mesma cidade faz muito tempo. Os amigos, a maioria se foi. Alguns para a eternidade e outros que ainda tenho a chance de encontrar vez ou outra, me fazendo relembrar da nossa juventude.

Os valores da gente de hoje já não são mais os mesmos que fomos criados. A gente não percebe as mudanças que acontecem dentro de nós. E quando menos esperamos, acontece uma transformação, sem que tenhamos noção de como tudo se deu.

Mudamos de repente, como se algo tivesse acontecido, uma revolução interior, que muitas vezes não sabemos explicar. Você amadurece com o sofrimento, com experiências e as vivências...Isso é maturidade.

A menina que existia em mim não morreu, mas foi se amoldando ao tempo; aprendeu a conviver com as complicações que vão surgindo. Quando falta a saúde, tudo o mais se descontrola, mas a gente tenta administrar o que a gente não pode mudar. O tempo passou e eu nem percebi. Boa tarde.

quinta-feira, 26 de janeiro de 2017

A Festa de Santa Maria Madalena


Por Olívia de Cássia

Há 182 anos os palmarinos celebram a sua padroeira, Santa Maria Madalena. É um ato de fé, religiosidade e devoção. Mesmo aqueles que não são católicos ou não professam a religião, reconhecem a importância do evento para União dos Palmares e região.

Além da demonstração da fé, muitos empregos são criados nessa época, movimentando a economia local. A festa cresceu, se agigantou e ocupa atualmente não só a Praça Basiliano Sarmento, como antigamente, mas grande parte do centro da cidade.

Os brinquedos, que antes ficavam armados ao lado da igreja matriz, agora são dispostos na Avenida Monsenhor Clóvis e no pátio da antiga Estação Ferroviária. A atual logística do evento lembra um pouco de como era na nossa lembrança da infância distante, mas está muito longe de ser como era.

Com o passar do tempo, o evento foi se agigantando, se adaptando às novas exigências de mercado, no que diz respeito a atrações artísticas, comércio, entre outros itens. Antigamente, a gente chegava cedo à praça, logo depois das novenas e também retornávamos cedo para casa: ficávamos no máximo até a meia noite, tal qual a Cinderela.

Os tempos mudaram os costumes e atualmente as pessoas só começam a chegar à Basiliano Sarmento quase que à meia noite e amanhecem o dia por lá. Tem shows de bandas que muitas vezes a gente mais madura não conhece e nunca ouviu falar. Dessas músicas de gosto duvidoso e muitas vezes profanas, que estão na moda hoje em dia. Não entendo isso.

Festa religiosa com música que fala de coisas tão fúteis e vamos dizer antiéticas para não dizer imorais. Em cidades como Pilar, bem pertinho da gente, só há apresentações folclóricas na festa da padroeira. A igreja não permite apresentações de bandas profanas.

A festa de Santa Maria Madalena não tem mais aquele romantismo de antes, o correio sentimental (os telegramas), que eram atração no evento e eram lidos por seu Maurino Veras e equipe. Tenho saudade daquele tempo de ingenuidade e alegria, quando a gente se confraternizava com os amigos, sem violência.

Também as músicas que eram tocadas na festa vinham do serviço de alto falantes Palmares, igualmente de Maurino Veras, pai da minha amiga de infância Rosemary Veras. As mesas da festa não eram tantas e não tinha esse viés comercial de agora, quando se coloca na praça quase 500 unidades.

Não quero dizer que o evento deveria permanecer como era antigamente, porque isso seria impossível, mas que pelo menos se preservasse um pouco da tradição, agora só lembrada nas procissões e novenário na igreja.

Naquele tempo, podíamos conversar tranquilamente com nossos amigos, parentes e conhecidos, sem precisar gritar tanto para que alguém nos ouvisse. Mas apesar de tanta mudança, a Festa de Santa Maria Madalena é a maior referência de evento religioso para o município e região e faz parte do calendário turístico-religioso do local.

Outras cidades do interior de Alagoas também celebram suas padroeiras nessa época do ano, mas festejar Santa Maria Madalena é lembrar do seu poder perante os católicos e aqueles que têm fé. É lembrar da nossa infância, adolescência e juventude, quando vivíamos nossos melhores momentos. Que Santa Maria Madalena nos proteja, proteja os palmarinos de todo o mal. Viva Santa Maria Madalena. Boa noite.

terça-feira, 17 de janeiro de 2017

Resiliência


Por Olivia de Cássia

A gente vai se adaptando às necessidades que os dias vão exigindo e de uma maneira ou de outra temos que aceitar com resignação ou lutar com todas as nossas forças, para continuar vivendo e persistir na luta diária; mesmo que às vezes, em algum momento a gente fique duvidando da nossa capacidade de seguir em frente.

Me reporto à adolescência, quando acreditava que podia tudo e que não poderia viver sem determinadas atitudes ou situações. As festas e encontros eram indispensáveis. Acreditávamos que não podíamos viver sem aqueles eventos.

Mas a vida vai nos ensinando que nada é para sempre ou que nem tudo é como pensávamos ser e temos que acreditar que podemos continuar a viver, que as situações vão mudando de importância, se acomodando e que podemos ser felizes de outra maneira.

Ai de nós se não fosse essa capacidade de ter resiliência; de nos adaptar a outra maneira de vida, com outra rotina. São desafios que vamos enfrentando a cada dia; às vezes pela falta de maturidade ou entendimento da vida.

Fui muito intransigente quando jovem, complicada e depressiva na adolescência; cheia de inseguranças e de traumas e acreditava que era muito infeliz, mas aprendi com os tropeços que não somos donos da verdade e que não existe verdade absoluta.

Há outro mundo lá fora e que a vida é linda, apesar de às vezes ser dura e cheia de lições a dar. Sempre há outra vertente; o outro lado da moeda. O autor William Rezende disse que devemos simplificar os pensamentos.

“Tenha foco, mantendo os objetivos que te motivam vivos e acesos, como uma chama que mesmo através de uma chuva não se apaga, acredite e viverás faças e conseguiras", disse ele.

Não é que eu acredite em algumas lendas urbanas, mas avalio que devemos ser persistentes, sim, naquilo que acreditamos, em sonhos reais e palpáveis. E aqueles que vão se diluindo com o tempo e as vivências nos servem de lembranças com o passar dos anos, para acalentar e servir como quimeras.

E Rezende prossegue observando que o tempo voa, fatos ocorrem e que aquela pessoa que a gente tanto tinha apreço e que era parte de nós se vai na velocidade de um trovão.

“Isso pode parecer triste e depressivo mas sempre tem o outro lado da moeda aonde se conhece alguma ou algumas pessoas que nos faz olhar pra trás e pensar: aqueles tempos eram bons, mas, sem sombra de dúvida, os atuais são melhores", observa.

É essa certeza ou entendimento que nos faz acreditar que podemos ser melhores e que a vida continua, de uma forma ou de outra. Que todos tenham dias melhores e entendam que vale a pena acreditar que valeu a pena chegar até aqui. Que Deus esteja sempre presente nas nossas vidas. Bom dia de paz e bem.

sexta-feira, 13 de janeiro de 2017

Procissão do mastro; fé e religiosidade

Por Olívia de Cássia

No domingo, 15, acontece em União dos Palmares a tradicional procissão do mastro da Festa de Santa Maria Madalena, dando início aos festejos religiosos no município. São 182 anos de tradição, atraindo nativos e turistas de várias regiões do País.

Este ano não poderei ir por uma questão de logística, mas estarei com o pensamento voltado para a fé do meu povo e às preces a Santa Maria Madalena a quem daqui já peço a sua interseção na minha saúde e orações aos amigos.

O mastro da festa, a exemplo de anos passados, tem mais de 20 metros e o cortejo percorrerá cerca de três quilômetros, numa demonstração de fé dos católicos da região e será carregado nos ombros dos fiéis até a Praça Basiliano Sarmento, onde será erguido na presença de mais de 15 mil pessoas.

Muitos devotos fazem o percurso a pé, descalças e usando roupas pretas; outras amarram fitas e escrevem pedidos de oração e agradecimentos no mastro, antes de a procissão fazer o percurso por várias ruas da cidade.

Outras pessoas vão a cavalo, carroças, bicicletas e motocicletas. É emocionante ver o espetáculo da fé se manifestando em cada devoto, mesmo que alguns estão ali não pela fé que professam, sabemos disso. O calor também é quase insuportável, mas exaustos os católicos cumprem a missão, todos os anos.

Teve ano que a cerimônia do erguimento do mastro foi tensa, pois ele ameaçou cair. Segundo a lenda que corre na cidade, não é bom sinal quando isso acontece. Em 2011 arrisquei acompanhar a procissão a pé, quase correndo, com a ajuda da saudosa amiga Cleria Lilian (Kelly), mas me senti muito cansada, porque já naquela época os sintomas da Doença de Machado Joseph já eram aparentes.

Fé e religiosidade, um sentimento em cada rosto que vai cumprir com a sua obrigação de religioso, pagando penitências e promessas. Muitas pessoas aproveitaram para registrar a procissão, com celulares, máquinas e filmadoras.

Em 2012, o professor Zezito Araújo, da Universidade Federal de Alagoas, que é historiador, também fez o percurso fazendo filmagem do evento. O que impressiona é que a cada ano aumenta o número de pessoas que acompanham o cortejo.

É um evento importante para a renovação da fé, para quem acredita nos poderes de Santa Maria Madalena. Um ato religioso que se mistura com o profano, mas em nenhum interior do Estado tem uma procissão assim, acreditam os católicos.

A história de Santa Maria Madalena é de entrega a fé que ela tinha em Deus e da sua proximidade com Jesus Cristo. No dia 23 haverá a procissão da bandeira, que será erguida no mastro e nela ficará as nove noites de festa.

No dia 2 de fevereiro, considerado o principal da festa, haverá a procissão das charolas, que saem da Igreja Matriz junto com Santa Maria Madalena e percorre também várias ruas da cidade. O encerramento mesmo das novenas acontece no dia 3, com a retirada da bandeira do mastro. E viva Santa Maria Madalena, nossa padroeira!!

quarta-feira, 4 de janeiro de 2017

Será que dá para ser otimista?


Por Olívia de Cássia

Mal o Ano-Novo começou e a sequência de tragédias e notícias ruins já se acumulam, no quarto dia do ano. No Amazonas, um massacre de presos com muitas mortes, feridos e fugas, que já somam mais de uma centena de pessoas, confirmando o que todo mundo já sabe: o sistema prisional está falido e precisa ser repensado pelos setores competentes.

A matança no presídio de Manaus é uma das maiores desde a do Carandiru, ocorrido no Brasil, em 2 de outubro de 1992, quando uma intervenção da Polícia Militar do Estado de São Paulo, para conter uma rebelião na Casa de Detenção de São Paulo, causou a morte de 111 detentos. O tema virou livro do médico Dráuzio Varela.

Além dessa tragédia no Amazonas, já aconteceram este ano: terremoto no Piauí e Maranhão, coisa nunca vista no Brasil, um louco psicopata assassinou em Campinas 12 pessoas, inclusive a ex-esposa e um filho menor e depois se matou; um atirador mata 39 pessoas em um ataque terrorista a uma boate na Turquia e outras tragédias diárias que vão se acumulando nesse início de ano.

Preciso ser otimista, mas não dá ânimo nem de a gente ver o noticiário. No que se refere ao sistema prisional brasileiro, não adianta investimento na construção de presídios, se não se capacita os detentos: não tem ressocialização e não se investe em educação e saúde. Os presídios são universidade para o crime e a a bandidagem e quem sai dali, sai bem pior do que entrou; está comprovado.

E em meio à crise política do Brasil, o governo ilegítimo de Michel Temer segue acumulando insatisfação, tomando medidas impopulares que só prejudicam os trabalhadores, causando mal-estar e revolta em quem sempre defendeu políticas públicas e melhoria na qualidade de vida para os mais necessitados.

Segundo o site Notícias Brasil, a crise política, as turbulências causadas pela Lava Jato e até início da era Trump, geram dúvidas entre investidores e empresas e atrapalham recuperação brasileira.

Segundo o Boletim Focus – pesquisa realizada semanalmente junto a instituições financeiras e economistas pelo Banco Central – divulgado na segunda-feira (2), o Produto Interno Bruto (PIB) deverá fechar 2016 com uma retração de 3,49%. Já para 2017, ele deverá ter uma alta de 0,5% – apontando, assim, uma lenta recuperação da economia brasileira.

Muitos acreditaram que com a saída da presidente Dilma Roussef, enganados pela mídia golpista, a crise cessaria. Em 15 de agosto do ano passado, o então presidente do Instituto Data Popular, agora no Instituto Locomotiva, Renato Meirelles, disse que a decisão do futuro do país estava na mão de uma briga de torcida.

"Não se pode colocar a estabilidade do país abaixo do interesse político". Segundo Meirelles, foi um erro confundir quem estava insatisfeito com o Governo com apoio à saída da Dilma. Infelizmente, o Congresso Nacional, composto em sua maioria por políticos corruptos e envolvidos em escândalos e falcatruas votaram pelam saída da presidente.

Depois que assumiu o Palácio, Temer e sua gangue está destruindo programas sociais dos governos Lula-Dima; orquestra privatizar tudo o que veem à sua frente, toma as piores decisões para estudantes e trabalhadores. E ainda há uma horda que defende isso.

Segundo o jornal O Globo, edição de 28 de abril do ano passado, o objetivo do Ilegítimo é tornar o Estado mínimo, como deseja a direita brasileira. “O Estado deve transferir para o setor privado tudo o que for possível em matéria de infraestrutura”, diz a matéria de O Globo.

E a lista de notícias pouco alvissareiras prossegue: no Rio de Janeiro, a situação é catastrófica; o caos se instalou num Estado tão bonito, cantado e decantado há décadas pelos melhores músicos da MPB, pela beleza de suas praias e do seu povo.

Segundo uma nota da Rede Sustentabilidade do Rio, medidas irresponsáveis foram tomadas, ações populistas pré-eleitorais e a inversão de prioridades. “Grande número de isenções fiscais foram concedidas para atrair empresas que se instalaram no território carioca. Uma verdadeira farra fiscal”, observa.

Diante de tanta notícia tensa, deixo para nossa reflexão de hoje: será que dá para ser otimista?