domingo, 13 de agosto de 2017

Dia dos Pais...


Por Olívia de Cássia Cerqueira

Querido Diário, hoje é daqueles dias instituídos pelo comércio, para a gente celebrar o Dia dos Pais, embora todos dias seja para nós o fazê-lo. Tive a sorte e a graça de ter sido escolhida para ser filha de seu João e agradeço a Deus por isso, mas infelizmente a gente não herda só as coisas boas dos nossos pais.

Herdei do meu querido também a doença genética que o levou a ficar 14 anos acamado e dependente da minha mãe e do meu irmão, mas são fatalidades da vida, que não escolhemos e aprendi que não adianta revolta contra isso. É aceitar e viver.

Lá em casa não tinha festas, mas aos domingos e em dia como esse, o almoço era mais caprichado e quando ainda éramos crianças e até a adolescência, fazíamos as refeições todos juntos. Mamãe já preparava antecipadamente nossos pratos e comíamos o que ela colocava.

Tive a sorte, diferente de muitas crianças que conheci, desde menina, de nunca ter passado necessidades materiais. Tínhamos o básico e nada de extravagância, mas a nossa educação sempre foi garantida pelos meus pais.

Se é Dia dos Pais, é também dia de lembrar da daquela que sempre foi o esteio e a administradora de nossas vida, de maneira firme, minha mãe.

Sabe meu Diário, fazia muito tempo que eu não me animava mais a escrever sobre algo, em textos mais longos. Mas a data me fez deixar a preguiça de lado. Vamos lá.

Depois da aposentadoria fazia tempo que eu não interagia e nem falava sobre situações diversas nesse espaço. Tenho estado diferente, eu sei, com outos propósitos: o de ocupar meu tempo com amenidades, passeios e situações que me façam feliz.

Oportunidades que não me permitam ficar lembrando a toda hora, das limitações que a ataxia me trouxe e me trará. Meu pai não reclamava da sua situação de inválido, pelo menos não verbalizava, mas ficava irritado e gritava muito com minha mãe, chegava a xingá-la muito.

Meu pai não se submeteu a nenhum tratamento, até porque a medicina, em geral, pouco conhecia a Doença de Machado Jopseph. Até hoje há descaso no que se refere a pesquisas para desenvolver uma vacina que seja, para barrar os efeitos radicais do probelma.

Apesar de tudo, das dificuldades que enfrentou na vida sendoi órfão muito cedo, meu pai era um homem digno, e até certo ponto feliz. Eu devo tudo a ele e a minha mãe, sempre repito.

Mas mudando um pouco o rumo da conversa, amigo Diário, fiz minha primeira viagem de avião a São Paulo. E ao contrário do que eu pensava antes, amei, me fez muito bem. Foi a primeira de muitas que espero ainda fazer daqui pra frente. Queira Deus que eu possa ainda fazer lindos passeios.

Por outro lado, estamos vivendo dias difíceis na política do país, desde que a fastaram a primeira mulher eleita presidente, em circustâncias obscuras. Eu não estou alheia a isso, amigo.

Depois que me afaatei do batente e tendo todo o tempo do mundo para meus animais e minha casa, me sinto bem, ao contrário do que eu imaginava. Mas a concentração e inspiração para escrever foram minguando com o avanço da ataxia moderada.

Talvez o uso do celular tenha me deixado mais lerda, ele nos tira o foco. Até com minhas leituras estou sendo relapsa, já percebi e estou me policiando com isso. Precisamos voiver e deixar a tecnologia para as horas devidas.

Bom, Diário, mas esse texto era para falar do Dia dos Pais. Que todos aqueles que sabem ser realmente pais e que primem pela educação de seus filhos, tenham um dia feliz. Que o domingo seja de paz.

E agora, o que fazer?

Por Olívia de Cássia E agora, o que fazer? Essa pergunta me veio à baila, antes e depois da aposentadoria por invalidez e em alguns dias q...